{"id":24158,"date":"2013-10-21T08:09:03","date_gmt":"2013-10-21T11:09:03","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=24158"},"modified":"2013-10-21T08:09:03","modified_gmt":"2013-10-21T11:09:03","slug":"marina-faria-governo-menos-estatizante-que-dilma-diz-eduardo-giannetti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/marina-faria-governo-menos-estatizante-que-dilma-diz-eduardo-giannetti\/","title":{"rendered":"Marina faria governo menos estatizante que Dilma, diz Eduardo Giannetti"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-24159\" alt=\"colunista\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/colunista-300x202.jpeg\" width=\"300\" height=\"202\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um governo similar \u00e0 segunda gest\u00e3o de FHC e \u00e0 primeira de Lula. Menos estatizante do que Dilma. Assim seria uma eventual administra\u00e7\u00e3o Marina Silva na vis\u00e3o de um dos seus principais conselheiros, o economista Eduardo Giannetti da Fonseca, 56.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Defensor da austeridade, ele faz eco \u00e0s palavras da ex-senadora que tem defendido o chamado &#8220;trip\u00e9&#8221; (super\u00e1vit prim\u00e1rio, c\u00e2mbio flutuante e metas de infla\u00e7\u00e3o). Na sua opini\u00e3o, essas ideias est\u00e3o longe de significar que Marina virou uma candidata do mercado financeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista concedida em S\u00e3o Paulo na \u00faltima quinta-feira, Giannetti critica o governo e advoga que o crescimento n\u00e3o deve ser feito a qualquer pre\u00e7o: &#8220;Crescer 7% destruindo patrim\u00f4nio ambiental \u00e9 muito pior do que se crescer 3% preservando&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ex-professor da USP, de Cambridge e do Insper, Giannetti conversa duas ou tr\u00eas vezes por semana com Marina. Para ele, h\u00e1 dificuldade na fus\u00e3o com o PSB e obst\u00e1culos para atrair empres\u00e1rios para o grupo. &#8220;A elite empresarial est\u00e1 no bolso do governo&#8221;, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Mas o maior aumento da carga tribut\u00e1ria foi com FHC.<\/b><br \/>\nFHC abriu a frente das contribui\u00e7\u00f5es, que hoje representam mais para o governo federal. O que era para ser exce\u00e7\u00e3o virou regra e gerou um estrago fiscal que est\u00e1 asfixiando o Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Mas a taxa de juros elevada n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel por isso?<\/b><br \/>\nIsso foi o caso no primeiro mandato do FHC, quando havia c\u00e2mbio fixo e valorizado e a pol\u00edtica monet\u00e1ria tinha que ser aquela para manter o c\u00e2mbio fixo. O governo FHC errou muito ao manter a \u00e2ncora cambial. A partir do momento que flutuou o c\u00e2mbio, o juro come\u00e7ou a baixar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Mas ainda \u00e9 muito alto.<\/b><br \/>\n\u00c9 alto, mas n\u00e3o \u00e9 o que explica esse estrago fiscal. O Brasil vinha de um bom momento, que foi o segundo mandato de FHC e o primeiro de Lula, quando prevaleceu o trip\u00e9: austeridade fiscal, super\u00e1vit prim\u00e1rio para valer, c\u00e2mbio flutuando, autonomia do BC para cumprir o centro da meta de infla\u00e7\u00e3o. Isso come\u00e7ou a se fragilizar com a expans\u00e3o fiscal do segundo mandato de Lula, at\u00e9 certo ponto justific\u00e1vel pela crise de 2009. S\u00f3 que a partir de 2009, e do governo Dilma, as tr\u00eas pernas do trip\u00e9 fraquejaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O empresariado pode desembarcar do apoio \u00e0 presidente Dilma e apoiar Marina?<\/b><br \/>\nEsses movimentos n\u00e3o s\u00e3o nunca em bloco. O que me entristece \u00e9 ver boa parte do empresariado brasileiro tutelado pelo governo e neutralizado na sua capacidade de cr\u00edtica pelo fato de depender de obs\u00e9quios, favores, subs\u00eddios e prote\u00e7\u00e3o que o governo oferece. O empresariado brasileiro em boa parte se comporta como s\u00fadito e n\u00e3o como cidad\u00e3o. O governo abriu esse balc\u00e3o de neg\u00f3cios. Come\u00e7ou a negociar caso a caso tarifa de prote\u00e7\u00e3o para setor, a abrir os cofres dos bancos estatais para os empres\u00e1rios. Como \u00e9 que um empres\u00e1rio que est\u00e1 dependendo de um cr\u00e9dito de um banco estatal vai poder aparecer publicamente criticando o governo? Ele fica tolhido. A elite empresarial est\u00e1 no bolso do governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Fazendo um discurso de austeridade, Marina atrai o mercado financeiro. Ela virou a candidata das finan\u00e7as?<\/b><br \/>\nLonge disso. O primeiro governo Lula foi um governo do mercado financeiro? Foi um governo bom para o Brasil. E sendo bom para o Brasil foi bom para parte do mercado financeiro. Mas n\u00e3o foi feito para o mercado financeiro. Foi feito para o Brasil consolidar uma conquista que \u00e9 da sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Ent\u00e3o um eventual governo Marina seria mais parecido com o segundo mandato FHC e o primeiro de Lula?<\/b><br \/>\nSim. No tocante \u00e0 pol\u00edtica macroecon\u00f4mica, n\u00e3o vamos reinventar a roda. Vamos continuar o que estava funcionando muito bem no Brasil, que \u00e9 o trip\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O sr. elogia esses per\u00edodos, mas eles foram de baixo crescimento, ruins, certo?<\/b><br \/>\nFoi quando se plantaram as bases de um crescimento melhor no Brasil. FHC privatizou, quebrou monop\u00f3lios, acabou com a discrimina\u00e7\u00e3o do capital estrangeiro, fez a lei de responsabilidade fiscal. No primeiro governo Lula, a agenda microecon\u00f4mica foi formid\u00e1vel, porque melhorou o ambiente de neg\u00f3cios: nova lei de fal\u00eancias, aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria, cr\u00e9dito consignado. Estava indo bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O sr. concorda que Eduardo Campos tem um discurso mais desenvolvimentista, enquanto Marina se posiciona para o lado neoliberal?<\/b><br \/>\nTemos que nos posicionar em torno do valor central que \u00e9 a sustentabilidade. Mais Estado ou mais mercado? Em algumas coisas, mais Estado; em outras, mais mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O grupo de Marina est\u00e1 \u00e0 direita ou \u00e0 esquerda de FHC?<\/b><br \/>\nN\u00e3o sei dizer. Essa tentativa de categorizar numa rela\u00e7\u00e3o bin\u00e1ria toda uma proposta complexa me parece muito prec\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Em rela\u00e7\u00e3o a Lula e Dilma, como o sr. situa Marina?<\/b><br \/>\nMenos estatizante que Dilma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Um governo Marina reduziria o tamanho do Estado?<\/b><br \/>\nN\u00e3o d\u00e1 para colocar tudo num pacote. Para algumas coisas precisa de mais Estado e, para outras, menos Estado. O Estado deveria estar mais atuante na sa\u00fade p\u00fablica, no ensino fundamental, no saneamento b\u00e1sico. N\u00e3o entendo um governo que coloca tanta \u00eanfase num trem bala e deixa esquecida a quest\u00e3o do saneamento b\u00e1sico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Desenvolvimento sustent\u00e1vel significa um ritmo menor de crescimento?<\/b><br \/>\nN\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 crescimento a qualquer pre\u00e7o. O que interessa \u00e9 o crescimento da renda com qualidade de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Muitos dizem que esse racioc\u00ednio implica dizer: n\u00e3o d\u00e1 para crescer no ritmo que os outros cresceram; o melhor \u00e9 se contentar com pouco.<\/b><br \/>\nSe tudo der certo no Brasil, a gente vira um EUA? Acho que n\u00e3o faz o menor sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Mas o Brasil n\u00e3o precisa se preocupar em gerar empregos e riqueza? Essa sinaliza\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o se poder\u00e1 crescer muito \u00e9 boa?<\/b><br \/>\nN\u00e3o colocaria que n\u00e3o pode crescer muito. Precisamos encontrar um caminho de crescimento adequado \u00e0s nossas necessidades e sustent\u00e1vel ambientalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Isso significa ritmo menor?<\/b><br \/>\nRitmo \u00e9 menos importante do que a qualidade. Crescer 7% destruindo patrim\u00f4nio ambiental \u00e9 muito pior do que se crescer 3% preservando patrim\u00f4nio ambiental e, na medida do poss\u00edvel, melhorando as condi\u00e7\u00f5es de vida. O crescimento em si n\u00e3o \u00e9 o objetivo. Nenhum governo pode prometer crescimento. Crescimento \u00e9 uma escolha que a sociedade faz. O governo n\u00e3o tem uma alavanca. Pode oferecer um ambiente mais amig\u00e1vel ou n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O sr. acha que a Marina ofereceria um ambiente mais amig\u00e1vel com essas restri\u00e7\u00f5es ambientais?<\/b><br \/>\nTemos que separar duas coisas. Uma \u00e9 o grau de exig\u00eancia ambiental para um pa\u00eds como o nosso. Outra \u00e9 como vai ser o processo de sele\u00e7\u00e3o de investimentos. Vamos ter um n\u00edvel de exig\u00eancia alto, mas os processos podem ser mais \u00e1geis e confi\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Quais s\u00e3o as maiores dificuldades dessa fus\u00e3o PSB-Rede?<\/b><br \/>\nVai ser muito trabalhoso construir um programa e ter a garantia de que ele reflita de fato um compromisso de governo. N\u00e3o tem nenhuma garantia pr\u00e9via de que esse processo resulte num entendimento enraizado e profundo dos valores que justificam a coloca\u00e7\u00e3o de uma alternativa para o pa\u00eds. N\u00e3o sei qual \u00e9 a proposta e o programa do PSB na \u00e1rea econ\u00f4mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Folha)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um governo similar \u00e0 segunda gest\u00e3o de FHC e \u00e0 primeira de Lula. Menos estatizante do que Dilma. 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