{"id":235819,"date":"2018-03-02T08:57:00","date_gmt":"2018-03-02T11:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=235819"},"modified":"2018-03-02T08:57:00","modified_gmt":"2018-03-02T11:57:00","slug":"como-fortalecer-sua-memoria-sem-o-menor-esforco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/como-fortalecer-sua-memoria-sem-o-menor-esforco\/","title":{"rendered":"Como fortalecer sua mem\u00f3ria sem o menor esfor\u00e7o"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"byline\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"byline__name\">David Robson<\/span><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/17FE2\/production\/_100247289_memoria_getty_4.jpg\" alt=\"Homem negro no sof\u00e1\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Passar algum tempo sem fazer nada pode ser forma mais eficiente para memorizar algo novo<\/span><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">Ao tentar memorizar algo novo, \u00e9 normal partir da premissa de que, quanto mais nos concentramos, melhor ser\u00e1 nosso desempenho.<\/p>\n<p>Contudo, passar algum tempo sem fazer nada pode ser exatamente o que voc\u00ea precisa. Escure\u00e7a o ambiente, sente-se e desfrute de 10 a 15 minutos de contempla\u00e7\u00e3o silenciosa, e voc\u00ea vai perceber que sua mem\u00f3ria estar\u00e1 muito melhor do que tivesse tentado usar o momento de forma mais produtiva.<\/p>\n<p>Uma nova pesquisa revela que devemos buscar &#8220;interfer\u00eancias m\u00ednimas&#8221; durante essas pausas &#8211; evitando deliberadamente qualquer atividade que possa interferir na delicada miss\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria. Por isso, evite executar tarefas pequenas, verificar seus emails ou mexer no seu smartphone. Voc\u00ea realmente precisa dar ao seu c\u00e9rebro a oportunidade de uma recarga completa sem distra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Uma desculpa para n\u00e3o fazer nada pode parecer uma t\u00e9cnica mnem\u00f4nica perfeita para o estudante pregui\u00e7oso, mas essa descoberta tamb\u00e9m pode fornecer algum al\u00edvio para pessoas com amn\u00e9sia e algumas formas de dem\u00eancia, sugerindo novas maneiras de liberar uma capacidade latente e n\u00e3o reconhecida de aprender e lembrar.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Recarregando as baterias<\/h2>\n<p>Os extraordin\u00e1rios benef\u00edcios de estimula\u00e7\u00e3o \u00e0 mem\u00f3ria durante um repouso tranquilo foram documentados em 1900 pelo psic\u00f3logo alem\u00e3o Georg Elias Muller e seu aluno Alfons Pilzecker.<\/p>\n<p>Em uma de suas muitas experi\u00eancias sobre consolida\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria, Muller e Pilzecker pediram aos participantes que memorizassem uma lista de s\u00edlabas sem sentido. Ap\u00f3s um curto per\u00edodo de estudo, metade do grupo recebeu imediatamente uma segunda lista para memorizar &#8211; enquanto o resto p\u00f4de descansar por seis minutos antes de continuar com a tarefa.<\/p>\n<p>Testados novamente uma hora e meia depois, os dois grupos apresentaram diferentes padr\u00f5es de memoriza\u00e7\u00e3o. Os participantes que puderam descansar por seis minutos lembraram de quase 50% de sua lista, em compara\u00e7\u00e3o com uma m\u00e9dia de 28% do grupo que n\u00e3o p\u00f4de &#8220;recarregar&#8221; suas baterias mentais.<\/p>\n<p>A descoberta indicou que nossa mem\u00f3ria para novas informa\u00e7\u00f5es \u00e9 especialmente fr\u00e1gil logo ap\u00f3s a codifica\u00e7\u00e3o, tornando-a mais suscet\u00edvel a interfer\u00eancias.<\/p>\n<p>Apesar de v\u00e1rios psic\u00f3logos terem revisitado o tema ao longo dos anos, foi apenas no in\u00edcio dos anos 2000 que suas implica\u00e7\u00f5es mais amplas come\u00e7aram a ser conhecidas, a partir de uma pesquisa de Sergio Della Sala, da Universidade de Edimburgo, na Esc\u00f3cia, e Nelson Cowan, da Universidade de Missouri, nos EUA.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/58B8\/production\/_100221722_memoria_getty_1.jpg\" alt=\"Mulher l\u00ea livro em banco de parque\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Benef\u00edcios de estimula\u00e7\u00e3o \u00e0 mem\u00f3ria durante repouso tranquilo foram documentados em 1900<\/span><\/figure>\n<p>Os pesquisadores estavam interessados em descobrir se uma interfer\u00eancia reduzida poderia melhorar as mem\u00f3rias de pessoas que sofreram uma les\u00e3o neurol\u00f3gica, como um acidente vascular cerebral.<\/p>\n<p>Usando uma configura\u00e7\u00e3o semelhante ao estudo original de Muller e Pilzecker, eles deram aos participantes listas de 15 palavras. Dez minutos depois, testaram a mem\u00f3ria deles. Em alguns testes, os envolvidos permaneceram ocupados realizando alguns testes cognitivos. Em outros, foram convidados a se deitar em um quarto escuro e evitar cair no sono.<\/p>\n<p>O impacto dessa pequena interven\u00e7\u00e3o foi mais profundo do que qualquer um poderia supor. Embora os dois pacientes mais gravemente amn\u00e9sicos n\u00e3o tenham se beneficiado, os outros triplicaram o n\u00famero de palavras que poderiam lembrar &#8211; de 14% para 49%, colocando-os quase na faixa de pessoas saud\u00e1veis sem danos neurol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Os resultados seguintes foram ainda mais impressionantes. Os participantes foram convidados a ouvir algumas hist\u00f3rias e a responder perguntas sobre elas uma hora depois. Sem poder descansar, eles s\u00f3 conseguiam lembrar apenas 7% dos fatos das hist\u00f3rias; com o resto, essa taxa saltou para 79% &#8211; um aumento astron\u00f4mico de 11 vezes na informa\u00e7\u00e3o que eles conseguiram memorizar.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m encontraram um benef\u00edcio semelhante, embora menos pronunciado, para participantes saud\u00e1veis em cada caso, aumentando a propor\u00e7\u00e3o do que lembraram entre 10 e 30%.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Mem\u00f3ria espacial<\/h2>\n<p>Della Sala e a ex-aluna de Cowan, Michaela Dewar, da Universidade Heriot-Watt, nos Estados Unidos, realizaram diversos estudos complementares desde ent\u00e3o, replicando a descoberta em contextos muito diferentes.<\/p>\n<p>Em participantes saud\u00e1veis, descobriram que esses curtos per\u00edodos de descanso tamb\u00e9m podem melhorar nossas mem\u00f3rias espaciais &#8211; ajudando, por exemplo, os participantes a lembrar a localiza\u00e7\u00e3o de diferentes pontos de refer\u00eancia em um ambiente de realidade virtual. Essa vantagem permaneceu uma semana ap\u00f3s a tarefa de aprendizado original, e parece beneficiar tanto os jovens quanto os idosos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos sobreviventes de acidentes vasculares cerebrais, os pesquisadores tamb\u00e9m encontraram benef\u00edcios semelhantes para pessoas nos est\u00e1gios mais leves do mal de Alzheimer.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/B6DC\/production\/_100221864_memoria_getty_2.jpg\" alt=\"Televisores ligados\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Estamos sempre vulner\u00e1veis \u00e0 distra\u00e7\u00e3o<\/span><\/figure>\n<p>Em cada caso, eles simplesmente pediram aos participantes que se sentassem em uma sala com luz reduzida e silenciosa, sem seus celulares ou distra\u00e7\u00f5es semelhantes.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o demos a eles instru\u00e7\u00f5es espec\u00edficas em rela\u00e7\u00e3o ao que deveriam ou n\u00e3o deveriam fazer enquanto descansavam&#8221;, diz Dewar.<\/p>\n<p>&#8220;Mas os question\u00e1rios preenchidos no final de nossos experimentos sugerem que a maioria das pessoas simplesmente deixou suas mentes vagar&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Mesmo assim, devemos ter cuidado para n\u00e3o nos esfor\u00e7ar demais enquanto sonhamos acordados. Em um estudo, por exemplo, os participantes foram convidados a imaginar um evento passado ou futuro durante a pausa, o que pareceu reduzir a memoriza\u00e7\u00e3o do que acabaram de aprender.<\/p>\n<p>Portanto, pode ser mais seguro evitar qualquer esfor\u00e7o mental empreendido durante nosso tempo de inatividade.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/DDEC\/production\/_100221865_memoria_getty_3.jpg\" alt=\"Crian\u00e7as na escola\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Nossa mem\u00f3ria para novas informa\u00e7\u00f5es \u00e9 especialmente fr\u00e1gil logo ap\u00f3s a codifica\u00e7\u00e3o, tornando-a mais suscet\u00edvel a interfer\u00eancias<\/span><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Por que isso acontece?<\/h2>\n<p>O mecanismo exato ainda \u00e9 desconhecido, embora algumas pistas venham da crescente compreens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u00c9 sabido, por exemplo, que, uma vez inicialmente codificadas, as mem\u00f3rias passam por um per\u00edodo de consolida\u00e7\u00e3o que as cimenta no armazenamento a longo prazo.<\/p>\n<p>Antigamente, pensava-se que isso acontecia principalmente durante o sono, com uma maior comunica\u00e7\u00e3o entre o hipocampo &#8211; onde as mem\u00f3rias s\u00e3o formadas pela primeira vez &#8211; e o c\u00f3rtex, um processo que pode construir e fortalecer as novas conex\u00f5es neurais que s\u00e3o necess\u00e1rias para a lembran\u00e7a posterior.<\/p>\n<p>Essa intensa atividade noturna pode ser a raz\u00e3o pela qual muitas vezes aprendemos coisas de forma mais eficaz antes de dormir. Mas, em linha com a pesquisa de Dewar, um estudo realizado em 2010 por Lila Davachi, da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, descobriu que a solidifica\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria n\u00e3o se limitava ao sono, e que atividade neural semelhante ocorre tamb\u00e9m durante per\u00edodos de repouso.<\/p>\n<p>Na pesquisa, os participantes foram primeiro convidados a memorizar pares de imagens &#8211; combinando um rosto com um objeto ou uma cena. Ent\u00e3o, puderam se deitar e deixar suas mentes vagarem por um curto per\u00edodo de tempo.<\/p>\n<p>Como era de se esperar, Davachi revelou uma maior intera\u00e7\u00e3o entre o hipocampo e as \u00e1reas do c\u00f3rtex visual durante o repouso. Segundo ela, as pessoas que mostraram um maior aumento de conectividade entre essas \u00e1reas foram aquelas que se lembraram mais da tarefa.<\/p>\n<p>Talvez o c\u00e9rebro tenha algum tempo de inatividade potencial para cimentar o que acabou de aprender &#8211; e reduzir qualquer est\u00edmulo complementar neste momento pode facilitar esse processo. Parece que o dano neurol\u00f3gico pode tornar o c\u00e9rebro especialmente vulner\u00e1vel a essa interfer\u00eancia depois de aprender uma nova mem\u00f3ria, raz\u00e3o pela qual o per\u00edodo de descanso provou ser particularmente importante para v\u00edtimas de AVC e pessoas com alzheimer.<\/p>\n<p>Na era do excesso de informa\u00e7\u00e3o, vale a pena lembrar que nossos smartphones n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos que precisam ser recarregados de vez em quando. Nossos c\u00e9rebros tamb\u00e9m.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/104FC\/production\/_100221866_memoria_getty_5.jpg\" alt=\"Av\u00f4 tira foto com neto\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"media-caption__text\">Na era do excesso de informa\u00e7\u00e3o, vale a pena lembrar que nossos smartphones n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos que precisam ser recarregados de vez em quando<\/span><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Estrat\u00e9gias<\/h2>\n<p>Se voc\u00ea est\u00e1 interessado em maneiras mais r\u00e1pidas e de baixo esfor\u00e7o para impulsionar sua mem\u00f3ria, pode se beneficiar das seguintes estrat\u00e9gias:<\/p>\n<p><strong>Desafie-se:\u00a0<\/strong>ativamente se empenhar em memorizar informa\u00e7\u00f5es \u00e9 muito mais efetivo do que apenas ler passivamente.<\/p>\n<p><strong>D\u00ea um tempo:<\/strong>\u00a0espere algumas semanas antes de voltar a visitar um material.<\/p>\n<p><strong>Converse consigo mesmo:<\/strong>\u00a0o ato de simplesmente descrever um evento ajuda a fix\u00e1-lo na mem\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Mude o foco:<\/strong>\u00a0\u00e0s vezes pode ser ben\u00e9fico misturar e fazer um rod\u00edzio dos assuntos, em vez de estud\u00e1-los em bloco.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma nova pesquisa revela que devemos buscar &#8220;interfer\u00eancias m\u00ednimas&#8221; durante essas pausas &#8211; evitando deliberadamente qualquer atividade que possa interferir na delicada miss\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria. 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