{"id":242509,"date":"2018-05-05T15:09:26","date_gmt":"2018-05-05T18:09:26","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=242509"},"modified":"2018-05-06T11:33:36","modified_gmt":"2018-05-06T14:33:36","slug":"50-anos-depois-do-maio-de-68-essa-data-nunca-se-extinguira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/50-anos-depois-do-maio-de-68-essa-data-nunca-se-extinguira\/","title":{"rendered":"50 anos depois do Maio de 68: essa data nunca se extinguir\u00e1"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>A explosiva revolta estudantil e oper\u00e1ria que mudou para sempre o Ocidente completa 50 anos enfrenta uma revis\u00e3o nas m\u00e3os de uma nova gera\u00e7\u00e3o de intelectuais<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Marc Bassets\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/marc_bassets_claret\/a\/\">MARC BASSETS<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/04\/23\/babelia\/1524504798_329892_1525169046_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/04\/23\/babelia\/1524504798_329892_1525169046_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/04\/23\/babelia\/1524504798_329892_1525169046_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/04\/23\/babelia\/1524504798_329892_1525169046_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Confrontos entre estudantes e policiais em maio de 68 em Paris\" width=\"980\" height=\"648\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Confrontos entre estudantes e policiais em maio de 68 em Paris<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">GEORGES MELET<\/span>\u00a0<span class=\"foto-agencia\">GETTY<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/04\/30\/opinion\/1525121126_498841.html\">Maio de 68<\/a>\u00a0est\u00e1 hoje t\u00e3o distante no tempo como estava ent\u00e3o o fim da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/primera_guerra_mundial\/a\">Primeira Guerra Mundial<\/a>. Cinco d\u00e9cadas, meio s\u00e9culo. Submetida a releituras peri\u00f3dicas e objeto recorrente de disputas pol\u00edticas, a \u00faltima grande revolta estudantil e oper\u00e1ria em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/paris\/a\">Paris<\/a>\u00a0come\u00e7a a ser um objeto hist\u00f3rico distante. Os protagonistas \u2013 o equivalente aos ex-combatentes de 1918 \u2013 est\u00e3o aposentados ou morreram. Pela primeira vez o pa\u00eds tem um presidente,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/emmanuel_macron\/a\">Emmanuel Macron<\/a>, nascido depois e biograficamente desligado de eventos que, talvez pela \u00faltima vez, colocaram a Fran\u00e7a no centro de um movimento pol\u00edtico e intelectual de impacto mundial.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CPWh49mU79oCFQPT4Qodv_UOWw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A peculiaridade da efem\u00e9ride \u00e9 que as paix\u00f5es que em outros momentos despertou parecem se apagar.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/03\/28\/internacional\/1522252138_086858.html\">Maio de 68 continua sendo uma presen\u00e7a constante na vida francesa<\/a>: n\u00e3o h\u00e1 movimento de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/protestas_sociales\/a\">protesto<\/a>\u00a0que n\u00e3o se compare com o de 50 anos atr\u00e1s; o \u00faltimo deles \u00e9 o dos estudantes que ocupam faculdades h\u00e1 semanas ou o dos ferrovi\u00e1rios em greve contra a reforma da SNCF, a empresa ferrovi\u00e1ria p\u00fablica. Um consenso sobre o seu significado \u2013 um momento\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/05\/28\/internacional\/1464457608_765156.html\">de profunda mudan\u00e7a social na sociedade francesa<\/a>\u00a0e na ocidental, mudan\u00e7a irrevers\u00edvel e j\u00e1 assumida \u00e0 esquerda e \u00e0 direita \u2013 desenha-se pouco a pouco sem as obje\u00e7\u00f5es estridentes de outros tempos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/03\/31\/cultura\/1490994170_335565.html\">\u201cMaio de 68 \u00e9 uma data que nunca se extinguir\u00e1\u201d,<\/a>\u00a0explica o historiador Benjamin Stora. Ele participou dos protestos h\u00e1 50 anos como estudante do ensino m\u00e9dio e agora acaba de publicar\u00a0<em>68, et Apr\u00e8s<\/em>\u00a0(<em>68, e Depois<\/em>), um livro autobiogr\u00e1fico sobre as consequ\u00eancias do Maio de 68 em seu itiner\u00e1rio pol\u00edtico e pessoal. \u201c\u00c9 uma data\u201d, continua ele, \u201cparecida com a Comuna de Paris, a revolu\u00e7\u00e3o de 1848, a Frente Popular de 1936, a Liberta\u00e7\u00e3o de Paris em 1944.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/04\/10\/internacional\/1491819166_826579.html\">S\u00e3o as grandes datas da hist\u00f3ria francesa<\/a>, e isso permanecer\u00e1 na mem\u00f3ria coletiva.\u201d Segundo Stora, estar t\u00e3o distante no tempo n\u00e3o significa que tenha se tornado um objetivo hist\u00f3rico frio, indiferente para o presente. \u201cAh, n\u00e3o\u201d, responde. \u201cMaio de 68 n\u00e3o pode ser um objeto frio porque envolve muitos sentidos diferentes. A for\u00e7a do Maio de 68 \u00e9 que representa um movimento de impulso, de abalo. Abala uma sociedade: nas rela\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres, nas rela\u00e7\u00f5es com o Estado, nas rela\u00e7\u00f5es com a pol\u00edtica, nas rela\u00e7\u00f5es com a organiza\u00e7\u00e3o do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/trabajo\/a\">trabalho<\/a>, nas rela\u00e7\u00f5es com a escola. Abre uma sequ\u00eancia nova. \u00c9 por isso que n\u00e3o pode ser um astro morto.\u201d<\/p>\n<h3>Os muitos significados de Maio de 68<\/h3>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html izquierda\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">\u201cMaio de 68 abala a rela\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres com a pol\u00edtica&#8230;\u201d diz um historiador<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>A dificuldade para entender o Maio de 68 se explica porque o termo oferece m\u00faltiplos significados e interpreta\u00e7\u00f5es. Em seu sentido estrito, designa o quinto m\u00eas de 1968, quando principalmente Paris \u2013 mas tamb\u00e9m outras cidades francesas \u2013 foi palco n\u00e3o de uma, mas de pelo menos tr\u00eas crises que acabaram confluindo e se alimentando mutuamente. Primeiro, a crise estudantil, que teve como palco o\u00a0<em>Quartier Latin<\/em>\u00a0da capital francesa, e que proporcionou as imagens mais memor\u00e1veis da revolta: os slogans imaginativos, a ocupa\u00e7\u00e3o da Sorbonne, as barricadas e os paralelep\u00edpedos. A segunda crise foi oper\u00e1ria, e foi explicitada por uma greve geral de v\u00e1rias semanas que desembocou em acordos trabalhistas que representaram um aumento de 35% do sal\u00e1rio m\u00ednimo. A terceira crise foi pol\u00edtica: a contesta\u00e7\u00e3o sindical e estudantil ao regime da V Rep\u00fablica que colocou contra as cordas o general de Gaulle, at\u00e9 ent\u00e3o seu \u00fanico presidente, em uma situa\u00e7\u00e3o que acabou desembocando, depois da vit\u00f3ria do gaullismo nas elei\u00e7\u00f5es legislativas de junho, na derrota em um referendo no ano seguinte e em sua ren\u00fancia.<\/p>\n<p>Mas o Maio de 68 vai al\u00e9m dessas quatro semanas, que na verdade foram 10, entre o fim de mar\u00e7o, quando come\u00e7ou a mobiliza\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria em Nanterre, nos arredores de Paris, e o come\u00e7o de junho, quando De Gaulle e seu Governo retomaram o controle da situa\u00e7\u00e3o. Maio de 68 \u00e9 um s\u00edmbolo de algo mais: das revoltas de toda uma gera\u00e7\u00e3o. E, nesse caso,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/09\/09\/internacional\/1504950305_441175.html\">a cronologia \u00e9 mais ampla<\/a>, estendendo-se desde o fim dos anos cinquenta, com o ativismo contra a guerra da Arg\u00e9lia, at\u00e9 meados dos anos setenta, com a deriva mais dogm\u00e1tica \u2013e, em alguns casos, violenta\u2013 do movimento. Finalmente, Maio 68 designa o reflexo muito local \u2013concentrado em alguns poucos quil\u00f4metros quadrados no centro de Paris\u2013 de um fen\u00f4meno internacional que tem seus pr\u00f3logos e r\u00e9plicas em Berlim, M\u00e9xico, Berkeley ou Praga.<\/p>\n<p>\u201cPara mim, Maio de 68 n\u00e3o s\u00e3o as 10 semanas que fizeram a Fran\u00e7a tremer e a conflu\u00eancia das tr\u00eas crises principais: a estudantil, a oper\u00e1ria e a do poder\u201d, diz em um caf\u00e9 do\u00a0<em>Quartier Latin<\/em>\u00a0Patrick Rotman, que participou do movimento e \u00e9 coautor, com Herv\u00e9 Hamon, da monumental cr\u00f4nica em dois volumes:\u00a0<em>G\u00e9n\u00e9ration: Les Ann\u00e9es de R\u00eave et Les Ann\u00e9es de Poudre<\/em>\u00a0(<em>Gera\u00e7\u00e3o: Os Anos de Sonhos e Os Anos de P\u00f3lvora<\/em>), publicada nos anos oitenta.\u00a0<em>G\u00e9n\u00e9ration<\/em>\u00a0tamb\u00e9m tem uma vers\u00e3o em forma de document\u00e1rio. \u201cPara mim, Maio de 68 \u00e9 outra coisa: uma esp\u00e9cie de epicentro\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/08\/31\/internacional\/1504172887_983395.html\">de uma muta\u00e7\u00e3o social e cultural que atravessa a sociedade francesa<\/a>\u00a0e a ocidental.\u201d Rotman parte da base de que Maio 68 \u201c\u00e9 um acontecimento cujos efeitos terminaram\u201d e que por esse motivo \u201cdeve ser estudado como um objeto hist\u00f3rico\u201d.<\/p>\n<h3>De 1968 a 2018: como olhar se foi transformando<\/h3>\n<p>Pensar em 1968 hoje, com a perspectiva de meio s\u00e9culo, significa arranc\u00e1-lo de sua roupagem ideol\u00f3gica mais aparente e entender, por exemplo, que responde a uma mudan\u00e7a de fundo da sociedade. Rotman cita tr\u00eas aspectos. Um deles, o boom demogr\u00e1fico do p\u00f3s-guerra, que gera uma superpopula\u00e7\u00e3o de jovens que a universidade \u00e9 incapaz de absorver em boas condi\u00e7\u00f5es. Dois, a passagem de uma sociedade rural a outra urbana. E tr\u00eas, um ritmo de crescimento econ\u00f4mico que a Fran\u00e7a e as sociedades ocidentais n\u00e3o mais experimentaram. Essas muta\u00e7\u00f5es \u2013que poderiam ser resumidas por um salto acelerado e n\u00e3o planejado para a modernidade\u2013 entraram em choque com estruturas de poder anquilosadas: no mundo pol\u00edtico (inclusive o Partido Comunista) e universit\u00e1rio, mas tamb\u00e9m nos sindicatos e na fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Ao longo das d\u00e9cadas, como se os eventos de maio fossem observados com um caleidosc\u00f3pio, o olhar foi se transformando. Inclusive para os protagonistas. \u201cTivemos um marco de leitura excessivamente determinado pelas teorias marxistas que mais ou menos t\u00ednhamos entendido, e que ocultaram o sentido do movimento e da revolta\u201d, diz Alain Geismar, um dos tr\u00eas l\u00edderes universit\u00e1rios vis\u00edveis. Os outros dois eram Daniel Cohn-Bendit e Jacques Sauvageot, recentemente falecido. O mesmo Geismar, ent\u00e3o um jovem professor que presidia o sindicato SNESup e que vinha da social-democracia, entrou no Maio de 68, no in\u00edcio, com a ideia de que a universidade arcaica da \u00e9poca \u201cn\u00e3o podia continuar assim\u201d. Pode-se dizer que no come\u00e7o de maio era um reformista. Algumas semanas depois, acabou se convencendo de que um movimento revolucion\u00e1rio estava sendo gestado. Acabou liderando o grupo mao\u00edsta Gauche Prol\u00e9tarienne (Esquerda Prolet\u00e1ria) e passando 18 meses na pris\u00e3o. Mais tarde retornou \u00e0 social-democracia e trabalhou no Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, onde colaborou com v\u00e1rios ministros socialistas. Agora vota em Macron. \u201cEm 1968\u201d, lembra, \u201crejeit\u00e1vamos o que cham\u00e1vamos de recupera\u00e7\u00e3o. Tem\u00edamos que os partidos recuperassem o movimento e o usassem para subir ao poder. E o fato \u00e9 que n\u00e3o foram os partidos que recuperaram o que se cristalizou em Maio de 68, mas a sociedade.\u201d<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">Se o movimento \u00e9 considerado como fechado, n\u00e3o foi para denegri-lo, mas tampouco para torn\u00e1-lo uma gesta<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Outro veterano daqueles dias, Marc Kravetz, que mais tarde tornou-se rep\u00f3rter do jornal\u00a0<em>Lib\u00e9ration<\/em>, conta que, apesar de os participantes acolherem ideias revolucion\u00e1rias mais ou menos articuladas, em seguida entenderam \u201cque n\u00e3o se tratava disso, n\u00e3o era o\u00a0<em>grand soir<\/em>\u00a0[o grande entardecer, ou o momento decisivo da revolu\u00e7\u00e3o], que era simplesmente um momento de liberta\u00e7\u00e3o, de liberdade\u201d. \u201cO Maio de 68 franc\u00eas\u201d, diz em outro momento, \u201c\u00e9 um enorme movimento de liberta\u00e7\u00e3o. Hoje se fala muito, a prop\u00f3sito do ass\u00e9dio sexual, da liberta\u00e7\u00e3o da palavra das mulheres. Maio dos 68 \u00e9 a liberta\u00e7\u00e3o da palavra, sem mais. [O fil\u00f3sofo jesu\u00edta] Michel de Certeau disse: \u201cEm Maio de 68, a palavra foi tomada como a Bastilha foi tomada em 1789\u201d.<\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, uma vez superada a ilus\u00e3o em alguns de que Maio de 68 poderia ser o primeiro cap\u00edtulo da verdadeira revolu\u00e7\u00e3o, oscilou entre duas vis\u00f5es, que vagamente correspondiam \u00e0 esquerda e \u00e0 direita. Para a esquerda, encarnada na Fran\u00e7a por um Partido Socialista que integrou em suas fileiras muitos dos veteranos do Maio de 68, essa data abriu as portas \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a, um pa\u00eds mais tolerante e democr\u00e1tico a partir de ent\u00e3o. Desde os direitos dos homossexuais \u00e0 igualdade de g\u00eanero, passando por uma escola e uma universidade mais abertas e igualit\u00e1rias, tudo isso foi considerado a partir dessa \u00f3tica como uma heran\u00e7a de Maio de 68.<\/p>\n<p>Na direita, desenvolveu-se desde os anos oitenta, com o ensaio dos fil\u00f3sofos Luc Ferry e Alain Renaut\u00a0<em>La Pens\u00e9e 68<\/em>\u00a0(O Pensamento 68), uma cr\u00edtica ao Maio de 68 como momento essencialmente destruidor \u2013das hierarquias, das tradi\u00e7\u00f5es, das normas sociais, do respeito aos s\u00edmbolos da na\u00e7\u00e3o&#8230;\u2013 e precursor do hedonismo e do individualismo das d\u00e9cadas seguintes, do relativismo e do vale-tudo que dilui as fronteiras entre o bem e o mal, da cultura do arrependimento e da autoflagela\u00e7\u00e3o pelos crimes cometidos pela Fran\u00e7a, da exist\u00eancia dos guetos isl\u00e2micos, e inclusive do capitalismo desenfreado que agrava as desigualdades e provoca crises financeiras. Toda essa enumera\u00e7\u00e3o, com varia\u00e7\u00f5es, apareceu em um discurso que Nicolas Sarkozy pronunciou em sua campanha \u00e0s elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2007, que venceu. \u201cNesta elei\u00e7\u00e3o\u201d, disse \u201ctrata-se de saber se a heran\u00e7a de Maio de 68 deve ser perpetuada ou se deve ser liquidada de uma vez por todas. Eu quero virar a p\u00e1gina de Maio de 68.\u201d<\/p>\n<p>Uma d\u00e9cada depois, os \u00e2nimos se acalmaram, e se de fato a p\u00e1gina do Maio de 68 foi virada, n\u00e3o foi para denegri-lo, mas tampouco para torn\u00e1-lo uma gesta. Como diz o historiador Stora, \u201co pensamento antimaio de 68 perdeu for\u00e7a porque, tanto \u00e0 esquerda quanto \u00e0 direita, 1968 tornou-se uma evid\u00eancia\u201d. A vit\u00f3ria de Macron h\u00e1 um ano e o colapso do Partido Socialista fecham um cap\u00edtulo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A explosiva revolta estudantil e oper\u00e1ria que mudou para sempre o Ocidente completa 50 anos enfrenta uma revis\u00e3o nas m\u00e3os de uma nova gera\u00e7\u00e3o de intelectuais<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":242510,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-242509","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ditadura-guri.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/242509","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=242509"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/242509\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/242510"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=242509"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=242509"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=242509"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}