{"id":241766,"date":"2018-04-29T11:58:44","date_gmt":"2018-04-29T14:58:44","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=241766"},"modified":"2018-04-29T11:58:44","modified_gmt":"2018-04-29T14:58:44","slug":"e-da-conta-de-todos-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/e-da-conta-de-todos-nos\/","title":{"rendered":"\u00c9 DA CONTA DE\u00a0TODOS N\u00d3S"},"content":{"rendered":"<header id=\"barra-topo\" class=\"fixa ativa\">\n<div class=\"container\">\n<nav id=\"compartilhar-especial\"><\/nav>\n<div id=\"logo\"><a title=\"Ir para p\u00e1gina principal\" href=\"http:\/\/produtos.ne10.uol.com.br\/umaporuma\/\"><img decoding=\"async\" class=\"img-responsive\" src=\"http:\/\/produtos.ne10.uol.com.br\/umaporuma\/img\/logo-topo.png\" alt=\"#UmaPorUma\" \/><\/a><\/div>\n<div id=\"botao-menu\"><\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div id=\"site\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<section id=\"corpo-na-cacamba\">\n<header class=\"capa\"><img decoding=\"async\" class=\"img-responsive\" src=\"http:\/\/produtos.ne10.uol.com.br\/umaporuma\/img\/e-da-conta-de-todos-nos\/corpo-na-cacamba.jpg\" alt=\"\" \/><\/header>\n<div class=\"bg-conteudo\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"bloco-conteudo\">\n<h1 class=\"titulo-destaque\"><\/h1>\n<p><strong>CIARA CARVALHO<\/strong><br \/>\n<small><\/small><\/p>\n<p>O corpo na ca\u00e7amba.<br \/>\nO corpo na ca\u00e7amba do lixo.<br \/>\nO corpo de Rosineide Silva de Almeida, 54 anos, descartado na ca\u00e7amba do lixo. M\u00e3os amarradas por um peda\u00e7o de corda amarela, blusa levantada, seios nus. Ningu\u00e9m soube. Ningu\u00e9m viu. Era s\u00f3 um corpo, misturado aos restos, esquecido e invis\u00edvel.<\/p>\n<p>O corpo de Ivonete Maria dos Santos, 45, dilacerado por 45 facadas, jogado na cal\u00e7ada de casa, muita gente viu. E n\u00e3o fez nada. Preferiu filmar. E espalhar na internet as imagens do marido embriagado, tragando, golpe a golpe, a exist\u00eancia daquela mulher. Era o corpo-espet\u00e1culo, banalizado pela omiss\u00e3o nossa de cada dia.<\/p>\n<p>A mulher, resumida a um corpo inerte, esquecido e banalizado. N\u00e3o s\u00f3 Rosineide nem Ivonete. Mas Sibelly, Lourdes, Larissa, Julianna. E por serem tantas, quase uma por dia, decidimos contar. Durante um ano, um coletivo de jornalistas mulheres do Sistema Jornal do Commercio de Comunica\u00e7\u00e3o (SJCC) vai acompanhar de perto a rotina de uma matan\u00e7a que, sim, faz parte da viol\u00eancia urbana. Mas vai al\u00e9m. \u00c9 fruto amargo do machismo. Forjada no sentimento de posse que o homem julga deter sobre elas e sobre o corpo delas. A face derradeira de um poder que coloca nas m\u00e3os desse homem o controle extremo sobre a mulher: o da vida e da morte.<\/p>\n<p>O projeto multim\u00eddia #UmaPorUma (umaporuma.com.br), que estreia hoje e ser\u00e1 veiculado em todas as plataformas do sistema, vai contar, sem exce\u00e7\u00e3o, as mulheres assassinadas em Pernambuco no ano de 2018. N\u00e3o apenas contar. Mas dizer que basta. Compreender por que est\u00e3o morrendo, buscar na pol\u00edcia as respostas de quem as matou. Acompanhar a conclus\u00e3o do inqu\u00e9rito, registrar a den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico, cobrar o julgamento dos acusados e a puni\u00e7\u00e3o do crime. Contar para n\u00e3o esquecer.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros machucam e impressionam. Pelas const\u00e2ncias e brutalidade com que esses corpos s\u00e3o destru\u00eddos. Nos tr\u00eas primeiros meses de 2018, 77 mulheres foram mortas em Pernambuco de forma violenta. O levantamento feito diariamente pelo grupo de jornalistas do SJCC, com base nas not\u00edcias publicadas na imprensa, \u00e9 confrontado com as estat\u00edsticas oficiais. A pedido do projeto, uma vez por m\u00eas, a Secretaria de Defesa Social nomeia e entrega a rela\u00e7\u00e3o completa dos homic\u00eddios de mulheres registrados pela Pol\u00edcia Civil. \u00c0 pesquisa, gestada nas reda\u00e7\u00f5es, se juntam as hist\u00f3rias daquelas v\u00edtimas cuja dor n\u00e3o saiu sequer no jornal. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um n\u00famero. Cada caso conta.<\/p>\n<p>E, no esfor\u00e7o de contar, para al\u00e9m da estat\u00edstica fria e cruel, \u00e9 essencial investigar as motiva\u00e7\u00f5es dos crimes. De todas, a que mais choca, a que mais fere, \u00e9 justamente aquela que s\u00f3 existe porque a v\u00edtima \u00e9 uma mulher. N\u00e3o s\u00e3o poucos os casos de feminic\u00eddio em Pernambuco. De janeiro a mar\u00e7o, 17 mulheres foram assassinadas em fun\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero no Estado. Elas representam a assustadora marca de 22% do total dos homic\u00eddios ocorridos no primeiro trimestre. S\u00e3o corpos que n\u00e3o est\u00e3o sozinhos, isolados na cena do crime. A despeito das hist\u00f3rias \u00fanicas que carregam, representam mais do que trag\u00e9dias individuais. Em todas as vidas interrompidas dessas mulheres sempre o mesmo recado manchado de sangue: voc\u00eas n\u00e3o s\u00e3o donas de seus corpos.<\/p>\n<figure id=\"foto-elizabete\" class=\"pull-left\"><img decoding=\"async\" class=\"img-responsive\" src=\"http:\/\/produtos.ne10.uol.com.br\/umaporuma\/img\/e-da-conta-de-todos-nos\/Elizabete.jpg\" alt=\"\" \/><figcaption><strong>TRISTEZA<\/strong>\u00a0Elizabete tentou afastar a filha do relacionamento abusivo. N\u00e3o conseguiu<\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"titulo-destaque\">A MORTE, UM POUCO A CADA DIA<\/h2>\n<p>Sibelly Carla de Lima Souza, 14, pensou que, com ela, seria diferente. O relacionamento cheio de idas e vindas com Jos\u00e9 Jorge Possid\u00f4nio Ferreira, 27, o ajudante de pedreiro por quem a adolescente se apaixonou perdidamente aos 12 anos, era uma morte anunciada. Agress\u00f5es f\u00edsicas, explos\u00f5es de posse, declara\u00e7\u00f5es apaixonadas, pedidos de perd\u00e3o. Ela n\u00e3o sabia, mas morria um pouco a cada dia. \u201cEu cansei de ir l\u00e1, na casa em que eles moravam, para tentar traz\u00ea-la de volta. Chegamos a brigar, senti que estava perdendo a minha filha\u201d, conta Elizabete de Lima, 36. A m\u00e3e, ela pr\u00f3pria v\u00edtima de um relacionamento abusivo que durou oito anos, estava certa. 2018 mal havia chegado, e nas primeiras horas do ano-novo, o primeiro caso de assassinato de mulher em Pernambuco era um feminic\u00eddio.<\/p>\n<p>O corpo de Sibelly Carla de Lima Souza, golpeado por uma faca de serra, s\u00f3 foi encontrado dois dias depois. Sobre a cama da casa modesta, de paredes sem reboco, onde o casal morava, em S\u00e3o Louren\u00e7o da Mata, na Regi\u00e3o Metropolitana do Recife. J\u00e1 estava em decomposi\u00e7\u00e3o. No m\u00eas de janeiro, a cena, com tr\u00e1gicas varia\u00e7\u00f5es, se repetiria em mais sete cantos do Estado. Outras sete mulheres, assim como Sibelly, assassinadas pelo marido, namorado, ex-companheiro. Foi o m\u00eas com mais casos de feminic\u00eddio do trimestre.<\/p>\n<p>Ao lan\u00e7ar luzes sobre todas as mortes, e n\u00e3o s\u00f3 a dos feminic\u00eddios, o projeto #UmaPorUma vai aprofundar as causas, detalhar as circunst\u00e2ncias, ajudar a construir um caminho no qual a preven\u00e7\u00e3o chegue primeiro. Para tanto, conta com a referendada parceria do Instituto Maria da Penha, sediado em Fortaleza, no Cear\u00e1. Os n\u00fameros ser\u00e3o atualizados no site do projeto ao fim de cada m\u00eas, com as estat\u00edsticas e hist\u00f3rias referentes ao m\u00eas anterior. Seguiremos nessa miss\u00e3o at\u00e9 janeiro de 2019.<\/p>\n<p>No esfor\u00e7o de contar todos os casos, escutando os relatos de parentes, vizinhos e amigos, a vulnerabilidade da mulher se revelou uma presen\u00e7a inc\u00f4moda e determinante. Mesmo quando a morte est\u00e1 ligada ao envolvimento da v\u00edtima com a criminalidade, associada quase sempre ao tr\u00e1fico de drogas. Seja essa rela\u00e7\u00e3o estabelecida de forma direta ou indireta. Em 26% dos 77 homic\u00eddios registrados, a v\u00edtima era usu\u00e1ria de droga ou tinha liga\u00e7\u00e3o com a venda de entorpecentes. Em outros 14% dos assassinatos, pagou com a vida pelo envolvimento no tr\u00e1fico de filhos, maridos, vizinhos. Era, em todos os casos, o elo mais fraco.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata s\u00f3 de vulnerabilidade. Mas, em igual e perversa medida, de uma quase completa invisibilidade. Dos 77 assassinatos, 80% das v\u00edtimas com informa\u00e7\u00e3o declarada sobre escolaridade eram analfabetas ou n\u00e3o chegaram a concluir o ensino fundamental. Eram pardas ou negras quase 60% das mulheres assassinadas. Uma correspondia ao perfil de classe m\u00e9dia. Contar, uma por uma, para que se vejam todas. Para que elas existam e deixem de morrer.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"img-responsive hide-mobile\" src=\"http:\/\/produtos.ne10.uol.com.br\/umaporuma\/img\/e-da-conta-de-todos-nos\/ArtePrimeiroDia.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section id=\"ela-nunca-saia-sozinha\">\n<header class=\"capa\">\n<div class=\"caption hide-mobile\">\n<p><strong>SAUDADE<\/strong>Luzinete com a foto da filha e do genro: \u201cEra um casal muito grudado. Ela nunca saia sozinha<\/p>\n<\/div>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"img-responsive\" src=\"http:\/\/produtos.ne10.uol.com.br\/umaporuma\/img\/e-da-conta-de-todos-nos\/ela-nunca-saia-sozinha.jpg\" alt=\"\" \/><\/header>\n<div class=\"bg-conteudo\">\n<div class=\"bg-mulheres\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"bloco-conteudo\">\n<h1 class=\"titulo-destaque\">N\u00c3O. ELE N\u00c3O ERA\u00a0<strong>UM MONSTRO<\/strong><\/h1>\n<p><strong>MARIANA DANTAS<\/strong><br \/>\n<small><\/small><\/p>\n<p>Por que ele fez isso? Essa \u00e9 a pergunta que n\u00e3o sai da cabe\u00e7a dos familiares da gerente de loja Dayanne Joyce Silva Serafim, 25 anos, e do policial Jos\u00e9 Ailton Francisco da Silva, 36. Para quem os conhecia, os dois aparentavam manter um casamento feliz. Juntos h\u00e1 dez anos, Dayanne e Ailton costumavam trocar carinhos em p\u00fablico, receber amigos em casa nos fins de semana e frequentar as festas das fam\u00edlias. Na noite do dia 13 de janeiro, Ailton matou a esposa com um tiro na nuca e cometeu suic\u00eddio em seguida. Dayanne foi encontrada sem vida no ch\u00e3o da cozinha da resid\u00eancia do casal, no bairro de Jardim Ipiranga, em Vit\u00f3ria de Santo Ant\u00e3o, na Zona da Mata pernambucana. O corpo de Ailton estava na sala.<\/p>\n<p>Dez anos mais nova que Ailton, Dayanne conheceu o marido ainda adolescente, aos 14 anos de idade. Ap\u00f3s 12 meses de namoro, decidiram morar juntos. Ainda n\u00e3o tinham filhos. \u201cEra um casal muito grudado. Ailton fazia quest\u00e3o de levar e buscar minha filha no trabalho, s\u00f3 n\u00e3o ia quando estava de plant\u00e3o. Dayanne n\u00e3o fazia nada sem ele, at\u00e9 para ir \u00e0 minha casa ela avisava antes. Quando Ailton n\u00e3o podia ir na hora, chegava depois. Ela nunca saiu sozinha. Os amigos tamb\u00e9m eram os mesmos, todos casais. Dayanne nunca teve uma amizade s\u00f3 dela, sua amiga mais pr\u00f3xima era a prima, que \u00e9 da fam\u00edlia\u201d, conta a t\u00e9cnica em enfermagem Luzinete Maria da Silva, 41 anos, m\u00e3e de Dayanne.<\/p>\n<p>O fato de Dayanne n\u00e3o sair sem o marido e dar sempre satisfa\u00e7\u00e3o de tudo para Ailton era visto com naturalidade pela m\u00e3e. \u201cEu achava normal porque essa foi uma vida que eles adotaram desde que come\u00e7aram a namorar. Meu genro tamb\u00e9m era atencioso com nossa fam\u00edlia\u201d, disse.<\/p>\n<blockquote class=\"blockquote pull-left\"><p>Muita gente me diz que Ailton \u00e9 o assassino da minha filha. Eu sei disso. D\u00f3i. Mas ele era uma pessoa boa. A dor de n\u00e3o ter minha filha j\u00e1 \u00e9 t\u00e3o grande, que n\u00e3o vou ficar criando mais esse sentimento. Talvez se ele tivesse matado ela e fugido, meu sentimento mudaria. Mas ele morreu tamb\u00e9m. No enterro dos dois, eu olhava pra ele e me perguntava: por que voc\u00ea fez isso?&#8221;<\/p>\n<footer class=\"blockquote-footer\"><cite title=\"Source Title\">Luzinete Maria da Silva, m\u00e3e de Dayanne<\/cite><\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>Para o psic\u00f3logo Tiago Corr\u00eaa, que atua no Servi\u00e7o de Apoio \u00e0 Mulher Wilma Lessa, do Hospital Agamenon Magalh\u00e3es, o assassinato de Dayanne causa espanto entre seus familiares talvez porque o comportamento que Ailton demonstrava a parentes e amigos era bem diferente do estere\u00f3tipo criado pela sociedade para definir um homem agressivo. \u201cPor influ\u00eancia cultural e midi\u00e1tica, as pessoas tendem a achar que todo homem que pratica viol\u00eancia contra a mulher \u00e9 uma pessoa ruim, amea\u00e7adora, um verdadeiro monstro. Mas n\u00e3o \u00e9. N\u00e3o existem grandes diferen\u00e7as entre os homens que praticam viol\u00eancia contra as mulheres e os homens rotulados como comuns. A viol\u00eancia est\u00e1 no nosso cotidiano, muito pr\u00f3ximo de n\u00f3s\u201d, explica Tiago Corr\u00eaa.<\/p>\n<p>O psic\u00f3logo acredita que esse \u201cestere\u00f3tipo de monstro\u201d acaba corroborando para que atitudes de viol\u00eancia contra a mulher passem despercebidas ou sejam banalizadas. \u201cPor isso \u00e9 t\u00e3o importante desmistificar essa vis\u00e3o. Vivemos numa sociedade patriarcal e machista, onde o homem foi educado para ser o provedor da casa. Muitos passam a ter um sentimento de posse sobre a mulher, acham normal control\u00e1-la, n\u00e3o respeitar a privacidade dela, as amizades e o direito de ir e vir.\u201d Mas, para o especialista, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel prever nem determinar que o homem que tenha esse tipo de comportamento venha a agredir fisicamente ou matar a mulher no futuro.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante que as mulheres reajam, caso se sintam controladas. O homem precisa entender que esse comportamento tamb\u00e9m \u00e9 um ato de viol\u00eancia. Mas se n\u00e3o houver di\u00e1logo, \u00e9 preciso pedir ajuda. E, para isso, muitas mulheres tamb\u00e9m precisam vencer o medo ou a vergonha de expor o que sofrem\u201d, ressalta o psic\u00f3logo.<\/p>\n<div class=\"embed-container\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/n6g1hXWy8gM?rel=0&amp;showinfo=0\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section id=\"solto-pela-justica\">\n<div class=\"bg-conteudo\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"bloco-conteudo\">\n<h1 class=\"titulo-destaque\"><strong>CONFESSOU<\/strong>, MAS FOI\u00a0<strong>SOLTO<\/strong>PELA JUSTI\u00c7A<\/h1>\n<p><strong>MARIANA DANTAS<\/strong><\/p>\n<p>Horas depois de ser preso em flagrante, na noite do dia 9 de janeiro, o ex-presidi\u00e1rio Jos\u00e9 Augusto dos Anjos, 49 anos, confessou ter assassinado a aposentada Neide Santiago, 74. Ele invadiu a resid\u00eancia dela, no bairro da Cabanga, \u00e1rea central do Recife, e a matou a golpes de tesoura. Tr\u00eas perfura\u00e7\u00f5es no pesco\u00e7o e duas no t\u00f3rax. Teve a pris\u00e3o decretada no dia seguinte, na audi\u00eancia de cust\u00f3dia. O caso parecia solucionado e tudo indicava que ele aguardaria o julgamento em regime fechado. Mas o processo se perdeu na burocracia e Jos\u00e9 Augusto acabou sendo solto no dia 8 de fevereiro. Est\u00e1 em liberdade.<\/p>\n<p>Segundo o delegado respons\u00e1vel pelo caso, Diego Acioli, o inqu\u00e9rito sobre a morte de Neide foi conclu\u00eddo no dia 22 de janeiro, dentro do prazo previsto por lei, e enviado ao Minist\u00e9rio P\u00fablico, para que fosse encaminhado \u00e0 Justi\u00e7a, seguindo os tr\u00e2mites legais.<\/p>\n<p>De acordo com a assessoria de imprensa do Tribunal de Justi\u00e7a de Pernambuco (TJPE), o inqu\u00e9rito n\u00e3o chegou \u00e0 1\u00aa Vara do J\u00fari. O prazo da pris\u00e3o preventiva teria vencido e, por isso, Jos\u00e9 Augusto foi liberado. O Minist\u00e9rio P\u00fablico alegou n\u00e3o ter enviado o documento porque solicitou novas dilig\u00eancias \u00e0 Pol\u00edcia Civil e, como o processo j\u00e1 teria sido aberto na Justi\u00e7a, durante audi\u00eancia de cust\u00f3dia, quem deveria enviar o pedido ao delegado respons\u00e1vel seria o titular da 1\u00aa Vara do J\u00fari.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o recebi nenhum pedido para novas dilig\u00eancias e estou sabendo que o suspeito foi solto agora, conversando com voc\u00ea (rep\u00f3rter do JC). Conclu\u00ed o inqu\u00e9rito no prazo e a \u00fanica informa\u00e7\u00e3o que faltava era o resultado do exame de DNA feito na tesoura que apreendemos na casa de Jos\u00e9 Ailton. O laudo ainda n\u00e3o estava pronto. Soube depois que o exame constatou que o sangue na tesoura era realmente de Neide e que o IC (Instituto de Criminalista) teria informado ao Minist\u00e9rio P\u00fablico\u201d, afirma o delegado Diego Acioli.<\/p>\n<p>A reportagem voltou a procurar o Tribunal de Justi\u00e7a para saber se a 1\u00aa Vara do J\u00fari teria enviado o pedido do Minist\u00e9rio P\u00fablico \u00e0 pol\u00edcia. A assessoria avisou que est\u00e1 colhendo informa\u00e7\u00f5es sobre o caso e dever\u00e1 se pronunciar em breve.<\/p>\n<p>No disse-me-disse entre Minist\u00e9rio P\u00fablico, Pol\u00edcia Civil e Tribunal de Justi\u00e7a, o maior beneficiado \u00e9 o principal suspeito de ter matado Neide e confessado o crime. Jos\u00e9 Augusto tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 r\u00e9u prim\u00e1rio. Durante a investiga\u00e7\u00e3o, a pol\u00edcia descobriu que ele j\u00e1 cumpriu pena no Estado da Bahia por ter matado um homem.<\/p>\n<h2 class=\"titulo-destaque\">V\u00cdCIO<\/h2>\n<p>Querida pelos vizinhos e vista como uma pessoa tranquila, Neide morava no mesmo bairro de Jos\u00e9 Augusto. A aposentada o conhecia e j\u00e1 o teria aconselhado a livrar-se das drogas. De acordo com o delegado Diego Acioli, dias antes do crime, Jos\u00e9 Augusto teria pedido a senha e o cart\u00e3o de cr\u00e9dito da aposentada. A informa\u00e7\u00e3o foi repassada pelos dois filhos de Neide, que s\u00e3o adultos e n\u00e3o moravam mais com ela. \u201cA v\u00edtima disse aos filhos que n\u00e3o atendeu ao pedido. Ao confessar o crime, ele alegou que precisava de dinheiro para comprar mais drogas e por isso invadiu a casa da mulher\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O corpo de Neide foi encontrado pelos moradores da rua. Um deles viu Jos\u00e9 Augusto rondando a casa durante a madrugada e resolveu procur\u00e1-la na manh\u00e3 seguinte. A porta estava aberta e o corpo em cima da cama. A pol\u00edcia foi chamada e se dirigiu \u00e0 resid\u00eancia de Jos\u00e9 Augusto dos Anjos. No local, policiais apreenderam duas camisas e uma tesoura com manchas de sangue. (M.D.)<\/p>\n<p>Fonte: JC<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Horas depois de ser preso em flagrante, na noite do dia 9 de janeiro, o ex-presidi\u00e1rio Jos\u00e9 Augusto dos Anjos, 49 anos, confessou ter assassinado a aposentada Neide Santiago, 74. 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