{"id":233166,"date":"2018-02-06T00:15:54","date_gmt":"2018-02-06T03:15:54","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=233166"},"modified":"2018-02-05T16:18:34","modified_gmt":"2018-02-05T19:18:34","slug":"como-o-estado-emocional-afeta-nosso-comportamento-diante-do-sofrimento-alheio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/como-o-estado-emocional-afeta-nosso-comportamento-diante-do-sofrimento-alheio\/","title":{"rendered":"Como o estado emocional afeta nosso comportamento diante do sofrimento alheio"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share-row\">\n<div class=\"share-tools--no-event-tag\">\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-twite\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/17569\/production\/_99739559_gettyimages-515643880-2.jpg\" alt=\"Mulher pensativa\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Nossas emo\u00e7\u00f5es mudam a forma como nosso c\u00e9rebro reage \u00e0 dor dos outros<\/span><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">Quando vemos algu\u00e9m sofrer, somos capazes de nos colocar em sua pele, sentirmos empatia. Isso ocorre porque partes do c\u00e9rebro ligadas \u00e0 nossa pr\u00f3pria dor s\u00e3o ativadas.<\/p>\n<p>Mas nosso estado emocional tamb\u00e9m pode impactar o n\u00edvel de empatia que sentimos. Ou seja, mudam a forma como o nosso c\u00e9rebro reage \u00e0 dor dos outros. Ou seja, nossas intera\u00e7\u00f5es sociais podem ser afetadas negativamente quando nos sentimos mal.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que nosso humor pode influenciar nosso comportamento de v\u00e1rias maneiras, desde nossas escolhas alimentares &#8211; quando estamos de mau humor, por exemplo, costumamos comer de forma menos saud\u00e1vel &#8211; \u00e0s nossas amizades.<\/p>\n<p>Quando nossos amigos est\u00e3o abatidos e tristes, esse sentimento pode ser contagioso, fazendo com que sintamos o mesmo. Segundo um estudo realizado em 2017, o mau humor pode se espalhar at\u00e9 mesmo pelas redes sociais.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que nossas emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o poderosas que, quando estamos de bom humor, funcionam como uma esp\u00e9cie de analg\u00e9sico se nos ferirmos. Por outro lado, sentimos mais dor quando estamos fragilizados e pessimistas.<\/p>\n<p>Pior, um estudo recente, publicado em dezembro do ano passado, mostrou que, quando nos sentimos mal, nossa capacidade interna para ajudar outras pessoas com dor \u00e9 significativamente afetada. Nossa empatia acaba, assim, &#8220;amortecida&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/B219\/production\/_99739554_gettyimages-601398828-1.jpg\" alt=\"Homem na encruzilhada\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Estudo recente mostrou que, quando nos sentimos mal, nossa capacidade interna para ajudar outras pessoas com dor \u00e9 significativamente afetada<\/span><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Sofrimento alheio<\/h2>\n<p>A equipe da pesquisadora Emilie Qiao-Tasserit, da Universidade de Genebra, na Su\u00ed\u00e7a, queria entender como nossas emo\u00e7\u00f5es influenciam a maneira como reagimos ao vermos os outros sofrer.<\/p>\n<p>Para isso, reuniu um grupo de volunt\u00e1rios. Eles foram induzidos a sentir dor com um dispositivo que aumentava a temperatura na perna. Os pesquisadores tamb\u00e9m mostraram aos participantes trechos de filmes positivos ou negativos al\u00e9m de faz\u00ea-los sentir dor, ou quando assistiam a v\u00eddeos dos outros sofrendo.<\/p>\n<p>Os cientistas se perguntaram, ent\u00e3o: os volunt\u00e1rios sentiam empatia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0queles que conheciam quando estes sentiam dor?<\/p>\n<p>Aqueles que assistiram a um clipe negativo e depois viram outros com dor mostraram menos atividade cerebral em \u00e1reas relacionadas \u00e0 dor: o lobo da \u00ednsula e o giro do c\u00edngulo. Essas duas partes do c\u00e9rebro geralmente ficam ativas quando vemos outros com dor, bem como quando n\u00f3s mesmos sentimos dor.<\/p>\n<p>&#8220;Em outras palavras, as emo\u00e7\u00f5es negativas podem reprimir a capacidade do nosso c\u00e9rebro para ser sens\u00edvel \u00e0 dor dos outros&#8221;, explica Qiao-Tasserit.<\/p>\n<p>A descoberta \u00e9 reveladora, pois mostra que as emo\u00e7\u00f5es podem significativamente mudar o &#8220;estado do nosso c\u00e9rebro&#8221;, e que, ao faz\u00ea-lo, nossos pr\u00f3prios sentimentos modificam a forma como reagimos a algu\u00e9m.<\/p>\n<p>Na mesma linha, outro estudo de Qiao-Tasserit e de sua equipe constatou que, depois de assistir a um v\u00eddeo negativo, as pessoas tendiam a julgar um rosto com emo\u00e7\u00e3o neutra como mais negativo.<\/p>\n<p>Tais resultados t\u00eam, obviamente, implica\u00e7\u00f5es no mundo real. Se uma pessoa que exerce determinado poder, por exemplo, um chefe, seja exposto a algo negativo em suas vidas &#8211; mesmo algo t\u00e3o simples como um filme negativo &#8211; podem ficar menos sens\u00edveis \u00e0 dor dos subordinados ou mesmo v\u00ea-los de forma mais negativa.<\/p>\n<p>Ou seja, tornam-se menos emp\u00e1ticos aos sentimentos dos outros.<\/p>\n<p>A falta de empatia tamb\u00e9m gera outras consequ\u00eancias. As conclus\u00f5es da pesquisa mostram que uma menor empatia acarreta menos doa\u00e7\u00f5es para institui\u00e7\u00f5es de caridade. O mapeamento do c\u00e9rebro tamb\u00e9m revelou que ficamos menos solid\u00e1rios com aqueles que n\u00e3o est\u00e3o em nosso c\u00edrculo social imediato.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/F91D\/production\/_99737736_gettyimages-521815364-1.jpg\" alt=\"Mulher com as m\u00e3os na cabe\u00e7a\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Por que as emo\u00e7\u00f5es negativas reduzem a empatia?<\/span><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Raz\u00f5es<\/h2>\n<p>Mas por que as emo\u00e7\u00f5es negativas reduzem a empatia?<\/p>\n<p>Pode ser que um tipo espec\u00edfico de empatia, chamado de sofrimento emp\u00e1tico, esteja em jogo.<\/p>\n<p>Isso, explica Olga Klimecki, tamb\u00e9m da Universidade de Genebra, \u00e9 &#8220;o sentimento de estar sobrecarregado&#8221; quando algo ruim acontece com outra pessoa, o que faz voc\u00ea querer se proteger em vez de ser dragado por sentimentos negativos. Esse tipo de empatia mostra at\u00e9 mesmo uma ativa\u00e7\u00e3o no c\u00e9rebro muito diferente da empatia t\u00edpica. Tamb\u00e9m pode naturalmente reduzir a compaix\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, pode ser que qualquer situa\u00e7\u00e3o que provoque emo\u00e7\u00f5es negativas nos estimule a nos concentrar mais em n\u00f3s mesmos e em todos os problemas que enfrentamos.<\/p>\n<p>&#8220;Pacientes ansiosos e deprimidos que sofrem de um excesso de emo\u00e7\u00f5es negativas s\u00e3o mais propensos a se concentrar em seus pr\u00f3prios problemas e se isolarem&#8221;, diz Qiao-Tasserit.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Agressividade<\/h2>\n<p>Um estudo realizado em 2016 por Klimecki e seus colegas descobriu que essa falta de empatia aumenta a agressividade.<\/p>\n<p>Para chegar a essa conclus\u00e3o, os participantes foram submetidos a situa\u00e7\u00f5es injustas e ent\u00e3o tiveram a possibilidade de punir ou perdoar seus concorrentes. Al\u00e9m disso, foram convidados a fazer testes de personalidade antes de entrarem no laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Os pesquisadores descobriram que aqueles que eram mais naturalmente solid\u00e1rios reagiram com um comportamento menos punitivo.<\/p>\n<p>Para Klimecki, a conclus\u00e3o foi emblem\u00e1tica. Em sua extensa pesquisa sobre o assunto, ela mostrou que \u00e9 poss\u00edvel cultivar um comportamento mais solid\u00e1rio. E descobriu que os sentimentos que incentivam a compaix\u00e3o podem ser treinados. Nossas respostas emocionais aos outros s\u00e3o, portanto, vari\u00e1veis.<\/p>\n<p>Isso mostra que todos podemos trabalhar nossa empatia interior, mesmo diante da ang\u00fastia de outra pessoa. E ao pensarmos de uma forma mais positiva, isso nos ajudar\u00e1 a perceber as necessidades dos outros.<\/p>\n<p>&#8220;Isso poderia contribuir para relacionamentos melhores, um fator chave da felicidade&#8221;, diz Qiao-Tasserit.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, da pr\u00f3xima vez que voc\u00ea estiver de mau humor, considere o efeito que isso pode ter sobre as pessoas com quem voc\u00ea lida no dia a dia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, talvez valha a pena dosar o n\u00famero de horas que voc\u00ea passa lendo romances sombrios ou assistindo a filmes de terror.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Isso mostra que todos podemos trabalhar nossa empatia interior, mesmo diante da ang\u00fastia de outra pessoa. 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