{"id":239301,"date":"2018-04-05T06:54:28","date_gmt":"2018-04-05T09:54:28","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=239301"},"modified":"2018-04-05T06:54:28","modified_gmt":"2018-04-05T09:54:28","slug":"a-chuva-que-matou-martin-luther-king-continua-caindo-sobre-os-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-chuva-que-matou-martin-luther-king-continua-caindo-sobre-os-eua\/","title":{"rendered":"A chuva que matou Martin Luther King continua caindo sobre os EUA"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Nesta quarta-feira faz 50 anos que o l\u00edder negro foi assassinado em um hotel de Memphis. Ele se preparava para jantar quando saiu na sacada e foi atingido pelo disparo de um rifle Remington-Peters<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Jan Mart\u00ednez Ahrens\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/jan_martinez_ahrens\/a\/\">JAN MART\u00cdNEZ AHRENS<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/04\/03\/internacional\/1522748570_422069_1522847230_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/04\/03\/internacional\/1522748570_422069_1522847230_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/04\/03\/internacional\/1522748570_422069_1522847230_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/04\/03\/internacional\/1522748570_422069_1522847230_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Ralph Abernathy, Martin Luther King, Jesse Jackson e Hosea Williams (da direita para a esquerda) no terra\u00e7o do hotel Lorraine, em Memphis, na v\u00e9spera do assassinato\" width=\"980\" height=\"549\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Ralph Abernathy, Martin Luther King, Jesse Jackson e Hosea Williams (da direita para a esquerda) no terra\u00e7o do hotel Lorraine, em Memphis, na v\u00e9spera do assassinato<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">AP<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p>H\u00e1 quem pense que\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/martin_luther_king\/a\">Martin Luther King<\/a>\u00a0morreu em 4 de abril de 1968 por causa de um tiro no pesco\u00e7o. Mas \u00e9 mais exato dizer que foi a chuva que o matou. Essa \u00e1gua tenaz que \u00e0s vezes cai em Memphis (Tennessee) e que esteve na origem da greve de lixeiros negros que o reverendo havia decidido apoiar. O conflito era mais um caso da divis\u00e3o racial que assolava os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/estados_unidos\/a\">Estados Unidos<\/a>. Nos dias de tempestade, a coleta de lixo era suspensa na cidade. Algo banal, n\u00e3o fosse o fato de que os trabalhadores brancos ganhavam pelas horas sem trabalho, mas os negros ficavam sem pagamento.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CLLy9LfuotoCFVAghwodfJ0GQQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>A flagrante discrimina\u00e7\u00e3o havia desencadeado uma onda de protestos, e um jovem afro-americano j\u00e1 tinha sido assassinado. King, temendo um banho de sangue, foi defender os seus. Como tantas outras vezes, ficaria \u00e0 frente da manifesta\u00e7\u00e3o e desafiaria seus advers\u00e1rios com a desobedi\u00eancia civil. Preparando-se para essa jornada, hospedou-se no pequeno Motel Lorraine. Primeiro andar, quarto 306. Tranquilo, preparava-se para jantar com um grupo de amigos quando, ao sair na sacada do quarto, teve o pesco\u00e7o atravessado pelo disparo de um rifle Remington-Peters. Eram 18h01 pela hora local, e a humanidade acabava de perder um homem justo.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|apoyos\" class=\"sumario_apoyos derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<div class=\"apoyos\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Quando morreu, King j\u00e1 era eterno. Tinha pronunciado 2.500 discursos, ganhado o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/premios_nobel\/a\">Pr\u00eamio Nobel<\/a>\u00a0da Paz, inflamado a alma de milh\u00f5es de norte-americanos e denunciado em grandes pe\u00e7as de orat\u00f3ria a injusti\u00e7a de um s\u00e9culo injusto. Ele mesmo, as 39 anos, intu\u00eda que n\u00e3o tinha lugar neste mundo. Na noite anterior, em seu \u00faltimo serm\u00e3o, o reverendo havia conferido um tom prof\u00e9tico \u00e0s suas palavras. Citando o\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Deuteron%C3%B4mio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Deuteron\u00f4mio<\/a>, falou da proximidade de seu fim e da possibilidade de morrer nas m\u00e3os de um \u201cirm\u00e3o branco doente\u201d.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sei o que ocorrer\u00e1 agora. Temos dias dif\u00edceis \u00e0 nossa frente [\u2026]. Como todo mundo, eu gostaria de ter uma vida longa [\u2026]. Mas isso agora n\u00e3o me preocupa. S\u00f3 quero cumprir a vontade de Deus. E ele me permitiu subir ao topo da montanha. E de l\u00e1 vi a terra prometida. Pode ser que n\u00e3o chegue a ela com voc\u00eas. Mas quero que esta noite saibam que n\u00f3s, como povo, alcan\u00e7aremos a terra prometida. E estou feliz por isso. Nada me preocupa. N\u00e3o temo nenhum homem\u2026\u201d, clamou King no Templo Oper\u00e1rio de Memphis.<\/p>\n<p>Quem falava assim era muito mais que um pregador. Em seus dias finais, Martin Luther King n\u00e3o representava s\u00f3 a ascens\u00e3o de uma consci\u00eancia racial. Seu desafio ia al\u00e9m das manifesta\u00e7\u00f5es; sua estrat\u00e9gia superava o advers\u00e1rio pelos flancos. Em Memphis, havia convocado um boicote contra a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/coca_cola\/a\">Coca-Cola<\/a>\u00a0e os principais fabricantes de p\u00e3o e leite; tamb\u00e9m tinha pedido \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que retirasse seu dinheiro de todos os grandes bancos (exceto o Tri-State Bank). \u201cSua luta n\u00e3o era s\u00f3 pelos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/derechos_civiles\/a\">direitos civis<\/a>, mas sim pelos direitos humanos. Defendia princ\u00edpios fundamentais e queria materializ\u00e1-los\u201d, observa Clayborne Carson, professor da Universidade de Stanford e diretor do Instituto de Pesquisa e Educa\u00e7\u00e3o Martin Luther King.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><a class=\"enlace\" href=\"https:\/\/elpais.com\/elpais\/2018\/04\/03\/album\/1522764332_157446.html\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/04\/03\/actualidad\/1522748570_422069_1522750421_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/04\/03\/actualidad\/1522748570_422069_1522750421_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/04\/03\/actualidad\/1522748570_422069_1522750421_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/04\/03\/actualidad\/1522748570_422069_1522750421_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Martin Luther King e manifestantes na cidade de Selma (Alabama) o 10 de mar\u00e7o de 1965.\" width=\"980\" height=\"827\" \/><span class=\"boton_fotogaleria\">ver fotogaler\u00eda<\/span><\/a><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Martin Luther King e manifestantes na cidade de Selma (Alabama) o 10 de mar\u00e7o de 1965.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">AP<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>A for\u00e7a que mobilizava em cada golpe fazia dele um inimigo tem\u00edvel. E sua orienta\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, embora vista como excessivamente conciliadora pelos mais radicais, multiplicava os temores do Estado profundo. Seu recha\u00e7o \u00e0 Guerra do Vietn\u00e3 havia atra\u00eddo o \u00f3dio dos militares; seu combate contra a desigualdade fizera dele um alvo priorit\u00e1rio do diretor do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/fbi_oficina_federal_investigacion\/a\">FBI<\/a>, John Edgar Hoover, e dos seus inquisidores. Era espionado,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/11\/04\/internacional\/1509764588_682722.html\">enxovalhado com relat\u00f3rios falsos<\/a>, entre eles sobre supostas orgias, e seus inimigos procuravam embaixo dos tapetes qualquer pretexto que lhes permitissem acus\u00e1-lo de comunista.<\/p>\n<p>\u201cKing era visto como um revolucion\u00e1rio, porque reivindicava uma renda anual garantida para todos os norte-americanos e um trabalho pago com recursos p\u00fablicos para quem quisesse. Era, al\u00e9m disso, um cr\u00edtico contumaz do imperialismo norte-americano e propugnava uma reconstru\u00e7\u00e3o radical da sociedade. Mas tamb\u00e9m era um patriota, criticava o seu pa\u00eds porque o amava\u201d, argumenta o historiador Jason Sokol, autor do rec\u00e9m-lan\u00e7ado\u00a0<em>The Heavens Might Crack: The Death and Legacy of Martin Luther King Jr.<\/em>\u00a0(\u201cO c\u00e9u pode rachar: a morte e o legado de MLK\u201d, in\u00e9dito no Brasil). Sob essa press\u00e3o, cresceu o medo de um atentado. O reverendo, como demonstra seu \u00faltimo discurso, tinha consci\u00eancia da amea\u00e7a. Todos sabiam que corria perigo, e ningu\u00e9m fez nada para proteg\u00ea-lo. Talvez essa seja a chave da sua morte, mais do que qualquer teoria conspirat\u00f3ria.<\/p>\n<p>A senten\u00e7a e as revis\u00f5es oficiais posteriores sustentam que o assassino foi James Earl Ray. Foragido da Justi\u00e7a, briguento e beberr\u00e3o, havia encadeado uma vida de agress\u00f5es leves. Esse exemplar do chamado\u00a0<em>white trash<\/em>\u00a0(lixo branco) apertou o gatilho e disparou sua carga de \u00f3dio racial com uma precis\u00e3o que ainda assusta. Partindo de um banheiro situado em frente \u00e0 sacada do Motel Lorraine, a bala impactou a mand\u00edbula direita de Martin Luther King, atravessou sua medula espinhal e ficou alojada para sempre nas v\u00edsceras da Am\u00e9rica. \u201cCom King, aprendemos que as grandes mudan\u00e7as s\u00e3o disruptivas. Foi capaz de paralisar cidades inteiras e se manter firme at\u00e9 conseguir que se fizesse justi\u00e7a\u201d, recorda o historiador Sokol.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o crime, Ray, de 40 anos, fugiu do pa\u00eds e s\u00f3 seria detido em 8 de junho, no aeroporto londrino de Heathrow. De volta aos EUA, declarou-se culpado (o que lhe poupou da pena de morte) e, uma vez sentenciado \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua, se desdisse e defendeu uma teoria conspirat\u00f3ria na qual ele aparecia como mero bode expiat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Embora as d\u00favidas tenham persistido para sempre, as comiss\u00f5es que revisaram o caso confirmaram que Ray foi o \u00fanico assassino. \u201cEssa \u00e9 a resposta l\u00f3gica. Mas a verdadeira pergunta \u00e9 por que quem sabia que ele estava amea\u00e7ado n\u00e3o o protegeu. O que o FBI, a intelig\u00eancia militar e a pol\u00edcia local fizeram? A esta altura n\u00e3o h\u00e1 resposta, e a teoria conspirat\u00f3ria, como no assassinato do presidente John F. Kennedy, durar\u00e1 para sempre. \u00c9 mais f\u00e1cil introduzir a d\u00favida do que elimin\u00e1-la\u201d, argumenta o professor Carson.<\/p>\n<p>Com King morto, os Estados Unidos sofreram uma de maiores convuls\u00f5es da sua hist\u00f3ria. Num pa\u00eds que em poucos anos tinha visto o homic\u00eddio de Kennedy e do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/malcolm_x\/a\">l\u00edder radical negro Malcolm X<\/a>, o novo crime desatou uma c\u00f3lera incontrol\u00e1vel. Nesse vendaval morreram 43 pessoas, 3.500 ficaram feridas, e 27.000 foram presas. Como arremate, dois meses depois caiu assassinado o candidato presidencial Robert Kennedy. Foi o epit\u00e1fio de uma \u00e9poca turbulenta. A d\u00e9cada em que os Estados Unidos tinham mostrado seu esplendor ao mundo e pisado na Lua terminou com a constata\u00e7\u00e3o de que o pa\u00eds n\u00e3o era capaz de se livrar das suas trevas. De que, mesmo nos dias de sol, a chuva continuava a cair.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<section id=\"sumario_3|despiece\" class=\"sumario_despiece centro\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<header class=\"sumario-encabezado\">\n<h4 class=\"sumario-titulo\"><span class=\"sin_enlace\">\u201cPRECISAMOS DE UM L\u00cdDER, TANTO FAZ SE FOR BRANCO OU NEGRO&#8221;<\/span><\/h4>\n<\/header>\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p>Passados 50 anos, o tiro que matou Martin Luther King ainda ecoa nos ouvidos da Am\u00e9rica. Sucederam-se guerras e presidentes, epidemias e prod\u00edgios, mas a quest\u00e3o racial permanece aberta. Quem nasce negro tem o dobro de risco de cair na pobreza do que um branco. E sua vida ser\u00e1, na maioria dos casos, mais dif\u00edcil. Os afro-americanos sofrem tr\u00eas vezes mais expuls\u00f5es e suspens\u00f5es escolares, sua renda familiar m\u00e9dia \u00e9 apenas metade, e, embora constituam 13% da popula\u00e7\u00e3o, respondem por 40% das deten\u00e7\u00f5es por porte ou tr\u00e1fico de drogas. A discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 flagrante e, segundo um estudo do Pew Research Center, 61% da popula\u00e7\u00e3o (88% no caso dos negros, 55% no dos brancos) admite que a igualdade ainda n\u00e3o foi alcan\u00e7ada.<\/p>\n<p>Nesse caminho imperfeito, nem sequer a elei\u00e7\u00e3o de um presidente negro foi suficiente. Barack Obama representou a culmina\u00e7\u00e3o de um sonho, mas n\u00e3o o fim da hist\u00f3ria. Os crimes raciais continuam, a guerra de s\u00edmbolos floresce, e Donald Trump, com sua terr\u00edvel equidist\u00e2ncia no crime de Charlottesville, mostrou-se incapaz de apagar o \u00f3dio. \u201cO poder simb\u00f3lico da presid\u00eancia de Obama e a demonstra\u00e7\u00e3o de que ser branco n\u00e3o bastava para evitar que os criados ocupassem o castelo abalou as no\u00e7\u00f5es mais enraizadas do supremacismo branco e instalou o medo entre seus defensores. E foi este medo o que deu a Donald Trump os s\u00edmbolos que o tornaram presidente\u201d, escreveu o pensador afro-americano Ta-nehisi Coates.<\/p>\n<p>Trump, segundo os especialistas, \u00e9 parte do desafio que a comunidade negra enfrenta. O republicano s\u00f3 obteve 8% do voto afro-americano, e essa fratura emerge onde quer que se pergunte. \u201cMais do que\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/racismo\/a\">racista<\/a>, Trump \u00e9 um ignorante, um sujeito de uma \u00e9poca anterior a Martin Luther King\u201d, diz Christine, uma afro-americana de 38 anos. \u00c9 uma sexta-feira g\u00e9lida do final de mar\u00e7o. E Christine, secret\u00e1ria e m\u00e3e de uma crian\u00e7a de 7 anos, veio visitar o monumento a King em Washington. N\u00e3o est\u00e1 sozinha. O vento \u00e9 cortante, mas o local est\u00e1 lotado. Brancos e negros. \u201cOlhe, os abusos s\u00e3o constantes, e nos faltam l\u00edderes. Para mim tanto faz a ra\u00e7a que tenham, mas precisamos de algu\u00e9m com estatura suficiente para p\u00f4r fim \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Lia, de 23 anos, enquanto tira fotos da est\u00e1tua. Trata-se de um bloco de granito branco do qual emerge um Martin Luther King de olhar desafiador e bra\u00e7os cruzados. Como sempre, preparado para a luta.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<section id=\"articulo-tags\" class=\"articulo-tags\">\n<header class=\"articulo-tags-encabezado \"><\/header>\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesse caminho imperfeito, nem sequer a elei\u00e7\u00e3o de um presidente negro foi suficiente. Barack Obama representou a culmina\u00e7\u00e3o de um sonho, mas n\u00e3o o fim da hist\u00f3ria. Os crimes raciais continuam, a guerra de s\u00edmbolos floresce, e Donald Trump, com sua terr\u00edvel equidist\u00e2ncia no crime de C<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":239302,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-239301","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/martin-e-amigos.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/239301","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=239301"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/239301\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/239302"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=239301"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=239301"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=239301"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}