{"id":2394,"date":"2013-07-18T18:35:19","date_gmt":"2013-07-18T21:35:19","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=2394"},"modified":"2013-07-18T18:35:19","modified_gmt":"2013-07-18T21:35:19","slug":"levantamento-mostra-que-um-em-cada-cinco-adolescentes-interrompe-tratamento-da-aids","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/levantamento-mostra-que-um-em-cada-cinco-adolescentes-interrompe-tratamento-da-aids\/","title":{"rendered":"Levantamento mostra que um em cada cinco adolescentes interrompe tratamento da aids"},"content":{"rendered":"<p>Um levantamento feito pelo Instituto de Infectologia Em\u00edlio Ribas, refer\u00eancia no tratamento de HIV\/aids, mostrou que um em cada cinco dos adolescentes com aids acompanhados pelo hospital abandonou o tratamento no ano passado. Foram avaliados 581 adolescentes, de 12 a 17 anos, dos quais 131 est\u00e3o h\u00e1 pelo menos seis meses sem ir ao m\u00e9dico ou sem voltar ao consult\u00f3rio para nova avalia\u00e7\u00e3o. Dos jovens avaliados, 71 s\u00e3o do sexo masculino e 60, do feminino. A maioria foi infectada pela m\u00e3e durante o parto (transmiss\u00e3o vertical).<\/p>\n<p>De acordo com o infectologista Jean Gorinchteyn, do Em\u00edlio Ribas, durante o per\u00edodo de observa\u00e7\u00e3o, os jovens em tratamento deveriam ter comparecido a pelo menos duas consultas, nas quais sua sa\u00fade seria avaliada e o receitu\u00e1rio fornecido, para que os medicamentos fossem retirados gratuitamente na pr\u00f3pria farm\u00e1cia do instituto.<\/p>\n<p>\u201cAs avalia\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas devem ser feitas a cada tr\u00eas meses. Se ele n\u00e3o vem para a consulta, n\u00e3o recebe a receita e n\u00e3o retira o rem\u00e9dio&gt; Portanto, est\u00e1 interrompendo o tratamento. Normalmente, s\u00e3o administradas de tr\u00eas a cinco drogas antirretrovirais, algumas combinadas, mas este n\u00famero pode ser reduzido a um comprimido s\u00f3, favorecendo muito a ades\u00e3o\u201d, explicou o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Gorinchteyn ressaltou que, uma vez iniciado o tratamento, ele jamais pode ser interrompido, e os hor\u00e1rios t\u00eam de ser seguidos com rigor. Segundo ele, a interrup\u00e7\u00e3o do tratamento pode tornar o v\u00edrus resistente \u00e0 medica\u00e7\u00e3o, ou seja, &#8220;o v\u00edrus deixa de ser sens\u00edvel ao rem\u00e9dio e o organismo n\u00e3o responde ao tratamento\u201d.<\/p>\n<p>O infectologista informou que o Em\u00edlio Ribas tem uma estrat\u00e9gia para buscar os pacientes, caso deixem de comparecer aos retornos m\u00e9dicos. A convoca\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre direta, por telefone ou por telegrama. \u00c9 preciso avaliar que, apesar de serem menores de idade, que teoricamente teriam um adulto respons\u00e1vel por eles, a maioria desses adolescentes contraiu o HIV por transmiss\u00e3o vertical, na gesta\u00e7\u00e3o da m\u00e3e contaminada.<\/p>\n<p>\u201cIsso quer dizer que muitas das m\u00e3es est\u00e3o doentes, ou j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o mais vivas para cuidar dessas crian\u00e7as. S\u00e3o jovens que podem estar sob cuidados de tutores ou respons\u00e1veis que, eventualmente, desconhecem o n\u00e3o comparecimento deles ao ambulat\u00f3rio. Muitas vezes, quando esses respons\u00e1veis foram questionados disseram acreditar que as crian\u00e7as iam \u00e0s consultas.\u201d<\/p>\n<p>Para Gorinchteyn, a interrup\u00e7\u00e3o do tratamento pode ocorrer pelo fato de jovens dessa faixa et\u00e1ria terem dificuldade para encarar uma doen\u00e7a que precisa de acompanhamento constante e que j\u00e1 \u00e9 tratada desde o nascimento. \u201cEles tamb\u00e9m recebem uma carga de preconceito, por estarem contaminados, mas sem ter a real culpa por isso. Assim, cria-se a dificuldade de aceita\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a e das dificuldades de inser\u00e7\u00e3o social\u201d, ressaltou o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Assim, os jovens acabam abandonando o tratamento, como se isso pudesse negar a exist\u00eancia da aids, lamentou o m\u00e9dico. No entanto, disse ele, identificar esse tipo de abandono do jovem pelo cuidador n\u00e3o quer dizer exatamente que tenha havido neglig\u00eancia, mas que existe dificuldade do jovem com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a e \u00e0 necessidade de um tratamento regular, com regras e restri\u00e7\u00f5es, o que pode ser dif\u00edcil para uma pessoa dessa faixa et\u00e1ria. Gorinchteyn destacou que nenhuma consulta \u00e9 feita sem a presen\u00e7a de um maior de idade.<\/p>\n<p>\u201cO que queremos saber agora \u00e9 quanto dessa n\u00e3o ades\u00e3o deve-se \u00e0 falta de responsabilidade do tutor e quanto se deve \u00e0 falta de disponibilidade do pr\u00f3prio paciente. Temos de ter essa parceria muito mais clara com o respons\u00e1vel, que n\u00e3o pode se submeter ao desejo do paciente, que, muitas vezes, encontra desculpas para n\u00e3o comparecer \u00e0s consultas&#8221;, acrescentou o m\u00e9dico. Para ele, \u00e9 preciso &#8220;afinar o comportamento do cuidador&#8221; quanto a essa press\u00e3o do paciente.<\/p>\n<p>De acordo com o infectologista destacou que \u00e9 preciso acolher psicologicamente essas crian\u00e7as e adolescentes e n\u00e3o se deixar levar pelas desculpas da crian\u00e7a e levar em conta que sendo tutor \u00e9 preciso assumir a responsabilidade do tratamento do menor de idade. Gorinchteyn chamou a aten\u00e7\u00e3o ainda para o fato de que uma vez que o jovem n\u00e3o tem a preocupa\u00e7\u00e3o em fazer o tratamento corretamente nada garante que ele v\u00e1 ter rela\u00e7\u00f5es sexuais com prote\u00e7\u00e3o, podendo ent\u00e3o transmitir o v\u00edrus. (Ag\u00eancia Brasil)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> Um levantamento feito pelo Instituto de Infectologia Em\u00edlio Ribas, refer\u00eancia no tratamento de HIV\/aids, mostrou que um em cada cinco dos adolescentes com aids acompanhados pelo hospital abandonou o tratamento no ano passado. Foram avaliados 581 adolescentes, de 12 a 17 anos, dos quais 131 est\u00e3o h\u00e1 pelo menos seis meses sem ir ao m\u00e9dico ou sem voltar ao consult\u00f3rio para nova avalia\u00e7\u00e3o. Dos jovens avaliados, 71 s\u00e3o do sexo masculino e 60, do feminino. 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