{"id":23594,"date":"2013-10-17T07:51:13","date_gmt":"2013-10-17T10:51:13","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=23594"},"modified":"2013-10-17T07:51:13","modified_gmt":"2013-10-17T10:51:13","slug":"com-mais-dinheiro-educacao-decepciona","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/com-mais-dinheiro-educacao-decepciona\/","title":{"rendered":"Com mais dinheiro, educa\u00e7\u00e3o decepciona"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-23596\" alt=\"educa\u00e7\u00e3o\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/educa\u00e7\u00e3o1-300x168.jpg\" width=\"300\" height=\"168\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudo divulgado nesta ter\u00e7a-feira pela Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) mostra que, entre 2000 e 2009, o Brasil foi o segundo pa\u00eds, entre 35 na\u00e7\u00f5es, que mais aumentou a parcela do PIB investida em educa\u00e7\u00e3o. A cifra passou de 3,5% para 5,5%, aumento de 57%, inferior apenas ao registrado pela R\u00fassia, com 90%. Agora, portanto, a rela\u00e7\u00e3o entre investimento (p\u00fablico e privado) em educa\u00e7\u00e3o e PIB se aproxima no Brasil daquele realizado pelas na\u00e7\u00f5es desenvolvidas: 6,2%, em m\u00e9dia. Mais dinheiro, contudo, n\u00e3o foi suficiente para evitar que o pa\u00eds terminasse o per\u00edodo muito mal colocado no Pisa, avalia\u00e7\u00e3o internacional organizada pela pr\u00f3pria OCDE, desta vez com 65 na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora a m\u00e9dia brasileira na avalia\u00e7\u00e3o tenha subido quase 9% entre 2000 e 2009, terminamos na 53\u00aa posi\u00e7\u00e3o. Pior: se fossem analisadas separadamente, as escolas p\u00fablicas brasileiras, justamente as que educam tr\u00eas em cada quatro alunos do pa\u00eds, ficariam na 60\u00aa posi\u00e7\u00e3o do ranking, logo atr\u00e1s do Cazaquist\u00e3o.\u00a0\u201c\u00c9 imposs\u00edvel afirmar que o aumento de investimento n\u00e3o foi importante. Mas \u00e9 igualmente imposs\u00edvel ignorar o fato de que o avan\u00e7o da educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi proporcional a esse investimento\u201d, diz Priscila Cruz, diretora-executiva da ONG Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os especialistas t\u00eam na ponta da l\u00edngua as raz\u00f5es para explicar por que a qualidade n\u00e3o avan\u00e7a na mesma velocidade dos gastos. Em primeiro lugar, est\u00e1 a dificuldade de os governos gerirem bem o dinheiro extra que t\u00eam em m\u00e3os. Gasta-se demais onde n\u00e3o \u00e9 preciso e, \u00e9 claro, falta dinheiro onde \u00e9 mais necess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional Pelo Direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o, cita um exemplo. Segundo par\u00e2metros estipulados pelo MEC, a constru\u00e7\u00e3o de uma escola deveria custar 1,5 milh\u00e3o de reais. Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, a maioria delas n\u00e3o sai por menos de 4 milh\u00f5es. &#8220;Se multiplicarmos isso pelo n\u00famero de escolas que s\u00e3o constru\u00eddas a cada ano, temos a dimens\u00e3o do desastre\u201d, diz Cara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O educador Jo\u00e3o Batista de Ara\u00fajo Oliveira, do Instituto Alfa e Beto, aponta outro fator a corroer os investimentos na \u00e1rea: a reprova\u00e7\u00e3o escolar de estudantes. \u201cTodos os anos, 20% dos alunos repetem a s\u00e9rie. Isso significa que o estado tem, anualmente, de gastar 20% a mais do que deveria&#8221;, diz. S\u00e3o milh\u00f5es de reais desperdi\u00e7ados pela incapacidade de ensinar corretamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dificuldade em aplicar apropriadamente os recursos provoca um efeito devastador em outro indicador importante: o gasto por aluno. De acordo com o relat\u00f3rio da OCDE divulgado nesta ter\u00e7a-feira, o investimento per capita (ou melhor, por aluno) ainda \u00e9 muito inferior ao praticado, em m\u00e9dia, pelas na\u00e7\u00f5es desenvolvidas. Entre os 35 pa\u00edses analisados, o Brasil ocupa a 31\u00aa posi\u00e7\u00e3o, com 2.405 d\u00f3lares por aluno do ensino fundamental. Na OCDE, o valor \u00e9 de 7.719 d\u00f3lares. No ensino m\u00e9dio, a compara\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais chocante: 2.235 d\u00f3lares ante 9.312 d\u00f3lares, respectivamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ensino superior, o Brasil se aproxima da cifra dos pa\u00edses de ponta, aplicando 11.741 d\u00f3lares por estudante, frente aos 13.728 d\u00f3lares da OCDE. Os dados mostram a tend\u00eancia brasileira de investir no n\u00edvel universit\u00e1rio em detrimento da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica: gasta-se 7 vezes mais com um aluno do n\u00edvel superior do que com o estudante do fundamental.\u00a0\u201cO problema n\u00e3o \u00e9 que o Brasil gasta muito com os universit\u00e1rios: o n\u00edvel pode ser considerado at\u00e9 satisfat\u00f3rio&#8221;, diz Daniel Cara. &#8220;O problema central \u00e9 que o pa\u00eds gasta pouqu\u00edssimo com os n\u00edveis fundamental e m\u00e9dio.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relat\u00f3rio da OCDE serve como um alerta para uma tese que vem ganhando for\u00e7a entre educadores e pol\u00edticos: a de que a parcela do PIB dedicada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o deve passar dos atuais 5,5% para 10%. Tramita no Congresso Nacional o Plano Nacional da Educa\u00e7\u00e3o (PNE) que prev\u00ea tal mudan\u00e7a. O governo j\u00e1 adiantou que a cifra \u00e9 impratic\u00e1vel do ponto de vista fiscal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o faltam restri\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m do ponto de vista da educa\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 defens\u00e1vel a ideia de que precisamos ultrapassar a barreira dos 5,5% de investimento&#8221;, diz Oliveira. &#8220;Mas adicionar dinheiro a uma f\u00f3rmula errada pode n\u00e3o trazer frutos.\u201d Priscila Cruz acrescenta: \u201cSe n\u00e3o houver qualquer tipo de reformula\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o, mais dinheiro vai significar cada vez menos resultados.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Veja<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo divulgado nesta ter\u00e7a-feira pela Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) mostra que, entre 2000 e 2009, o Brasil foi o segundo pa\u00eds, entre 35 na\u00e7\u00f5es, que mais aumentou a parcela do PIB investida em educa\u00e7\u00e3o. A cifra passou de 3,5% para 5,5%, aumento de 57%, inferior apenas ao registrado pela R\u00fassia, com 90%. Agora, portanto, a rela\u00e7\u00e3o entre investimento (p\u00fablico e privado) em educa\u00e7\u00e3o e PIB se aproxima no Brasil daquele realizado pelas na\u00e7\u00f5es desenvolvidas: 6,2%, em m\u00e9dia. 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