{"id":235688,"date":"2018-03-01T08:05:44","date_gmt":"2018-03-01T11:05:44","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=235688"},"modified":"2018-03-01T08:06:13","modified_gmt":"2018-03-01T11:06:13","slug":"assim-foi-feita-luz-no-universo-depois-de-180-milhoes-de-anos-de-escuridao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/assim-foi-feita-luz-no-universo-depois-de-180-milhoes-de-anos-de-escuridao\/","title":{"rendered":"Assim foi feita a luz no universo depois de 180 milh\u00f5es de anos de escurid\u00e3o"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>A detec\u00e7\u00e3o de um sinal de r\u00e1dio do universo primitivo \u00e9 o primeiro ind\u00edcio da forma\u00e7\u00e3o das estrelas<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir compartir--fijo\">\n<div class=\"compartir__interior\">\n<div class=\"compartir-varios\"><\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Daniel Mediavilla\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/daniel_mediavilla_gonzalez\/a\/\">DANIEL MEDIAVILLA<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/02\/27\/ciencia\/1519769774_403059_1519860090_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/02\/27\/ciencia\/1519769774_403059_1519860091_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/02\/27\/ciencia\/1519769774_403059_1519860091_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/02\/27\/ciencia\/1519769774_403059_1519860090_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Recria\u00e7\u00e3o art\u00edstica do aspecto que poderiam ter as primeiras estrelas.\" width=\"980\" height=\"639\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Recria\u00e7\u00e3o art\u00edstica do aspecto que poderiam ter as primeiras estrelas.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">N.R.FULLER, NATIONAL SCIENCE FOUNDATION<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p>Dizem as teorias cosmol\u00f3gicas que h\u00e1 13,7 bilh\u00f5es de anos, um ponto infinitamente denso come\u00e7ou a se expandir a uma velocidade superior \u00e0 da luz. Poucos segundos depois daquele\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/teoria_big_bang\/a\">Big Bang<\/a>, o cosmos j\u00e1 era imenso e tinham sido lan\u00e7adas as bases do universo que conhecemos, embora ainda fosse um mundo estranho. O eco daquela explos\u00e3o ficou gravado em um fundo c\u00f3smico de micro-ondas que permeia tudo, mas quando apenas 380.000 anos tinham passado, veio a escurid\u00e3o. A massa de part\u00edculas que formavam o universo antigo come\u00e7ou a esfriar e permitiu que pr\u00f3tons e el\u00e9trons se juntassem para formar hidrog\u00eanio neutro, g\u00e1s que absorveu a maioria dos f\u00f3tons ao seu redor. Isso tornou o universo opaco e deu origem \u00e0 Era das Trevas do Universo, um per\u00edodo fora do alcance dos telesc\u00f3pios que detectam a luz vis\u00edvel.<\/p>\n<p>Durante quase 200 milh\u00f5es de anos, os germes do universo que conhecemos se alimentaram na sombra do espa\u00e7o-tempo. A mat\u00e9ria foi se agrupando assistida pelo poder gravitacional da mat\u00e9ria escura e, finalmente, as primeiras estrelas nasceram. Esses astros \u2014 enormes, azuis e de vida breve\u00a0\u2014 come\u00e7aram a emitir uma radia\u00e7\u00e3o ultravioleta que mudou o ecossistema c\u00f3smico. A radia\u00e7\u00e3o modificou o estado energ\u00e9tico dos \u00e1tomos de hidrog\u00eanio que se tornaram independentes da radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica de fundo e come\u00e7ou a amanhecer no universo.<\/p>\n<p>Hoje, um grupo de pesquisadores liderados por Judd Bowman, da Universidade do Estado do Arizona (EUA), publicou na revista\u00a0<em>Nature<\/em>\u00a0a detec\u00e7\u00e3o de um sinal produzido 180 milh\u00f5es de anos depois do Big Bang, que se torna a prova mais antiga que temos da forma\u00e7\u00e3o de estrelas. A conquista se deve a uma antena especial, do tamanho de uma geladeira, colocada em uma regi\u00e3o remota da Austr\u00e1lia. Ali, longe das interfer\u00eancias de r\u00e1dio e dos artefatos humanos, os pesquisadores colocaram um receptor que tinha um objetivo bem definido pelos f\u00edsicos te\u00f3ricos. No momento de perder sua neutralidade, o hidrog\u00eanio come\u00e7ou a emitir ou absorver a radia\u00e7\u00e3o circundante em um comprimento de onda espec\u00edfico: 21 cent\u00edmetros, equivalente a uma frequ\u00eancia de 1.420 megahertz. Com a expans\u00e3o do universo e seguindo a norma da mudan\u00e7a para o vermelho, pela qual o comprimento de onda da radia\u00e7\u00e3o aumenta com a dist\u00e2ncia, os astr\u00f4nomos calcularam que o sinal chegaria \u00e0 Terra numa frequ\u00eancia pr\u00f3xima aos 100 megahertz.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|foto\" class=\"sumario_foto derecha\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><a class=\"enlace\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: none; font-style: inherit; font-variant: inherit; font-weight: inherit; font-stretch: inherit; font-size: inherit; line-height: inherit; font-family: inherit; vertical-align: baseline; box-sizing: border-box; background-color: transparent; text-decoration: none; color: #016ca2; position: relative; display: block;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/27\/ciencia\/1519769774_403059_1519771531_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/27\/ciencia\/1519769774_403059_1519771531_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/02\/27\/ciencia\/1519769774_403059_1519771531_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"O detector utilizado para captar o sinal instalado no Observat\u00f3rio Radioastron\u00f4mico de Murchison, do CSIRO, na Austr\u00e1lia Ocidental\" width=\"360\" height=\"241\" \/><span class=\"boton_ampliar\">ampliar foto<\/span><\/a><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">O detector utilizado para captar o sinal instalado no Observat\u00f3rio Radioastron\u00f4mico de Murchison, do CSIRO, na Austr\u00e1lia Ocidental<\/span><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">CSIRO AUSTRALIA<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Apesar de terem projetado um detector extremamente sofisticado, capaz de capturar esse sinal e distingui-lo da radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica que banha continuamente nosso planeta (os autores descreveram a conquista como detectar o bater de asas de um beija-flor no meio de um furac\u00e3o), no in\u00edcio os pesquisadores n\u00e3o encontraram o sinal esperado. Em sua abordagem inicial, calcularam a amplitude de emiss\u00e3o daquele hidrog\u00eanio primordial, contando que estaria mais quente do que o seu entorno. Mas, pensaram depois, talvez estivessem errados. Quando mudaram o modelo assumindo que o g\u00e1s estaria mais frio e reduziram a frequ\u00eancia de busca, encontraram o sinal de ondas de r\u00e1dio que estavam perseguindo ao redor dos 78 megahertz.<\/p>\n<p>Depois de encontrar o sinal da forma\u00e7\u00e3o das primeiras estrelas, o mist\u00e9rio da temperatura do hidrog\u00eanio deixou espa\u00e7o para indagar nessa segunda inc\u00f3gnita. O que havia esfriado esse g\u00e1s? Uma das possibilidades seria que a temperatura da radia\u00e7\u00e3o do universo naquela \u00e9poca fosse maior que a do fundo c\u00f3smico de micro-ondas estudado por sondas como a europeia Herschell. Outra op\u00e7\u00e3o \u00e9 a que foi proposta por um segundo artigo publicado no mesmo n\u00famero da\u00a0<em>Nature<\/em>. Esse trabalho, dirigido por Rennan Barkana, do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/mit_massachusetts_institute_technology\/a\">Instituto Tecnol\u00f3gico de Massachusetts (MIT)<\/a>, sugere que as intera\u00e7\u00f5es com a mat\u00e9ria escura, muito mais fria do que a convencional, explicariam o descompasso entre as teorias e o que foi observado.<\/p>\n<p>Os dois trabalhos abrem uma janela para uma fase da hist\u00f3ria c\u00f3smica at\u00e9 agora opaca. \u00c9 a primeira vez que se observa esse per\u00edodo em que os ancestrais das nossas estrelas e nossas gal\u00e1xias come\u00e7aram a se formar. Agora, outros observat\u00f3rios poder\u00e3o continuar investigando esse per\u00edodo sabendo melhor onde procurar e ao longo do caminho \u00e9 poss\u00edvel que a busca de mat\u00e9ria escura se ajuste melhor. Essa subst\u00e2ncia, que representa mais de 80% da totalidade da mat\u00e9ria do universo, desempenhou um papel fundamental na evolu\u00e7\u00e3o do universo e continua a faz\u00ea-lo. E, apesar do nome, tirou o cosmos de quase 200 milh\u00f5es de anos de escurid\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A detec\u00e7\u00e3o de um sinal de r\u00e1dio do universo primitivo \u00e9 o primeiro ind\u00edcio da forma\u00e7\u00e3o das estrelas<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":235689,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-235688","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/luz-lunar.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/235688","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=235688"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/235688\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/235689"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=235688"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=235688"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=235688"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}