{"id":234042,"date":"2018-02-14T10:59:22","date_gmt":"2018-02-14T13:59:22","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=234042"},"modified":"2018-02-14T10:59:22","modified_gmt":"2018-02-14T13:59:22","slug":"febre-amarela-os-enigmas-que-ciencia-ainda-nao-consegue-explicar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/febre-amarela-os-enigmas-que-ciencia-ainda-nao-consegue-explicar\/","title":{"rendered":"Febre amarela: os enigmas que a ci\u00eancia ainda n\u00e3o consegue explicar"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Cientistas procuram entender o que levou o v\u00edrus a chegar a \u00e1reas onde antes n\u00e3o circulava<\/h2>\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Ainda n\u00e3o se sabe tamb\u00e9m porque mosquitos que circulam na cidade n\u00e3o transmitem a doen\u00e7a<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir compartir--fijo\">\n<div class=\"compartir__interior\">\n<div class=\"compartir-varios\"><\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Talita Bedinelli\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/talita_bedinelli\/a\/\">TALITA BEDINELLI<\/a><\/span><\/p>\n<div class=\"autor-perfiles\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"videonoticia\" class=\"centro\">\n<figure class=\"foto  centro\">\n<div id=\"multimediaPlayer_609219748\">\n<div><a class=\"posicionador\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep02.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/02\/08\/politica\/1518112590_808611_1518601794_noticia_fotograma.jpg\" width=\"640\" height=\"358\" \/><\/a><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Produ\u00e7\u00e3o de vacina para a febre amarela.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">RODRIGO NUNES (MS)<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<section id=\"sumario_1|apoyos\" class=\"sumario_apoyos izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<header class=\"sumario-encabezado\">\n<h3 class=\"sumario-titulo\"><\/h3>\n<\/header>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>A at\u00e9 agora inexplic\u00e1vel explos\u00e3o de casos de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/fiebre_amarilla\/a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">febre amarela<\/a>\u00a0em regi\u00f5es onde o v\u00edrus era pouco atuante h\u00e1 d\u00e9cadas trouxe um desafio para sa\u00fade p\u00fablica brasileira. At\u00e9 o momento, n\u00e3o se sabe quais os fatores que influenciaram esta dispers\u00e3o do v\u00edrus. Nem por qual motivo os mosquitos da zona urbana, como o\u00a0<em><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/mosquito_tigre\/a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Aedes aegypti<\/a>,<\/em>\u00a0ainda n\u00e3o o transmitem, mesmo tendo a capacidade para isso.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que a febre amarela se desloca. De tempos em tempos, h\u00e1 surtos fora da \u00e1rea amaz\u00f4nica. Mas o que vemos \u00e9 que ao longo dos \u00faltimos 20 anos ela vem descendo. Neste ano, o surto de 2018 \u00e9 continuidade daquele que\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/01\/16\/politica\/1484595238_183819.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">teve in\u00edcio em 2016 em Minas Gerais<\/a>, com um impacto muito grande em 2017&#8243;, explica Rivaldo Ven\u00e2ncio,\u00a0<span lang=\"pt-BR\" xml:lang=\"pt-BR\">coordenador de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade e Laborat\u00f3rios da\u00a0<span class=\"st\">Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz<\/span>\u00a0(Fiocruz). &#8220;O v\u00edrus n\u00e3o desce sozinho. Ou ele desce por meio do deslocamento dos primatas ou por meio de pessoas que moram nas florestas e descem para o Sudeste. Muitas vezes, elas est\u00e3o com uma infec\u00e7\u00e3o sem sintomas ou com manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas sutis e n\u00e3o sabem que est\u00e3o doentes&#8221;, continua Ven\u00e2ncio.<\/span><\/p>\n<p>A febre amarela \u00e9 uma doen\u00e7a end\u00eamica da regi\u00e3o amaz\u00f4nica (ou seja, que circula naturalmente nesta regi\u00e3o). Por isso, ela j\u00e1 faz parte da rotina de vacina\u00e7\u00e3o. Com a ampla cobertura vacinal, a popula\u00e7\u00e3o do Norte est\u00e1 quase toda protegida e s\u00e3o poucos os casos da doen\u00e7a que atualmente acontecem por ali. Por isso,os 353 casos confirmados no pa\u00eds no ultimo ano at\u00e9 a \u00faltima quarta-feira, aconteceram no Sudeste (com exce\u00e7\u00e3o de um ocorrido no Distrito Federal). O padr\u00e3o \u00e9 semelhante ao do ano anterior, quando 777 casos da doen\u00e7a foram confirmados, 764 no Sudeste.<\/p>\n<p>No Sudeste e no litoral do pa\u00eds, como a doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 end\u00eamica, a popula\u00e7\u00e3o estava pouco vacinada. Por isso, houve uma explos\u00e3o de casos e a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/01\/12\/politica\/1515776572_533502.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">desesperada corrida a postos de sa\u00fade<\/a>\u00a0em busca da vacina. Em 2016, o ressurgimento do v\u00edrus nesta parte do Brasil causou o maior surto da doen\u00e7a das \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Pesquisadores procuram entender o que poderia ter mudado este padr\u00e3o de infesta\u00e7\u00e3o e porque ele ganhou esta velocidade nos \u00faltimos dois anos. &#8220;H\u00e1 pesquisas que estudam se o aquecimento global estaria mexendo com o habitat dos primatas. Outras falam sobre a amplia\u00e7\u00e3o da fronteira agr\u00edcola do pa\u00eds para \u00e1reas do Norte e Centro-oeste n\u00e3o cultivadas antes ou onde a cria\u00e7\u00e3o de gado foi substitu\u00edda pelo plantio de soja e milho, que usam agrot\u00f3xico. Isso causa uma movimenta\u00e7\u00e3o gigantesca de um ecossistema que estava quieto por muitos anos e a natureza d\u00e1 a resposta&#8221;, destaca o coordenador de vigil\u00e2ncia da Fiocruz.<\/p>\n<p>O Centro de Informa\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade Silvestre da funda\u00e7\u00e3o busca descobrir desde o ano passado quais altera\u00e7\u00f5es ambientais podem ter provocado a dispers\u00e3o atual da doen\u00e7a. S\u00e3o analisados 7.200 par\u00e2metros para isso. A bi\u00f3loga Marcia Chame, coordenadora do programa, afirma que os surtos fora da Amaz\u00f4nia est\u00e3o relacionados com fragmentos de matas muito pequenos, refor\u00e7ando o argumento da correla\u00e7\u00e3o do aumento da doen\u00e7a com a degrada\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html centro\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MfKLLO29gFw\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Outros cientistas tamb\u00e9m analisam como o surgimento de uma linhagem moderna do v\u00edrus pode ter ajudado neste novo padr\u00e3o de dispers\u00e3o da doen\u00e7a. Esta nova linhagem surgiu no final da d\u00e9cada de 1970, provavelmente em Trinidad e Tobago, afirma uma pesquisa conjunta dos Laborat\u00f3rios de Aids e Imunologia Molecular, de Biologia Molecular de Flaviv\u00edrus, de Mosquitos Transmissores de Hematozo\u00e1rios e de Gen\u00e9tica Molecular de Microrganismos da Fiocruz. Segundo os pesquisadores, ela foi a respons\u00e1vel pelo recente surto, que come\u00e7ou em 2016 em Minas Gerais.<\/p>\n<h3>Mosquitos<\/h3>\n<p>Todos os casos ocorridos no pa\u00eds s\u00e3o do tipo silvestre da doen\u00e7a, transmitido dentro de \u00e1rea de mata nativa pelos mosquitos\u00a0<em>Haemagogus<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Sabethes<\/em>. Este tipo de inseto prefere as copas das \u00e1rvores para a reprodu\u00e7\u00e3o e, por isso, pica preferencialmente macacos, se alimentando de seu sangue. O homem, quando se infecta, \u00e9 por\u00a0<em>acidente,<\/em>\u00a0porque entrou na \u00e1rea de mata e o mosquito desceu para se alimentar por n\u00e3o ter alimento na parte de cima da \u00e1rvore. O ciclo urbano da doen\u00e7a \u00e9 transmitido por outros mosquitos. O principal deles \u00e9 o\u00a0<em>Aedes aegypti,<\/em>\u00a0que tamb\u00e9m espalha dengue, chikungunya e zika. O ciclo urbano, apesar da forte presen\u00e7a deste mosquito na cidade, n\u00e3o acontece desde 1942 no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Isso tamb\u00e9m se transformou em um outro enigma para os cientistas. Por que at\u00e9 agora, mesmo com tantos casos de febre amarela silvestre em \u00e1reas pr\u00f3ximas a grandes metr\u00f3poles, ainda n\u00e3o surgiram casos do tipo urbano da doen\u00e7a? O\u00a0<em>Aedes<\/em>\u00a0teria perdido a compet\u00eancia para transmitir a doen\u00e7a? Estaria com a capacidade esgotada por conta de tantos outros v\u00edrus competindo por um \u00fanico hospedeiro? Outra pesquisa da Fiocruz comprovou que quatro esp\u00e9cies de mosquito, dois deles urbanos, sendo um o\u00a0<em>Aedes<\/em>, podem, sim, transmitir a doen\u00e7a. Eles foram infectados em laborat\u00f3rio com sangue com v\u00edrus e os cientistas puderam comprovar que o v\u00edrus chegava \u00e0 saliva de boa parte dos mosquitos. Quando o mosquito pica, ele cospe em sua\u00a0<em>v\u00edtima<\/em>\u00a0saliva<em>,<\/em>\u00a0que possui\u00a0 subst\u00e2ncias analg\u00e9sicas e anticoagulantes que o ajudam a n\u00e3o ser notado. \u00c9 neste momento que part\u00edculas do v\u00edrus s\u00e3o injetadas na corrente sangu\u00ednea.<\/p>\n<p>&#8220;O mosquito tem compet\u00eancia para transmitir o v\u00edrus. Mas o ciclo urbano n\u00e3o est\u00e1 ocorrendo. Por que? Isso \u00e9 o que todo mundo est\u00e1 se perguntando&#8221;, afirma a entomologista Dinair Couto Lima, pesquisadora do Laborat\u00f3rio de Mosquitos Transmissores de Hematozo\u00e1rios da Fiocruz e uma das autoras da pesquisa. Segundo ela, uma das hip\u00f3teses para que a transmiss\u00e3o urbana ainda n\u00e3o tenha acontecido \u00e9 que o controle do Aedes nas cidades, apesar de problem\u00e1tico, est\u00e1 mais controlado. Com uma popula\u00e7\u00e3o de mosquitos menor, a transmiss\u00e3o pode estar controlada. &#8220;As pessoas se vacinando tamb\u00e9m criam uma barreira muito importante&#8221;, destaca ela.<\/p>\n<p>Rivaldo Ven\u00e2ncio tamb\u00e9m destaca que o per\u00edodo de viremia (quando o v\u00edrus est\u00e1 no sangue do homem e pode transmiti-lo para um mosquito n\u00e3o infectado, continuando a cadeia de transmiss\u00e3o) \u00e9 muito pequeno no caso da febre amarela. &#8220;O v\u00edrus fica entre um e dois dias na corrente sangu\u00ednea. O da\u00a0<span class=\"st\">chikungunya, por exemplo, fica entre sete e oito dias&#8221;, destaca ele. &#8220;A febre amarela silvestre n\u00e3o deixar\u00e1 de existir, pois n\u00e3o tem como acabar com o ciclo entre o macaco e mosquito. Por isso \u00e9 importante vacinar a popula\u00e7\u00e3o urbana, para que ela seja mantida em um n\u00edvel sustentado entre os humanos. A tend\u00eancia \u00e9 que a m\u00e9dio prazo, entre quatro a cinco anos, todo o Brasil seja \u00e1rea de vacina\u00e7\u00e3o, inclusive nestas \u00e1reas onde hoje a vacina n\u00e3o \u00e9 aplicada na rotina. Esporadicamente vai haver algu\u00e9m que n\u00e3o se vacinou e corre o risco&#8221;, conclui ele.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas procuram entender o que levou o v\u00edrus a chegar a \u00e1reas onde antes n\u00e3o circulava<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":231547,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,12],"tags":[],"class_list":["post-234042","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-saude"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/febre-amarela-1.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/234042","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=234042"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/234042\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/231547"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=234042"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=234042"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=234042"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}