{"id":235142,"date":"2018-02-24T05:42:40","date_gmt":"2018-02-24T08:42:40","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=235142"},"modified":"2018-02-24T05:42:40","modified_gmt":"2018-02-24T08:42:40","slug":"jacqueline-muniz-empregar-o-exercito-no-rio-e-uma-teatralidade-operacional-de-alto-custo-e-baixa-eficacia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/jacqueline-muniz-empregar-o-exercito-no-rio-e-uma-teatralidade-operacional-de-alto-custo-e-baixa-eficacia\/","title":{"rendered":"Jacqueline Muniz: \u201cEmpregar o Ex\u00e9rcito no Rio \u00e9 uma teatralidade operacional de alto custo e baixa efic\u00e1cia\u201d"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Especialista critica a interven\u00e7\u00e3o federal e faz radiografia das capacidades e inten\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir compartir--fijo\">\n<div class=\"compartir__interior\">\n<div class=\"compartir-varios\"><\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/02\/21\/politica\/1519238698_373309_1519240762_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/02\/21\/politica\/1519238698_373309_1519240762_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/02\/21\/politica\/1519238698_373309_1519240762_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/02\/21\/politica\/1519238698_373309_1519240762_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"interven\u00e7\u00e3o federal militar no RJ\" width=\"980\" height=\"656\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Militares patrulham uma rua de Japeri, perto do Rio.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">RICARDO MORAES<\/span>\u00a0<span class=\"foto-agencia\">REUTERS<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma firma--vertical\">\n<div class=\"autor\">\n<figure class=\"foto\"><\/figure>\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Felipe Betim\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/felipe_betim\/a\/\">FELIPE BETIM<\/a><\/span><\/div>\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-descripcion\">\u00a0<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo-introduccion\" class=\"articulo-introduccion\">\n<p>A aten\u00e7\u00e3o precisa ser redobrada para acompanhar o r\u00e1pido, por\u00e9m preciso, racioc\u00ednio de Jacqueline Muniz. Antrop\u00f3loga, cientista pol\u00edtica e especialista em seguran\u00e7a p\u00fablica da Universidade Federal Fluminense\u00a0 (UFF), ela conversou com o EL PA\u00cdS em um caf\u00e9 do bairro de Botafogo, no\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/rio_de_janeiro\/a\">Rio de Janeiro<\/a>, a respeito da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/intervencion_federal\/a\/\"><strong>interven\u00e7\u00e3o federal<\/strong><\/a>\u00a0decretada pelo presidente\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/michel_temer\/a\">Michel Temer<\/a>\u00a0e aprovada pelo Congresso Nacional. \u201cEmpregar o Ex\u00e9rcito no Rio \u00e9 uma teatralidade operacional de alto custo e baixa efic\u00e1cia\u201d, explica ela, que conhece as For\u00e7as Armadas e as pol\u00edcias de perto. \u201cO Ex\u00e9rcito nunca esteve tanto nas ruas como nos governos democr\u00e1ticos\u201d, diz em outro momento.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p>Al\u00e9m de realizar trabalhos de campo dentro das corpora\u00e7\u00f5es, acompanhando e analisando patrulhas e opera\u00e7\u00f5es, Muniz trabalhou no final dos anos 90 na Secretaria Estadual de Seguran\u00e7a do Rio e no Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a no in\u00edcio dos anos 2000, ajudando a formular a For\u00e7a Nacional. Hoje trabalha junto ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual, d\u00e1 aulas\u00a0\u2014 inclusive para policiais e soldados\u00a0\u2014 e, desde a \u00faltima semana, vive uma fama inesperada. Um dia depois do an\u00fancio da interven\u00e7\u00e3o federal,\u00a0<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/globo-news\/jornal-globo-news\/videos\/v\/professora-especialista-em-seguranca-publica-da-uff-fala-sobre-intervencao-federal-no-rio\/6510030\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ofereceu uma entrevista ao vivo no canal GloboNews que viralizou nas redes sociais<\/a>\u00a0devido a sua contund\u00eancia para criticar a medida. \u201cTenho recebido milhares de mensagens de pessoas dizendo que eu lavei a alma delas ou me xingando\u201d, diz, entre risadas.<\/p>\n<p>Durante a entrevista ao EL PA\u00cdS, Muniz imprimiu o mesmo estilo certeiro e ir\u00f4nico ao fazer uma\u00a0radiografia detalhada das capacidades e inten\u00e7\u00f5es das For\u00e7as Armadas com a interven\u00e7\u00e3o no Rio. Atraiu os olhares e aten\u00e7\u00e3o dos que estavam em volta. Alguns reconheceram a especialista e pediram para tirar uma\u00a0<em>selfi<\/em>e, enquanto outros se juntaram \u00e0 conversa para fazer observa\u00e7\u00f5es sobre o decreto. Leia abaixo alguns trechos da entrevista, dividida em blocos tem\u00e1ticos.<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<h3><strong>O que esperar do emprego do ex\u00e9rcito nas ruas do Rio<\/strong><\/h3>\n<section id=\"sumario_5|foto\" class=\"sumario_foto derecha\"><a name=\"sumario_5\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/02\/21\/politica\/1519238698_373309_1519426787_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/02\/21\/politica\/1519238698_373309_1519426787_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/02\/21\/politica\/1519238698_373309_1519426787_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"A professora Jacqueline Muniz.\" width=\"360\" height=\"240\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">A professora Jacqueline Muniz.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>&#8220;O Ex\u00e9rcito est\u00e1 composto por meninos novos e inexperientes que foram treinados para a a\u00e7\u00e3o em tropa, como blocos est\u00e1ticos, e n\u00e3o para a tomada de decis\u00e3o individual. O que \u00e9 a pol\u00edcia? For\u00e7a comedida. For\u00e7as Armadas? Formas de espera para a a\u00e7\u00e3o. Pol\u00edcia? Formas de agir no tempo real, antes, durante e depois. Ela toma decis\u00f5es no aqui e agora a partir do seu medo, da sua incerteza, do seu perigo real. Porque a din\u00e2mica criminal \u00e9 causal e itinerante. As For\u00e7as Armadas lidam com o guerra, ent\u00e3o n\u00e3o posso me dar ao luxo de cada um decidir de um jeito em uma batalha. Voc\u00ea tem que ter um comando, que \u00e9 o que d\u00e1 a superioridade. Se sou soldado e vejo um assalto, vou esperar um comandante dar ordem? Ent\u00e3o o problema de colocar o Ex\u00e9rcito nas ruas em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edcia, como no Complexo da Mar\u00e9 [entre abril de 2014 e junho de 2015], \u00e9 que voc\u00ea perde capacidade de comando da tropa, que n\u00e3o sabe decidir individualmente. Cada soldado daquele n\u00e3o \u00e9 talhado para essa tomada de decis\u00e3o individual. Isso faz com que ele fique vulner\u00e1vel a riscos,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/02\/20\/politica\/1519134545_626880.html\">mais f\u00e1cil de ser cooptado pela corrup\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0e mais suscet\u00edvel a produzir viola\u00e7\u00f5es e uso abusivo de for\u00e7as. N\u00e3o \u00e9 a toa que o comandante-geral\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/02\/16\/politica\/1518809925_167595.html\">diz que isso \u00e9 uma temeridade<\/a>. E \u00e9. [Veja o v\u00eddeo abaixo]<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html centro\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/T6-HXpAnJ8A\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>E n\u00e3o adianta prepar\u00e1-los para a\u00e7\u00e3o de policiamento. \u00c9 como se voc\u00ea pegasse a pol\u00edcia e achasse que ela est\u00e1 apta para agir como corpo t\u00e1tico, como uma unidade blindada de guerra. Voc\u00ea sabota a cultura institucional, o\u00a0<em>ethos<\/em>, a identidade, e voc\u00ea vulnerabiliza para dentro e para fora. A perspectiva do Ex\u00e9rcito produzir riscos operacionais \u00e9 muito alta, mas n\u00e3o por m\u00e1 f\u00e9. O emprego \u00e9 inadequado. A log\u00edstica das For\u00e7as Armadas n\u00e3o \u00e9 adequada para a mobilidade t\u00e1tica desejada no cen\u00e1rio urbano. Voc\u00ea coloca um canh\u00e3o na praia de Copacabana, a\u00ed passa o fulano e rouba o cord\u00e3o da mo\u00e7a. O que o canh\u00e3o faz, d\u00e1 um tiro e destr\u00f3i tudo? N\u00e3o vai poder fazer nada, \u00e9 um carro aleg\u00f3rico. Pensa num soldado no Aterro do Flamengo, com seu capacete, com seu colete, com seu fuzil de sete quilos. O fulano assaltou, ele vai sair correndo atr\u00e1s? \u00c9 isso o que a pol\u00edcia faria, mas o soltado \u00e9 uma tartaruga correndo, por causa do peso. E ele n\u00e3o tem pleno mandato policial.&#8221;<\/p>\n<h3><strong>As consequ\u00eancias do emprego do ex\u00e9rcito<\/strong><\/h3>\n<p>&#8220;Para que servem esses blindados em pontos de visibilidade do Rio? Produzir o efeito de que o Ex\u00e9rcito se faz presente. Mas isso n\u00e3o gera qualquer impacto efetivo na incid\u00eancia criminal. \u00c9 uma teatralidade operacional de alto custo e baixo rendimento e efic\u00e1cia.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/11\/14\/politica\/1510686437_487995.html\">Voc\u00ea prendeu pessoas? Apreendeu coisas?<\/a>\u00a0Reduziu o crime? A coca\u00edna ficou mais cara? Na Mar\u00e9 foram gastos no m\u00ednimo 350 milh\u00f5es de reais, mas com 10% disso reestruturo toda a intelig\u00eancia da Policia Civil, que apreende uma tonelada de coca\u00edna ou um cont\u00eainer de armas.<\/p>\n<section id=\"sumario_4|html\" class=\"sumario_html derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">Os militares n\u00e3o est\u00e3o errados, o que n\u00e3o quer dizer que seja bom. Do ponto de vista da sociedade, \u00e9 o pior cen\u00e1rio poss\u00edvel<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o, ainda que de forma equivocada, diz que a PM \u00e9 for\u00e7a auxiliar do Ex\u00e9rcito.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/02\/19\/politica\/1519058632_353673.html\">De 92 para c\u00e1, o Ex\u00e9rcito tem virado a for\u00e7a auxiliar da PM<\/a>. Olha o problema: a impress\u00e3o que d\u00e1 \u00e9 que, diante das chantagens corporativas, a fabrica\u00e7\u00e3o de crises artificiais com prop\u00f3sitos deliberadamente pol\u00edticos e eleitoreiros, o fato \u00e9 que todo mundo est\u00e1 de pires na m\u00e3o. Tem gente que vai fazer\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/uber\/a\">Uber<\/a>\u00a0para complementar renda, outros v\u00e3o levar cachorro pra passear, e agora voc\u00ea quer improvisar nas For\u00e7as Armadas, que v\u00e3o fazer bico na seguran\u00e7a p\u00fablica para complementar or\u00e7amento. &#8216;Olha, eu vou l\u00e1 fazer esse servi\u00e7o que n\u00e3o \u00e9 meu, que eu n\u00e3o sei fazer, mas vou receber um dinheiro a mais para comprar aquelas coisas que eu tava precisando, comprar uns brinquedos que estavam quebrados, arrumar a casa&#8230;&#8217;. Parte dos recursos das For\u00e7as Armadas tamb\u00e9m foram contingenciados. E quem d\u00e1 a miss\u00e3o d\u00e1 os meios.&#8221;<\/p>\n<h3><strong>As garantias que as For\u00e7as Armadas querem<\/strong><\/h3>\n<p>&#8220;O que as For\u00e7as Armadas est\u00e3o dizendo \u00e9: &#8216;Se voc\u00ea est\u00e1 me chamando para o playground, ent\u00e3o me d\u00e1 os brinquedos. Eu estou dizendo que n\u00e3o sei fazer isso, que n\u00e3o \u00e9 para fazer isso, que o emprego das tropas \u00e9 uma trag\u00e9dia para a corpora\u00e7\u00e3o e para a seguran\u00e7a. Mas, se voc\u00eas querem, vamos querer salvo condutos&#8217;. Primeiro:\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/02\/19\/politica\/1519055615_677899.html\">todas as viol\u00eancias, viola\u00e7\u00f5es e equ\u00edvocos<\/a>\u00a0v\u00e3o para a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/justica_militar_brasil\/a\">Justi\u00e7a Militar<\/a>. Esse projeto [que no final do ano passado foi sancionado por Temer] esteve na m\u00e3o do FHC, Lula e Dilma. O Ex\u00e9rcito nunca esteve tanto nas ruas como nos governos democr\u00e1ticos. S\u00e3o mais de seis GLOs.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/10\/12\/politica\/1507840831_336832.html\">Temer s\u00f3 assinou algo que j\u00e1 estava em andamento<\/a>. O Rio sofreu sucessivas interven\u00e7\u00f5es brandas e envergonhadas, e agora est\u00e1 na situa\u00e7\u00e3o que a de um governo militar. As For\u00e7as Armadas n\u00e3o s\u00e3o bobas, est\u00e3o dizendo que v\u00e3o continuar sendo e agindo como tal num cen\u00e1rio urbano. Sendo assim, &#8216;tudo o que eu fa\u00e7o de certo e errado tem que ser avaliado sobre os par\u00e2metros militares&#8217;. Eles n\u00e3o est\u00e3o errados, o que n\u00e3o quer dizer que seja bom. Do ponto de vista da sociedade, \u00e9 o pior cen\u00e1rio poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, nas comunidades a topografia e a geografia s\u00e3o acidentalizadas. \u00c9 uma urbaniza\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, com vielas, ruelas, uma laje que serve de base para a casa do vizinho. E o Ex\u00e9rcito, que age como tropa, n\u00e3o tem vantagens t\u00e1ticas nesses territ\u00f3rios. Quando entra com os blindados, passa por cima de carro e moto de morador que nem seguro tem. N\u00e3o cabe a blindagem ali e ela n\u00e3o serve de patrulha porque \u00e9 mais lenta que uma tartaruga. Ent\u00e3o ele entra na favela com toda a sorte de desvantagens: n\u00e3o tem controle de aproxima\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem 360 graus de vis\u00e3o&#8230; Isso faz com que sua chance de erro seja imensa. Ent\u00e3o o que eles est\u00e3o pedindo? Aquilo que do ponto de vista da cidadania \u00e9 temer\u00e1rio:\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/02\/19\/politica\/1519078828_906789.html\">o mandado coletivo de busca e apreens\u00e3o<\/a>. Porque, para entrar na sua casa, passa pela minha. A pol\u00edcia trabalha numa situa\u00e7\u00e3o, mas as For\u00e7as Armadas s\u00f3 sabem trabalhar em per\u00edmetro.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|html\" class=\"sumario_html derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">&#8220;O governador entregou de bom grado a seguran\u00e7a. Se voc\u00ea entregou a seguran\u00e7a, voc\u00ea virou um boneco de posto&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Terceiro, as For\u00e7as Armadas n\u00e3o querem se subordinar \u00e0s pol\u00edcias. Elas tem sido for\u00e7a auxiliar da PM. Mas j\u00e1 que \u00e9 pra ficar aqui fazendo pirotecnia, &#8216;eu comando, mas n\u00e3o operacionalizo. Eu fa\u00e7o o plano, mas n\u00e3o vou pra rua&#8217;. Elas querem governar, mas n\u00e3o querem agir. Essa \u00e9 a quest\u00e3o! Voc\u00ea acha que eles foram pegos de surpresa, como pareceu na entrevista? Acham que passaram Carnaval no Rio, gostaram e decidiram governar? As opera\u00e7\u00f5es na Rocinha, no Salgueiro e na Mar\u00e9\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/02\/16\/politica\/1518803598_360807.html\">foram ensaios t\u00e9cnicos para isso, que j\u00e1 estava sendo constru\u00eddo h\u00e1 muito tempo<\/a>. E o governador, que entregou de bom grado a seguran\u00e7a, entregou sua capacidade de governabilidade. Porque \u00e9 a seguran\u00e7a que permite a estabiliza\u00e7\u00e3o para o exerc\u00edcio de poder. Ent\u00e3o se voc\u00ea entregou a seguran\u00e7a, voc\u00ea virou um boneco de posto.&#8221;<\/p>\n<h3><strong>A interven\u00e7\u00e3o e o problema da seguran\u00e7a<\/strong><\/h3>\n<p>&#8220;Os efeitos s\u00e3o provis\u00f3rios, o chamado\u00a0<em>efeito Pelourinho<\/em>. Durante o Carnaval, o que acontecia no Pelourinho de Salvador? Fecham o per\u00edmetro urbano tur\u00edstico e saturava de policia. Os crimes de rua, como roubos, furtos e agress\u00f5es, caem naquele local. Mas ao redor aumenta, porque voc\u00ea tem um deslocamento da mancha criminal. Voc\u00ea n\u00e3o alterou a din\u00e2mica criminal, n\u00e3o interveio nas causas que produzem os crimes de rua, apenas deslocou. Mas voc\u00ea n\u00e3o tem como manter soldadinhos de chumbo 24 horas no mesmo lugar e sua capacidade de pronto emprego \u00e9 limitada no tempo.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/08\/22\/politica\/1503436419_227273.html\">\u00c9 por isso os efeitos da UPP foram limitados, e isso eram previs\u00edvel<\/a>. Depois que voc\u00ea ocupa um lugar com pol\u00edcia, deve haver um conjunto de outras a\u00e7\u00f5es que estendam o efeito ostensivo para al\u00e9m do tempo presente. Durante as UPPs houve um deslocamento dessa mancha criminal. As taxas de homic\u00eddio ca\u00edram porque a pol\u00edcia parou de trocar tiro. Quem \u00e9 o administrador da morte? O Estado. A pol\u00edcia entrava para impedir disputas gangues rivais, e ela pr\u00f3pria deixou de produzir o confronto e passou a ocupar o territ\u00f3rio. Mais foi provis\u00f3rio, durou um ou dois anos, porque voc\u00ea tem rearranjo da economia criminosa. Ningu\u00e9m t\u00e1 no crime por ideologia, mas porque d\u00e1 dinheiro. Vai da banda larga ilegal a droga. S\u00f3 o gato net na rocinha gerava 300 ou 400.000. H\u00e1 um discurso moralista de que \u00e9 contra as drogas porque, no Rio, se governa com o crime e n\u00e3o contra o crime. O dinheiro do caixa 2 de campanha vem dele.&#8221;<\/p>\n<h3><strong>Por que as pessoas pedem o Ex\u00e9rcito nas ruas<\/strong><\/h3>\n<p>&#8220;As pessoas est\u00e3o pedindo seguran\u00e7a e institucionalidade. Est\u00e3o dizendo que n\u00e3o querem ir para rua predar ou serem predadas. Querem o Estado, a institucionalidade, agindo de forma regular e permanente, e n\u00e3o est\u00e3o erradas. Querem um sentido de autoridade, que \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o para garantir a igualdade e a liberdade. Ent\u00e3o diante da fabrica\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia intencional dos aparatos de seguran\u00e7a, com o sucateamento da Pol\u00edcia Civil e a precariza\u00e7\u00e3o da PM, que foi terceirizada e quarteirizada, sendo alugada para iniciativa privada, criou-se um cen\u00e1rio prop\u00edcio para esse tipo de interven\u00e7\u00e3o. Porque Governos ileg\u00edtimos e impopulares n\u00e3o tem como produzir coes\u00e3o ao seu projeto de Governo e sociedade. A \u00fanica forma \u00e9 produzir coercitividade. Ent\u00e3o ele precisa fabricar amea\u00e7as para ofertar prote\u00e7\u00e3o. E isso n\u00e3o \u00e9 seguran\u00e7a, porque essa prote\u00e7\u00e3o \u00e9 seletiva, desigual e excludente. Fabricam-se guerras artificiais para buscar pelo medo, que \u00e9 um p\u00e9ssimo conselheiro e faz que com que abdiquemos de nossos direitos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/02\/20\/opinion\/1519159053_555960.html\">em nome de um salvador da p\u00e1tri<\/a>a. Mas o libertador de hoje vai ser o tirano de amanh\u00e3.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A aten\u00e7\u00e3o precisa ser redobrada para acompanhar o r\u00e1pido, por\u00e9m preciso, racioc\u00ednio de Jacqueline Muniz. 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