{"id":234760,"date":"2018-02-20T15:51:55","date_gmt":"2018-02-20T18:51:55","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=234760"},"modified":"2018-02-20T15:51:55","modified_gmt":"2018-02-20T18:51:55","slug":"historia-das-lesbicas-que-enganaram-igreja-para-se-casar-e-que-agora-inspira-filme","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/historia-das-lesbicas-que-enganaram-igreja-para-se-casar-e-que-agora-inspira-filme\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria das l\u00e9sbicas que enganaram a Igreja para se casar e que agora inspira filme"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share-row\">\n<div class=\"share-tools--no-event-tag\">\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-twite\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/14172\/production\/_100109228_23b07d66-692e-4c13-94ef-0aa0eed2d17a.jpg\" alt=\"Marcela Gracia Ibeas e Elisa S\u00e1nchez Loriga, em foto de casamento\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Marcela Gracia Ibeas e Elisa S\u00e1nchez Loriga, em foto de casamento | Foto: Jos\u00e9 Sellier<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">Em 1901, Marcela e M\u00e1rio se casaram na Igreja Cat\u00f3lica de S\u00e3o Jorge, na cidade de La Coru\u00f1a, noroeste da Espanha. M\u00e1rio tinha sido batizado no mesmo dia, dizendo que era filho de pais ingleses protestantes e que queria se converter ao catolicismo.<\/p>\n<p>O detalhe incr\u00edvel da hist\u00f3ria \u00e9 que M\u00e1rio, na verdade, era Elisa S\u00e1nchez Loriga, disfar\u00e7ada com conhecimento de Marcela, para conseguirem se casar na Igreja. At\u00e9 hoje, esse \u00e9 o \u00fanico casamento do mesmo sexo conhecido na hist\u00f3ria da Igreja Cat\u00f3lica espanhola. \u00c9 tamb\u00e9m um caso pioneiro de uni\u00e3o homossexual no mundo.<\/p>\n<p>Agora, a hist\u00f3ria do casal vai virar filme. &#8220;Quando eu penso sobre essas duas mulheres e a coragem de uma delas de se passar por homem, foram muito valentes&#8221;, afirma Isabel Coixet, realizadora do filme.<\/p>\n<p><strong>Enredo elaborado<\/strong><\/p>\n<p>Elisa e Marcela Gracia Ibeas se conheceram em meados dos anos 1880 em La Coru\u00f1a. &#8220;Marcela era aluna da escola de magist\u00e9rio. Elisa tinha estudado anteriormente para a mesma carreira e estava trabalhando na escola. Foi ent\u00e3o que elas se apaixonaram&#8221;, conta o escritor Narciso Gabriel, autor do livro\u00a0<i>Marcela e Elisa, muito al\u00e9m dos homens<\/i>.<\/p>\n<p>O casal enfrentou obje\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia de Marcela, que a enviou para Madri para que ficasse longe de Elisa. Mas, de acordo com Narciso Gabriel, as duas deram um jeito de continuar a se ver. Nessa \u00e9poca elas teriam planejado o casamento.<\/p>\n<p>Primeiro, Elisa e Marcela simularam que brigaram e que n\u00e3o estavam mais juntas. Al\u00e9m disso, Marcela, estava gr\u00e1vida de um homem n\u00e3o identificado e anunciou que se casaria com um primo de Elisa, chamado M\u00e1rio, que teria sido criado em Londres.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, com corte de cabelo curto e vestida de terno, Elisa se passou pelo rapaz.<\/p>\n<p><strong>Ass\u00e9dio da imprensa e da sociedade<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s o casamento, Elisa e Marcela tiveram pouco tempo de sossego. Uma foto do casal acabou na primeira p\u00e1gina do jornal local, La Voz de Galicia, com os dizeres: &#8220;Um casamento sem um noivo&#8221;.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria se espalhou r\u00e1pido. &#8220;O p\u00fablico mostrou um interesse enorme em saber os detalhes da hist\u00f3ria, a imprensa competiu para publicar a foto exclusiva. O caso teve uma grande repercuss\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 na Gal\u00edcia, mas tamb\u00e9m em Madri e na imprensa de outros pa\u00edses, como Fran\u00e7a, B\u00e9lgica e Argentina&#8221;, contou Gabriel. A Justi\u00e7a, por sua vez, decretou um mandado de pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Diante do ass\u00e9dio da imprensa e da persegui\u00e7\u00e3o da Igreja e da pol\u00edcia, o casal fugiu para a cidade do Porto, em Portugual.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/09D7\/production\/_92391520_gettyimages-71107065.jpg\" alt=\"Imagem da cidade do Porto, em Portugal\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Elisa e Marcela se mudaram para Portugal, fugindo da Justi\u00e7a espanhola<\/span><\/figure>\n<p>Em terras portuguesas, Elisa passou a se chamar de Pepe. Sob o disfarce de um casal heterossexual, as duas viveram por dois meses. Nesse per\u00edodo, nasceu a filha de Marcela. Por\u00e9m, em agosto de 1901, a pedido da pol\u00edcia espanhola, foram detidas e levadas para a pris\u00e3o em Portugal.<\/p>\n<p>Segundo Gabriel, o caso come\u00e7ou a ganhar &#8220;uma cobertura em Portugal t\u00e3o espetacular como a que aconteceu na Espanha&#8221;. Mas, ao contr\u00e1rio das not\u00edcias espanholas, a imprensa portuguesa foi favor\u00e1vel ao casal. &#8220;A imprensa tomou partido da causa de Marcela e Elisa, assim como parte da sociedade portuguesa e alguns residentes espanh\u00f3is do Porto&#8221;, conta ele.<\/p>\n<p>Apesar de toda essa como\u00e7\u00e3o, Portugal aceitou a extradi\u00e7\u00e3o do casal, solicitada pela Espanha. Por\u00e9m, antes de serem enviadas de volta, Elisa foi inocentada da acusa\u00e7\u00e3o de adultera\u00e7\u00e3o de documento e Marcela, de tentar encobrir o crime.<\/p>\n<p>Antes da extradi\u00e7\u00e3o, no entanto, Marcela e Elisa escaparam. Desta vez, rumo \u00e0 Argentina, onde, novamente, mudaram suas identidades. Em Buenos Aires, Marcela passou a se chamar Carmen; Elisa assumiu o nome de Maria.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/A617\/production\/_92391524_gettyimages-115054559.jpg\" alt=\"Imagem de uma rua de Buenos Aires, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Como milhares de imigrantes galegos, casal Elisa e Marcela come\u00e7ou uma nova vida em Buenos Aires<\/span><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Nova vida na Argentina<\/h2>\n<p>Elisa desembarcou na Argentina em 1903, dois anos ap\u00f3s o casamento. Pouco tempo depois, chegou Marcela, acompanhada da sua filha.<\/p>\n<p>A vida das jovens em Buenos Aires, a princ\u00edpio, n\u00e3o parecia ser muito diferente da de milhares de imigrantes galegos que viviam na cidade.<\/p>\n<p>Alguns meses depois, no entanto, a hist\u00f3ria sofreu uma nova reviravolta. Elisa &#8211; que na Argentina tinha o nome Maria &#8211; se casou com um homem de origem dinamarquesa. &#8220;O casamento n\u00e3o foi feliz e termina mal, entre outras coisas, porque Elisa se recusa a ter rela\u00e7\u00f5es sexuais com o marido&#8221;, conta Gabriel. O homem acabou denunciando Maria, dizendo que suas inten\u00e7\u00f5es ao se casar com ele eram fraudulentas.<\/p>\n<p>O que aconteceu depois? Elisa continuou vivendo com seu marido dinamarqu\u00eas? Para onde foram Marcela e sua filha? O desfecho desta hist\u00f3ria \u00e9 desconhecido. As pistas das vidas das protagonistas se perderam nesta \u00e9poca, afirma Gabriel. H\u00e1 apenas um relato de um jornal mexicano, de 1909, dizendo que Elisa havia se suicidado no pa\u00eds.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/148E0\/production\/_100029148_1208cf54-920b-41f5-95a0-5282fd397b8d.jpg\" alt=\"Veronica e Tiana foram as primeiras mulheres a se casarem no civil na Espanha, em 2005\" width=\"976\" height=\"649\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Veronica e Tiana foram as primeiras mulheres a se casarem no civil na Espanha, em 2005<\/span><\/figure>\n<p>Apesar de o casamento civil entre homossexuais ser legal na Espanha h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, ativistas LGBT no pa\u00eds dizem que ainda hoje h\u00e1 ecos da luta de Elisa e Marcela.<\/p>\n<p>&#8220;Uma lei n\u00e3o provoca uma mudan\u00e7a autom\u00e1tica na sociedade. Ainda hoje h\u00e1 pessoas que mant\u00eam sua sexualidade em segredo. Outras ainda se casam mas n\u00e3o tiram a licen\u00e7a a que t\u00eam direito ap\u00f3s o casamento, devido a vergonha ou medo de ser demitidas&#8221;, fala a soci\u00f3loga e ativista Inmaculada Mujika Flores.<\/p>\n<p>Mais de cem anos depois, o &#8220;casamento sem homem&#8221; de Elisa e Marcela continua causando admira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1901, Marcela e M\u00e1rio se casaram na Igreja Cat\u00f3lica de S\u00e3o Jorge, na cidade de La Coru\u00f1a, noroeste da Espanha. M\u00e1rio tinha sido batizado no mesmo dia, dizendo que era filho de pais ingleses protestantes e que queria s<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":234761,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[345,6],"tags":[],"class_list":["post-234760","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entretenimento","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/lesbica-antiga.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/234760","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=234760"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/234760\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/234761"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=234760"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=234760"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=234760"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}