{"id":235613,"date":"2018-02-28T14:35:32","date_gmt":"2018-02-28T17:35:32","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=235613"},"modified":"2018-02-28T14:35:32","modified_gmt":"2018-02-28T17:35:32","slug":"morre-luciano-benjamin-menendez-ideologo-do-terrorismo-de-estado-na-argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/morre-luciano-benjamin-menendez-ideologo-do-terrorismo-de-estado-na-argentina\/","title":{"rendered":"Morre Luciano Benjam\u00edn Men\u00e9ndez, ide\u00f3logo do terrorismo de Estado na Argentina"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Militar de 90 anos acumulava 13 condena\u00e7\u00f5es \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua por crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir compartir--fijo\">\n<div class=\"compartir__interior\">\n<div class=\"compartir-varios\"><\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/02\/27\/internacional\/1519750756_451305_1519826775_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/02\/27\/internacional\/1519750756_451305_1519826776_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/02\/27\/internacional\/1519750756_451305_1519826776_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/02\/27\/internacional\/1519750756_451305_1519826775_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Em 1984, Men\u00e9ndez atacou com uma faca manifestantes que o insultavam.\" width=\"980\" height=\"552\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Em 1984, Men\u00e9ndez atacou com uma faca manifestantes que o insultavam.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">ARQUIVO<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Federico Rivas Molina\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/federico_rivas_molina\/a\/\">FEDERICO RIVAS MOLINA<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p>\u00c9 dif\u00edcil imaginar um homem com mais crimes sobre seus ombros: 3.000 casos de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/tortura\/a\">torturas<\/a>, sequestros e assassinatos. E o respons\u00e1vel por essa ficha criminal provavelmente nunca disparou um s\u00f3 tiro durante seus anos de maior \u201catividade\u201d. O ex-general\u00a0<a href=\"https:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Luciano_Benjam%C3%ADn_Men%C3%A9ndez\">Luciano Benjam\u00edn Men\u00e9ndez<\/a>, que morreu nesta quarta-feira aos 90 anos no hospital militar de C\u00f3rdoba, regi\u00e3o central da Argentina, foi um repressor de gabinete: longe do gatilho, concebeu, ordenou, presenciou e controlou centenas de opera\u00e7\u00f5es ilegais. Foi, sem d\u00favida, o principal ide\u00f3logo do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/dictadura_argentina\/a\">terrorismo de Estado que assolou a Argentina<\/a>\u00a0entre 1976 e 1983. A democracia argentina nunca esqueceu Men\u00e9ndez: os ju\u00edzes lhe impuseram 13 penas de pris\u00e3o perp\u00e9tua por\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/genocidio\/a\">genoc\u00eddio<\/a>, um recorde para o pa\u00eds latino-americano que mais militares condenou por\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/crimenes_contra_humanidad\/a\">crimes contra a humanidade<\/a>.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CK3J_ZiSydkCFQwfhwodXckHTQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>Men\u00e9ndez foi um homem com um enorme poder, maior at\u00e9 mesmo que o dos ditadores Jorge Rafael Videla e Roberto Viola, seus colegas na escola militar. Entre 1975 e 1979, como chefe do Terceiro Corpo do Ex\u00e9rcito, teve sob seu comando o plano de exterm\u00ednio de opositores de esquerda em 10 prov\u00edncias do centro e norte do pa\u00eds. Da sua cabe\u00e7a saiu o modelo de 238 centros clandestinos de deten\u00e7\u00e3o, sendo o La Perla e o La Ribera os exemplos mais ativos. Dono e senhor do destino de seus presos, foi o mais duro entre os repressores duros. Em fevereiro de 1982, dois meses antes de seu primo Mario Benjam\u00edn Men\u00e9ndez ser nomeado governador militar das\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/islas_malvinas\/a\/\">ilhas Malvinas<\/a>, disse em uma entrevista \u00e0 revista\u00a0<em>Gente<\/em>\u00a0que os desaparecidos n\u00e3o deviam ser levados em conta. \u201cOs desaparecidos desapareceram e ningu\u00e9m sabe onde est\u00e3o, o melhor ent\u00e3o \u00e9 esquecer\u201d, recomendou Men\u00e9ndez.<\/p>\n<p>Quando terminou de \u201caniquilar a subvers\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/marxismo\/a\">marxista<\/a>\u201d, como se gabava, Men\u00e9ndez considerou oportuno passar \u00e0 guerra convencional. Em 1978, foi o principal promotor de um quase conflito armado contra o Chile pelo controle do\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Estreito_de_Beagle\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">canal de Beagle<\/a>. Instalado durante quatro meses na fronteira, disse \u00e0s suas tropas uma frase que ficou famosa: \u201cO brinde de fim de ano n\u00f3s faremos no Pal\u00e1cio de La Moneda [sede do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/chile\/a\">Governo chileno<\/a>], e depois iremos mijar o champanhe no Pac\u00edfico\u201d. Seus desejos foram truncados porque a media\u00e7\u00e3o do papa Jo\u00e3o Paulo II evitou a guerra no \u00faltimo instante. \u201cVidela \u00e9 um cag\u00e3o\u201d, disse na \u00e9poca o general sobre o ent\u00e3o l\u00edder do regime.<\/p>\n<p>Convencido de que era o portador de um destino manifesto, o de salvar \u201ca P\u00e1tria\u201d do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/comunismo\/a\">comunismo<\/a>\u00a0internacional, Men\u00e9ndez nunca se arrependeu de seus crimes. Os argentinos puderam ouvi-lo durante os intermin\u00e1veis julgamentos que enfrentou, sempre com os olhos claros cravados em algum ponto perdido, entre bocejos, e com as m\u00e3os entrela\u00e7adas sobre as pernas. Em 2010, durante um depoimento judicial, deu sua vers\u00e3o para o terrorismo de Estado: \u201cO que realmente aconteceu foi que h\u00e1 60 anos a guerra eclodiu de maneira repentina e brutalmente no nosso pa\u00eds, sem mais nem menos, simplesmente porque est\u00e1vamos na rota de conquista do comunismo internacional. Os argentinos sofremos o ataque dos subversivos marxistas\u201d.<\/p>\n<p>Men\u00e9ndez foi condenado durante o julgamento da Junta Militar, em 1984, mas voltou \u00e0s ruas em 1990, indultado pelo ent\u00e3o presidente\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/carlos_menem\/a\">Carlos Menem<\/a>\u00a0(1989-1999). Sua vida em sociedade n\u00e3o foi tranquila. Em 21 de agosto de 1984, antes de ir para a pris\u00e3o, protagonizou uma foto que correu o mundo: na sa\u00edda de um programa de televis\u00e3o, sacou uma faca para atacar militantes da Juventude Comunista que o chamavam aos gritos de \u201cassassino\u201d e \u201ccovarde\u201d. Anos depois, em 1997, Alberto Salguero, sobrinho do l\u00edder montonero Fernando Vaca Narvaja, deu-lhe uma surra numa rua da cidade de C\u00f3rdoba. Sua casa no bairro Bajo Palermo, onde passou os \u00faltimos anos da sua deten\u00e7\u00e3o domiciliar, foi tamb\u00e9m o primeiro alvo dos \u201cescrachos\u201d com que o grupo HIJOS marcava os repressores libertados por Menem.<\/p>\n<p>A revoga\u00e7\u00e3o dos indultos e das leis de perd\u00e3o, em 2005, colocaram outra vez Men\u00e9ndez num calabou\u00e7o. As a\u00e7\u00f5es judiciais por genoc\u00eddio foram reabertas, e o militar foi imputado em 73 processos e condenado 13 vezes. Em 2016, disse aos ju\u00edzes que na Argentina &#8220;n\u00e3o houve nenhuma repress\u00e3o ilegal\u201d. E convencido disso foi para a tumba.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 dif\u00edcil imaginar um homem com mais crimes sobre seus ombros: 3.000 casos de\u00a0torturas, sequestros e assassinatos. E o respons\u00e1vel por essa ficha criminal provavelmente nunca disparou um s\u00f3 tiro durante seus anos de maior \u201ca<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":235614,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-235613","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/terrorista.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/235613","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=235613"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/235613\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/235614"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=235613"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=235613"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=235613"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}