{"id":237072,"date":"2018-03-14T17:00:44","date_gmt":"2018-03-14T20:00:44","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=237072"},"modified":"2018-03-14T17:00:44","modified_gmt":"2018-03-14T20:00:44","slug":"resgate-vozes-e-sambas-esquecidos-dos-soldados-brasileiros-na-2a-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/resgate-vozes-e-sambas-esquecidos-dos-soldados-brasileiros-na-2a-guerra\/","title":{"rendered":"Resgate vozes e sambas esquecidos dos soldados brasileiros na 2\u00aa Guerra"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__name\">Thomas Pappon<\/span><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/CEFF\/production\/_100419925_aca65752-9d66-4768-bfb5-5daf06fdbe0c.jpg\" alt=\"Soldados em campanha\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">&#8216;Uma coisa \u00e9 passar anos anos estudando ou lendo sobre o assunto, outra \u00e9 realmente ouvir esses registros&#8217; | Foto: 1SgtNahon-AHEx\/Ex\u00e9rcito Brasileiro<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;A\u00ed cheguei, me aproximei do Hitler e falei assim: Seu Hitler, o senhor completamente embriagado! Um homem de cartaz na Alemanha. Por que o senhor bebe tanto assim? A\u00ed, ele disse, &#8216;por que eu bebo, meu amigo? Escuta s\u00f3: Tornei-me um \u00e9brio, na bebida posso esquecer\/ o Mussolini, que eu amava, e que me abandonou\/bombardeado pela RAF vivo a sofrer\/ e n\u00e3o encontro um lugar pra me esconder&#8230;'&#8221;<\/p>\n<p>Esse &#8220;di\u00e1logo com Adolf Hitler&#8221; \u00e9 narrado por um soldado brasileiro no estilo stand-up musical, fazendo uma vers\u00e3o bem-humorada de\u00a0<i>O \u00c9brio<\/i>, grande sucesso de Vicente Celentino na \u00e9poca, em um show de calouros gravado pelo Servi\u00e7o Brasileiro da BBC na It\u00e1lia em junho de 1945 com os pracinhas que aguardavam o retorno ao Brasil.<\/p>\n<p>O show, um raro e precioso registro em \u00e1udio do momento em que saboreavam a vit\u00f3ria com um misto de alto astral e pesar pela morte de companheiros, foi registrado com aux\u00edlio de uma rara unidade m\u00f3vel de grava\u00e7\u00e3o da BBC.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de gravar esse show e v\u00e1rios sambas compostos pelos pracinhas em pleno front, essa unidade registrou &#8211; sempre em fr\u00e1geis discos de alum\u00ednio cobertos por um laque especial, j\u00e1 que ainda n\u00e3o havia gravadores port\u00e1teis de fita magn\u00e9tica &#8211; os sons do dia a dia dos soldados nos acampamentos, al\u00e9m de relatos, cr\u00f4nicas e mensagens a familiares.<\/p>\n<p>Essas grava\u00e7\u00f5es, feitas pelo correspondente de guerra da Se\u00e7\u00e3o Brasileira da BBC, o anglo-ga\u00facho Francis Hallawell, com ajuda do t\u00e9cnico de som brit\u00e2nico Douglas Farley, foram resgatadas pela BBC Brasil como parte das celebra\u00e7\u00f5es dos seus 80 anos e est\u00e3o sendo disponibilizadas ao p\u00fablico para marcar essas oito d\u00e9cadas de produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado para o Brasil.<\/p>\n<p>Historiadores e especialistas que tiveram acesso ao material ouvido pela BBC Brasil foram enf\u00e1ticos ao situar sua import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&#8220;Foi emocionante ouvir as grava\u00e7\u00f5es&#8221;, diz Francisco C\u00e9sar Ferraz, professor do Departamento de Hist\u00f3ria da Universidade Estadual de Londrina (UEL), com anos dedicados \u00e0 pesquisa da participa\u00e7\u00e3o brasileira na Segunda Guerra e autor de dois livros sobre o assunto &#8211;\u00a0<i>O Brasil e a Segunda Guerra Mundial<\/i>\u00a0e\u00a0<i>A Guerra Que N\u00e3o Acabou<\/i>.<\/p>\n<figure class=\"media-with-caption\">\n<div class=\"player-with-placeholder\"><img decoding=\"async\" class=\"media-placeholder player-with-placeholder__image lead-video-placeholder\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/images\/ic\/720x405\/p0613pjq.jpg\" \/><\/p>\n<div class=\"player-with-placeholder\">\n<div class=\"media-player-wrapper\">\n<div id=\"sticky-player-1\">\n<div class=\"sticky-player__wrapper\">\n<div class=\"sticky-player__player\">\n<figure id=\"media-player-1\" class=\"media-player\" data-playable=\"{&quot;settings&quot;:{&quot;counterName&quot;:&quot;portuguese.brasil.story.43385807.page&quot;,&quot;edition&quot;:&quot;International&quot;,&quot;pageType&quot;:&quot;eav2&quot;,&quot;uniqueID&quot;:&quot;43385807&quot;,&quot;ui&quot;:{&quot;locale&quot;:{&quot;lang&quot;:&quot;pt&quot;}},&quot;externalEmbedUrl&quot;:&quot;http:\\\/\\\/www.bbc.com\\\/portuguese\\\/brasil-43385807\\\/embed&quot;,&quot;insideIframe&quot;:false,&quot;statsObject&quot;:{&quot;clipPID&quot;:&quot;p0613jr5&quot;},&quot;playlistObject&quot;:{&quot;title&quot;:&quot;Os sons esquecidos do pracinhas&quot;,&quot;holdingImageURL&quot;:&quot;https:\\\/\\\/ichef.bbci.co.uk\\\/images\\\/ic\\\/$recipe\\\/p0613pjq.jpg&quot;,&quot;guidance&quot;:&quot;&quot;,&quot;embedRights&quot;:&quot;allowed&quot;,&quot;summary&quot;:&quot;Os sons esquecidos do pracinhas&quot;,&quot;liveRewind&quot;:false,&quot;simulcast&quot;:false,&quot;items&quot;:[{&quot;vpid&quot;:&quot;p0613jrb&quot;,&quot;live&quot;:false,&quot;duration&quot;:1238,&quot;kind&quot;:&quot;programme&quot;}]}},&quot;otherSettings&quot;:{&quot;advertisingAllowed&quot;:true,&quot;continuousPlayCfg&quot;:{&quot;enabled&quot;:false},&quot;isAutoplayOnForAudience&quot;:false}}\">\n<div id=\"smphtml5iframemedia-player-1wrp\"><iframe loading=\"lazy\" id=\"smphtml5iframemedia-player-1\" title=\"Os sons esquecidos do pracinhas\" src=\"http:\/\/emp.bbc.com\/emp\/SMPj\/2.18.3\/iframe.html\" name=\"smphtml5iframemedia-player-1\" width=\"300\" height=\"150\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"sticky-player__body\">\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=YIytHkR1Cvc\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=YIytHkR1Cvc<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"media-with-caption__caption\">Confira o document\u00e1rio &#8216;Os sons esquecidos do pracinhas&#8217;<\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Uma coisa \u00e9 passar anos estudando ou lendo sobre o assunto, outra \u00e9 realmente ouvir esses registros. A variedade de t\u00f3picos, de situa\u00e7\u00f5es&#8230; t\u00eam de tudo&#8230; desde reportagens relidas por correspondentes de guerra, sele\u00e7\u00f5es musicais, eventos, missas, humor, personagens, servi\u00e7o m\u00e9dico&#8230; um material fant\u00e1stico. \u00c9 um est\u00edmulo a outros pesquisadores.&#8221;<\/p>\n<p>Para Vinicius Mariano de Carvalho, professor e pesquisador do Brazil Institute do King&#8217;s College, em Londres, que ajudou a BBC a recuperar esse material e est\u00e1 publicando um trabalho focado nas m\u00fasicas compostas pelos pracinhas, as grava\u00e7\u00f5es de Hallawell &#8220;nos aproximam demais do que viveram esses soldados na guerra&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O som do acampamento, da panela ao fundo, pessoas falando&#8230; \u00e9 a \u00fanica imagem que a gente tem do universo sonoro desses pracinhas. Esse material \u00e9 extremamente importante, possivelmente o \u00fanico documento sonoro que d\u00e1 voz ao soldado brasileiro na It\u00e1lia.&#8221;<\/p>\n<p>As grava\u00e7\u00f5es resgatadas totalizam pouco mais de quatro horas de \u00e1udio. S\u00e3o 12 programas de dura\u00e7\u00e3o e temas variados com material gravado durante os oito meses de campanha militar dos 25 mil integrantes da For\u00e7a Expedicion\u00e1ria Brasileira (FEB) na It\u00e1lia.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Cartas, pessoal!&#8217;<\/h2>\n<p>Parte desse material foi transmitido ao Brasil por r\u00e1dio durante a guerra, como por exemplo as reportagens que mostram uma distribui\u00e7\u00e3o de cartas e a &#8220;hora do rancho&#8221; em um acampamento, a visita a um hospital &#8211; transmitida para o Brasil na noite de Natal de 1944 &#8211; e o registro de uma missa na Catedral de Pisa, em que mais de mil soldados e oficiais, com a presen\u00e7a do comandante da FEB, general Mascarenhas de Morais, cantaram o Hino Nacional.<\/p>\n<p>Um dos mais curiosos \u00e9 o programa com um show de variedades celebrando a vit\u00f3ria, realizado no clube da FEB em Alessandria, no norte da It\u00e1lia, quando os soldados aguardavam o retorno ao Brasil. O programa segue a linha de shows de r\u00e1dio ao vivo populares na \u00e9poca, com concurso de calouros, m\u00fasica e muito humor, e foi gravado especialmente &#8220;para as fam\u00edlias (dos expedicion\u00e1rios) no Brasil, enquanto espera-se o grande dia do embarque&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/29F5\/production\/_100414701_tendas.jpg\" alt=\"Vida em acampamento\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">&#8216;O som do acampamento, da panela ao fundo, pessoas falando&#8230; \u00e9 a \u00fanica imagem que a gente tem do universo sonoro desses pracinhas&#8217; | Foto: 1SgtNahon-AHEx\/Ex\u00e9rcito Brasileiro<\/span><\/figure>\n<p>Mas boa parte dos programas foi montada mais tarde, quando os soldados j\u00e1 tinham sido desmobilizados e retornado a suas cidades, como as homenagens aos tr\u00eas regimentos de infantaria da FEB &#8211; o 1\u00ba, tamb\u00e9m conhecido como Regimento Sampaio, baseado na ent\u00e3o capital, Rio de Janeiro, o 6\u00ba, baseado em Ca\u00e7apava (SP) e o 11\u00ba, de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei (MG) -, recontando suas campanhas com depoimentos e dramatiza\u00e7\u00f5es feitas no est\u00fadio da BBC.<\/p>\n<p>O material do &#8220;Chico da BBC&#8221; deu impacto \u00e0s transmiss\u00f5es da Se\u00e7\u00e3o Brasileira da BBC em ondas curtas. Eram tr\u00eas horas di\u00e1rias de transmiss\u00e3o, sempre \u00e0 noite, no hor\u00e1rio nobre dos anos de ouro do r\u00e1dio no Brasil. Havia not\u00edcias, programas de variedades, m\u00fasica, radioteatro e &#8220;cerca de 15 minutos dedicados ao notici\u00e1rio sobre a guerra&#8221;, segundo o livro\u00a0<i>Vozes de Londres<\/i>, de Laurindo Lalo Leal Filho, que conta a hist\u00f3ria da Se\u00e7\u00e3o Brasileira da BBC desde sua cria\u00e7\u00e3o, em mar\u00e7o de 1938.<\/p>\n<p>As not\u00edcias que os brasileiros ouviam sobre a guerra eram traduzidas do ingl\u00eas, o que, segundo Rose Esquenazi, professora da PUC-Rio e autora de\u00a0<i>O R\u00e1dio na Segunda Guerra: no ar, Francis Hallawell, o Chico da BBC<\/i>, longe de ser um problema, ajudou a dar cr\u00e9dito ao conte\u00fado.<\/p>\n<p>&#8220;A BBC trouxe maior equil\u00edbrio. Falava quando um navio ingl\u00eas era afundado&#8221;, diz ela \u00e0 BBC Brasil. &#8220;As pessoas sabiam que havia a censura do Estado Novo. Se voc\u00ea ouvia em outra r\u00e1dio, a not\u00edcia seria mais parcial. Os brasileiros sentiam que o notici\u00e1rio da BBC era mais isento.&#8221;<\/p>\n<p>As vozes dos combatentes brasileiros e as cr\u00f4nicas enviadas por Hallawell &#8220;traziam humanidade&#8221; nessas transmiss\u00f5es. &#8220;As pessoas queriam que a guerra acabasse, e o Chico trazia as informa\u00e7\u00f5es l\u00e1 do front, onde estavam os filhos, os maridos e os noivos&#8221;, afirma Esquenazi.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;\u00d4 F\u00e9lix, t\u00e1 caindo muita coisa no front?&#8217;<\/h2>\n<p>Hallawell, nascido em Porto Alegre e educado parcialmente na Inglaterra, falava portugu\u00eas com um leve sotaque brit\u00e2nico, mas sua voz, diz Esquenazi, &#8220;tinha certa intimidade com o ouvido do brasileiro&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/12C6E\/production\/_100401967_tv043319269.jpg\" alt=\"Francis Hallawell e Douglas Farley\" width=\"549\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">&#8216;As pessoas queriam que a guerra acabasse, e o Chico trazia as informa\u00e7\u00f5es l\u00e1 do front, onde estavam os filhos, os maridos e os noivos&#8217;<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Apesar de muitos soldados estarem &#8220;lendo&#8221; suas falas &#8211; em particular nos programas feitos em homenagem aos regimentos de infantaria -, a impress\u00e3o que fica no ouvinte \u00e9 de que eles se comunicam com &#8220;Chico&#8221; de forma aberta e direta.<\/p>\n<p>Para Francisco Ferraz, as grava\u00e7\u00f5es ajudam a tra\u00e7ar um perfil mais n\u00edtido dos pracinhas.<\/p>\n<p>&#8220;Esse perfil \u00e9 um dos pontos sobre o qual menos temos informa\u00e7\u00f5es, a documenta\u00e7\u00e3o da FEB n\u00e3o \u00e9 muito pr\u00f3diga nisso. Em v\u00e1rios momentos (nas grava\u00e7\u00f5es), h\u00e1 o cuidado de se perguntar o nome e a origem do soldado, a cidade de onde vem, o que ele fazia&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Nos anos 1940, o Brasil era muito diferente, t\u00ednhamos uma popula\u00e7\u00e3o pouco alfabetizada. Dados estat\u00edsticos indicam que, apesar de restri\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito, 6% dos soldados eram analfabetos. Quando voc\u00ea v\u00ea essa gente simples, que enfrentou temperaturas que nunca tinha enfrentado, nunca havia treinado para combater em montanhas &#8211; bem diferente a combate em terra plana -, v\u00ea que esses jovens pertencem ao cora\u00e7\u00e3o do povo brasileiro, no sentido de sua extra\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Vinicius Mariano de Carvalho aponta para a riqueza &#8220;fabulosa&#8221; das grava\u00e7\u00f5es do expedicion\u00e1rios fazendo m\u00fasica. &#8220;Nos d\u00e1 a dimens\u00e3o da express\u00e3o humana musical que esses soldados est\u00e3o encontrando e fazendo no meio do campo de batalha&#8221;.<\/p>\n<p>Hallawell e Farley gravaram 16 m\u00fasicas em pelo menos quatro locais diferentes na It\u00e1lia. Treze dessas can\u00e7\u00f5es, em sua maioria sambas e marchinhas, foram compostas por pracinhas.<\/p>\n<p>&#8220;M\u00fasica e guerra andam a par e passo&#8221;, diz Carvalho. &#8220;Ela exerce uma fun\u00e7\u00e3o cat\u00e1rtica incr\u00edvel.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/DE4E\/production\/_100401965_feb118.jpg\" alt=\"Banda de jazz da FEB\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">&#8216;M\u00fasica e guerra andam a par e passo&#8217; | Foto: Ex\u00e9rcito Brasileiro<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;A FEB tinha uma banda de m\u00fasica, formada por cerca 60 m\u00fasicos. Essa banda se desmembrava em pequeno grupos para tocar em acampamentos e circular com mais facilidade. Uma delas era a orquestra de jazz, formada pelo pessoal do regimento de S\u00e3o Jo\u00e3o Del Rey (o 11\u00ba), quase imitando uma\u00a0<i>big band<\/i>\u00a0americana.&#8221;<\/p>\n<p>As orquestras militares eram comuns na Segunda Guerra. O conhecido m\u00fasico americano Glenn Miller dirigiu a banda da For\u00e7a A\u00e9rea americana na Europa &#8211; e morreu em um suposto acidente quando seu avi\u00e3o desapareceu em um voo de Londres a Paris em dezembro de 1944.<\/p>\n<p>Um dos programas diz, entretanto, &#8220;ser interessante notar que os brasileiros s\u00e3o os \u00fanicos de todos os combatentes na It\u00e1lia que escrevem suas pr\u00f3prias can\u00e7\u00f5es&#8221;. Carvalho diz ser &#8220;dif\u00edcil saber&#8221; se a afirma\u00e7\u00e3o procede, mas que os pracinhas fizeram na It\u00e1lia &#8220;o que se fazia no Brasil, com incorpora\u00e7\u00e3o de termos em italiano, com narra\u00e7\u00e3o do cotidiano que eles est\u00e3o vivendo&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma rica transposi\u00e7\u00e3o de uma viv\u00eancia musical do Brasil para l\u00e1&#8221;, diz o pesquisador, salientando &#8220;a grande rela\u00e7\u00e3o de m\u00fatua troca&#8221; entre brasileiros e italianos.<\/p>\n<p>N\u00e3o se ouve a palavra &#8220;alem\u00e3o&#8221; nos sambas. Ouve-se &#8220;tedesco&#8221; &#8211; como nos sambas\u00a0<i>Tedeschi Portare Via<\/i>\u00a0ou\u00a0<i>Tedesco Levante o Bra\u00e7o<\/i>. &#8220;Ou &#8216;pa\u00fara&#8217;, em vez de &#8216;medo&#8217;.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 um fator que n\u00e3o podemos negligenciar dessa uni\u00e3o, que \u00e9 o catolicismo. A It\u00e1lia \u00e9 extremamente cat\u00f3lica, o Brasil \u00e9 eminentemente cat\u00f3lico. \u00c9 comum a narrativa de fam\u00edlias italianas que abrigavam os brasileiros, compartilhando o que tinham na mesa, rezavam o ter\u00e7o juntos.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Outra coisa \u00e9 a facilidade da l\u00edngua. De todo o contexto do 5\u00ba Ex\u00e9rcito (americano, ao qual a FEB se juntou) e seus aliados, um grupo extremamente multicultural &#8211; com indianos, poloneses, neozelandeses, americanos, ingleses, canadenses &#8211; a \u00fanica l\u00edngua neolatina \u00e9 o portugu\u00eas. O entendimento foi facilitado por essa raiz comum na l\u00edngua.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/5105\/production\/_100414702_soldados_cartaz_hitler_estamos_aqui.jpg\" alt=\"Soldados seguram cartaz\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">&#8216;A\u00ed cheguei, me aproximei do Hitler e falei assim: Seu Hitler, o senhor completamente embriagado! Um homem de cartaz na Alemanha. Por que o senhor bebe tanto assim?&#8217; | Foto: 1SgtNahon-AHEx\/Ex\u00e9rcito Brasileiro<\/span><\/figure>\n<p>As composi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, segundo Mariano de Carvalho, em sua maioria &#8220;s\u00e3o m\u00fasicas humor\u00edsticas, ironizando os alem\u00e3es ou louvando as batalhas que fizeram&#8221;. Dessas, ele destaca\u00a0<i>Onde Vi Muito Tedesco<\/i>, uma embolada que descreve passo a passo a tomada de Monte Castello. &#8220;\u00c9 uma m\u00fasica fant\u00e1stica. Narra detalhadamente as linhas de defesa, o avan\u00e7o da tropa, a avia\u00e7\u00e3o &#8216;que criou muita confus\u00e3o&#8217;, o Major Syzeno Sarmento, comandante de um os batalh\u00f5es&#8230; e assim vai.&#8221;<\/p>\n<p>As exce\u00e7\u00f5es s\u00e3o\u00a0<i>O Morto Vivo<\/i>, uma surreal conversa entre um soldado e um cad\u00e1ver, o emocionante samba\u00a0<i>Lembrei<\/i>\u00a0(&#8216;Se algum dia eu voltar\/ jamais eu hei de pensar\/ nas crises que eu passei\/ pela vit\u00f3ria da p\u00e1tria que tanto amei\/ E ser\u00e1 nobre dizer\/ quando meu filho crescer\/ a hist\u00f3ria de seu pai\/ que com muito sacrif\u00edcio\/ buscou em seu benef\u00edcio\/ a vit\u00f3ria e a paz&#8230;), composto por um soldado morto em Monte Castello, Alceb\u00edades Sodr\u00e9, e apresentado pelo grupo de jazz da FEB no show de variedades em Alessandria.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um samba bem dram\u00e1tico, dolente, como se (o autor) estivesse prevendo que fosse morrer&#8221;, diz Mariano de Carvalho.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Menosprezo<\/h2>\n<p>Os especialistas ouvidos pela BBC Brasil acreditam que essas grava\u00e7\u00f5es podem ajudar a reverter o que Mariano de Carvalho chama de &#8220;tend\u00eancia a menosprezar a participa\u00e7\u00e3o brasileira na Guerra&#8221;.<\/p>\n<p>Francisco C\u00e9sar Ferraz diz que essa revers\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 em curso h\u00e1 alguns anos, e que as grava\u00e7\u00f5es &#8220;v\u00eam em hora oportun\u00edssima&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Durante muito tempo, a historiografia universit\u00e1ria, que \u00e9 a que dita os t\u00f3picos que ser\u00e3o valorizados (no ensino escolar de Hist\u00f3ria do Brasil, por exemplo), desprezou a participa\u00e7\u00e3o brasileira na Segunda Guerra.&#8221;<\/p>\n<p>Uma explica\u00e7\u00e3o para esse &#8220;desprezo&#8221; seria o fato &#8220;de parte da c\u00fapula do golpe de 1964 ter pertencido \u00e0 FEB&#8221;. &#8220;H\u00e1 essa associa\u00e7\u00e3o, a meu ver errada, entre militares da FEB e militares que patrocinaram o regime militar. Na FEB havia de tudo. Havia c\u00e9lulas comunistas dentro da FEB. Dois dos dirigentes nacionais do PCB pertenceram \u00e0 FEB, Salom\u00e3o Malina e Jacob Gorender.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;No \u00faltimos dez anos houve um volume crescente de interesse pela participa\u00e7\u00e3o na FEB e na FAB (For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira, que tamb\u00e9m esteve na It\u00e1lia). E isso come\u00e7ou a repercutir no material did\u00e1tico. O n\u00famero de document\u00e1rios sobre a FEB e a participa\u00e7\u00e3o do Brasil na Segunda Guerra aumentou bastante.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/7815\/production\/_100414703_avenida_cheia-2.jpg\" alt=\"Desfile no centro do Rio de Janeiro\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><span class=\"media-caption__text\">No retorno ao Rio de Janeiro, expedicion\u00e1rios desfilaram em meio a grande entusiasmo da popula\u00e7\u00e3o | Foto: 1SgtNahon-AHEx\/Ex\u00e9rcito Brasileiro<\/span><\/span><\/figure>\n<p>&#8220;Provavelmente \u00e9 uma quest\u00e3o geracional. A gera\u00e7\u00e3o mais jovem n\u00e3o tem o ran\u00e7o, aquele rancor contra as For\u00e7as Armadas, da gera\u00e7\u00e3o anterior.&#8221;<\/p>\n<p>Um exemplo da retomada das produ\u00e7\u00f5es sobre o assunto s\u00e3o os livros (<i>1942: O Brasil e sua Guerra quase Desconhecida<\/i>\u00a0e\u00a0<i>Minha Segunda Guerra<\/i>) e document\u00e1rios (<i>1942: O Brasil e sua Guerra quase Desconhecida<\/i>,\u00a0<i>Um Brasileiro no Dia D<\/i>\u00a0e\u00a0<i>O Caminho dos Her\u00f3is<\/i>) de Jo\u00e3o Barone, baterista dos Paralamas do Sucesso, que se interessou pela Segunda Guerra Mundial em parte por seu pai ter sido pracinha.<\/p>\n<p>&#8220;Todo mundo que toma conhecimento desse assunto fica surpreso, impressionado com o que aconteceu, com os fatos que levaram o Brasil a entrar na guerra, se comove e se emociona&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Quando conversou com a BBC Brasil, Barone ainda n\u00e3o tinha ouvido as grava\u00e7\u00f5es de Hallawell &#8211; das quais conhecia apenas &#8220;algumas coisas que circulavam pela internet, aquela grava\u00e7\u00e3o do Hino Nacional sendo cantado em Pisa, algumas m\u00fasicas&#8221;.<\/p>\n<p>Mas disse que &#8220;est\u00e1 todo mundo curioso para ouvir isso, \u00e9 um material precios\u00edssimo&#8221;.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o na Segunda Guerra e o contexto em que ela se deu &#8220;foi uma experi\u00eancia t\u00e3o valiosa do nosso povo&#8221;, ressalta.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muita coisa interessante que ajuda a explicar o Brasil de hoje.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Experi\u00eancia e esp\u00edrito de corpo<\/h2>\n<p>De fato, \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o se surpreender com a jornada dos pracinhas e como ela se encaixa na hist\u00f3ria recente do pa\u00eds. A aproxima\u00e7\u00e3o com os EUA se consolida durante a guerra, com os acordos entre Get\u00falio Vargas e o ent\u00e3o presidente americano, Franklin D. Roosevelt.<\/p>\n<p>O Brasil permite a instala\u00e7\u00e3o de bases militares (notadamente em Natal), promete fornecer muni\u00e7\u00e3o e borracha e envia soldados para lutar contra os alem\u00e3es. Em troca, os EUA bancam a cria\u00e7\u00e3o da Companhia Sider\u00fargica Nacional com a constru\u00e7\u00e3o da usina de Volta Redonda, o &#8220;marco zero da nossa industrializa\u00e7\u00e3o&#8221;, como diz Barone.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/9F25\/production\/_100414704_encontro_familia.jpg\" alt=\"Familiares recebendo soldado\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Muitos ex-combatentes voltaram com traumas e neuroses e tiveram grande dificuldade para retomar suas vidas | Foto: 1SgtNahon-AHEx\/Ex\u00e9rcito Brasileiro<\/span><\/figure>\n<p>Al\u00e9m disso, os EUA treinaram e armaram os soldados brasileiros na Europa &#8211; ajudando, talvez involuntariamente, a criar o que muitos viram como um &#8220;monstro&#8221; indesejado no Brasil.<\/p>\n<p>Ao final da guerra, os mais de 24 mil expedicion\u00e1rios compunham uma for\u00e7a militar sem rival no pa\u00eds. Tinham experi\u00eancia de combate, armas e um invej\u00e1vel esp\u00edrito de corpo.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e0 toa, foram desmobilizados ainda na Europa. Ap\u00f3s os desfiles no Rio de Janeiro, onde foram saudados como her\u00f3is, tiveram de retornar imediatamente \u00e0s vidas que tinham antes. Francisco Ferraz explica que havia um grande receio no pa\u00eds, tanto no governo como na oposi\u00e7\u00e3o e nos quart\u00e9is, com o poss\u00edvel engajamento dos pracinhas nos eventos pol\u00edticos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Eles queriam despolitizar os pracinhas o quanto antes. A hist\u00f3ria j\u00e1 havia dado os exemplos dos soldados russos que voltaram da Primeira Guerra e acabaram apoiando os bolcheviques, e dos militares alem\u00e3es que retornaram da mesma guerra e moldaram as bases do Partido Nazista.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;A FEB teve c\u00e9lulas comunistas&#8221;, lembra Ferraz. &#8220;Vargas tinha promovido uma abertura no fim de seu governo. Ele n\u00e3o apenas libertou l\u00edderes comunistas como (Luis Carlos) Prestes, como tamb\u00e9m permitiu a legaliza\u00e7\u00e3o do Partido Comunista.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Era um clima pol\u00edtico bastante conturbado. E nos quart\u00e9is, os oficiais que haviam ficado no pa\u00eds receberam com hostilidade os que voltaram condecorados da It\u00e1lia. Eles temiam ser preteridos por oficiais da FEB. A c\u00fapula militar tamb\u00e9m n\u00e3o ajudou. Muitos ex-combatentes foram transferidos para bases distantes.&#8221;<\/p>\n<p>Outra hist\u00f3ria pouco conhecida \u00e9 a dos problemas de adapta\u00e7\u00e3o que muitos ex-combatentes sofreram. Muitos voltaram com traumas e neuroses e tiveram grande dificuldade para retomar suas vidas. O governo prestou pouca ajuda &#8211; ao contr\u00e1rio do que ocorreu nos EUA, onde houve um plano de reintegra\u00e7\u00e3o com v\u00e1rios tipos de apoio aos soldados que regressaram da guerra.<\/p>\n<p>Logo esquecidos &#8211; e, aos poucos, perdendo cada vez mais espa\u00e7o nos livros de Hist\u00f3ria do Brasil -, os pracinhas mantiveram acesa a chama do esp\u00edrito de corpo com associa\u00e7\u00f5es de veteranos. Essas foram fundamentais na luta por benef\u00edcios como uma pens\u00e3o, aprovada apenas em 1988 &#8211; 43 anos depois do retorno -, chegando tarde demais para muitos ex-combatentes.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Uma coisa \u00e9 passar anos anos estudando ou lendo sobre o assunto, outra \u00e9 realmente ouvir esses registros&#8217; | Foto: 1S<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":237073,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1175,6],"tags":[],"class_list":["post-237072","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/pracinhas.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237072","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=237072"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237072\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/237073"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=237072"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=237072"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=237072"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}