{"id":240791,"date":"2018-04-19T06:27:05","date_gmt":"2018-04-19T09:27:05","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=240791"},"modified":"2018-04-19T06:27:05","modified_gmt":"2018-04-19T09:27:05","slug":"indios-mostram-que-saude-vai-alem-de-curar-doencas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/indios-mostram-que-saude-vai-alem-de-curar-doencas\/","title":{"rendered":"\u00cdndios mostram que sa\u00fade vai al\u00e9m de curar doen\u00e7as"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Retorno do povo Panar\u00e1 \u00e0 terra original ap\u00f3s d\u00e9cadas resgatou h\u00e1bitos e felicidade, al\u00e9m de trazer beb\u00eas<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Mariana Della Barba \/ Maria Fernanda Ribeiro\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/el_pais\/a\/\">MARIANA DELLA BARBA \/ MARIA FERNANDA RIBEIRO<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/04\/19\/politica\/1524090359_469613_1524090488_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/04\/19\/politica\/1524090359_469613_1524090488_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/04\/19\/politica\/1524090359_469613_1524090488_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/04\/19\/politica\/1524090359_469613_1524090488_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"\u00c1rea das casas na aldeia N\u00e3sepotiti est\u00e1 sempre tomada de crian\u00e7as de todas as idades.rn \" width=\"980\" height=\"600\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">\u00c1rea das casas na aldeia N\u00e3sepotiti est\u00e1 sempre tomada de crian\u00e7as de todas as idades.\u00a0<\/span><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">MARIA FERNANDA RIBEIRO<\/span>\u00a0<span class=\"foto-agencia\">BELIEVE.EARTH<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<section id=\"sumario_1|apoyos\" class=\"sumario_apoyos derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<header class=\"sumario-encabezado\">\n<h3 class=\"sumario-titulo\"><\/h3>\n<\/header>\n<div class=\"sumario-texto\">\n<div class=\"apoyos\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p class=\"normal\">Sentar no fim da tarde em um banco numa aldeia dos \u00edndios Panar\u00e1 \u00e9 ver um grupo animado de meninos de 7 ou 8 anos anos afiando uma lan\u00e7a ou pegando pedrinha para o estilingue. \u00c9 se divertir com as meninas que param o futebol com bola de t\u00eanis e v\u00eam conversar e rir com as jornalistas mesmo sem saber portugu\u00eas. \u00c9 se impressionar com os menores, de 5 ou 6 anos, que pulam corda at\u00e9 com beb\u00eas no colo e n\u00e3o perdem nem o f\u00f4lego nem a destreza. As crian\u00e7as de N\u00e3sepotiti parecem nunca ficar entediadas.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CPbM0JqCxtoCFQUphwodh28BYg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/politica\/intext_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"normal\">Dif\u00edcil imaginar como seria o cotidiano e, especialmente, o humor e o \u00e2nimo delas se vivessem fora da Terra Ind\u00edgena Panar\u00e1, que fica em um trecho da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/amazonia\/a\">Amaz\u00f4nia<\/a>\u00a0entre o Mato Grosso e o Par\u00e1. Para os av\u00f3s dessas crian\u00e7as, a resposta vem de imediato: elas n\u00e3o seriam t\u00e3o alegres, fortes e saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o vem da hist\u00f3ria de vida desses anci\u00e3os, especialmente dos cerca de 20 anos que viveram no Parque Ind\u00edgena do Xingu (MT). \u201cL\u00e1 n\u00e3o era como aqui. A terra era fraca, tinha pouca fruta. N\u00e3o nascia beb\u00ea como aqui\u201d, conta a parteira Kreenpy (l\u00ea-se Kreemp\u00e3), que n\u00e3o sabe sua idade, assim como boa parte dos Panar\u00e1 idosos. \u201cNo Xingu, nossas crian\u00e7as eram magras\u201d, diz outro anci\u00e3o, Seiak\u00e3, enquanto tran\u00e7a um cesto. \u201cEra triste. Aqui, \u00e9 bem alegre.\u201d<\/p>\n<p class=\"normal\">Ap\u00f3s quase serem dizimados (passando de 400 para 70 integrantes) por doen\u00e7as e males como gripe e diarreia (<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/04\/18\/politica\/1524085918_162450.html\">leia mais aqui<\/a>), eles foram levados ao Xingu, parque ind\u00edgena idealizado pelos irm\u00e3os Villas B\u00f4as. \u00c0 primeira vista, os Panar\u00e1 estavam bem e saud\u00e1veis no Xingu. Mas um olhar mais apurado mostrou que sa\u00fade vai al\u00e9m da aus\u00eancia de doen\u00e7as, afirma o m\u00e9dico sanitarista Douglas Rodrigues, coordenador do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.projetoxingu.unifesp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Projeto Xingu<\/a>\u00a0e que acompanha as condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade dos Panar\u00e1 e de outras etnias h\u00e1 mais de quatro d\u00e9cadas.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html centro\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/l2eJQupGKnk\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p class=\"normal\">\u201cDesde que chegaram ao Xingu, eu conversava com eles e ouvia a mesma coisa: &#8216;Aqui \u00e9 ruim, aqui n\u00e3o tem castanha&#8230;&#8217; Eu n\u00e3o entendia muito bem e temia que voltassem a pegar mal\u00e1ria e tuberculose\u201d, conta o m\u00e9dico, na sede do projeto, na zona sul de S\u00e3o Paulo, em uma sala com arte ind\u00edgena e mem\u00f3rias registradas em aldeias Brasil afora. \u201cNo minuto em que eu pisei em N\u00e3sepotiti, compreendi tudo. Para eles, n\u00e3o tem sa\u00fade sem territ\u00f3rio. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 curar doen\u00e7a\u00a0\u2014 \u00e9 viver bem. Envolve a fam\u00edlia, as rela\u00e7\u00f5es, os rituais, a terra.\u201d Para provar que estavam certos em voltar, os Panar\u00e1 n\u00e3o paravam de levar comida a Douglas. \u201cUm chegava e falava: &#8216;J\u00e1 tinha comido batata-doce no Xingu? L\u00e1 n\u00e3o tinha!&#8217;. Logo vinha outro me dando a\u00e7a\u00ed.\u201d<\/p>\n<h3 class=\"normal\"><strong>O viver bem dos Panar\u00e1<br \/>\n<\/strong><\/h3>\n<p class=\"normal\">Na terra original, os Panar\u00e1 habitavam uma \u00e1rea vasta. No Xingu, eles n\u00e3o podiam sair do limite do parque nem conseguiam colher os frutos e as castanhas com os quais estavam habituados. Tamb\u00e9m n\u00e3o dava para ca\u00e7ar e pescar como haviam aprendido. \u201cOs Panar\u00e1 n\u00e3o sabiam pescar com anz\u00f3is e linha e desconheciam a constru\u00e7\u00e3o e o manejo de canoas\u201d, explica Douglas em sua tese de doutorado \u201cSa\u00fade e doen\u00e7a entre os Panar\u00e1, Povo Ind\u00edgena Amaz\u00f4nico de contato recente, 1975-2007\u201d.<\/p>\n<p class=\"normal\">Longe da mata em que seus ancestrais cresceram, eles tamb\u00e9m perderam os rem\u00e9dios da floresta. E passaram anos sem paj\u00e9s, j\u00e1 que os anci\u00e3os haviam sido mortos ou eram desvalorizados na tribo, por alguns os culparem pelos \u201cfeiti\u00e7os\u201d que quase os dizimou. \u201cFicar sem paj\u00e9 \u00e9 ruim porque isso os deixa \u00e0 merc\u00ea da medicina dos brancos, que muitas vezes n\u00e3o \u00e9 o ideal para eles\u201d, diz Douglas. \u201cNo Xingu, os Panar\u00e1 tinham de recorrer a paj\u00e9s de uma etnia diferente\u00a0\u2014 outro cen\u00e1rio longe de ser adequado.\u201d<\/p>\n<h3 class=\"normal\"><strong>Sabedoria ancestral\u00a0<\/strong><\/h3>\n<p class=\"normal\">O retorno \u00e0 terra resgatou a autonomia do povo e os levou de volta \u00e0s suas tradi\u00e7\u00f5es. Os anci\u00e3os fazem coro para reafirmar que \u00e9 da terra boa para plantar, dos rios ricos em peixes e da mata abundante para a ca\u00e7a que vem a sa\u00fade dos Panar\u00e1. E a fertilidade. A comunidade que retornou com 178 ind\u00edgenas tem, duas d\u00e9cadas depois, mais de 600 pessoas. O n\u00famero impressiona, j\u00e1 que o \u00edndice de mortalidade infantil ind\u00edgena, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), \u00e9 mais que o dobro do que entre os n\u00e3o-ind\u00edgenas. De acordo com o Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi), a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/mortalidad_infantil\/a\">mortalidade infantil<\/a>\u00a0ind\u00edgena cresceu mais de 20% no pa\u00eds de 2015 para 2016.<\/p>\n<p class=\"normal\">N\u00e3sepotiti tem um posto de sa\u00fade com rem\u00e9dios e m\u00e9dico e enfermeira ou t\u00e9cnico de enfermagem, que podem chamar resgate a\u00e9reo em casos graves. Mas a f\u00f3rmula de sa\u00fade e bem-estar dos Panar\u00e1 engloba outros fatores. Enquanto amamenta a filha de poucos meses e chama aten\u00e7\u00e3o do filho que faz gra\u00e7a para a c\u00e2mera, a jovem Tutiti revela um dos segredos do crescimento de seu povo: a alimenta\u00e7\u00e3o das gr\u00e1vidas. \u201cNas duas vezes em que fiquei gr\u00e1vida, comia muito peixe pequeno, que s\u00e3o os que o cheiro \u00e9 mais fraco e por isso n\u00e3o d\u00e3o enjoo\u201d, afirma. Para a parteira Kreenpy, as gr\u00e1vidas t\u00eam de comer muito mel e frutas nativas. \u201cL\u00e1 no Xingu tinha pouca. Mas aqui, como a terra \u00e9 boa, a ro\u00e7a d\u00e1 muita coisa.\u201d<\/p>\n<p class=\"normal\">O m\u00e9dico Douglas Rodrigues diz ser importante respeitar e preservar os conhecimentos ind\u00edgenas. \u201cQuando eu vou at\u00e9 eles, ou\u00e7o muito sobre se a ca\u00e7a rendeu, como foi a pesca, as condi\u00e7\u00f5es do ro\u00e7ado\u201d, diz. \u201cTenho aten\u00e7\u00e3o para n\u00e3o atropelar os cuidados tradicionais. Depress\u00e3o, por exemplo, costuma ser muito bem equacionada pela medicina ind\u00edgena, ao passo que a nossa usa psicotr\u00f3picos e nem sempre funciona adequadamente.\u201d<\/p>\n<p class=\"normal\">Para ele, \u00e9 fundamental que os profissionais que trabalham com os Panar\u00e1\u00a0\u2014 ou outros povos\u00a0\u2014 mantenham uma interven\u00e7\u00e3o m\u00ednima. \u201cUm passo al\u00e9m e voc\u00ea cria depend\u00eancia, e isso tira a autonomia\u201d, afirma. E, para os Panar\u00e1s, autonomia vale mais que rem\u00e9dio.<\/p>\n<p class=\"nota_pie\"><em>Todos os direitos desta reportagem s\u00e3o de uso exclusivo do Believe.Earth, onde\u00a0<a href=\"http:\/\/believe.earth\/pt-br\/indios-mostram-que-saude-vai-alem-de-curar-doencas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a mat\u00e9ria foi publicada originalmente<\/a>, e El Pa\u00eds. Este conte\u00fado tem apoio do Instituto Socioambiental(ISA) e Greenpeace.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Retorno do povo Panar\u00e1 \u00e0 terra original ap\u00f3s d\u00e9cadas resgatou h\u00e1bitos e felicidade, al\u00e9m de trazer beb\u00eas<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":240792,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,12],"tags":[],"class_list":["post-240791","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-saude"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/india-linda.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/240791","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=240791"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/240791\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/240792"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=240791"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=240791"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=240791"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}