{"id":236555,"date":"2018-03-10T16:32:01","date_gmt":"2018-03-10T19:32:01","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=236555"},"modified":"2018-03-10T16:32:01","modified_gmt":"2018-03-10T19:32:01","slug":"oito-pessoas-por-dia-entram-na-fila-de-espera-por-um-orgao-na-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/oito-pessoas-por-dia-entram-na-fila-de-espera-por-um-orgao-na-bahia\/","title":{"rendered":"Oito pessoas por dia entram na fila de espera por um \u00f3rg\u00e3o na Bahia"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"noticias-single__title noticias-single__title--with-image visible visible-lg\"><\/h1>\n<div class=\"noticias-single__description visible-lg\"><em><strong>No ano passado, 3.117 pessoas entraram na fila dos transplantes no estado<\/strong><\/em><\/div>\n<div class=\"noticias-single__content js-mediator-article\">\n<p class=\"bodytext\">Em quatro meses, a estudante Cl\u00e1udia Queiroz, 39 anos, teve sua vida completamente modificada &#8211; e n\u00e3o por vontade pr\u00f3pria. A rotina de lecionar ingl\u00eas e teatro e estudar l\u00edngua estrangeira na Universidade Federal da Bahia (Ufba) teve que ser interrompida para, literalmente, ter a vida condicionada \u00e0s m\u00e1quinas. Em abril de 2017, ela descobriu que tem mau funcionamento nos rins e que precisa de um transplante. Em agosto, come\u00e7ou a fazer hemodi\u00e1lise para tratar a doen\u00e7a, que \u00e9 cr\u00f4nica.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ela \u00e9 uma das 1.613 pessoas na Bahia que esperam por um transplante. No estado, no ano passado, oito pessoas entraram na fila de espera por dia, em m\u00e9dia. Com a descoberta, a rotina de Cl\u00e1udia agora \u00e9 outra. \u201cCom essa doen\u00e7a, parei tudo. Tive que interromper a minha vida porque estou presa a uma m\u00e1quina\u201d, lamenta.<\/p>\n<div id=\"div-gpt-ad-1504711491229-3\" data-google-query-id=\"COD6l4y-4tkCFYwYhgodCm0APQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/44585206\/c24h_minhabahia_300x250_01_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">E o que para muitos s\u00e3o apenas n\u00fameros, para Cl\u00e1udia \u00e9 a chance de continuar sua vida. \u201cO transplante \u00e9 a minha oportunidade para ficar livre para viver. \u00c9 uma luta constante, a gente corre por esse milagre. Eu levo o tratamento como uma coisa positiva, mas meu sonho \u00e9 sair dele, porque \u00e9 doloroso\u201d, declara.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Entrada e sa\u00edda<\/strong><br \/>\nDurante todo o ano passado, 3.117 pessoas entraram na fila de espera para transplantes na Bahia. O volume de entrada n\u00e3o acompanha, no entanto, o n\u00famero de doadores e transplantes realizados: foram apenas 99 doadores efetivos e 822 transplanta\u00e7\u00f5es realizadas. Com esse resultado, o estado n\u00e3o atingiu a meta de doa\u00e7\u00e3o por milh\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o, que era de 8%.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O n\u00famero alcan\u00e7ado, 6,5%, \u00e9 menor, inclusive, do registrado em 2016, 7%, quando houve 107 doadores efetivos. A meta para o pr\u00f3ximo ano \u00e9 que 9,5% da popula\u00e7\u00e3o diga \u201csim\u201d para a doa\u00e7\u00e3o. Enquanto isso n\u00e3o acontece, a Bahia ocupa o 5\u00ba lugar no n\u00famero de mortes na fila de espera por transplantes no Brasil. Somente no ano passado, 102 pessoas morreram sem conseguir o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O tempo de espera para a cirurgia varia de acordo com o \u00f3rg\u00e3o que a pessoa precisa. Na Bahia, s\u00e3o realizados transplantes de c\u00f3rnea, rim, f\u00edgado e pulm\u00e3o &#8211; no caso de p\u00e2ncreas, por exemplo, a pessoa que precisa de um transplante \u00e9 encaminhada para outro estado.\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/www.correio24horas.com.br\/noticia\/nid\/bahia-tem-equipamentos-e-equipe-treinada-mas-nao-faz-transplante-cardiaco-desde-2015\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O estado n\u00e3o realiza transplantes de cora\u00e7\u00e3o desde 2015.\u00a0<\/a><\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">O tempo de espera que mais varia \u00e9 justamente o do rim, que tem a fila mais extensa &#8211; s\u00e3o 838 pessoas esperando por um \u00f3g\u00e3o, segundo dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT). Em m\u00e9dia, os receptores aguardam dois anos para a cirurgia. Mas h\u00e1 quem espere muito mais do que a m\u00e9dia.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Oito anos<\/strong><br \/>\nFoi o caso da dona de casa Gildenice Souza Santos, 36, que teve sua busca por um f\u00edgado compat\u00edvel finalizada h\u00e1 23 dias. Ap\u00f3s oito anos se medicando para controlar a cirrose hep\u00e1tica, ela recebeu a not\u00edcia de que ganharia um novo f\u00edgado. \u201cEu sa\u00ed pulando, chorando e abra\u00e7ando todo mundo. Gra\u00e7as a Deus, agora eu consegui\u201d, conta, aos risos. Agora, a luta de Gildenice ser\u00e1 outra: atualmente, ela faz exames duas vezes por semana. Mas os encontros com o m\u00e9dico n\u00e3o ter\u00e3o fim.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A dona de casa explica que \u00e9 hora de se divertir bastante. \u201cA primeira coisa que eu quero fazer quando estiver mais recuperada \u00e9 ir \u00e0 igreja para agradecer a Deus por ter sobrevivido. Tem muita gente que n\u00e3o fica vivo\u201d, disse.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"\" src=\"http:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/f\/e\/csm_09032018_Gildenice_AM_CP_060df7262c.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"667\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><strong>Gildenice Souza esperou oito anos por um transplante de f\u00edgado: cirurgia foi h\u00e1 23 dias<\/strong><br \/>\n(Foto: Arisson Marinho\/Arquivo CORREIO)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">Teve quem recorresse a outros estados na esperan\u00e7a de conseguir o transplante de forma mais r\u00e1pida. O administrador de empresas Arnaldo Bahia, 36, tinha uma rotina de exerc\u00edcios f\u00edsicos di\u00e1rios, como nata\u00e7\u00e3o, academia e caminhada. Em junho de 2015, ele descobriu que sofria de glomerulonefrite &#8211; inflama\u00e7\u00e3o do glom\u00e9rulo, uma unidade funcional do rim, respons\u00e1vel pela remo\u00e7\u00e3o do excesso de fluidos do \u00f3rg\u00e3o e res\u00edduos da corrente sangu\u00ednea.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ele espera um novo rim em S\u00e3o Paulo, por recomenda\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. \u201cEsperan\u00e7a a gente tem, mas acalmei o cora\u00e7\u00e3o. Eu j\u00e1 fui chamado tr\u00eas vezes para pr\u00e9-sele\u00e7\u00e3o de transplantes. No in\u00edcio dava como compat\u00edvel, mas depois n\u00e3o era selecionado. Hoje eu n\u00e3o crio expectativa\u201d, conta, enquanto faz di\u00e1lise em casa com ajuda da esposa e filhas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Solidariedade<\/strong><br \/>\nO percentual de recusa de doa\u00e7ao nas entrevistas aumentou de 44% para 56% de 2016 para 2017 na Bahia. De acordo com a coordenadora de transplantes da Secretaria de Sa\u00fade do Estado da Bahia (Sesab), Rita Pedrosa, falta um investimento no acolhimento das fam\u00edlias dos poss\u00edveis doadores. \u201cSe a fam\u00edlia n\u00e3o for bem atendida, quando for abordada, ir\u00e1 dizer n\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Al\u00e9m de n\u00e3o bater a meta anual de doadores, a Bahia ficou bem abaixo em todas as metas. Era estimada a necessidade de 1.375 transplantes de c\u00f3rnea e somente foram feitas 636 (46%). Dos 917 necess\u00e1rios de rim, apenas 137 (14,9%) foram realizados.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Junto com campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o, a Sesab ofereceu um curso de abordagem familiar para seus membros. \u201cQuando a pessoa morre, ela perde temperatura corporal automaticamente. Ent\u00e3o, \u00e9 preciso que o corpo seja mantido na UTI, aquecido com manta t\u00e9rmica e olhado com aten\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o \u00e9 um morto, \u00e9 um gerador de vida que pode salvar outras pessoas\u201d, salienta. A doa\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os de uma pessoa falecida pode ajudar at\u00e9 25 doentes.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Desejo por &#8216;corpo \u00edntegro&#8217; motiva recusas de doa\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nSomente no ano passado, dos 493 potenciais doadores de \u00f3rg\u00e3os identificados na Bahia, 196 acabaram descartados por conta da recusa de familiares em doar os \u00f3rg\u00e3os. A taxa de recusa de 62% foi a quarta maior do Brasil, perdendo apenas para Mato Grosso (80%), Sergipe (74%) e Maranh\u00e3o (64%). Nesse quesito, a Bahia empatou com Goi\u00e1s, que tamb\u00e9m teve 62% de recusa dos potenciais doadores.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Os motivos para recusa s\u00e3o os mais diversos. No entanto, de acordo com dados da Coordena\u00e7\u00e3o Estadual de Transplantes (CET), ligada \u00e0 Secretaria de Sa\u00fade do Estado da Bahia (Sesab), a maioria dos casos de recusa em doar os \u00f3rg\u00e3os ocorreu porque os familiares do doador desejavam receber o corpo \u00edntegro &#8211; 40 casos. Em segundo lugar &#8211; 39 casos &#8211; houve recusa porque a pessoa n\u00e3o era doadora em vida.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Em 32 casos, a fam\u00edlia foi contra a doa\u00e7\u00e3o. Em outros 26, os parentes n\u00e3o aceitaram aguardar o processo de capta\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os para a doa\u00e7\u00e3o. Depois aparecem as situa\u00e7\u00f5es em que a causa da morte n\u00e3o foi registrada (20) e aqueles em que n\u00e3o houve consenso entre os familiares (16). Somente em dez casos houve recusa por \u00a0quest\u00f5es religiosas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Houve recusa, ainda, em oito casos, por descontentamento com o atendimento do hospital, dois casos em que a fam\u00edlia desconhecia o desejo do doador, mais duas situa\u00e7\u00f5es em que n\u00e3o acreditavam no diagn\u00f3stico m\u00e9dico. Por fim, houve um caso em que havia sentimento de culpa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 morte.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No ano passado, 3.117 pessoas entraram na fila dos transplantes no estado<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":236556,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,12],"tags":[],"class_list":["post-236555","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-saude"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/mae-de-orgao.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/236555","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=236555"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/236555\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/236556"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=236555"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=236555"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=236555"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}