{"id":239649,"date":"2018-04-08T12:30:35","date_gmt":"2018-04-08T15:30:35","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=239649"},"modified":"2018-04-08T12:30:35","modified_gmt":"2018-04-08T15:30:35","slug":"maconha-uma-boa-oportunidade-de-negocios-vira-fumaca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/maconha-uma-boa-oportunidade-de-negocios-vira-fumaca\/","title":{"rendered":"Maconha: uma boa oportunidade de neg\u00f3cios vira fuma\u00e7a"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"titulo-materia\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<p class=\"mg_sutia\" style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Produ\u00e7\u00e3o de medicamentos derivados da maconha avan\u00e7a pelo mundo. Menos no Brasil<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"bordaimg imgnoticia\" title=\"Al\u00e9m de lucrativa uma ind\u00fastria nacional de medicamentos a base de maconha daria melhor qualidade de vida a pacientes \/ Divulga\u00e7\u00e3o \/Pixabay\" src=\"http:\/\/jconlineimagem.ne10.uol.com.br\/imagem\/noticia\/2018\/04\/08\/normal\/aa3181a7d17f28dc4c86868c15b25ff3.jpg\" alt=\"Al\u00e9m de lucrativa uma ind\u00fastria nacional de medicamentos a base de maconha daria melhor qualidade de vida a pacientes \/ Divulga\u00e7\u00e3o \/Pixabay\" \/><\/p>\n<div class=\"legenda-foto\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de lucrativa uma ind\u00fastria nacional de medicamentos a base de maconha daria melhor qualidade de vida a pacientes<\/div>\n<div class=\"credito-foto\" style=\"text-align: justify;\">Divulga\u00e7\u00e3o \/Pixabay<\/div>\n<div class=\"campo-subassinatura\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"nome-subassinatura\">Edilson Vieira<\/span><br \/>\n<span class=\"nome-subassinatura\">Rep\u00f3rter de Economia<\/span><\/div>\n<div id=\"noticia_corpodanoticia\" class=\"t13 manipularFonte\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Uma boa oportunidade de neg\u00f3cio est\u00e1 virando fuma\u00e7a em Pernambuco. A produ\u00e7\u00e3o de medicamentos a base de Cannabis sativa, nome cient\u00edfico da popular maconha, cresce em todo o mundo. Israel, Estados Unidos e Canad\u00e1 avan\u00e7am em pesquisas e na industrializa\u00e7\u00e3o. Segundo um estudo da empresa Arcview e BDS Analytcs, somente nos Estados Unidos, o mercado da \u201cmarijuana legal\u201d, como \u00e9 conhecida na Am\u00e9rica do Norte, vai movimentar US$ 40 bilh\u00f5es e gerar pelo menos 100 mil empregos at\u00e9 2021.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a Pol\u00edcia Federal erradicou no ano passado 1,8 milh\u00e3o de p\u00e9s de maconha em a\u00e7\u00f5es no sert\u00e3o da Bahia e de Pernambuco. As plantas acabaram queimadas. \u201cAcho um desperd\u00edcio. Tudo isso poderia virar material de pesquisa ou mat\u00e9ria-prima da ind\u00fastria farmac\u00eautica.\u201d A opini\u00e3o pol\u00eamica \u00e9 do PhD em Farm\u00e1cia Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Alves. O professor titular da UFPE fala com propriedade. Em 1998, quando era diretor presidente do Laborat\u00f3rio Farmac\u00eautico de Pernambuco (Lafepe), Alves teve a ideia de produzir no laborat\u00f3rio do governo de Pernambuco o medicamento Dronabinol, utilizado no tratamento dos efeitos colaterais da quimioterapia aplicada em portadores de c\u00e2ncer e para melhorar o apetite de pacientes com aids.<\/p>\n<p>A ideia era utilizar a planta Cannabis sativa apreendida pela pol\u00edcia no pol\u00edgono da maconha e dela extrair o princ\u00edpio ativo Tetrahidrocanabinol (THC) na produ\u00e7\u00e3o do rem\u00e9dio. Antonio Alves teve que pedir autoriza\u00e7\u00e3o ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, j\u00e1 que, na \u00e9poca, a maconha estava no rol das subst\u00e2ncias il\u00edcitas e banida em pesquisas. Levou um ano para que o Conselho Nacional de Entorpecentes respondesse. O projeto foi vetado.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JnLqGdUDYvs\" width=\"470\" height=\"283\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<h2>BARATO<\/h2>\n<p>Uma das justificativas do ent\u00e3o presidente do Lafepe indicava que o tratamento feito com rem\u00e9dios similares importados custava entre US$ 10 e US$ 20 por dia, enquanto a terapia com Dronabinol custaria US$ 8 por dia. \u201cCento e quarenta mil p\u00e9s adultos de maconha dariam para produzir aproximadamente 40 milh\u00f5es de c\u00e1psulas de 10 mg, considerando um teor m\u00e9dio de 1,0% de THC\u201d, diz um artigo do professor Jos\u00e9 Alves. \u201cNesses 20 anos, outros pa\u00edses evolu\u00edram enormemente nessa \u00e1rea, realizando in\u00fameras pesquisas cient\u00edficas e estimulando, inclusive, o plantio para fins comerciais. O Brasil deixou de ocupar uma posi\u00e7\u00e3o de destaque e ainda deixou in\u00fameros pacientes sem tratamento\u201d, lamenta Alves. Ele aspirava que Pernambuco se convertesse num centro de pesquisas e at\u00e9 exportador dos princ\u00edpios ativos da maconha.<\/p>\n<p>Para o consultor da \u00e1rea de sa\u00fade, e ex-diretor da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), Ivo Buscarevk, o Brasil ainda tem todo o potencial para se transformar num grande produtor e exportador de medicamento a base de maconha por reunir condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas ideais para o cultivo da planta, mas ele reconhece que o processo n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. \u201cMesmo no Canad\u00e1, onde h\u00e1 uma das legisla\u00e7\u00f5es mais avan\u00e7adas do mundo, a libera\u00e7\u00e3o para o cultivo com destina\u00e7\u00e3o industrial se deu por vias judiciais\u201d. O consultor revela que no Canad\u00e1 o mercado farmac\u00eautico de Cannabis movimentava 128 milh\u00f5es de d\u00f3lares canadenses em 2016 (cerca de R$ 330 milh\u00f5es). Em 2017 esta cifra aumentou para 1,3 bilh\u00e3o de d\u00f3lares canadenses ou, em moeda brasileira, R$ 3,4 bilh\u00f5es. \u201cAs pesquisas est\u00e3o avan\u00e7ando muito nessa \u00e1rea e todos os dias surge uma nova aplica\u00e7\u00e3o para a Cannabis medicinal. J\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel tratar dores cr\u00f4nicas, Alzheimer, e os efeitos colaterais da quimioterapia nos pacientes com c\u00e2ncer\u201d, diz Ivo. Ele admite que o mundo inteiro est\u00e1 regulamentando e acredita que o Brasil deu passos importantes neste sentido.<\/p>\n<div id=\"sc-ava-93080938\"><\/div>\n<div id=\"smartIntxt\" class=\"fixed_intext_sc_v1\">\n<\/div>\n<h2>MACONHA<\/h2>\n<p>Em 2015 a ag\u00eancia retirou o canabidiol da lista de medicamentos proibidos. Em 2016 ocorreu a libera\u00e7\u00e3o de medicamentos importados por pessoa f\u00edsica. Hoje a lista inclui 11 produtos. O primeiro medicamento importado com venda liberada nas farm\u00e1cias brasileiras chegou no ano passado. O Mevatyl, indicado para tratamento de esclerose m\u00faltipla. Custa R$ 2.800. Ainda em 2017, a ag\u00eancia de regula\u00e7\u00e3o incluiu a Cannabis sativa na lista de plantas medicinais. Isso n\u00e3o significa a libera\u00e7\u00e3o para uso ou cultivo, apenas abriu o caminho para a chegada da mat\u00e9ria-prima importada. O pr\u00f3ximo passo seria a regulamenta\u00e7\u00e3o e libera\u00e7\u00e3o do cultivo no Brasil para uso da Cannabis em pesquisas e para fins comerciais. O processo foi aberto em 2017 e inclu\u00eda at\u00e9 audi\u00eancias p\u00fablicas para discuss\u00e3o do tema. Segundo a assessoria de imprensa da Anvisa, o processo de regulamenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o progrediu e nem tem prazo para a conclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Como ainda n\u00e3o h\u00e1 regulamenta\u00e7\u00e3o, a sa\u00edda para quem precisa dos medicamentos a base de Cannabis \u00e9 recorrer \u00e0 importa\u00e7\u00e3o ou \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o caseira. No primeiro caso, o pre\u00e7o elevado dos medicamentos impossibilita o acesso ao tratamento por v\u00e1rias fam\u00edlias. A solu\u00e7\u00e3o ent\u00e3o \u00e9 a manipula\u00e7\u00e3o caseira que, mesmo assim, \u00e9 dif\u00edcil porque o cultivo da planta \u00e9 proibido no Brasil. O ex-estudante de Direito, Cassiano Texeira, n\u00e3o se conformava com essas limita\u00e7\u00f5es. Para ajudar um irm\u00e3o que sofre de epilepsia, h\u00e1 quatro anos ele resolveu fabricar em casa o extrato de Canabidiol. A maconha ele conseguiu, \u00e0 \u00e9poca, ilegalmente. \u201cO resultado foi t\u00e3o bom que decidi fazer tudo de forma legal e assim poder ajudar outras pessoas\u201d, diz Cassiano. Hoje ele \u00e9 um dos diretores da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Apoio Cannabis Esperan\u00e7a (Abrace), com sede em Jo\u00e3o Pessoa, na Para\u00edba. A institui\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u00fanica do Pa\u00eds com autoriza\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a para cultivar a maconha com fins terap\u00eauticos. \u201cPrimeiro procurei a Anvisa, que negou o meu pedido de autoriza\u00e7\u00e3o para produ\u00e7\u00e3o da maconha medicinal. Ent\u00e3o, recorri \u00e0 Justi\u00e7a\u201d, diz Cassiano.<\/p>\n<p>Em maio do ano passado, a Justi\u00e7a Federal da Para\u00edba autorizou, atrav\u00e9s de liminar, o cultivo e a manipula\u00e7\u00e3o da maconha para fins medicinais inicialmente para 151 pacientes de epilepsia apontados pela associa\u00e7\u00e3o. Uma segunda liminar, expedida no final do ano passado, liberou a fabrica\u00e7\u00e3o artesanal feita pela associa\u00e7\u00e3o para qualquer n\u00famero de pacientes. \u201cCome\u00e7amos atendendo 150 pessoas. Hoje, j\u00e1 s\u00e3o mais de 800 de todo o Brasil, e a procura n\u00e3o para de crescer. S\u00e3o 100 novos pedidos em m\u00e9dia todo o m\u00eas\u201d, diz Cassiano, que vai abrir esta semana uma filial da Abrace em Campina Grande, agreste paraibano, e outra no pr\u00f3ximo m\u00eas em S\u00e3o Lu\u00eds, no Maranh\u00e3o. A associa\u00e7\u00e3o produz o extrato de CBD e THC utilizado principalmente no controle da epilepsia. O frasco de 60 ml custa entre R$ 150 e R$ 200 e \u00e9 suficiente para um tratamento de cerca de dois meses. O medicamento s\u00f3 \u00e9 disponibilizado para quem apresenta receita m\u00e9dica. Cassiano espera, no futuro, fornecer o extrato da maconha para a rede de sa\u00fade p\u00fablica atrav\u00e9s do SUS.<\/p>\n<p>Para a diretora da Associa\u00e7\u00e3o de Apoio \u00e0 Pesquisa a Pacientes da Cannabis Medicinal (Apapi), a advogada Margarete Brito, a grande procura pelos medicamentos feitos na Para\u00edba s\u00f3 demonstra a necessidade urgente de regulamenta\u00e7\u00e3o de todas as etapas de produ\u00e7\u00e3o. \u201cCerca de 1% a 2% da popula\u00e7\u00e3o brasileira sofre de algum tipo de epilepsia. Estamos falando de milh\u00f5es de pessoas que poderiam ter uma qualidade de vida melhor se tivessem acesso a tratamentos a base de Cannabis medicinal, que j\u00e1 se comprovou ser eficiente\u201d. Margarete diz que n\u00e3o \u00e9 contr\u00e1ria \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o do medicamento de forma artesanal, mas o melhor mesmo seria a industrializa\u00e7\u00e3o nacional porque garantiria a qualidade do produto.<\/p>\n<p>Margarete Brito diz que a regulamenta\u00e7\u00e3o poderia se dar inclusive por via legislativa, mas ela acredita que o desconhecimento e o preconceito ainda s\u00e3o entraves. \u201cO uso da maconha ainda \u00e9 um tabu no Brasil. Muita gente acredita que estamos querendo liberar o uso recreativo, mas isso \u00e9 uma outra discuss\u00e3o. Quando falamos de Cannabis medicinal estamos falando de sa\u00fade p\u00fablica e de vidas\u201d, afirma Margarete. No m\u00eas que vem, a Apapi vai promover junto com a Fiocruz, no Rio de Janeiro, um semin\u00e1rio internacional para discutir o uso terap\u00eautico da Cannabis, as formas de acesso, resultados de pesquisas, regulamenta\u00e7\u00e3o e seu uso na sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Produ\u00e7\u00e3o de medicamentos derivados da maconha avan\u00e7a pelo mundo. 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