{"id":23727,"date":"2013-10-17T17:49:57","date_gmt":"2013-10-17T20:49:57","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=23727"},"modified":"2013-10-17T17:49:57","modified_gmt":"2013-10-17T20:49:57","slug":"ipea-jovem-negro-corre-37-vezes-mais-risco-de-assassinato-do-que-branco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/ipea-jovem-negro-corre-37-vezes-mais-risco-de-assassinato-do-que-branco\/","title":{"rendered":"Ipea: jovem negro corre 3,7 vezes mais risco de assassinato do que branco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-23729\" alt=\"racismo\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/racismo-300x131.jpg\" width=\"300\" height=\"131\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jorge Wamburg<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um estudo do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) sobre racismo no Brasil, nesta quinta-feira (17), revela que a possibilidade de um adolescente negro ser v\u00edtima de homic\u00eddio \u00e9 3,7 vezes maior do que a de um branco. Segundo o estudo, existe racismo institucional no pa\u00eds, expresso principalmente nas a\u00e7\u00f5es da pol\u00edcia, mas que reflete \u201co desvio comportamental presente em diversos outros grupos, inclusive aqueles de origem dos seus membros\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Intitulado Seguran\u00e7a P\u00fablica e Racismo Institucional, o estudo faz parte do<em>\u00a0Boletim de An\u00e1lise Pol\u00edtico-Institucional<\/em>\u00a0do Ipea e foi elaborado por pesquisadores da Diretoria de Estudos e Pol\u00edticas do Estado das Institui\u00e7\u00f5es e da Democracia (Diest). \u201cSer negro corresponde a [fazer parte de] uma popula\u00e7\u00e3o de risco: a cada tr\u00eas assassinatos, dois s\u00e3o de negros\u201d, afirmam os pesquisadores Almir Oliveira J\u00fanior e Ver\u00f4nica Couto de Ara\u00fajo Lima, autores do estudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na apresenta\u00e7\u00e3o do trabalho, em entrevista coletiva na sede do Ipea em Bras\u00edlia, o diretor da Diest, Daniel Cerqueira, que, do Rio, participou do evento por meio de videoconfer\u00eancia, apresentou outros dados que ratificam as conclus\u00f5es da pesquisa sobre o racismo institucional. Segundo ele, mais de 60 mil pessoas s\u00e3o assassinadas a cada ano no Brasil, e \u201ch\u00e1 um forte vi\u00e9s de cor\/ra\u00e7a nessas mortes\u201d, pois \u201co negro \u00e9 discriminado duas vezes: pela condi\u00e7\u00e3o social e pela cor da pele\u201d. Por isso, questionou Cerqueira, \u201ccomo falar em preserva\u00e7\u00e3o dos direitos fundamentais e democracia\u201d diante desta situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para comprovar as afirma\u00e7\u00f5es, Cerqueira apresentou estat\u00edstica demonstrando que as maiores v\u00edtimas de homic\u00eddios no Brasil s\u00e3o homens jovens e negros, \u201cnuma propor\u00e7\u00e3o 135% maior do que os n\u00e3o negros: enquanto a taxa de homic\u00eddios de negros \u00e9 de 36,5 por 100 mil habitantes. No caso de brancos, a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 de 15,5 por 100 mil habitantes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cor negra ou parda faz aumentar em cerca de 8 pontos percentuais a probabilidade de um indiv\u00edduo ser v\u00edtima de homic\u00eddio, indicam os dados apresentados pelo diretor do Diest. Isso tem como consequ\u00eancia, segundo Daniel Cerqueira, uma perda de expectativa de vida devido \u00e0 viol\u00eancia letal 114% maior para negros, em rela\u00e7\u00e3o aos homic\u00eddios: \u201cEnquanto o homem negro perde 1,73 ano de expectativa de vida (20 meses e meio) ao nascer, a perda do branco \u00e9 de 0,71 ano, o que equivale a oito meses e meio.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o pesquisador Almir de Oliveira J\u00fanior, como dever constitucional, o Estado deveria fornecer aos cidad\u00e3os, independentemente de sexo, idade, classe social ou ra\u00e7a, uma ampla estrutura de prote\u00e7\u00e3o contra a possibilidade de virem a se tornar v\u00edtimas de viol\u00eancia. \u201cContudo, a seguran\u00e7a p\u00fablica \u00e9 uma das esferas da a\u00e7\u00e3o estatal em que a seletividade racial se torna mais patente\u201d, disse Oliveira J\u00fanior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com as estat\u00edsticas sobre a viol\u00eancia em que o estudo se baseou, esse \u00e9 um dos fatores que explicam por que, a cada ano, \u201cuma maior propor\u00e7\u00e3o de jovens negros, cada vez mais jovens, \u00e9 assassinada\u201d, acrescentou o pesquisador. Segundo ele, enquanto nos anos 80 do s\u00e9culo passado, a m\u00e9dia de idade das v\u00edtimas era 26 anos, hoje n\u00e3o passa de 20.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) sobre racismo no Brasil, nesta quinta-feira (17), revela que a possibilidade de um adolescente negro ser v\u00edtima de homic\u00eddio \u00e9 3,7 vezes maior do que a de um branco. 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