{"id":233026,"date":"2018-02-04T15:28:43","date_gmt":"2018-02-04T18:28:43","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=233026"},"modified":"2018-02-04T15:28:43","modified_gmt":"2018-02-04T18:28:43","slug":"o-tempo-gasto-na-internet-deveria-ser-remunerado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-tempo-gasto-na-internet-deveria-ser-remunerado\/","title":{"rendered":"O tempo gasto na Internet deveria ser remunerado?"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Pesquisadores de Stanford e da Microsoft avaliam que as horas dedicadas \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de dados poderiam ser contadas como trabalho. Eles prop\u00f5em uma uni\u00e3o sindical de internautas por um mercado justo<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir compartir--fijo\">\n<div class=\"compartir__interior\">\n<div class=\"compartir-varios\"><\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Francisco de Z\u00e1rate\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/francisco_de_zarate_bravo_laguna\/a\/\">FRANCISCO DE Z\u00c1RATE<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/02\/04\/tecnologia\/1517742236_706291_1517748849_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/02\/04\/tecnologia\/1517742236_706291_1517748849_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/02\/04\/tecnologia\/1517742236_706291_1517748849_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/02\/04\/tecnologia\/1517742236_706291_1517748849_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Trabalhador da ind\u00fastria t\u00eaxtil na Ge\u00f3rgia (EUA)\" width=\"980\" height=\"551\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Trabalhador da ind\u00fastria t\u00eaxtil na Ge\u00f3rgia (EUA)<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p>Mesmo sem saber, voc\u00ea j\u00e1 trabalhou para tr\u00eas ou quatro empresas no dia de hoje. Se postou uma foto na sua\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/redes_sociales\/a\">rede social<\/a>, ajudou indiretamente a torn\u00e1-la mais atrativa para que outros entrem nela e consumam publicidade. Se passou por um controle contra rob\u00f4s para entrar num site, esses sinais de tr\u00e2nsito que voc\u00ea identificou agora se tornar\u00e3o um pouco menos complicados para os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/01\/26\/tecnologia\/1485435443_182055.html\">carros aut\u00f4nomos<\/a>. E se o que reconheceu foram letras de um texto praticamente ileg\u00edvel, voc\u00ea ajudou a decifrar o conte\u00fado de um livro que o software de digitaliza\u00e7\u00e3o estava custando a entender.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CPTzoLjxjNkCFUEohwod_XkA7g\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/tecnologia\/intext_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Ter consci\u00eancia do valor que geramos em nosso percurso di\u00e1rio pela Internet \u00e9, para um grupo de acad\u00eamicos da Microsoft e das universidades de Stanford e Columbia, s\u00f3 a primeira parte de uma pr\u00f3xima revolu\u00e7\u00e3o digital em que, em troca dos nossos dados, os internautas tamb\u00e9m exigir\u00e3o dinheiro. Como eles mesmos escreveram em\u00a0<a href=\"https:\/\/papers.ssrn.com\/sol3\/papers.cfm?abstract_id=3093683\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Should We Treat Data as Labor?<\/em><\/a>\u00a0(\u201cDevemos tratar os dados como trabalho?\u201d), seu estudo divulgado em dezembro, aproxima-se uma era em que \u201cos trabalhadores dos dados poderiam se agrupar em sindicatos para estabelecer negocia\u00e7\u00f5es coletivas\u201d.<\/p>\n<p>A novidade do enfoque \u00e9 justamente essa: entender os dados como fruto do trabalho pessoal. At\u00e9 agora, s\u00e3o tratados como um subproduto da nossa vida on-line, que as empresas da Internet aproveitam para melhorar os sistemas de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/inteligencia_artificial\/a\">intelig\u00eancia artificial<\/a>. Na melhor das hip\u00f3teses, um investimento de capital por parte do setor tecnol\u00f3gico que, em troca de nos oferecer servi\u00e7os digitais gratuitos, ficam com toda a informa\u00e7\u00e3o que geramos.<\/p>\n<p>Para Glen Weyl, um dos autores do\u00a0<em>paper<\/em>, o cen\u00e1rio atual se parece mais com o feudalismo \u2013 quando o senhor ficava com o trabalho do campon\u00eas em troca de prote\u00e7\u00e3o e justi\u00e7a \u2013 do que com uma economia de mercado.<\/p>\n<p>Embora soe paradoxal, os autores acham que a cria\u00e7\u00e3o de um mercado global de dados ajudaria n\u00e3o s\u00f3 os\u00a0<em>oper\u00e1rios<\/em>, mas tamb\u00e9m as empresas, que, ao se verem obrigadas a pagar, melhorariam o desenvolvimento de seus\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/10\/19\/tecnologia\/1508424483_011485.html\">softwares de intelig\u00eancia artificial<\/a>.<\/p>\n<p>Como explica o escritor, compositor e artista visual Jaron Lanier, \u201co exemplo mais f\u00e1cil para entender isso \u00e9 o das tradu\u00e7\u00f5es autom\u00e1ticas pela Internet: esses servi\u00e7os funcionam juntando milh\u00f5es de frases que tradutores da vida real publicaram na Internet. Os rob\u00f4s precisam atualiz\u00e1-lo diariamente, porque a l\u00edngua muda todos os dias. Mas, em vez de roubar o trabalho dos tradutores sem que estes fiquem sabendo, n\u00e3o fariam tradu\u00e7\u00f5es melhores e mais eficientes se lhes pagassem para escolherem as equival\u00eancias que melhor se ajustam a cada caso?\u201d<\/p>\n<h3><strong>O temido fim do trabalho<\/strong><\/h3>\n<p>O exemplo explica tamb\u00e9m o outro beneficio que o estudo aponta: aliviar a ang\u00fastia com que muitos vivem a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/07\/19\/economia\/1500475025_052040.html\">poss\u00edvel elimina\u00e7\u00e3o do seu trabalho<\/a>\u00a0pelo desenvolvimento da intelig\u00eancia artificial. At\u00e9 agora, a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o proposta foi a atribui\u00e7\u00e3o de uma renda b\u00e1sica universal. Segundo os autores, reconhecer a contribui\u00e7\u00e3o desses trabalhadores \u00e9 uma forma mais digna e honesta de incorpor\u00e1-los aos benef\u00edcios gerados pela automatiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 poss\u00edvel ganhar a vida s\u00f3 gerando dados? Weil acredita que n\u00e3o. Por enquanto. \u201cA intelig\u00eancia artificial ainda \u00e9 uma parte muito pequena da economia, mas se efetivamente os rob\u00f4s vierem a ficar com os trabalhos, queremos nos assegurar de que as pessoas tenham um futuro nesse cen\u00e1rio\u201d, disse.<\/p>\n<p>Sem ter a ambi\u00e7\u00e3o de definir todas as caracter\u00edsticas de um mercado global de dados, o estudo aponta para essa necessidade. Uma das lacunas a preencher \u00e9 a das categorias de dados e sua diferente valoriza\u00e7\u00e3o. Imanol Arrieta Ibarra, outro dos autores, diz que \u00e9 muito dif\u00edcil fazer essa classifica\u00e7\u00e3o, mas que h\u00e1 dados cujo valor muda conforme o est\u00edmulo. \u201cSua data de nascimento \u00e9 sempre a mesma, paguem ou n\u00e3o a voc\u00ea por isso, mas suas contribui\u00e7\u00f5es ao Waze e ao Google Maps poderiam melhorar muito se lhe pagassem\u201d, explicou.<\/p>\n<h3><strong>Novos sindicatos<\/strong><\/h3>\n<p>O que eles t\u00eam claro \u00e9 que um mercado justo ser\u00e1 imposs\u00edvel sem uma uni\u00e3o dos trabalhadores dos dados. Se numa empresa de cem pessoas a capacidade de negocia\u00e7\u00e3o de um empregado raso \u00e9 praticamente zero, qual ser\u00e1 seu poder em um mercado de bilh\u00f5es de trabalhadores e menos de dez empresas contratando? Por isso eles prop\u00f5em a cria\u00e7\u00e3o de um novo tipo de sindicato.<\/p>\n<p>Segundo Lanier, o trabalho que um escrit\u00f3rio de direitos autorais faz para os m\u00fasicos seria o exemplo atual mais pr\u00f3ximo desses poss\u00edveis\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sindicatos\/a\">sindicatos<\/a>, \u201cembora seja muito menos sofisticado\u201d. \u201cAinda n\u00e3o sabemos quais mecanismos funcionar\u00e3o melhor, mas sim que valorizar a gera\u00e7\u00e3o dos dados precisa ser parte da solu\u00e7\u00e3o para uma sociedade futura sustent\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<section id=\"sumario_1|despiece\" class=\"sumario_despiece centro\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<header class=\"sumario-encabezado\">\n<h4 class=\"sumario-titulo\"><span class=\"sin_enlace\">EVOLU\u00c7\u00c3O<\/span><\/h4>\n<\/header>\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p>E se um dia a intelig\u00eancia artificial se desenvolver a ponto de conseguir melhorar sem que lhe forne\u00e7amos mais dados? Segundo Glen Weyl, \u201cainda falta muito para chegar a isso, se \u00e9 que algum dia chegar\u00e1. Duvido que ocorra, porque seria assumir que a cultura humana n\u00e3o aumenta sua complexidade \u00e0 medida que a intelig\u00eancia artificial avan\u00e7a. O previs\u00edvel \u00e9 que nossa cultura tamb\u00e9m se torne mais rica e que a intelig\u00eancia artificial tenha que lutar com isso\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo sem saber, voc\u00ea j\u00e1 trabalhou para tr\u00eas ou quatro empresas no dia de hoje. Se postou uma foto na sua\u00a0rede social, ajudou indiretamente a torn\u00e1-la mais atrativa para que outros entrem nela e consumam publicidade. 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