{"id":232326,"date":"2018-01-28T11:55:17","date_gmt":"2018-01-28T14:55:17","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=232326"},"modified":"2018-01-28T11:55:17","modified_gmt":"2018-01-28T14:55:17","slug":"75-anos-de-stalingrado-o-decisivo-papel-das-mulheres-na-maior-batalha-da-segunda-guerra-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/75-anos-de-stalingrado-o-decisivo-papel-das-mulheres-na-maior-batalha-da-segunda-guerra-mundial\/","title":{"rendered":"75 anos de Stalingrado: o decisivo papel das mulheres na maior batalha da Segunda Guerra Mundial"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Com todos os homens no Ex\u00e9rcito, trabalhavam nas f\u00e1bricas, dirigiam tratores e criavam os filhos.<\/h2>\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Tamb\u00e9m tiveram de assumir todas as fun\u00e7\u00f5es militares conforme o pa\u00eds perdia seus soldados<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir compartir--fijo\">\n<div class=\"compartir__interior\">\n<div class=\"compartir-varios\"><\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/01\/26\/babelia\/1516972221_680345_1516973031_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/01\/26\/babelia\/1516972221_680345_1516973031_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/01\/26\/babelia\/1516972221_680345_1516973031_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/01\/26\/babelia\/1516972221_680345_1516973031_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Blindados alem\u00e3es destru\u00eddos em Stalingrado.\" width=\"980\" height=\"626\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Blindados alem\u00e3es destru\u00eddos em Stalingrado.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">JOS\u00c9 MAR\u00cdA CASTA\u00d1\u00c9 COLLECTION<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma firma--vertical\">\n<div class=\"autor\">\n<figure class=\"foto\"><\/figure>\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Lyuba vinogradova\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/el_pais\/a\/\">LYUBA VINOGRADOVA<\/a><\/span><\/p>\n<div class=\"autor-perfiles\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<div id=\"articulo-introduccion\" class=\"articulo-introduccion\">\n<p>Passaram-se 75 anos do final daquela que foi certamente\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/diario\/2007\/09\/22\/babelia\/1190417956_850215.html\">a maior batalha<\/a>\u00a0da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/segunda_guerra_mundial\/a\">Segunda Guerra Mundial<\/a>, 75 anos desde o momento em que os russos, seus aliados e milh\u00f5es de pessoas de todo o mundo deram um suspiro de al\u00edvio coletivo. Todos vinham acompanhando as informa\u00e7\u00f5es de Stalingrado com ang\u00fastia e de forma compulsiva, haviam perdido o \u00e2nimo quando parecia que o destino da cidade pendia de um fio, e se alegraram quando chegavam boas not\u00edcias. O aterrador e impar\u00e1vel avan\u00e7o dos Ex\u00e9rcitos de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/adolf_hitler\/a\">Hitler<\/a>\u00a0por toda a Europa desde 1939 se deteve. O pre\u00e7o foi a destrui\u00e7\u00e3o de uma bela cidade \u00e0 beira do rio Volga.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p>A caminho da cidade sitiada, em agosto de 1942,\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/diario\/2007\/09\/22\/babelia\/1190417956_850215.html\">o escritor Vasili Grossman<\/a>, que mais tarde elogiaria a heroica luta pela defesa de Stalingrado, notou repetidamente e com grande tristeza o imenso \u00f4nus que reca\u00eda sobre as mulheres. Com todos os homens incorporados ao Ex\u00e9rcito, elas tinham que se virar como podiam. Trabalhavam nas f\u00e1bricas, dirigiam tratores e criavam os filhos sozinhas. N\u00e3o tinham ningu\u00e9m em quem se apoiar. Eram cada vez mais convocadas para cobrir os buracos deixados pelas terr\u00edveis perdas do primeiro ano de guerra. Come\u00e7aram a assumir fun\u00e7\u00f5es outrora masculinas. A espantosa cat\u00e1strofe lhes endureceu o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cHurra, hurra, hurra! Os alem\u00e3es est\u00e3o totalmente destru\u00eddos, os prisioneiros de guerra partem em longas filas. D\u00e1 nojo v\u00ea-los. Cheios de muco, esfarrapados, congelados. S\u00e3o a esc\u00f3ria!\u201d, escreveu uma jovem de Stalingrado em seu di\u00e1rio em 3 de fevereiro de 1943. Referia-se aos soldados e oficiais do Sexto Ex\u00e9rcito da Wehrmacht, que haviam se rendido na v\u00e9spera. Cerca de 100.000 prisioneiros, dos quais s\u00f3 metade sobreviveu. Andavam em fila e tentavam se manter perto dos guardas ou no centro da coluna, para estarem mais ou menos a salvo dos civis. Os alem\u00e3es capturados ofereciam uma imagem pat\u00e9tica: mortos de fome, enregelados e doentes, envoltos em mantas para se aquecer. Os guardas, em vingan\u00e7a pelas atrocidades germ\u00e2nicas, davam um tiro nos que n\u00e3o tivessem for\u00e7a suficiente para andar. E as mulheres, os velhos e as crian\u00e7as do lugar se postavam no acostamento da estrada para tentar arrancar suas mantas, atirar pedras, empurr\u00e1-los, chut\u00e1-los e cuspir na sua cara. Depois de meio ano de uma batalha\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/diario\/2000\/11\/10\/cultura\/973810805_850215.html\">que cobrou mais de um milh\u00e3o de vidas de soldados e civis<\/a>, n\u00e3o restava qualquer compaix\u00e3o.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">No Volga, o avan\u00e7o de Hitler pela Europa foi detido. Custou meio ano de batalha e mais de um milh\u00e3o de mortos<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>O objetivo da ofensiva alem\u00e3 em Stalingrado era interromper as comunica\u00e7\u00f5es entre as regi\u00f5es centrais da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e o C\u00e1ucaso e estabelecer uma cabe\u00e7a de ponte a partir da qual invadir a regi\u00e3o e suas jazidas petrol\u00edferas. O ataque durou de meados de julho at\u00e9 meados de novembro de 1942, e sua interrup\u00e7\u00e3o ocorreu a um pre\u00e7o terr\u00edvel para a URSS. Enquanto os soldados defendiam a cidade, os habitantes e centenas de milhares de refugiados vindos de outras regi\u00f5es ficaram abandonados \u00e0 pr\u00f3pria sorte. Anna Aratskaya, que morava em Stalingrado, escreveu em 27 de setembro: \u201cNossa casa queimou, assim como a nossa roupa, que t\u00ednhamos enterrado no p\u00e1tio. N\u00e3o temos roupa nem sapatos, n\u00e3o temos um teto sob o qual nos refugiar. Quando este pesadelo terminar\u00e1?\u201d.<\/p>\n<p>A cidade havia se tornado um &#8220;gigantesco campo de ru\u00ednas&#8221; pelos bombardeios maci\u00e7os dos alem\u00e3es, particularmente o de 23 de agosto. Haviam ficado em p\u00e9 algumas casas com janelas quebradas, algumas paredes ou uma chamin\u00e9. Muitos soldados &#8220;que nunca mais se levantariam jaziam nos p\u00e1tios e nas ruas, centenas deles, mesmo milhares, mas ningu\u00e9m os contava. As pessoas vagavam entre as ru\u00ednas em busca de comida ou qualquer coisa que pudesse ser \u00fatil&#8221;. Vasili Grossman comparou esta cidade espectral com Pompeia, mas com a diferen\u00e7a de que, em meio do caos, restaram almas vivas, centenas de milhares delas. Os civis tamb\u00e9m lutaram brutalmente em Stalingrado, n\u00e3o pelo seu pa\u00eds, mas pelas suas pr\u00f3prias vidas e pelas de seus filhos.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/01\/26\/babelia\/1516972221_680345_1516991446_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/01\/26\/babelia\/1516972221_680345_1516991446_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/01\/26\/babelia\/1516972221_680345_1516991446_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/01\/26\/babelia\/1516972221_680345_1516991446_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Lylia Litvyak, piloto da For\u00e7a A\u00e9rea sovi\u00e9tica, durante a batalha de Stalingrado.\" width=\"980\" height=\"650\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Lylia Litvyak, piloto da For\u00e7a A\u00e9rea sovi\u00e9tica, durante a batalha de Stalingrado.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">STOCK PHOTO<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Sem teto, com as casas destru\u00eddas pelas bombas ou pelo fogo, n\u00e3o havia outro rem\u00e9dio a n\u00e3o ser tentar encontrar lugar em um barco para atravessar o rio Volga. Quantos morreram na costa esperando uma oportunidade de cruz\u00e1-lo, quantos se afogaram no rio quando suas embarca\u00e7\u00f5es foram atingidas por um proj\u00e9til? Outros preferiram nem tentar. Tornou-se comum viver em buracos escavados na parede de um barranco. Muitos fizeram isso na costa \u00edngreme do Volga, onde testemunharam cenas assustadoras na \u00e1gua. \u00c0 medida em que avan\u00e7avam os alem\u00e3es, at\u00e9 quase chegarem ao rio, as pessoas tamb\u00e9m tiveram que abandonar esses buracos. Como sobreviveram durante os meses que a batalha durou? Muitos morreram pelas balas de franco-atiradores alem\u00e3es enquanto tentavam encontrar cereais queimados nos locais destru\u00eddos. Outros arriscaram suas vidas para roub\u00e1-los do Molino Gerhardt, protegido por soldados sovi\u00e9ticos. &#8220;Quando acabou o cereal, comemos lama&#8221;, lembrou um sobrevivente.<\/p>\n<p>Talvez o pr\u00f3prio Stalin, ou algum de seus colaboradores, ordenou que fosse proibida a evacua\u00e7\u00e3o de civis? Realmente existiu essa ordem ou, como em tantos outros lugares, simplesmente n\u00e3o havia recursos suficientes para evacuar a popula\u00e7\u00e3o porque o r\u00e1pido avan\u00e7o dos alem\u00e3es pegou-os de surpresa? Dizem que havia, sim, uma ordem impl\u00edcita de Stalin para manter os civis na cidade para que os soldados, muitos dos quais eram locais, lutassem com mais paix\u00e3o para proteger suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que muitos soldados haviam sido recrutados na cidade e nos seus arredores pouco antes da batalha ou mesmo assim que ela come\u00e7ou. \u00c0 medida que os combates se desenvolviam, muitos adolescentes passaram a trabalhar nas f\u00e1bricas militares e se incorporaram de forma oficial ou extraoficial ao Ex\u00e9rcito. Entre eles, havia muitas garotas. Embora ainda n\u00e3o tivessem idade para se alistarem, queriam contribuir com a batalha e acelerar o fim do pesadelo. Al\u00e9m disso, o Ex\u00e9rcito oferecia alguma esperan\u00e7a de melhor alimenta\u00e7\u00e3o para civis mortos de fome.<\/p>\n<section id=\"sumario_4|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\"><a name=\"sumario_4\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><a class=\"enlace\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/01\/26\/babelia\/1516972221_680345_1516972225_605920_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/01\/26\/babelia\/1516972221_680345_1516972225_953362_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/01\/26\/babelia\/1516972221_680345_1516972225_605920_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"\u2018No Frente do Leste\u2019, fotografia a\u00e9rea de Stalingrado feita pela Companhia de Propaganda alem\u00e3 (PK).\" width=\"360\" height=\"296\" \/><span class=\"boton_ampliar\">ampliar foto<\/span><\/a><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">\u2018No Frente do Leste\u2019, fotografia a\u00e9rea de Stalingrado feita pela Companhia de Propaganda alem\u00e3 (PK).<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">ORBIS PHOTO<\/span><span class=\"foto-agencia\">FUNDACI\u00d3N JOS\u00c9 MAR\u00cdA CASTA\u00d1\u00c9<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Durante algumas semanas, Alexadnra Mashkova viu como, toda madrugada \u00e0s quatro da manh\u00e3, jovens recrutas subiam a ladeira at\u00e9 o Volga, atravessavam o barranco em que suas fam\u00edlias haviam escavado suas casas e desapareciam em dire\u00e7\u00e3o a Mam\u00e1yev Kurg\u00e1n, uma colina que domina Stalingrado. Pareciam-lhe assustados e muito jovens; na verdade, haviam nascido em 1924 e tinham quase a mesma idade que ela. A maioria nunca voltou, mas alguns foram vistos mais tarde, feridos, voltando a p\u00e9 ou se arrastando. Pouco a pouco, as adolescentes come\u00e7aram a ajudar esses soldados machucados, tapando suas feridas ou carregando-os em macas improvisadas at\u00e9 o rio. Alexandra, que tinha 17 anos, juntou-se ao departamento m\u00e9dico de uma unidade militar e cruzou para o outro lado do Volga. Aprendeu com rapidez e brevemente estava pronta para ajudar o cirurgi\u00e3o. No come\u00e7o, tinha muito medo quando precisava segurar um soldado durante a opera\u00e7\u00e3o &#8220;enquanto lhe amputavam a perna ou abriam o seu bra\u00e7o at\u00e9 o osso&#8221;, mas &#8220;voc\u00ea se acostuma a tudo&#8221;. Muito rapidamente, as jovens enfermeiras comiam, sem se preocupar, na pr\u00f3pria sala de opera\u00e7\u00f5es improvisada. &#8220;T\u00ednhamos peda\u00e7os de p\u00e3o no bolso, ent\u00e3o limp\u00e1vamos as m\u00e3os de sangue na roupa branca, peg\u00e1vamos o p\u00e3o e o coloc\u00e1vamos na boca&#8221;.<\/p>\n<p>A motorista Angelina Kolobushhenko pensou que havia enganado a morte quando a febre tifoide a afastou do 1077\u00ba Regimento Antia\u00e9reo, formado quase exclusivamente por mulheres, a maioria adolescentes. Depois de disparar contra os avi\u00f5es que bombardeavam Stalingrado, as jovens deviam mirar os canh\u00f5es contra os carros de combate que haviam conseguido chegar \u00e0 f\u00e1brica de tratores da cidade. Quase todas morreram, inclusive as encarregadas pelos telefones, as cozinheiras e as enfermeiras. Poucas sobreviveram.<\/p>\n<p>Quando se curou, Angelina foi enviada para outro regimento antia\u00e9reo. Tinha apar\u00eancia fr\u00e1gil depois da doen\u00e7a, feia e esquel\u00e9tica. As outras garotas a desprezavam e se negaram a dormir na mesma vala que ela. Diziam que podia contagi\u00e1-las. No entanto, duas semanas depois, estava totalmente recuperada, recebeu um novo uniforme e, como n\u00e3o havia nenhum ve\u00edculo dispon\u00edvel para ela, come\u00e7ou a treinar para manejar as armas propriamente ditas. Sentiu-se muito orgulhosa quando a sua unidade, a 5\u00aa Bateria, derrubou um avi\u00e3o alem\u00e3o. As jovens correram para a plan\u00edcie para buscar a tripula\u00e7\u00e3o da aeronave, encontraram-nos e os prenderam. Os tr\u00eas alem\u00e3es eram muito jovens, um alto e de rosto arrogante e outro menor e mais agrad\u00e1vel, mas Angelina lembrou especialmente do terceiro, que tinha queimaduras terr\u00edveis e dores insuport\u00e1veis quando foi encontrado. Nunca esqueceu seus grandes olhos azuis, cheios de sofrimento.<\/p>\n<section id=\"sumario_5|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\"><a name=\"sumario_5\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><a class=\"enlace\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/01\/26\/babelia\/1516972221_680345_1516972226_679276_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/01\/26\/babelia\/1516972221_680345_1516972227_282030_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/01\/26\/babelia\/1516972221_680345_1516972226_679276_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Soldado mortos, enterrados na neve em Stalingrado.\" width=\"360\" height=\"563\" \/><span class=\"boton_ampliar\">ampliar foto<\/span><\/a><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Soldado mortos, enterrados na neve em Stalingrado.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">ARKADII SHAIKHET<\/span>\u00a0<span class=\"foto-agencia\">JOS\u00c9 MAR\u00cdA CASTA\u00d1\u00c9 COLLECTION<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>As motoristas do frente, toda hora andando para cima e para baixo, viam e ouviam muitas coisas. Em novembro, come\u00e7ou a parecer que a situa\u00e7\u00e3o estava mudando. Havia cada vez mais prisioneiros alem\u00e3es, e Angelina sentia pena tanto deles quanto dos que viu morrer de frio. Ela e suas camaradas tinham botas novas de feltro e casacos de pele de cordeiro. Sentiam pena dos prisioneiros alem\u00e3es, com seus casacos finos e estranhos sapatos de palha por cima das botas, nem um pouco preparados para o bruto inverno russo. Quando foi anunciado que havia um grande grupo de soldados alem\u00e3es cercados, Angelina entendeu que n\u00e3o sobreviveriam por muito tempo, com suas roupas de ver\u00e3o, quase sem comida, na cidade destru\u00edda ou na estepe, sem lugar para se refugiar, nem madeira para fazer fogo.<\/p>\n<p>Duas contempor\u00e2neas de Angelina, as pilotos de combate Lilya Litvyak e Katya Budanova, voavam com seu regimento para impedir que os alem\u00e3es arremessassem provis\u00f5es para as tropas sitiadas. As duas haviam pilotado avi\u00f5es esportivos e haviam sido instrutoras de voo antes da guerra, mas aprenderam mais em seus 10 meses de ex\u00e9rcito do que em toda a carreira anterior. Outro piloto lembra a rea\u00e7\u00e3o do comandante do regimento quando chegaram quatro mulheres com suas tripula\u00e7\u00f5es. &#8220;Me d\u00f3i ver uma mulher lutando na guerra. Me d\u00f3i e me d\u00e1 vergonha. Como \u00e9 poss\u00edvel que n\u00f3s, os homens, n\u00e3o tenhamos conseguido evitar que fizessem um trabalho t\u00e3o pouco feminino?&#8221;. As jovens tiveram que demonstrar suas habilidades e comprometimento. Klava Nechaeva, de 23 anos, morreu em sua primeira miss\u00e3o, depois de convencer seu chefe a deix\u00e1-la participar da batalha. As duas corajosas mulheres desafiaram a morte com v\u00e1rias miss\u00f5es no inferno de Stalingrado e sobrevieram \u00e0quele inverno, mas ambas ca\u00edram em agosto de 1943.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">Dizem que Stalin deu a ordem de n\u00e3o evacuar os civis para que os soldados lutassem para proteger suas fam\u00edlias.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Quando a batalha de Stalingrado chegou ao fim, centenas de milhares de mulheres haviam se alistado ao Ex\u00e9rcito. O pa\u00eds havia perdido tantos homens que as autoridades n\u00e3o tiveram outra alternativa que n\u00e3o fosse utilizar mulheres em todas as fun\u00e7\u00f5es militares. N\u00e3o existem dados concretos sobre as mulheres que serviram, de modo que os c\u00e1lculos variam muito, desde meio milh\u00e3o a quase um milh\u00e3o. O fronte se transferiu e as jovens que continuavam vivas e com boa sa\u00fade foram com ele. Muitas das mulheres que entrevistei continuaram lutando at\u00e9 o final da guerra e estiveram em Berlim para comemorar a vit\u00f3ria (muitos soldados estavam convencidos de que Berlim deveria ficar em ru\u00ednas como os alem\u00e3es haviam deixado Stalingrado). Continuaram presenciando a morte e a dor e perdendo suas camaradas. Mas nunca voltaram a viver uma situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o desesperadora quanto a de Stalingrado, nunca voltaram a sentir que estavam sendo esfaqueadas t\u00e3o profundamente que poderiam perder a guerra.<\/p>\n<p class=\"nota_pie\"><strong>Lyuba Vinogradova<\/strong>\u00a0\u00e9 autora de As Bruxas da Noite e Anjos Vingadores (ambos pela editora Pasado &amp; Presente). Os testemunhos citados neste artigo s\u00e3o de entrevistas realizadas pela pr\u00f3pria autora e do projeto &#8216;Iremember. Lembran\u00e7as de veteranos da Segunda Guerra Mundial&#8217;.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com todos os homens no Ex\u00e9rcito, trabalhavam nas f\u00e1bricas, dirigiam tratores e criavam os filhos.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":232327,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-232326","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/mulher-na-2-guerra.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/232326","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=232326"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/232326\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/232327"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=232326"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=232326"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=232326"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}