{"id":23846,"date":"2013-10-18T09:26:22","date_gmt":"2013-10-18T12:26:22","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=23846"},"modified":"2013-10-18T09:27:44","modified_gmt":"2013-10-18T12:27:44","slug":"dom-eugenio-agente-duplo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/dom-eugenio-agente-duplo\/","title":{"rendered":"Dom Eug\u00eanio, agente duplo"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-23851\" alt=\"bispo delator\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/bispo-delator-300x199.jpg\" width=\"300\" height=\"199\" \/><\/p>\n<p>Em 1976, sob a \u00e9gide do Ato Institucional n\u00ba 5 e cercada por den\u00fancias de torturas, pris\u00f5es, desaparecimentos e mortes de presos pol\u00edticos, como a do jornalista Vladimir Herzog, a ditadura come\u00e7ava a ruir em meio \u00e0 transi\u00e7\u00e3o \u201clenta, gradual e segura\u201d anunciada pelo general Ernesto Geisel. A Igreja Cat\u00f3lica, por meio da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cobrava do governo informa\u00e7\u00f5es e esclarecimentos sobre os abusos e condenava o car\u00e1ter arbitr\u00e1rio do regime militar.<\/p>\n<p>Acuados, os generais buscavam minar o \u00edmpeto das lideran\u00e7as cat\u00f3licas dentro da pr\u00f3pria CNBB. Contaram, para isso, com uma das figuras mais influentes do clero: o cardeal e ent\u00e3o arcebispo do Rio de Janeiro, dom Eug\u00eanio Salles. \u00c9 o que revelam documentos oficiais obtidos por\u00a0<i>CartaCapital\u00a0<\/i>junto ao Arquivo Nacional em Bras\u00edlia. Em relat\u00f3rio de 14 de mar\u00e7o de 1976, o I Ex\u00e9rcito do Rio de Janeiro relata ao Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI) como o cardeal conseguiu conter os esfor\u00e7os da pr\u00f3pria CNBB de lan\u00e7ar uma campanha contra a repress\u00e3o. Ao se referir ao \u201cclero cat\u00f3lico\u201d, o documento dizia: \u201cA CNBB pretendia fazer declara\u00e7\u00f5es sobre as atuais pris\u00f5es, envolvendo elementos do PCB, no RJ\/RJ. Dom Eug\u00eanio Salles conseguiu esvaziar o movimento da CNBB. Irah a Roma ET, no seu retorno ao pa\u00eds, farah declara\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p>A evid\u00eancia fica clara em outro documento do SNI, tamb\u00e9m parte do acervo do Arquivo Nacional. A carta da CNBB, endere\u00e7ada ao general Ernesto Geisel em 24 de setembro de 1975, pedia esclarecimentos sobre o paradeiro de presos pol\u00edticos. Preocupada em obter esclarecimentos \u201calvi\u00e7areiros ou tr\u00e1gicos, mas definitivos\u201d sobre casos de militantes desaparecidos, a entidade dizia ao ent\u00e3o ditador: \u201cPermanece, no entanto, um determinado n\u00famero de desaparecimentos para os quais ainda n\u00e3o se obteve informa\u00e7\u00f5es satisfat\u00f3rias. (&#8230;) At\u00e9 esta data, no entanto, os esclarecimentos n\u00e3o foram satisfat\u00f3rios. Isto \u00e9 motivo de desespero para as fam\u00edlias dos desaparecidos e de ang\u00fastia para n\u00f3s pastores\u201d. O ent\u00e3o presidente da CNBB, Alo\u00edsio Lorscheider, termina a carta com uma s\u00faplica: \u201cGostar\u00edamos de receber melhores esclarecimentos, bem como qualquer retifica\u00e7\u00e3o, sobre imprecis\u00e3o dos dados ou fatos a\u00ed contidos\u201d.<\/p>\n<p>Diante da press\u00e3o, os militares usavam dom Eug\u00eanio \u2013 arcebispo primaz do Brasil desde 1968 \u2013 como uma esp\u00e9cie de garoto de recados, de acordo com o documento do I Ex\u00e9rcito do Rio de Janeiro ao SNI, de 1976. \u00c0 \u00e9poca da pris\u00e3o de jornalistas ligados ao PCB, como Oscar Maur\u00edcio de Lima Az\u00eado e Luiz Paulo Machado, foram coletados depoimentos de outros profissionais de imprensa, como Fichel Davit Chargel e Ancelmo Gois, por meio dos quais seriam reveladas opera\u00e7\u00f5es do PCB no Rio. Com tais informa\u00e7\u00f5es nas m\u00e3os, os militares pressionaram o fot\u00f3grafo Luiz Paulo Machado para que redigisse uma carta de rep\u00fadio ao comunismo, a fim de demonstrar arrependimento pela milit\u00e2ncia. A exist\u00eancia da carta de pr\u00f3prio punho, ressalta o documento oficial, era para ser mantida sob \u201calta compartimenta\u00e7\u00e3o\u201d (<i>sigilo<\/i>).<\/p>\n<p>Apesar da carta escrita na madrugada de 13 para 14 de mar\u00e7o, os militares queriam mais. Pediram, como relata o documento da Opera\u00e7\u00e3o Grande-Rio \u2013 que visava \u201cbuscar intimidar ou desencorajar livre manifesta\u00e7\u00e3o subversiva VG especialmente por meio de pris\u00f5es de subversivos selecionadas por suas atua\u00e7\u00f5es destacadas\u201d \u2013, que dom Eug\u00eanio conversasse com a mulher do fot\u00f3grafo, Elaine Cintra Machado, para sugerir procurar o comandante do I Ex\u00e9rcito e obter informa\u00e7\u00f5es sobre o detido. Era de extrema import\u00e2ncia, no entanto, que o arcebispo deixasse transparecer o m\u00ednimo sobre a rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima que tinha com os militares. \u201cDom Eug\u00eanio Salles, por solicita\u00e7\u00e3o do CMT do I EX, fazendo transparecer ser iniciativa sua, aconselhou a Elaine que procurasse o CMT do I EX, dando a crer, tamb\u00e9m que soh o Ex\u00e9rcito poderia cooperar com ela.\u201d<\/p>\n<p>O objetivo seria pression\u00e1-la, a fim de conseguir \u201co apoio ET a coopera\u00e7\u00e3o de Elaine\u201d, como sugere o relat\u00f3rio sobre os procedimentos a serem tomados com a militante denunciada pelo marido como \u201crespons\u00e1vel pelo movimento financeiro do PCB, no RJ\u201d. A inten\u00e7\u00e3o era \u201cdesencadear de imediato uma a\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica sobre a esposa de Luiz Paulo Machado, Elaine Cintra Machado, com base na \u201ccarta-rep\u00fadio\u201d.<\/p>\n<p>Fot\u00f3grafo que trabalhou na revista\u00a0<i>Placar<\/i>, pela qual fez a cl\u00e1ssica foto de Pel\u00e9 com uma mancha de suor em formato de cora\u00e7\u00e3o, depois da partida contra o M\u00e9xico, em 1970, no Maracan\u00e3, e no jornal\u00a0<i>O Globo<\/i>, Luiz Paulo Machado vinha sendo monitorado pelo regime, assim como dezenas de jornalistas ligados ao PCB. No fim da d\u00e9cada de 1960 e in\u00edcio dos anos 1970, estudou marxismo e leninismo em Moscou, na escola de forma\u00e7\u00e3o da Liga Leninista da Juventude, o Komsomol, onde fez amigos de milit\u00e2ncia a quem depois ofereceu ref\u00fagio na casa de seu pai, o comandante Paulo Santana Machado, no Rio.<\/p>\n<p>Machado foi solto mais tarde por falta de provas, por interven\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa (ABI) Prudente de Moraes Neto. Procurado por\u00a0<i>CartaCapital<\/i>, Machado explicou que prefere n\u00e3o falar sobre esse per\u00edodo de sua vida.<\/p>\n<p><strong>Discurso.\u00a0<\/strong>L\u00edder ecum\u00eanico metodista e coordenador do Grupo de Trabalho da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade que investiga o papel das igrejas durante a ditadura, Anivaldo Padilha reconhece que a figura de dom Eug\u00eanio \u00e9 controversa: al\u00e9m de ter atuado a mando dos militares, chegou a negar ajuda a militantes, inclusive os cat\u00f3licos. \u201cDos pronunciamentos dele, n\u00e3o me lembro de nenhum explicitamente apoiando a ditadura, mas lembro de muitos outros criticando setores de oposi\u00e7\u00e3o, especialmente a esquerda.\u201d<\/p>\n<p>Da mesma vis\u00e3o compartilha dom Ang\u00e9lico, bispo auxiliar do cardeal dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo em\u00e9rito de S\u00e3o Paulo cuja trajet\u00f3ria foi marcada pela prote\u00e7\u00e3o aos militantes e que, inclusive, mais de uma vez esteve com o ent\u00e3o ministro-chefe da Casa Civil, Golbery do Couto e Silva, para lhe entregar listas com nomes de desaparecidos. \u201cDo que conhe\u00e7o a respeito da atua\u00e7\u00e3o do cardeal dom Eug\u00eanio, a n\u00e3o ser em casos isolados, ele realmente n\u00e3o se confrontou com a ditadura\u201d, avalia.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o poucos os casos nos quais dom Eug\u00eanio foi chamado a ajudar e a fazer frente ao regime militar e n\u00e3o deu ouvidos. Um dos mais famosos \u00e9 o da estilista Zuzu Angel, cujo filho Stuart foi torturado e morto pelo Servi\u00e7o de Intelig\u00eancia da Aeron\u00e1utica. Ao procurar dom Eug\u00eanio, bateu com a cara na porta. Sua filha, a colunista social Hildegard Angel, em mais de uma ocasi\u00e3o disse que o cardeal \u201cfechou os olhos \u00e0s maldades cometidas durante a ditadura, fechando seus ouvidos e os port\u00f5es do Sumar\u00e9 aos familiares dos jovens ditos \u2018subversivos\u2019 que l\u00e1 iam levar suas s\u00faplicas, como fez com minha m\u00e3e\u201d.<\/p>\n<p>A omiss\u00e3o, o sil\u00eancio e a compra das vers\u00f5es dadas pelos militares para acobertar torturas e mortes nas pris\u00f5es por dom Eug\u00eanio acabavam sendo respaldados pela m\u00eddia, com quem o cardeal mantinha \u00f3timas rela\u00e7\u00f5es \u2013 vale lembrar que ele escrevia artigos para\u00a0<i>O Globo\u00a0<\/i>e<i>\u00a0Jornal do Brasil\u00a0<\/i>com certa regularidade.<\/p>\n<p>Em audi\u00eancia da CNV no Rio, ex-presos pol\u00edticos destacaram a postura amb\u00edgua de certos setores da Igreja durante o regime militar. Atuante no movimento social da Igreja Cat\u00f3lica, a pernambucana Maria A\u00edda Bezerra procurou o ent\u00e3o arcebispo do Rio para ajudar a amiga Let\u00edcia Cotrim, que estava detida. \u201cA conversa n\u00e3o foi boa. N\u00e3o deu certo. Ele n\u00e3o acreditava que a comunidade crist\u00e3 dele estava sendo perseguida e n\u00e3o quis intervir. Ele nos considerava subversivos e era contra crist\u00e3os de esquerda\u201d, declarou em seu depoimento na sess\u00e3o do dia 17 de setembro.<\/p>\n<p>A proximidade com a ditadura passava tamb\u00e9m por uma forte amizade com Antonio Carlos Magalh\u00e3es, governador da Bahia e pessoa de muita influ\u00eancia durante o regime. Uma amizade que chegava ao ponto de os dois serem vistos, mais de uma vez, tomando banho de mar juntos.<\/p>\n<p>O cardeal, naturalmente, tem seus defensores, que negam as acusa\u00e7\u00f5es e dizem que dom Eug\u00eanio prestou ajuda a militantes refugiados de pa\u00edses do Cone Sul. A ajuda tinha como base uma parceria com o Alto-Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Refugiados (Acnur), que fornecia a verba a ser administrada pela C\u00e1ritas. Al\u00e9m do aluguel pago aos militantes, a\u00a0Igreja Metodista oferecia no Col\u00e9gio Bennett, na zona sul do Rio, um espa\u00e7o de aulas para os filhos dos refugiados, enquanto esperavam pelo asilo pol\u00edtico. Mas o asilo a refugiados, explica o bispo em\u00e9rito da Igreja Presbiteriana, Paulo Ayres, deu-se mais por uma quest\u00e3o pol\u00edtica do que ideol\u00f3gica. \u201cEle foi procurado pelo Alto-Comissariado da ONU para que o Brasil servisse como uma passagem para eles. Esse apoio aos militantes foi institucional\u201d, lembra Ayres. \u201cN\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que dom Eug\u00eanio esteve muito mais pr\u00f3ximo do governo militar do que dos cat\u00f3licos favor\u00e1veis \u00e0 resist\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>Assessor de imprensa de dom Eug\u00eanio por mais de 40 anos, Adionel Carlos da Cunha discorda. \u201cDesconhe\u00e7o completamente qualquer a\u00e7\u00e3o do dom Eug\u00eanio nesse sentido (<i>de colabora\u00e7\u00e3o com os militares<\/i>). Pelo contr\u00e1rio, a a\u00e7\u00e3o dele foi de conseguir salvar mais de 5 mil militantes\u201d, conta.<\/p>\n<p><strong>Trajet\u00f3ria.\u00a0<\/strong>Um dos nomes cogitados para suceder ao papa Jo\u00e3o Paulo I, em 1978, o arcebispo nascido em Acari, no Rio Grande do Norte, em 8 de novembro de 1920, foi pr\u00f3ximo do Vaticano como nenhum outro cardeal brasileiro. Ao longo de seus quase 60 anos de episcopado e mais de 40 de cardinalato, nomeou 22 bispos e 215 padres. Sempre foi um ferrenho opositor \u00e0 Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para dom Ang\u00e9lico, a posi\u00e7\u00e3o de dom Eug\u00eanio era clara: \u201cN\u00e3o era uma postura d\u00fabia. Basta analisar historicamente\u201d, disse, ao lembrar que a ditadura foi constru\u00edda pelas \u201cclasses conservadoras, os grandes interesses econ\u00f4micos e o apoio da CIA\u201d. \u201cViv\u00edamos em meio \u00e0 polariza\u00e7\u00e3o indevida entre o mundo livre e o mundo comunista. E muitos na Igreja temiam essa onda comunista.<\/p>\n<p>Fonte: Carta Capital<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1976, sob a \u00e9gide do Ato Institucional n\u00ba 5 e cercada por den\u00fancias de torturas, pris\u00f5es, desaparecimentos e mortes de presos pol\u00edticos, como a do jornalista Vladimir Herzog, a ditadura come\u00e7ava a ruir em meio \u00e0 transi\u00e7\u00e3o \u201clenta, gradual e segura\u201d anunciada pelo general Ernesto Geisel. <\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":23851,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[327],"tags":[1898,7010],"class_list":["post-23846","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-multimidia","tag-bispo","tag-delator"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/bispo-delator.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23846","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23846"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23846\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23851"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23846"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23846"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23846"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}