{"id":235334,"date":"2018-02-26T08:32:05","date_gmt":"2018-02-26T11:32:05","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=235334"},"modified":"2018-02-26T08:32:05","modified_gmt":"2018-02-26T11:32:05","slug":"saga-de-um-cientista-alemao-preso-no-brasil-as-vesperas-da-segunda-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/saga-de-um-cientista-alemao-preso-no-brasil-as-vesperas-da-segunda-guerra\/","title":{"rendered":"A saga de um cientista alem\u00e3o preso no Brasil \u00e0s v\u00e9speras da Segunda Guerra"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Helmut Sick chegou quando Get\u00falio Vargas era amigo da Alemanha, foi preso quando a geopol\u00edtica virou para os Aliados e morreu d\u00e9cadas depois como um dos maiores nomes da ci\u00eancia brasileira<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir compartir--fijo\">\n<div class=\"compartir__interior\">\n<div class=\"compartir-varios\"><\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/01\/12\/politica\/1515785317_736008_1519574810_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/01\/12\/politica\/1515785317_736008_1519574810_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/01\/12\/politica\/1515785317_736008_1519574810_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/01\/12\/politica\/1515785317_736008_1519574810_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"A saga de um cientista alem\u00e3o preso no Brasil \u00e0s v\u00e9speras da Segunda Guerra\" width=\"980\" height=\"643\" \/><\/figure>\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Andr\u00e9 Juli\u00e3o\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/el_pais\/a\/\">ANDR\u00c9 JULI\u00c3O<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<section id=\"sumario_1|apoyos\" class=\"sumario_apoyos izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<div class=\"apoyos\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Diz o senso popular que fazemos planos para a vida, mas a vida se encarrega de mudar as rotas planejadas. O cientista alem\u00e3o Helmut Sick, estudioso de aves, provou dessas armadilhas do destino quando chegou ao Brasil \u00e0s v\u00e9speras da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/segunda_guerra_mundial\/a\">Segunda Guerra Mundial<\/a>\u00a0estourar. Em 1939, aos 29 anos, dois ap\u00f3s concluir seu doutorado sobre a \u201cestrutura funcional da pena das aves\u201d, Heinrich Maximilian Friedrich Helmut Sick desembarcou no\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/rio_de_janeiro\/a\">Rio de Janeiro<\/a>, como assistente do ornit\u00f3logo Adolf Schneider numa expedi\u00e7\u00e3o do Museu de Hist\u00f3ria Natural da Universidade de Berlim. Schneider, que tinha uma filha vivendo no Brasil, havia conseguido autoriza\u00e7\u00e3o para coletar aves no Estado do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/espirito_santo\/a\">Esp\u00edrito Santo<\/a>, a fim de enriquecer o acervo da institui\u00e7\u00e3o em que ele e Sick trabalhavam. Apenas dois meses depois, por\u00e9m, estourou a Segunda Guerra na Europa e os ornit\u00f3logos se viram impossibilitados de voltar para casa.<\/p>\n<p>\u00c0quela altura o Brasil ainda se mantinha neutro na guerra. O ent\u00e3o presidente Get\u00falio Vargas, um simpatizante do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/nazismo\/a\">nazifascismo<\/a>, se deixava cortejar tanto pelos alem\u00e3es quanto pelos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/estados_unidos\/a\">Estados Unidos<\/a>, ainda fora do conflito, mas buscando o apoio do Brasil. Mas n\u00e3o era s\u00f3 Get\u00falio que apreciava os alem\u00e3es. O historiador Stanley Hilton relata no livro\u00a0<em>A Guerra Secreta de Hitler no Brasil<\/em>\u00a0que entre 1934 e 1938, quando o interc\u00e2mbio comercial entre os dois pa\u00edses havia dobrado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 d\u00e9cada anterior, a popula\u00e7\u00e3o de origem germ\u00e2nica no pa\u00eds era \u201cconsider\u00e1vel e influente\u201d. Parte disso se devia aos produtores brasileiros serem os principais fornecedores de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/cafe\/a\">caf\u00e9<\/a>\u00a0e algod\u00e3o para os alem\u00e3es, enquanto estes eram o principal fornecedores de produtos manufaturados para os brasileiros.<\/p>\n<p>A\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/alemania\/a\">Alemanha<\/a>\u00a0era vista como modelo de pa\u00eds moderno pela intelectualidade brasileira, o que se justificativa em parte pelos avan\u00e7os da ci\u00eancia alem\u00e3 no per\u00edodo. Buscando se aproximar dos brasileiros ainda ao fim da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/primera_guerra_mundial\/a\">Primeira Guerra<\/a>, foram estabelecidas v\u00e1rias parcerias cient\u00edficas. Em 1921, por exemplo, foi instalada no Brasil a Chimica Industrial Bayer, que al\u00e9m da importa\u00e7\u00e3o e fabrica\u00e7\u00e3o de medicamentos, patrocinava pesquisas nas \u00e1reas m\u00e9dica e farmac\u00eautica. Foram criadas, tamb\u00e9m, revistas e associa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, com a participa\u00e7\u00e3o de brasileiros e alem\u00e3es. E, com a funda\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) em 1934, alem\u00e3es vieram criar os cursos de ci\u00eancias naturais.<\/p>\n<p>Foram essas boas rela\u00e7\u00f5es que trouxeram Schneider e Sick ao Brasil. Tinham apenas suas credenciais cient\u00edficas e nenhuma liga\u00e7\u00e3o com o partido nazista, ao que consta. Seu contato aqui era Lauro Travassos, entom\u00f3logo do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.fiocruz.br\/ioc\/cgi\/cgilua.exe\/sys\/start.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instituto Oswaldo Cruz<\/a>, que ofereceu patroc\u00ednio \u00e0 expedi\u00e7\u00e3o de 1939. Mas quis o destino que os dois alem\u00e3es se deparassem com a encruzilhada da guerra, o que mudou a hist\u00f3ria de ambos e, por tabela, da ci\u00eancia brasileira. Em 1941, enquanto avan\u00e7avam as negocia\u00e7\u00f5es entre o presidente americano\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/franklin_delano_roosevelt\/a\">Franklin Roosevelt<\/a>\u00a0e Get\u00falio Vargas pela entrada do Brasil na guerra, Schneider pediu autoriza\u00e7\u00e3o para uma nova expedi\u00e7\u00e3o, acompanhado de sua esposa Margarete, que fazia a taxidermia (conserva\u00e7\u00e3o) dos animais coletados. No pedido ao Conselho de Fiscaliza\u00e7\u00e3o das Expedi\u00e7\u00f5es Cient\u00edficas e Art\u00edsticas no Brasil, Schneider se v\u00ea obrigado a informar o paradeiro de Sick, que ficara no Esp\u00edrito Santo desde que a guerra se iniciara.<\/p>\n<p>Embora Schneider tenha conseguido autoriza\u00e7\u00e3o e coletado v\u00e1rias aves depois incorporadas ao acervo do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, ele acabou chamando a aten\u00e7\u00e3o para o fato de seu ex-assistente estar circulando livremente na regi\u00e3o de Santa Teresa (ES), ainda hoje lar de uma popula\u00e7\u00e3o de origem alem\u00e3. Em 1937, quando o Estado Novo foi decretado, o Governo passou a perseguir comunidades de japoneses, italianos e alem\u00e3es no Brasil, como parte do projeto nacionalista de Vargas. Isso se refletia na vigil\u00e2ncia e pris\u00e3o de membros dessas col\u00f4nias, o que s\u00f3 piorou quando o pa\u00eds rompeu rela\u00e7\u00f5es com o Eixo e entrou na Segunda Guerra ao lado dos Aliados.<\/p>\n<p>Assim, ap\u00f3s ser notificado pelas autoridades de sua condi\u00e7\u00e3o ilegal, Sick ainda pediu permiss\u00e3o para a coleta de aves, mas esta lhe foi negada. Em 1942, com a guerra declarada \u00e0 Alemanha, o Conselho pediu sua pris\u00e3o. Schneider tamb\u00e9m havia sido preso no Rio e o jornal\u00a0<em>O Radical<\/em>\u00a0destilou veneno aos \u201cs\u00faditos do Eixo\u201d. Depois de dizer \u201cCh\u00f4! Ch\u00f4! Passarinho\u201d a Schneider, semanas depois estampava uma coluna com o t\u00edtulo \u201cCantiga Velha de \u2018Urubu Malandro\u2019\u201d. Nela, o jornal questionava os objetivos da expedi\u00e7\u00e3o de Sick, e sugeria que j\u00e1 que a Ilha das Flores, onde ficava um pres\u00eddio, \u201cest\u00e1 cheia de \u2018p\u00e1ssaros\u2019 aos quais foram cortadas as asas\u201d, quem sabe Sick \u201cn\u00e3o se sentiria feliz em sendo tamb\u00e9m \u2018engaiolado\u2019?\u201d<\/p>\n<p>Helmut Sick viu-se, ent\u00e3o, aprisionado num pa\u00eds que ele pouco conhecia, com sua pesquisa sobre aves abortada. Mas, o alem\u00e3o mostrou que n\u00e3o se renderia facilmente, e decidiu ele mesmo pregar uma pe\u00e7a em seu destino fat\u00eddico. N\u00e3o seria o c\u00e1rcere que o impediria de fazer o que mais gostava. Em vez de morrer de t\u00e9dio e desesperar-se, resolveu improvisar. Foram necess\u00e1rias algumas adapta\u00e7\u00f5es, \u00e9 claro. Atr\u00e1s das grades, o estudioso trocou a an\u00e1lise de penas de aves no microsc\u00f3pio pela observa\u00e7\u00e3o a olho nu dos cupins que andavam pelo pres\u00eddio. Substituiu as horas na mata pela observa\u00e7\u00e3o dos passarinhos da sua cela mesmo ou do p\u00e1tio, durante os banhos de sol. Assim, logrou reunir 26 esp\u00e9cies de cupim, 11 delas nunca antes descritas pela ci\u00eancia. Sobre as aves que viu nos pres\u00eddios da Ilha das Flores e da Ilha Grande, onde passou ao todo 21 meses, publicou um trabalho sobre o andorinh\u00e3o-estofador (<em>Panyptila cayennensis<\/em>) e outro sobre o chupim (<em>Molothrus bonariensis<\/em>), p\u00e1ssaro que p\u00f5e seus ovos em ninhos de outras aves para que elas cuidem deles.<\/p>\n<p>Schneider, seu mentor no Brasil, foi libertado em 1943 e voltou no ano seguinte ao seu pa\u00eds. Morreu na ent\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/muro_berlin\/a\">Alemanha Oriental<\/a>\u00a0em 1946, por inani\u00e7\u00e3o, seguido por sua mulher, que se suicidou. Sick teve bem mais sorte e s\u00f3 al\u00e7ou grandes voos depois de sair da pris\u00e3o, em 1944. Logo tornou-se naturalista da Funda\u00e7\u00e3o Brasil Central, explorando o interior do pa\u00eds ao lado dos irm\u00e3os Villas Boas. O relato dessas incurs\u00f5es est\u00e1 no livro\u00a0<em>Tukani: Entre os animais e os \u00edndios do Brasil Central<\/em>, de sua autoria. Em 1960, tornou-se pesquisador do Museu Nacional. E em 1985 lan\u00e7ou a primeira edi\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>Ornitologia Brasileira<\/em>, at\u00e9 hoje a obra mais importante nesse campo de estudos no pa\u00eds. \u201cSick trouxe para o Brasil a vis\u00e3o integrativa entre ambiente e esp\u00e9cies, e tamb\u00e9m a cultura de passar muito tempo no campo fazendo observa\u00e7\u00f5es\u201d, diz o ornit\u00f3logo Luis F\u00e1bio Silveira, curador das cole\u00e7\u00f5es ornitol\u00f3gicas e professor do Museu de Zoologia da USP.<\/p>\n<p>O feito de que Sick mais se orgulhava, no entanto, era de ter encontrado, no final de 1978, o h\u00e1bitat da arara-azul-de-lear (<em>Anodorhynchus leari<\/em>). Descrita ainda no s\u00e9culo XIX com base em exemplares de cativeiro e de museus, a origem exata da esp\u00e9cie era um mist\u00e9rio da ci\u00eancia. S\u00f3 se sabia que vinha do Brasil. Ligeiramente menor que sua parente arara-azul-grande (<em>Anodorhynchus hyacinthinus)<\/em>\u00a0e maior que a famosa ararinha-azul (<em>Cyanopsitta spixii<\/em>), a arara-azul-de-lear foi descoberta no mun\u00edcipio de Canudos, no sert\u00e3o baiano, ap\u00f3s anos de buscas feitas por Sick. A esp\u00e9cie estava \u00e0 beira da extin\u00e7\u00e3o na \u00e9poca, amea\u00e7ada pelo tr\u00e1fico de animais e pelo desmatamento que ainda hoje amea\u00e7a sua mais importante fonte de alimenta\u00e7\u00e3o, os coquinhos da palmeira licuri.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a descoberta de Sick, foi contratado o primeiro guarda-parque para resguardar as aves. Atualmente, um esfor\u00e7o de organiza\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos, universidades e \u00f3rg\u00e3os ambientais est\u00e1 fazendo com que as popula\u00e7\u00f5es da ave aumentem, e hoje ela \u00e9 listada como \u201cvulner\u00e1vel\u201d na lista vermelha de esp\u00e9cies amea\u00e7adas da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (IUCN, na sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>Talvez a esp\u00e9cie n\u00e3o tivesse chegado t\u00e3o longe sem a persist\u00eancia de Sick, que morreu em 1991, no Rio de Janeiro. Al\u00e9m desse legado, ele deixou animais em museus, in\u00fameras publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, disc\u00edpulos na ornitologia e, principalmente, muitas hist\u00f3rias que v\u00e3o sendo desvendadas pelos pesquisadores.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|despiece\" class=\"sumario_despiece centro\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<header class=\"sumario-encabezado\">\n<h4 class=\"sumario-titulo\"><span class=\"sin_enlace\">EM MEIO A UMA MISS\u00c3O CIENT\u00cdFICA, O PLANO DOS NAZISTAS PARA INVADIR A AMAZ\u00d4NIA<\/span><\/h4>\n<\/header>\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p>A boa rela\u00e7\u00e3o entre o Brasil e a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/alemania\/a\">Alemanha<\/a>\u00a0na primeira metade do s\u00e9culo 20 abriu as portas a miss\u00f5es importantes, como a de Helmut Sick e Adolf Schneider, mas tamb\u00e9m deu margem \u00e0 vinda de figuras controversas como Otto Schulz-Kampfhenkel, cineasta e ge\u00f3grafo que, em 1935, trouxe de navio um avi\u00e3o cedido por\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/hermann_wilhelm_goring\/a\">Herman G\u00f6ring<\/a>, chefe da Luftwaffe, a for\u00e7a a\u00e9rea alem\u00e3, para sobrevoar e filmar a regi\u00e3o do rio Jari, no atual estado do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/amapa\/a\">Amap\u00e1<\/a>. Schulz-Kampfhenkel coletou animais e fez filmes com os \u00edndios locais. No decorrer dos dois anos da expedi\u00e7\u00e3o, o teuto-brasileiro Joseph Greiner, membro da equipe, morreu de mal\u00e1ria.<\/p>\n<p>Seu t\u00famulo, ainda hoje \u00e0s margens do rio, tem cravada uma cruz com seu nome e uma inconfund\u00edvel su\u00e1stica entalhada. O s\u00edmbolo na cruz \u00e9 a evid\u00eancia de um plano secreto de Schulz-Kampfhenkel de mapear a regi\u00e3o para preparar a invas\u00e3o nazista da Amaz\u00f4nia atrav\u00e9s da Guiana Francesa, como relata o jornalista Jens Gl\u00fcssing no livro Das Guayana-Projekt: Ein deutsches Abenteuer am Amazonas (\u201cO Projeto Guiana: uma aventura alem\u00e3 na Amaz\u00f4nia\u201d, sem tradu\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Outro nazista que esteve por aqui em miss\u00e3o cient\u00edfica foi o zo\u00f3logo Hans Krieg. Recebido com entusiasmo por autoridades e empres\u00e1rios brasileiros, deu palestras em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sao_paulo\/a\">S\u00e3o Paulo<\/a>\u00a0e no Rio em 1937. Em seu pedido de financiamento para a viagem, escreve que os alem\u00e3es, quando no exterior, deveriam ser \u201cintransigentes e honestos apoiadores do Terceiro Reich, sem que parecessem propagandistas \u00e0 primeira vista\u201d, segundo relata a estudiosa Ute Deichmann, autora de Biologists under Hitler (\u201cBi\u00f3logos sob Hitler\u201d, sem tradu\u00e7\u00e3o no Brasil). Na volta da expedi\u00e7\u00e3o pelo Mato Grosso e pelo Gran Chaco, o objetivo oficial da visita de Krieg, a pol\u00edcia apreendeu 399 quilos de animais, ossos e rochas coletados ilegalmente, prestes a embarcarem para a Alemanha.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Helmut Sick chegou quando Get\u00falio Vargas era amigo da Alemanha, foi preso quando a geopol\u00edtica virou para os Aliados e morreu d\u00e9cadas depois como um dos maiores nomes da ci\u00eancia brasileira<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":235335,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-235334","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/medico-alemao.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/235334","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=235334"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/235334\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/235335"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=235334"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=235334"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=235334"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}