{"id":234040,"date":"2018-02-14T10:56:51","date_gmt":"2018-02-14T13:56:51","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=234040"},"modified":"2018-02-14T10:56:51","modified_gmt":"2018-02-14T13:56:51","slug":"monstros-santos-e-intrigas-novo-livro-revela-fascinante-historia-dos-papas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/monstros-santos-e-intrigas-novo-livro-revela-fascinante-historia-dos-papas\/","title":{"rendered":"Monstros, santos e intrigas: novo livro revela a fascinante hist\u00f3ria dos Papas"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em><strong>&#8220;O Vaticano \u00e9 um lugar id\u00f4neo para cometer um crime&#8221;, diz o historiador brit\u00e2nico John Julius Norwich<\/strong><\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir compartir--fijo\">\n<div class=\"compartir__interior\">\n<div class=\"compartir-varios\"><\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/02\/05\/cultura\/1517853225_994857_1518559537_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/02\/05\/cultura\/1517853225_994857_1518559537_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/02\/05\/cultura\/1517853225_994857_1518559537_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/02\/05\/cultura\/1517853225_994857_1518559537_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Monstros, santos e intrigas: novo livro revela a fascinante hist\u00f3ria dos Papas\" width=\"980\" height=\"555\" \/><\/figure>\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Juan G. Bedoya\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/juan_gonzalez_bedoya\/a\/\">JUAN G. BEDOYA<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p>Lido a frio, qualquer hist\u00f3ria do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/papa\/a\">Papado romano<\/a>\u00a0escandalizaria ao afirmar que \u201co\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ciudad_del_vaticano\/a\">Vaticano<\/a>\u00a0\u00e9 um lugar id\u00f4neo para cometer um crime\u201d. Quem faz isso o historiador John Julius Norwich, autor do livro\u00a0<em>Os Papas. A hist\u00f3ria<\/em>\u00a0(<a href=\"https:\/\/www.estantevirtual.com.br\/livros\/john-julius-norwich\/os-papas-a-historia-edicao-portuguesa\/2742043574\">publicado em portugu\u00eas por Civiliza\u00e7\u00e3o Editora<\/a>). Norwich argumenta e documenta essa tese muito antes de chegar ao cap\u00edtulo dedicado a Jo\u00e3o Paulo I, que pontificou ali por apenas trinta dias, em meados de 1978. Morreu assassinado enquanto dormia? Segundo Norwich, \u201c\u00e9 o\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/diario\/1991\/01\/05\/sociedad\/663030007_850215.html\">maior mist\u00e9rio papal dos tempos modernos\u201d<\/a>. Jo\u00e3o Paulo I detestava a pompa e estava empenhado em devolver a Igreja \u00e0s suas origens, \u00e0 humildade e \u00e0 simplicidade, honestidade e pobreza de Jesus Cristo. Sua recusa em ser coroado com toda a parafern\u00e1lia habitual havia horrorizado os tradicionalistas. Se chegasse a viver muitos anos, sem d\u00favida teria realizado a revolu\u00e7\u00e3o que Jo\u00e3o XXIII n\u00e3o conseguiu levar a cabo com o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/index_po.htm\">Conc\u00edlio Vaticano II.<\/a>\u00a0A C\u00faria estava claramente assustada.<\/p>\n<p>\u201cAo iniciar minhas investiga\u00e7\u00f5es, me pareceu que o mais prov\u00e1vel \u00e9 que tivesse morrido assassinado; agora j\u00e1 n\u00e3o tenho mais tanta certeza\u201d, afirma o prestigioso historiador brit\u00e2nico. Salienta que Jo\u00e3o Paulo I, que morreu enquanto dormia, aos 67 anos, gozava de uma sa\u00fade excelente, atestada poucas semanas antes, e que n\u00e3o foi feita nenhuma autopsia ou exame post-mortem. \u201cO Vaticano \u00e9 um Estado independente, sem um corpo de pol\u00edcia pr\u00f3prio; a pol\u00edcia italiana s\u00f3 pode entrar se for convidada, mas n\u00e3o foi\u201d, observa.<\/p>\n<p>Do Sumo Pont\u00edfice da Igreja Cat\u00f3lica se diz que \u00e9 o Vig\u00e1rio de Cristo, Sucessor de Pedro e Santo Padre, tudo em mai\u00fasculas. Tamb\u00e9m recebe o tratamento de Sua Santidade e \u00e9 o chefe de Estado da chamada Santa S\u00e9. O inquisidor Roberto Belarmino (1542-1621), o primeiro cardeal jesu\u00edta e verdugo de Giordano Bruno e Galileu, em seu famoso catecismo respondia assim \u00e0 pergunta \u201cQuem \u00e9 crist\u00e3o?\u201d: \u201c\u00c9 crist\u00e3o aquele que obedece ao Papa\u201d. Um Deus, um Cristo, um Pont\u00edfice investido no extravagante dogma da infalibilidade. Caberia supor que essa papolatria teria elevado aos altares, proclamados santos, todos os papas da hist\u00f3ria. Nada mais longe da realidade. Apenas 56 deles foram canonizados por seus sucessores, a imensa maioria como m\u00e1rtires durante alguma das persegui\u00e7\u00f5es que os crist\u00e3os sofreram nos primeiros s\u00e9culos. Mais tarde, a santidade oficial de Suas Santidades brilhou por sua aus\u00eancia. Por exemplo, entre s\u00e3o Pio V, papa de 1566 a 1572, e s\u00e3o Pio X, que reinou entre 1903 a 1914, houve 342 anos de seca. Por outro lado, este s\u00e9culo XXI come\u00e7a com dois papas santos e v\u00e1rios a caminho. S\u00e3o eles s\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/juan_pablo_ii\/a\">Jo\u00e3o Paulo II<\/a>\u00a0e s\u00e3o Jo\u00e3o XXIII, canonizados por Francisco em 2014. O primeiro, a quem se suprimiu a figura do Advogado do Diabo para facilitar os tr\u00e2mites, virou beato pelas m\u00e3os de seu amigo \u00edntimo e sucessor imediato, Bento XVI.<\/p>\n<p>\u201cSe prosseguir a atual moda de canonizar todos os papas, a santidade, por princ\u00edpio, vai virar uma piada\u201d, sentencia Norwich. Historiador de ra\u00e7a, na melhor tradi\u00e7\u00e3o de Oxford, este segundo visconde de Norwich (nascido em 15 de setembro de 1929) escreveu antes, entre seus muitos livros, as hist\u00f3rias de Veneza e do Imp\u00e9rio Bizantino, e conheceu pessoalmente v\u00e1rios papas do s\u00e9culo passado. Reconhece que desta vez poderia ter escrito um livro de mem\u00f3rias, tamanho o seu conhecimento direto do papado no \u00faltimo s\u00e9culo. O que publica, por\u00e9m, \u00e9 uma grande saga, muitas vezes divertida, vista de fora, no melhor estilo ir\u00f4nico do grande Edward Gibbon em seus\u00a0<a href=\"https:\/\/www.skoob.com.br\/livro\/pdf\/declinio-e-queda-do-imperio-romano\/livro:14034\/edicao:74575\">relatos escabrosos sobre a decad\u00eancia do Imp\u00e9rio Romano.<\/a><\/p>\n<p>Norwich salienta a hist\u00f3ria de papas de enorme envergadura, como os dois \u00fanicos reconhecidos como Magnos: Le\u00e3o I, que libertou Roma do ass\u00e9dio de \u00c1tila; e Greg\u00f3rio Magno, que fez mais do que ningu\u00e9m por consolidar o poder temporal do pontificado, ao qual ascendeu ap\u00f3s ser governador civil de Roma. Mas tamb\u00e9m se det\u00e9m em pont\u00edfices chaves-de-cadeia: papas que abusavam das donzelas do pal\u00e1cio, papas com filhos de v\u00e1rias mulheres, papas bandidos. Embora n\u00e3o descubra nada que j\u00e1 n\u00e3o se soubesse, oferece uma obra deliciosa, ir\u00f4nica e \u00e0s vezes divertida sobre \u201ca imponente, assombrosa e tantas vezes escabrosa, terr\u00edvel, escandalosa e at\u00e9 criminosa monarquia absoluta mais antiga do mundo\u201d. N\u00e3o exagera com esses qualificativos (usa outros ainda mais taxativos), nem para elogiar tantos papas bons, nem para execrar tantos papas maus.<\/p>\n<p>O livro cont\u00e9m um cap\u00edtulo intitulado\u00a0<em>Os Monstros<\/em>. \u201cApesar de tudo, a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/iglesia_catolica\/a\">Igreja Cat\u00f3lica Romana<\/a>\u00a0floresce como talvez nunca antes. Se s\u00e3o Pedro pudesse v\u00ea-la agora, certamente ficaria orgulhoso\u201d, resume, assombrado com a maneira como\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/10\/31\/opinion\/1477926616_050502.html\">a mensagem do judeu Jesus<\/a>, que entrou em Jerusal\u00e9m no lombo de um jumento e foi crucificado junto a dois ladr\u00f5es, p\u00f4de sobreviver a uma hist\u00f3ria tantas vezes extravagante, e que ele seja venerado e conhecido em todo o mundo. Mais imponente ainda \u00e9 o fato de que grande parte da Humanidade conte os anos e os s\u00e9culos, e desenvolva os calend\u00e1rios, a partir da data do nascimento do revoltoso nazareno,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/03\/24\/cultura\/1458814917_248555.html\">apesar de ningu\u00e9m conhecer essa data exata<\/a>\u00a0(mas sim que n\u00e3o foi a que se imaginava), nem sequer o lugar de seu nascimento.<\/p>\n<p>Os Papas n\u00e3o eram ningu\u00e9m durante s\u00e9culos. Nem sequer eram chamados assim, at\u00e9 o bispo Sir\u00edcio assumir esse nome como um t\u00edtulo de honra, no final do s\u00e9culo IV. Na verdade, a palavra Papa, de origem grega, significava ent\u00e3o bem pouca coisa: &#8220;pequeno pai&#8221;. At\u00e9 Sir\u00edcio, que reinou em Roma entre 384 e 399, o termo \u201cpequenos pais\u201d era usado para membros idosos das comunidades crist\u00e3s, perseguidos ou desprestigiados, at\u00e9 o imperador Constantino proclamar, em 313, que o cristianismo era a religi\u00e3o oficial do Imp\u00e9rio Romano. Sessenta anos depois, Teod\u00f3sio proibiu os outros cultos. &#8220;Uma Igreja perseguida tornou-se uma Igreja perseguidora&#8221;, conclui John Julius Norwich.<\/p>\n<h3>Pompa perdida<\/h3>\n<p>Monarcas autocr\u00e1ticos, os Papas praticaram at\u00e9 muito recentemente a doutrina de Greg\u00f3rio VII em\u00a0<em>Dictatus Papae<\/em>, de 1075: somente o romano pont\u00edfice pode usar ins\u00edgnias imperiais; &#8220;todos os pr\u00edncipes s\u00f3 podem beijar os p\u00e9s do Papa&#8221;; s\u00f3 ele pode depor imperadores; suas senten\u00e7as n\u00e3o devem ser reformadas por ningu\u00e9m, enquanto ele pode reformar as de todos.<\/p>\n<p>O \u00faltimo a acreditar nisso foi o aristocr\u00e1tico Pio XII, pont\u00edfice entre 1939 e 1958. Os oficiais tinham que se ajoelhar quando o papa come\u00e7ava a falar, ir at\u00e9 ele de joelhos e deixar a sala caminhando para tr\u00e1s. O pontificado estava h\u00e1 meio s\u00e9culo sem poder tempor\u00e1rio, pelo menos te\u00f3rico, como\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/josef_stalin\/a\">Stalin<\/a>\u00a0sup\u00f4s em 1945, na\u00a0<a href=\"http:\/\/operamundi.uol.com.br\/conteudo\/noticias\/9379\/conteudo+opera.shtml\">Confer\u00eancia de Ialta,<\/a>\u00a0em 1945, quando se surpreende ap\u00f3s\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/winston_churchill\/a\">Winston Churchill<\/a>sugerir a poss\u00edvel participa\u00e7\u00e3o do Papa nas negocia\u00e7\u00f5es de paz. &#8220;Quantas divis\u00f5es tem esse papa?&#8221;, perguntou o ditador sovi\u00e9tico. Mas nenhum monarca estava cercado por tantos cerimoniais.<\/p>\n<p>Norwich ilustra como essa pompa excessiva chegou ao nosso tempo. Por exemplo, sobre Le\u00e3o XIII, papa entre 1878 e 1903, diz que seus visitantes tinham que permanecer ajoelhados durante toda a audi\u00eancia e que os membros de sua comitiva eram obrigados a ficar de p\u00e9 em sua presen\u00e7a. &#8220;Dizem que, durante os 25 anos do seu pontificado, n\u00e3o dirigiu nem uma s\u00f3 palavra a seu motorista&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O Vaticano \u00e9 um lugar id\u00f4neo para cometer um crime&#8221;, diz o historiador brit\u00e2nico John Julius Norwich<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":234041,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[2,6],"tags":[],"class_list":["post-234040","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/batinas.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/234040","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=234040"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/234040\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/234041"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=234040"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=234040"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=234040"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}