{"id":232760,"date":"2018-02-02T05:20:59","date_gmt":"2018-02-02T08:20:59","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=232760"},"modified":"2018-02-02T05:20:59","modified_gmt":"2018-02-02T08:20:59","slug":"se-matarem-macacos-mosquitos-vao-atras-de-sangue-humano-como-massacre-de-primatas-e-tiro-no-pe-contra-febre-amarela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/se-matarem-macacos-mosquitos-vao-atras-de-sangue-humano-como-massacre-de-primatas-e-tiro-no-pe-contra-febre-amarela\/","title":{"rendered":"&#8216;Se matarem macacos, mosquitos v\u00e3o atr\u00e1s de sangue humano&#8217;: como massacre de primatas \u00e9 tiro no p\u00e9 contra febre amarela"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__name\">Nathalia Passarinho<\/span><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/DA0F\/production\/_99832855_gettyimages-881872502-1.jpg\" alt=\"Macaco\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><span class=\"media-caption__text\">&#8216;O macaco \u00e9 quase um m\u00e1rtir (&#8230;) Eles nos indicam onde h\u00e1 infec\u00e7\u00e3o&#8217;, diz pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz<\/span><\/span><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">Fotos de corpos de macacos t\u00eam se espalhado pela internet desde o aumento, nos \u00faltimos meses, dos casos de febre amarela em regi\u00f5es dos Estados do Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. E muitos desses animais n\u00e3o morreram por causa do v\u00edrus: foram executados com pedras, pauladas ou envenenamento. Al\u00e9m de cruel, a medida tem efeito contr\u00e1rio ao imaginado por muitas pessoas: prejudica o combate \u00e0 doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Classificados por pesquisadores ouvidos pela BBC Brasil como &#8220;sentinelas&#8221; e &#8220;m\u00e1rtires&#8221;, os macacos s\u00e3o o alvo preferido dos mosquitos silvestres que transmitem a febre amarela, que costumam voar na altura da copa das \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Muitos primatas acabam desenvolvendo a doen\u00e7a e morrem. Ao verificar um volume expressivo de corpos deles em determinada regi\u00e3o, autoridades sanit\u00e1rias e pesquisadores conseguem identificar a presen\u00e7a da febre amarela, tra\u00e7ar o poss\u00edvel trajeto do v\u00edrus &#8211; conforme os corredores da floresta existente &#8211; e planejar a\u00e7\u00f5es de imuniza\u00e7\u00e3o das pessoas.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a tem tido um impacto t\u00e3o expressivo na popula\u00e7\u00e3o de macacos da Mata Atl\u00e2ntica que existe o temor, por exemplo, de que todos os bugios desapare\u00e7am das florestas do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Para piorar, os poucos macacos que sobreviveram \u00e0 febre amarela ou escaparam do v\u00edrus est\u00e3o sendo v\u00edtimas da desinforma\u00e7\u00e3o. Muitas pessoas matam esses animais por acharem que eles s\u00e3o respons\u00e1veis pela propaga\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/D5C2\/production\/_99822745_pic1.jpg\" alt=\"Macacos mortos\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Ao contr\u00e1rio de evitar a propaga\u00e7\u00e3o da febre amarela, matar macacos pode expor mais os seres humanos \u00e0 doen\u00e7a | Foto: Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria do RJ<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>S\u00f3 este ano, dos 144 macacos mortos recolhidos pela Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria e Controle de Zoonoses do Rio de Janeiro para testes de febre amarela, 69% foram executados &#8211; apresentavam v\u00e1rias fraturas ou veneno no organismo.<\/p>\n<p>Em todo o ano passado, dos 602 animais mortos, 42% foram assassinados, segundo dados do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Nem o mico-le\u00e3o-dourado escapou. Corpos de animais dessa esp\u00e9cie, amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m foram localizados com sinais de execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Morte de macacos traz risco para humanos<\/h2>\n<p>Mas o que os &#8220;ca\u00e7adores&#8221; de macacos n\u00e3o sabem \u00e9 que, ao contr\u00e1rio de evitar a propaga\u00e7\u00e3o da febre amarela, matar os bichos exp\u00f5e os seres humanos a riscos maiores de contrair esse mal grave, que pode matar.<\/p>\n<p>A febre amarela \u00e9 uma doen\u00e7a infecciosa que \u00e9 transmitida, no Brasil, principalmente por mosquitos silvestres dos g\u00eaneros\u00a0<i>Haemagogus<\/i>\u00a0e\u00a0<i>Sabethes<\/i>, que moram na copa das \u00e1rvores e t\u00eam predile\u00e7\u00e3o pelo sangue de primatas.<\/p>\n<p>Essa prefer\u00eancia vem de um processo de adapta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, ao longo de anos de evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies. Segundo o professor Alo\u00edsio Falqueto, da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo, esses dois grupos de mosquitos silvestres se adaptaram, h\u00e1 milh\u00f5es de anos, a se alimentar do sangue de grandes mam\u00edferos e, depois, de macacos.<\/p>\n<p>A prefer\u00eancia se desenvolveu por causa das caracter\u00edsticas do local onde esses mosquitos viviam &#8211; inicialmente na \u00c1frica &#8211; e da disponibilidade de alimentos. Ao longo dos anos, essa &#8220;mem\u00f3ria gen\u00e9tica&#8221; de prefer\u00eancia por primatas foi se transferindo para as novas gera\u00e7\u00f5es de mosquitos, que passaram a se alimentar do sangue das novas gera\u00e7\u00f5es e esp\u00e9cies de primatas. Ao chegarem ao continente latinoamericano, eles se adaptaram a sugar o sangue dos macacos que vivem nas copas das \u00e1rvores, inclusive os de pequeno porte.<\/p>\n<p>O\u00a0<i>Aedes aegypti<\/i>, que vive em \u00e1reas urbanas, tamb\u00e9m \u00e9 capaz de transmitir febre amarela, mas at\u00e9 agora n\u00e3o houve contamina\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o por essa esp\u00e9cie de mosquito &#8211; desde 1942 que n\u00e3o h\u00e1 epidemia urbana de febre amarela. As pessoas infectadas at\u00e9 o momento teriam contra\u00eddo a doen\u00e7a em alguma regi\u00e3o com mata.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/3DCF\/production\/_99832851_img_6667.jpg\" alt=\"Mosquito Sabethes\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Febre amarela \u00e9 transmitida no Brasil principalmente por mosquitos silvestres dos g\u00eaneros Haemagogus e Sabethes | Foto: Josu\u00e9 Damacena\/IOC\/Fiocruz<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Segundo o pesquisador Ricardo Louren\u00e7o, do Instituto Oswaldo Cruz, tanto o homem quanto o macaco, quando picados, s\u00f3 carregam o v\u00edrus da febre amarela em quantidades suficientes para infectar outros mosquitos por cerca de tr\u00eas dias.<\/p>\n<p>Depois disso, o organismo passa a produzir anticorpos e a concentra\u00e7\u00e3o do v\u00edrus diminui. Em cerca de dez dias, macacos e seres humanos ter\u00e3o morrido ou se curado da doen\u00e7a, ficando imunes a ela.<\/p>\n<p>J\u00e1 o mosquito permanece com o v\u00edrus da febre amarela para sempre. Eles podem at\u00e9 passar o v\u00edrus para os ovos e, consequentemente, para os filhotes que nascerem.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/161A6\/production\/_99843509_f267e05e-add6-4488-a101-d442f64c279d.jpg\" alt=\"Mico-le\u00e3o-dourado\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">At\u00e9 mico-le\u00e3o-dourado, esp\u00e9cie amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o no Brasil, tem sido alvo de viol\u00eancia por causa do p\u00e2nico e desinforma\u00e7\u00e3o sobre a febre amarela<\/span><\/figure>\n<p>Se muitos macacos come\u00e7arem a morrer, a tend\u00eancia \u00e9 aumentar a chance de contamina\u00e7\u00e3o de humanos. Sem ter primatas para picar na copa das \u00e1rvores, os mosquitos buscar\u00e3o alimento em outras localidades &#8211; e o homem vira a pr\u00f3xima op\u00e7\u00e3o como fonte de sangue.<\/p>\n<p>Isso porque o homem \u00e9 um animal que se assemelha ao macaco. Por isso, naturalmente, se torna alternativa para o mosquito da febre amarela, que buscar\u00e1 instintivamente um bicho geneticamente pr\u00f3ximo. O que n\u00e3o significa que outros bichos n\u00e3o possam ser, eventualmente, picados pelos mosquitos silvestres da febre amarela. H\u00e1 evid\u00eancias de marsupiais que j\u00e1 foram picados, mas eles n\u00e3o s\u00e3o &#8220;receptivos&#8221; ao v\u00edrus e, portanto, n\u00e3o ficam doentes, nem se tornam hospedeiros.<\/p>\n<p>Nesses casos, o v\u00edrus da febre amarela n\u00e3o interage com o material gen\u00e9tico da c\u00e9lula hospedeira de outras esp\u00e9cies &#8211; todo v\u00edrus tem uma &#8220;chave&#8221;, ou mol\u00e9cula sinalizadora, que s\u00f3 \u00e9 reconhecida pela &#8220;fechadura&#8221; (membrana plasm\u00e1tica) de algumas esp\u00e9cies. A &#8220;fechadura&#8221; varia conforme a esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>No caso da febre amarela, macacos e humanos possuem essa receptividade ao v\u00edrus. No caso da gripe, por exemplo, aves, seres humanos e su\u00ednos s\u00e3o receptivos. Ou seja, dependendo do material gen\u00e9tico do v\u00edrus, ele pode interagir com um ou mais hospedeiros de diferentes categorias.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo que acabem todos os macacos de uma a\u00e9rea, durante algumas gera\u00e7\u00f5es o v\u00edrus vai ficar ali. E o mosquito vai procurar o ser humano para se alimentar&#8221;, diz Louren\u00e7o, autor de pesquisas sobre mosquitos transmissores.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico epidemiologista Eduardo Massad, professor da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e da brit\u00e2nica London School of Tropical Diseases, refor\u00e7a esse argumento.<\/p>\n<p>&#8220;Suponha que desaparecessem todos os macacos da serra da Cantareira. O mosquito picaria pessoas. Se voc\u00ea diminui a popula\u00e7\u00e3o de macacos, mais gente ser\u00e1 picada&#8221;, disse \u00e0 BBC Brasil.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/87A2\/production\/_99822743_pic3.jpg\" alt=\"Corpos de macacos\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Dos 144 macacos mortos recolhidos pela Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria e Controle de Zoonoses do Rio de Janeiro, cerca de 100 foram executados | Fonte: Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria do RJ<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Sentinelas&#8217; da doen\u00e7a<\/h2>\n<p>Al\u00e9m de servirem de isca para mosquitos, evitando com isso que mais humanos sejam picados, os macacos alertam para o &#8220;trajeto&#8221; do v\u00edrus pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s campanhas de erradica\u00e7\u00e3o do\u00a0<i>Aedes aegypti<\/i>, o Brasil se livrou da febre amarela urbana na d\u00e9cada de 1942 &#8211; a doen\u00e7a acabou se concentrando na regi\u00e3o amaz\u00f4nica. Nos anos 2000, por\u00e9m, o v\u00edrus come\u00e7ou a &#8220;descer&#8221; para o leste, alcan\u00e7ado regi\u00f5es de mata de Minas Gerais, Esp\u00edrito Santo e, mais recentemente, S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12447\/production\/_99832847_sabethes_albiprivus-1.jpg\" alt=\"Mosquito silvestre\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Sem ter macaco para picar na copa das \u00e1rvores, os mosquitos buscar\u00e3o alimento nos humanos | Fonte: Josu\u00e9 Damacena\/IOC\/Fiocruz<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>O pesquisador Aloisio Falqueto, professor do Centro de Ci\u00eancias da Sa\u00fade da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (UFES) acredita que o v\u00edrus migrou para a Mata Atl\u00e2ntica por meio do ser humano.<\/p>\n<p>&#8220;A minha teoria \u00e9 o elemento urbano. Muitas pessoas migram para a Amaz\u00f4nia sem tomar vacina. Uma pessoa pegou o v\u00edrus na Amaz\u00f4nia e entrou na Mata Atl\u00e2ntica depois, na altura de Montes Claros (MG), e aqui \u00e9 um barril de p\u00f3lvora, pela presen\u00e7a de macacos sem anticorpos e seres humanos. A for\u00e7a de transmiss\u00e3o \u00e9 muito maior&#8221;, diz.<\/p>\n<p>J\u00e1 Ricardo Louren\u00e7o acredita que os mosquitos acabaram migrando naturalmente para o Sudeste, por corredores de mata e rios. Conforme foram picando macacos e esses animais morreram, teriam descido cada vez mais para o sul do pa\u00eds em busca de alimento.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17267\/production\/_99832849_pic2.jpg\" alt=\"Macacos mortos\" width=\"549\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Al\u00e9m de servirem de isca para mosquitos, evitando com isso que mais humanos sejam picados, os macacos alertam para o &#8216;trajeto&#8217; do v\u00edrus pelo pa\u00eds | Foto: Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria do RJ<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Mosquitos se dispersam por dois motivos: para achar lugar para colocar ovo e para achar fonte de alimenta\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea. Se come\u00e7a a morrer macaco, ele come\u00e7a a buscar sangue em outro lugar&#8221;, diz o pesquisador, que explica que o mosquito pode voar 3 km por dia.<\/p>\n<p>A \u00fanica forma de perceber a chegada de mosquitos infectados \u00e9 pela morte dos macacos. Desde o in\u00edcio dos anos 2000 que pesquisadores alertam o governo federal e governos estaduais para a necessidade de ampliar a\u00e7\u00f5es de imuniza\u00e7\u00e3o em cidades com mata onde foram localizados animais mortos.<\/p>\n<p>&#8220;Os macacos nos avisam da imin\u00eancia do v\u00edrus. Quando come\u00e7am a morrer, sabemos da exist\u00eancia e intensidade do v\u00edrus naquela regi\u00e3o. Podemos calcular por onde ele vai se alastrar e quem devemos imunizar&#8221;, afirma Alo\u00edsio Falqueto.<\/p>\n<p>&#8220;A morte do macaco \u00e9 um aviso de que devemos imunizar as popula\u00e7\u00f5es nas \u00e1reas de risco&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Ricardo Louren\u00e7o compara o animal a um &#8220;soldado&#8221; que atua como vigia da chegada da febre amarela. &#8220;O macaco \u00e9 quase um m\u00e1rtir. \u00c9 uma v\u00edtima e um instrumento de vigil\u00e2ncia e de alerta. \u00c9 uma sentinela do quartel. Eles nos indicam onde h\u00e1 infec\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fotos de corpos de macacos t\u00eam se espalhado pela internet desde o aumento, nos \u00faltimos meses, dos casos de febre amarela em regi\u00f5es dos Estados do Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. E muitos desses animais n\u00e3o morreram por causa do v\u00edrus: foram executados com pedras, pauladas ou envenenamento. 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