{"id":235460,"date":"2018-02-27T09:08:02","date_gmt":"2018-02-27T12:08:02","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=235460"},"modified":"2018-02-27T09:08:02","modified_gmt":"2018-02-27T12:08:02","slug":"frances-mcdormand-os-irmaos-coen-sao-uns-vagabundos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/frances-mcdormand-os-irmaos-coen-sao-uns-vagabundos\/","title":{"rendered":"Frances McDormand: \u201cOs irm\u00e3os Coen s\u00e3o uns vagabundos\u201d"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><\/h1>\n<\/div>\n<div class=\"firma firma--vertical\">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Roc\u00edo Ayuso\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/rocio_ayuso\/a\/\">Roc\u00edo Ayuso<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/20\/eps\/1519142326_346679_1519142724_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/20\/eps\/1519142326_346679_1519142724_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/20\/eps\/1519142326_346679_1519142724_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/20\/eps\/1519142326_346679_1519142724_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Frances McDormand: \u201cOs irm\u00e3os Coen s\u00e3o uns vagabundos\u201d\" width=\"980\" height=\"683\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">BEL\u00c9N MORENO<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<div id=\"articulo-introduccion\" class=\"articulo-introduccion\">\n<p><em><strong>A atriz norte-americana, descoberta pela dupla de cineastas em 1984, aspira a ganhar o seu segundo\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/premios_oscar\/a\">Oscar<\/a>\u00a0enquanto reivindica com paix\u00e3o sua tripla dimens\u00e3o como artista, m\u00e3e e militante feminista<\/strong><\/em><\/p>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir compartir--fijo\">\n<div class=\"compartir__interior\">\n<div class=\"compartir-varios\"><\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p>Atr\u00e1s do palco onde os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/premios_globos_oro\/a\">Globos de Ouro<\/a>\u00a0acabam de ser entregues, uma garrafa de tequila procura por seu dono. A gar\u00e7onete cruza velozmente os sal\u00f5es do hotel Hilton de Los Angeles em busca da cliente que pediu o ansiado Patr\u00f3n Reposado.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/guillermo_del_toro\/a\">Guillermo del Toro<\/a>, ganhador do pr\u00eamio de melhor diretor, espicha o olho para a bebida. De repente, uma voz de mulher, muito mais \u00e1spera que a do realizador mexicano, a exige com f\u00faria: \u201cQue corra a tequila, esta rodada \u00e9 por minha conta!\u201d, grita\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/frances_mcdormand\/a\">Frances McDormand<\/a>. A atriz tinha pedido o trago ainda no palco, segurando a estatueta de melhor int\u00e9rprete dram\u00e1tica, e depois de um discurso v\u00e1rias vezes censurado por uma televis\u00e3o puritana, que se escandalizou com seus palavr\u00f5es. \u201cPrecisamos de tequila!\u201d, disparou ela, depois de uma cerim\u00f4nia longa e previs\u00edvel. McDormand \u00e9 do tipo que mant\u00e9m a sua palavra. A atriz de 60 anos, ganhadora do Globo de Ouro por\u00a0<em>Tr\u00eas An\u00fancios para um Crime<\/em>, n\u00e3o \u00e9 de falar da boca para fora. E hoje quer regar sua vit\u00f3ria. \u201cTodas as candidatas de minha categoria, para o bar, tequila para todas!\u201d, conclama l\u00e1 de cima. Em poucos dias estender\u00e1 seu convite a Margot Robbie, Saoirse Ronan, Sally Hawkins e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/meryl_streep\/a\">Meryl Streep<\/a>, as futuras perdedoras desta temporada de pr\u00eamios\u2026, porque se algo parece quase certo na 90\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Oscar \u00e9 que McDormand receber\u00e1 seu segundo \u201cpeso de portas\u201d, como ela mesma chama a estatueta que j\u00e1 tem. E \u00e9 melhor que a tequila esteja preparada, com sal e uma fatia de lim\u00e3o para saborear a vit\u00f3ria. \u201cJ\u00e1 chega de fotos, temos coisas melhores que fazer. Vamos, gar\u00e7om!\u201d, resumiu, dando por encerrados os rapap\u00e9s da noite dos Globos e tirando seu marido, Joel Coen, do trabalho de\u00a0<em>paparazzo<\/em>\u00a0familiar, uma tarefa da qual ele mesmo se imbuiu neste corredor da gl\u00f3ria. Afinal de contas, todos os homens de\u00a0<em>smoking<\/em>\u00a0\u2014 (\u201cmenos George Clooney\u201d, como murmura a atriz) t\u00eam pinta de gar\u00e7ons vestidos de pinguim. E n\u00e3o seria diferente em se tratando de um dos cineastas mais respeitados de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/hollywood\/a\">Hollywood<\/a>\u00a0\u2014 n\u00e3o para Frances McDormand.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CIGrx4CHxtkCFY0WhgodomsMBg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/eps\/intext_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cIsso \u00e9 muito pr\u00f3prio da Fran: ver o sucesso que a rodeia como algo que pode corromp\u00ea-la em vez de ser motivo de celebra\u00e7\u00e3o. Assim \u00e9 e sempre foi\u201d, conta a atriz Holly Hunter, amiga desde que ambas come\u00e7aram suas carreiras. Ela \u00e9 das poucas que sabem ver al\u00e9m do talento dessa int\u00e9rprete sa\u00edda da Am\u00e9rica profunda, desse d\u00ednamo impar\u00e1vel que \u00e9 Frances McDormand. Publicamente, todos concordam que ela \u00e9 \u201cuma for\u00e7a da natureza\u201d, algu\u00e9m \u201c\u00edntegra e aut\u00eantica\u201d, a \u201cverdadeira Mulher-Maravilha\u201d, \u201ca anti-hero\u00edna da qual necessitamos\u201d, como diz Sam Rockwell ap\u00f3s trabalhar com ela. Woody Harrelson a chama de \u201cfurac\u00e3o Fran\u201d. E seu diretor em\u00a0<em>Tr\u00eas An\u00fancios para um Crime<\/em>, Martin McDonagh, s\u00f3 acrescenta um detalhe: \u201cTalvez a melhor int\u00e9rprete da sua gera\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/20\/eps\/1519142326_346679_1519143581_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/20\/eps\/1519142326_346679_1519143581_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/20\/eps\/1519142326_346679_1519143581_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/20\/eps\/1519142326_346679_1519143581_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Frances McDormand, em uma cena de \u2018Fargo\u2019 (1996), de Joel e Ethan Coen.\" width=\"980\" height=\"1394\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Frances McDormand, em uma cena de \u2018Fargo\u2019 (1996), de Joel e Ethan Coen.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">GRAMERCY PICTURES (GETTY)<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Mas Hunter conhece as outras faces de Frances. \u201cPara mim, bastou v\u00ea-la com o pr\u00eamio do Sindicato de Atores na m\u00e3o dizendo do palco \u2018Ol\u00e1, ol\u00e1!\u2019, como em qualquer outro dia. Essa \u00e9 a Fran que conhe\u00e7o\u201d, acrescenta Hunter. S\u00e3o tr\u00eas Frances, como McDormand detalhou h\u00e1 21 anos, quando recebeu seu primeiro Oscar pela c\u00e9lebre policial de\u00a0<em>Fargo<\/em>(1996). Na \u00e9poca agradeceu ao seu cunhado Ethan Coen ter feito dela uma atriz; a Joel Coen por fazer dela uma mulher, e \u00e0 sua \u201clua e sol\u201d Pedro McDormand Coen por encontrar nela \u201ca verdadeira m\u00e3e\u201d. Atriz, mulher e m\u00e3e. \u201cO que \u00e9 o melhor da Fran? Que n\u00e3o h\u00e1 nada de especial nela\u201d, resume Ethan Coen. \u201cQue com ela se trabalha muito \u00e0 vontade. Suponho que porque nos conhecemos bem\u201d, acrescenta. Os irm\u00e3os Coen foram quem a iniciaram na sua carreira, quando lhe deram um papel em seu primeiro filme,\u00a0<em>Gosto de Sangue<\/em>\u00a0(1984). Com ela rodaram sete longas-metragens. \u201cS\u00e3o uns vagabundos\u201d, responde-lhes a atriz, sorridente.<\/p>\n<p>A protagonista de\u00a0<em>Fargo<\/em>\u00a0relutou antes de conceder esta entrevista. N\u00e3o gosta de falar com a imprensa. Odeia os aut\u00f3grafos e as\u00a0<em>selfies<\/em>, e n\u00e3o v\u00ea gra\u00e7a nenhuma nas cerim\u00f4nias de premia\u00e7\u00e3o. Foi uma das poucas ausentes no almo\u00e7o dos indicados. Mas aqui est\u00e1 ela, sentada em uma su\u00edte do hotel Four Seasons de Los Angeles, quartel-general extraoficial de Hollywood na temporada de pr\u00eamios, e, se n\u00e3o gosta de conversar, dissimula bastante bem. Talvez porque se sinta \u00e0 vontade rodeada pelos seus, e \u201co cl\u00e3 dos McCoen\u201d, como chama a sua fam\u00edlia, est\u00e1 no quarto ao lado. Cham\u00e1-los de \u201cvagabundos\u201d \u00e9 pura ironia. \u201cMas todos sabemos que trabalham com seu pr\u00f3prio viveiro de atores, ent\u00e3o n\u00e3o precisam dar explica\u00e7\u00f5es\u201d, afirma, muito a s\u00e9rio. Conta que foram eles que a deixaram \u201cmal acostumada\u201d no cinema, pois admite que n\u00e3o \u00e9 o ve\u00edculo criativo que mais lhe agrada. O seu neg\u00f3cio \u00e9 o teatro. Vem da literatura, da palavra escrita, o germe de qualquer hist\u00f3ria. Come\u00e7ou sua carreira art\u00edstica quando descobriu Lady Macbeth na aula de literatura. Tinha 14 anos. Depois, houve de tudo. Dada a fisionomia de Hollywood, e a sua pr\u00f3pria, houve muitos personagens secund\u00e1rios que, gra\u00e7as a ela, apropriaram-se da trama. Entre outros, a caminhoneira de\u00a0<em>Terra Fria<\/em>\u00a0(2005), a esposa maltratada de\u00a0<em>Mississippi em Chamas<\/em>\u00a0(1988) e a verdadeira m\u00e3e de um jovem Cameron Crowe na semibiografia\u00a0<em>Quase Famosos<\/em>\u00a0(2000). \u201cO melhor foi como calou a minha m\u00e3e ao lhe dizer: \u2018Alice, n\u00e3o \u00e9 voc\u00ea, nem sou eu. Trata-se de outra pessoa, a personagem\u2019\u201d, conta Crowe, recordando mais uma das aulas magistrais de interpreta\u00e7\u00e3o com o selo McDormand. Para ela nunca houve personagem pequeno. Ou ser\u00e1 que sim? O bom de suas escassas conversas com a imprensa \u00e9 que, quando McDormand fala, n\u00e3o deixa por menos: \u201cNo teatro n\u00e3o\u201d, salienta a diferen\u00e7a, \u201cmas, no cinema, grande parte do trabalho que fiz foram pap\u00e9is de coadjuvante, em geral perif\u00e9ricos ao homem protagonista. Algo que n\u00e3o estou mais disposta a aceitar\u201d.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/20\/eps\/1519142326_346679_1519143678_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/20\/eps\/1519142326_346679_1519143678_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/20\/eps\/1519142326_346679_1519143678_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/20\/eps\/1519142326_346679_1519143678_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"A atriz no Festival do Cannes de 1996.\" width=\"980\" height=\"867\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">A atriz no Festival do Cannes de 1996.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">\u00c9RIC ROBERT (SYGMA)<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Mais do que de ressentimento, fala de futuro, daquilo que tenta mudar como atriz e como mulher. Uma mulher e uma atriz que at\u00e9 agora s\u00f3 se expressava assim em casa ou no teatro. Em iniciativas experimentais como o Wooster Group, ao qual pertence h\u00e1 duas d\u00e9cadas. Ou que s\u00f3 tinha sido clara com os Coen pedindo-lhes abertamente que lhe escrevessem pap\u00e9is sob medida. O mesmo que pediu a McDonagh ap\u00f3s conhec\u00ea-lo e admir\u00e1-lo como dramaturgo com a estreia de\u00a0<em>The Pillowman<\/em>, h\u00e1 quase uma d\u00e9cada. Sobre McDonagh valorizou sua palavra, \u201ca B\u00edblia\u201d, como essa filha adotiva de pastor protestante descreve o roteiro de\u00a0<em>Tr\u00eas An\u00fancios<\/em>, que o diretor e tamb\u00e9m roteirista escreveu pensando nela. E ao qual McDormand inicialmente disse \u201cn\u00e3o\u201d. Porque, como j\u00e1 declarou ao receber seu primeiro\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/premios_oscar\/a\">Oscar<\/a>, os atores n\u00e3o t\u00eam s\u00f3 oportunidades. Tamb\u00e9m t\u00eam a op\u00e7\u00e3o de fazer o trabalho que algu\u00e9m lhes oferece. Ou de rejeit\u00e1-lo. E Frances disse \u201cn\u00e3o\u201d. \u201cNo cinema digo muitos \u2018n\u00e3os\u2019. \u00c9 o luxo que me permito por trabalhar no teatro\u201d, reconhece a ganhadora da chamada Tr\u00edplice Coroa, com o Tony, o Emmy e o Oscar na estante de casa. Mas n\u00e3o lhe sobram ofertas. \u201cCertamente Joel preferiria estar casado com uma estrela de Hollywood que paga a hipoteca\u201d, dispara, entre risos. Mas se nega a fazer aquilo em que n\u00e3o acredita. Esses anos ficaram para tr\u00e1s. \u201cN\u00e3o procuro um bom filme, procuro autores que gerem um di\u00e1logo cultural\u201d, explica. Insiste em que ficou mal acostumada com os Coen, os sujeitos que escreveram uma personagem como o de Marge em\u00a0<em>Fargo<\/em>, quando as mulheres gr\u00e1vidas eram vistas de outra forma no local de trabalho. Embora tamb\u00e9m des\u00e7a a lenha neles: \u201cSempre insisto com eles para que trabalhem mais seus pap\u00e9is femininos\u201d. Da\u00ed suas d\u00favidas com Martin McDonagh. \u201cEu disse \u2018n\u00e3o\u2019 a ele porque, aos 60 anos, era muito velha para o papel. Eu gosto de interpretar mulheres da minha idade. \u00c9 algo pol\u00edtico. E, como algu\u00e9m da classe trabalhadora, sei perfeitamente que uma mulher assim n\u00e3o teria esperado at\u00e9 os 38 para ter seu primeiro filho\u201d, argumenta, falando sobre\u00a0<em>Tr\u00eas An\u00fancios para um Crime<\/em>.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/20\/eps\/1519142326_346679_1519143829_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/20\/eps\/1519142326_346679_1519143829_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/20\/eps\/1519142326_346679_1519143829_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/20\/eps\/1519142326_346679_1519143829_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Em 21 de janeiro, na cerim\u00f4nia de premia\u00e7\u00e3o do Sindicato de Atores, em Los Angeles.\" width=\"980\" height=\"671\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Em 21 de janeiro, na cerim\u00f4nia de premia\u00e7\u00e3o do Sindicato de Atores, em Los Angeles.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">EMMA MCLNTYRE (GETTY)<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Sempre se mostra assim combativa, inclusive com aqueles que compartilham suas ideias. Menos mal para todos\u00a0\u2014 inclusive o Oscar\u00a0\u2014 que Joel Coen teve a \u00faltima palavra. Ao seu lado h\u00e1 34 anos e casados h\u00e1 24, o homem de quem segundo ela mesma \u00e9 dific\u00edlimo arrancar uma resposta clara lhe disse aquilo de \u201cpare de colocar defeito e diga que sim de uma vez\u201d. \u201cEnt\u00e3o preciso agradecer ao Joel por este filme\u201d, admite. \u201cE ao Martin, pelo grande presente que me deu ao me deixar respirar neste personagem ironicamente t\u00e3o diferente de todas as mulheres que vemos na tela, a resposta a todas as injusti\u00e7as da minha profiss\u00e3o\u201d, acrescenta, mostrando-se grata a ambos.<\/p>\n<p>Ao lado de Joel, nota-se uma intimidade que decorre n\u00e3o s\u00f3 de tantos anos juntos, mas tamb\u00e9m do respeito. \u201cTuristas em Hollywood\u201d, como se definem, diluem a fama da qual n\u00e3o desfrutam entre seu apartamento nova-iorquino e uma casa perdida em uma pequena localidade do noroeste norte-americano. McDormand \u00e9 assim desde o ber\u00e7o, quando nasceu, como Cynthia Ann Smith, em 1957 em Gibson City, Illinois, (EUA). \u201cHeterossexual e\u00a0<em>white trash<\/em>\u201d, observou a uma emissora de r\u00e1dio. O qualificativo ela dedica \u00e0 sua m\u00e3e biol\u00f3gica, a quem nunca quis conhecer, e n\u00e3o a quem a adotou quando tinha um ano e a rebatizou como Frances Louise. \u201cN\u00e3o eram uns carolas, e agrade\u00e7o a eles pela base \u00e9tica que me deram. Mas minha fam\u00edlia era muito conservadora e sempre soube que eu n\u00e3o viveria ali eternamente. A partir do momento em que deixei o lar familiar, procurei a minha tribo, minha identidade\u201d, recorda. O encontro com os Coen ela deve a Holly Hunter, que, sem poder aceitar o papel em\u00a0<em>Gosto de Sangue<\/em>, apresentou-a \u201cuma dupla de sujeitos esquisitos\u201d, com lhe advertiu a amiga na ocasi\u00e3o. \u201cMas somos muito mais convencionais do que todos acreditam\u201d, explica McDormand agora. \u201cGente madura, com estudos e cultura, que gosta de ler livros, ir ao cinema e a museus. Que n\u00e3o nos vemos tanto como parece, porque Joel e Ethan passam o dia trabalhando juntos. Mas que temos um ao outro\u201d, conta sobre sua rela\u00e7\u00e3o com Joel Coen.<\/p>\n<section id=\"sumario_4|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_4\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/20\/eps\/1519142326_346679_1519143975_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/20\/eps\/1519142326_346679_1519143975_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/20\/eps\/1519142326_346679_1519143975_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/20\/eps\/1519142326_346679_1519143975_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"A atriz em \u2018Tr\u00eas An\u00fancios para um Crime\u2019\" width=\"980\" height=\"649\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">A atriz em \u2018Tr\u00eas An\u00fancios para um Crime\u2019<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Um lar que \u00e9 completado pelo filho Pedro, paraguaio de nascimento e adotado h\u00e1 24 anos, algu\u00e9m que sacudiu a vida de McDormand para sempre. Porque, se tiver que escolher entre suas tr\u00eas caras, provavelmente esta atriz e militante feminista colocaria a maternidade \u00e0 frente das outra duas. A ado\u00e7\u00e3o foi a solu\u00e7\u00e3o dos seus problemas na hora de conceber, algo que n\u00e3o esconde. Como nunca escondeu de Pedro o quanto o ama. \u00c0s vezes at\u00e9 demais, segundo seu filho: \u201cEle est\u00e1 sempre dizendo ao seu pai que sou a rainha do melodrama\u201d, afirma ela, rindo. O filho a descreve como a melhor mulher que jamais conhecer\u00e1. \u201cAprendi espanhol para lhe dizer que o amava\u201d, recorda, sobre as suas primeiras palavras em um idioma que Pedro domina com a mesma desenvoltura que o ingl\u00eas. J\u00e1 ela n\u00e3o pode dizer o mesmo sobre o castelhano. \u201cEu continuo falando feito crian\u00e7a, Pedro se envergonha. Joel \u00e9 melhor. L\u00ea e escreve, mas prefere n\u00e3o falar.\u201d<\/p>\n<p>Mas o que Pedro ensinou \u00e0 sua m\u00e3e \u00e9 algo que ningu\u00e9m menciona quando fala de Frances: o medo. \u201cQuando conheci meu filho, entendi o que era o medo. Ser m\u00e3e mudou minha perspectiva do universo\u201d. \u00c9 um medo que aceita sem hesita\u00e7\u00f5es. Inclusive o abra\u00e7a como atriz. De novo, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil falar com McDormand. Foge da vida p\u00fablica, especialmente desde que adotou Pedro, um momento em que abandonou o cinema quase completamente. \u201cN\u00e3o teria sabido como criar um filho famoso\u201d, diz. Mas, quando aceita ser entrevistada, busca uma conversa, sem discursos preparados por publicit\u00e1rios nem temas tabus. Quem fala \u00e9 Frances McDormand, sem maquiagem, ensinando os cabelos grisalhos. E essa Mulher-Maravilha sabe o que \u00e9 o medo. Por isso, na opini\u00e3o de muita gente, sua interpreta\u00e7\u00e3o como Mildred Hayes, a m\u00e3e que exige das autoridades que investiguem o estupro e morte da sua filha em uma pequena localidade rural inexistente, merece o Oscar. \u201cPorque, se voc\u00ea pensar bem, se voc\u00ea perde a seus pais, fica \u00f3rf\u00e3; se perde seu marido, fica vi\u00fava; mas n\u00e3o existe uma palavra que explique a perda de um filho\u201d, resume, sem desviar o olhar. Richard Jenkins a recorda assim no set de filmagem da s\u00e9rie\u00a0<em>Olive Kitteridge<\/em>, mais como m\u00e3e do que como atriz. \u201cPassou o dia dizendo: \u2018Estou preocupada com o Pedro, estou preocupada com o Pedro\u2019. O divertido \u00e9 que, quando voc\u00ea v\u00ea o Pedro, ele \u00e9 este encanto, doce e divertido, seguro de si mesmo, que fez massagens em toda a equipe\u201d, relata o ator.<\/p>\n<section id=\"sumario_5|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_5\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/20\/eps\/1519142326_346679_1519144019_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/20\/eps\/1519142326_346679_1519144019_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/20\/eps\/1519142326_346679_1519144019_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/20\/eps\/1519142326_346679_1519144019_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Com seu marido, Joel Coen (\u00e0 direita), e seu filho, Pedro.\" width=\"980\" height=\"639\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Com seu marido, Joel Coen (\u00e0 direita), e seu filho, Pedro.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Frances McDormand n\u00e3o tem muitos outros medos, e a idade n\u00e3o a atemoriza. Gosta de rir dos 60, embora admita que hoje em dia acha um pouco mais dif\u00edcil se levantar pelas manh\u00e3s. \u201cMas admiro os picos e os vales do meu rosto\u201d, comenta, orgulhosa e graciosa. Outras coisas lhe d\u00e3o mais raiva, como a goleada que a Dinamarca imp\u00f4s \u00e0 Irlanda, eliminando a sua sele\u00e7\u00e3o da Copa. Odeia o Twitter e as\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/redes_sociales\/a\">redes sociais<\/a>, \u00e0s quais dedicaria outdoors dizendo \u201cMorra, Twitter. Morra\u201d. E se preocupa com o atual estado do seu pa\u00eds, que sente \u201ccomo cortes de papel em que jogaram lim\u00e3o\u201d. E o mesmo pensa da situa\u00e7\u00e3o da mulher dentro desta cultura. Odeia a cirurgia est\u00e9tica, o sexismo, a forma como as mulheres foram transformadas em um objeto. \u201cN\u00e3o \u00e9 que eu passe a vida olhando a\u00a0<em>Playboy<\/em>, mas nos anos setenta eu via mulheres como eu, com pelos pubianos, sem implante. Agora parece uma revista de carros, com todas essas garotas retocadas, tunadas, prontas para serem consumidas\u201d, descreve, entre o desgosto e a indigna\u00e7\u00e3o, mas sem perder o sarcasmo.<\/p>\n<p>Por isso retomou seu interesse na interpreta\u00e7\u00e3o, agora que Pedro \u00e9 maior. Nunca o havia perdido, mas, como diz McDonagh, \u201c\u00e9 \u00f3timo que a meninas de 12 anos tenham um exemplo como Mildred na hora de serem mulheres\u201d. Ou como McDormand. \u201c\u00c9 a hora de reivindicar como atrizes, como mulheres, como m\u00e3es e como p\u00fablico, hist\u00f3rias nas quais nos reflitamos, n\u00e3o estere\u00f3tipos\u201d, conclui, j\u00e1 preparando-se para ir embora. Mas se volta antes de deixar a su\u00edte. \u201cCom isso n\u00e3o quero dizer que n\u00e3o tenha meu lado fr\u00edvolo. Como atriz, passo tanto tempo ou mais desempregada do que trabalhando. E a gente precisa ter vida pr\u00f3pria\u201d, admite, com a mesma piscadela com a qual, semanas depois desta entrevista, virou a rainha da tequila.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por isso retomou seu interesse na interpreta\u00e7\u00e3o, agora que Pedro \u00e9 maior. Nunca o havia perdido, mas, como diz McDonagh, \u201c\u00e9 \u00f3timo que a meninas de 12 anos tenham um exemplo como Mildred na hora de serem mulheres\u201d. 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