{"id":242537,"date":"2018-05-06T09:16:34","date_gmt":"2018-05-06T12:16:34","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=242537"},"modified":"2018-05-06T09:16:34","modified_gmt":"2018-05-06T12:16:34","slug":"enem-completa-20-anos-de-criacao-em-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/enem-completa-20-anos-de-criacao-em-2018\/","title":{"rendered":"Enem completa 20 anos de cria\u00e7\u00e3o em 2018"},"content":{"rendered":"<div class=\"col s12\" style=\"text-align: justify;\">\n<section class=\"box-featured full-size header\">\n<h1><\/h1>\n<p>A Folha traz a evolu\u00e7\u00e3o do Enem, que se tornou o principal acesso a mais de mil institui\u00e7\u00f5es de ensino superior do Pa\u00eds<\/p>\n<div class=\"header-information\">\n<p>Por:\u00a0<strong class=\"responsible\">Mirella Ara\u00fajo, da Folha de Pernambuco<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"share-mattler\">\n<div class=\"row mb-none\">\n<div class=\"col l6 m6 s12\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<div class=\"content\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"col m6 l6 s12 medium-matler\">\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.folhape.com.br\/obj\/1\/272835,475,80,0,0,475,365,0,0,0,0.jpg\" alt=\"A ferramenta surgiu com o objetivo de avaliar compet\u00eancias e habilidades dos alunos concluintes da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica\" \/><\/p>\n<div class=\"caption\">A ferramenta surgiu com o objetivo de avaliar compet\u00eancias e habilidades dos alunos concluintes da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica<em>Foto: Brenda Alc\u00e2ntara<\/em><\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<p>A partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional (LDB) &#8211; n\u00ba 9.394\/1996 -, que atribuiu ao Governo Federal assegurar a avalia\u00e7\u00e3o do rendimento escolar para definir as prioridades e melhorias na qualidade do ensino, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) instituiu, em 1998, junto ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep), a aplica\u00e7\u00e3o do Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (<strong>Enem<\/strong>) nas escolas. A ferramenta surgiu como uma proposta inovadora para avaliar compet\u00eancias e habilidades dos alunos concluintes da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Duas d\u00e9cadas se passaram e o que antes servia como um instrumento de avalia\u00e7\u00e3o de desempenho de estudantes, aplicado em unidades das redes p\u00fablicas e privadas, tornou-se a principal porta de entrada para mais de mil institui\u00e7\u00f5es de ensino superior em todo o Brasil.<\/p>\n<p>Nesta segunda-feira (7), a partir das 10h, come\u00e7am as inscri\u00e7\u00f5es para a edi\u00e7\u00e3o 2018 do\u00a0<strong>Enem<\/strong>, que seguem at\u00e9 as 23h59 do pr\u00f3ximo dia 18. As provas ser\u00e3o aplicadas nos dias 4 e 11 de novembro. Educadores lembram que, em seu primeiro ano, foram registrados 157.221 inscritos em 184 munic\u00edpios brasileiros &#8211; em Pernambuco, 6.032 estudantes participaram das provas; j\u00e1 no ano seguinte, esse n\u00famero subiu para 7.968 participantes. A prova era realizada em um \u00fanico dia, com quatro horas de dura\u00e7\u00e3o, e havia 63 quest\u00f5es. \u201cA proposta do\u00a0<strong>Enem<\/strong>\u00a0foi criar um conceito mais abrangente de interdisciplinaridade em que os conte\u00fados aprendidos n\u00e3o ficassem guardados, mas fossem aplicados para resolver problemas. T\u00ednhamos as quest\u00f5es objetivas e a reda\u00e7\u00e3o. Era uma prova agrad\u00e1vel, inteligente e que conversava com os jovens\u201d, afirmou a presidente do Inep, Maria In\u00eas Fini.<\/p>\n<p>\u201cEsse formato de avalia\u00e7\u00e3o encantou os jovens. Lembro que recebi um telefonema de um estudante afirmando que finalmente o MEC havia acertado\u201d, completou. O processo de consolida\u00e7\u00e3o do Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio implicou diretamente na metodologia usada em sala de aula. \u201cNo in\u00edcio, houve muita resist\u00eancia por parte das institui\u00e7\u00f5es e, \u00e9 claro, os alunos fazem parte delas tamb\u00e9m, porque o<strong>\u00a0Enem<\/strong>\u00a0sa\u00eda da zona de conforto em absolutamente tudo: na forma de capacitar o professor, na maneira de pensar as avalia\u00e7\u00f5es, no trabalho da educa\u00e7\u00e3o sob a perspectiva de processo assistem\u00e1tico e na pr\u00f3pria forma de avaliar o aluno, que passa a ser pensante, questionador e problematizador\u201d, comentou Sandra Lima, professora de produ\u00e7\u00e3o de texto do Col\u00e9gio S\u00e3o Lu\u00eds Marista.<\/p>\n<p>O grande divisor de \u00e1guas do\u00a0<strong>Enem<\/strong>\u00a0foi em 2009, quando o exame passou a substituir o modelo tradicional de vestibular para acesso \u00e0s universidades p\u00fablicas, tornando-se um processo unificado. O n\u00famero de inscritos nessa edi\u00e7\u00e3o foi mais de 4,1 milh\u00f5es &#8211; em Pernambuco foram 207.848 candidatos inscritos. Com mais rigor e um n\u00edvel de dificuldade maior para evitar o famoso \u201cdecoreba\u201d, o teste passou a ter 180 perguntas distribu\u00eddas entre as seguintes \u00e1reas de conhecimento: linguagens, matem\u00e1tica, ci\u00eancias da natureza e ci\u00eancias humanas, al\u00e9m da reda\u00e7\u00e3o. As provas eram realizadas em dois dias seguidos (s\u00e1bado e domingo). As notas do\u00a0<strong>Enem\u00a0<\/strong>tamb\u00e9m se tornaram fundamentais para os programas do Governo Federal, como o Programa Universidade para Todos (Prouni), Sistema de Sele\u00e7\u00e3o Unificada (Sisu) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Professora de l\u00edngua portuguesa h\u00e1 12 anos, Fernanda Vasconcelos, da Escola de Refer\u00eancia em Ensino M\u00e9dio (Erem) Gin\u00e1sio Pernambucano &#8211; Aurora, tamb\u00e9m concorda com a transforma\u00e7\u00e3o que o\u00a0<strong>Enem<\/strong>\u00a0trouxe na din\u00e2mica dentro da sala de aula e que os alunos passaram a interagir mais. \u201cEles ficam mais atentos ao que liga uma disciplina \u00e0 outra. Aquele aluno que quer fazer medicina n\u00e3o fica mais preso s\u00f3 \u00e0 biologia, por exemplo. Ele tem quer conhecimento em outras \u00e1reas\u201d, disse.<\/p>\n<p>Outra grande mudan\u00e7a no Exame Nacional ocorreu no ano passado. As provas passaram a ser aplicadas em dois domingos consecutivos e a divis\u00e3o das \u00e1reas de conhecimento passou a ser: ci\u00eancias humanas, linguagens e reda\u00e7\u00e3o, no primeiro dia; e, no \u00faltimo dia de prova, os candidatos devem ir preparados para fazerem prova de matem\u00e1tica e ci\u00eancias da natureza. Foi tamb\u00e9m em 2017 que houve a suspens\u00e3o do uso das notas do\u00a0<strong>Enem\u00a0<\/strong>para a obten\u00e7\u00e3o do certificado de conclus\u00e3o do ensino m\u00e9dio para aqueles estudantes que n\u00e3o conseguiram terminar os estudos no tempo adequado. O certificado s\u00f3 pode ser obtido por meio do Exame Nacional para Certifica\u00e7\u00f5es de Compet\u00eancias de Jovens e Adultos (Encceja). Para a edi\u00e7\u00e3o 2018, as mudan\u00e7as ocorreram no pedido da taxa de isen\u00e7\u00e3o, que pode ser feito antes do per\u00edodo de inscri\u00e7\u00f5es. E os alunos agora v\u00e3o ter 30 minutos a mais para fazerem as provas no segundo dia &#8211; passou de 4h30 para 5h de avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>Pol\u00eamicas e seguran\u00e7a<\/h3>\n<p>Ao longo destas duas d\u00e9cadas, o Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio tamb\u00e9m acumulou pol\u00eamicas e a seguran\u00e7a na aplica\u00e7\u00e3o das provas para evitar vazamentos de informa\u00e7\u00f5es se tornou o principal foco do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e do Inep. \u201cO sigilo da prova, no caso do\u00a0<strong>Enem<\/strong>, \u00e9 muito importante. N\u00f3s temos acompanhamento de v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es, temos apoio da Pol\u00edcia Federal e vamos nos reunir com a Secretaria de Seguran\u00e7a. Portanto, todos os mecanismos de seguran\u00e7a est\u00e3o sendo mantidos e, inclusive, ampliados\u201d, declarou o ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Rossieli Soares.<\/p>\n<p>Em 2009, houve um furto das provas dentro da gr\u00e1fica respons\u00e1vel pela impress\u00e3o dos cadernos. Com o vazamento, o\u00a0<strong>Enem<\/strong>\u00a0teve que ser adiado e os preju\u00edzos para os estudantes foram enormes. Devido ao cronograma, algumas universidades desistiram de usar a nota do exame em seus processos seletivos. O fato causou o esvaziamento de candidatos no segundo dia de prova e essa edi\u00e7\u00e3o registrou 37,7% aus\u00eancia. No ano seguinte, o tema da reda\u00e7\u00e3o, \u201cTrabalho na constru\u00e7\u00e3o da dignidade humana\u201c, foi vazado por uma aplicadora da prova na Bahia, que enviou o tema para o filho. Eles foram processados e o filho desclassificado. Em 2011, no Cear\u00e1, alunos de uma escola particular tiveram acesso ao conte\u00fado do pr\u00e9-teste do\u00a0<strong>Enem<\/strong>.<\/p>\n<p>O MEC decidiu que n\u00e3o iria cancelar o Exame, mas os alunos daquela escola tiveram que fazer uma nova avalia\u00e7\u00e3o em outra data. \u201cEstamos falando de uma sele\u00e7\u00e3o nacional e que exige log\u00edstica e um trabalho orquestrado. \u00c9 importante que o \u00f3rg\u00e3o que a organiza d\u00ea a credibilidade de que a sele\u00e7\u00e3o ser\u00e1 segura e tranquila para que os alunos n\u00e3o se desestabilizem e n\u00e3o se sintam injusti\u00e7ados\u201d, comentou a professora Sandra Lima. Em 2017, o MEC divulgou na Cartilha do Participante que o candidato que ferir os direitos humanos na reda\u00e7\u00e3o teria a nota zerada. O Superior Tribunal Federal (STF) anulou essa decis\u00e3o, mas, a partir deste ano, o candidato poder\u00e1 perder at\u00e9 200 pontos caso o texto escrito na reda\u00e7\u00e3o desrespeite os direitos humanos.<\/p>\n<h4>Sem f\u00f3rmula m\u00e1gica<\/h4>\n<p>N\u00e3o existe f\u00f3rmula exata ou m\u00e1gica para fazer uma boa pontua\u00e7\u00e3o no<strong>\u00a0Enem<\/strong>, al\u00e9m de dedica\u00e7\u00e3o e muito estudo. O exame transformou a educa\u00e7\u00e3o no Pa\u00eds, e, consequentemente o perfil dos jovens que passam a vida escolar se preparando para a realiza\u00e7\u00e3o da prova. A rotina dos estudantes \u00e9 praticamente a mesma: escola, estudos em casa e, muitas vezes, os cursinhos para complementar o ensino. O desejo de cursar educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica na Universidade de Pernambuco (UPE) surgiu h\u00e1 tr\u00eas anos e, desde ent\u00e3o, Davyson Lucas, 17 anos, come\u00e7ou a intensificar seus estudos. \u201cA escola e os professores t\u00eam um papel fundamental. Eles s\u00e3o respons\u00e1veis pela nossa base, mas tamb\u00e9m procuro ter disciplina para estudar em casa\u201d, disse o estudante da Erem Gin\u00e1sio Pernambucano. O di\u00e1logo fora da sala de aula tamb\u00e9m \u00e9 importante na prepara\u00e7\u00e3o desses jovens. Foi por meio das conversas e orienta\u00e7\u00f5es em casa que Bruna Figueiredo, 16, come\u00e7ou a entender um pouco sobre o que \u00e9 o<strong>\u00a0Enem<\/strong>\u00a0e o peso dele.<\/p>\n<p>\u201cEntrei na escola em 2007 e o\u00a0<strong>Enem<\/strong>\u00a0ainda n\u00e3o tinha essa dimens\u00e3o. Foi quando ele passou a ser a principal forma de entrar na universidade que a prepara\u00e7\u00e3o partiu n\u00e3o s\u00f3 na escola, mas atrav\u00e9s de conversas com meus pais e familiares. Passei a receber mais informa\u00e7\u00f5es e esse contato mais pr\u00f3ximo\u201d, disse Bruna, que estuda no Col\u00e9gio Marista S\u00e3o Lu\u00eds e quer cursar nutri\u00e7\u00e3o, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Lidar com a carga hor\u00e1ria, a multidisciplinaridade abordada na prova e a press\u00e3o social que existe para ingressar em uma institui\u00e7\u00e3o de ensino superior \u00e9 tamb\u00e9m um peso muito grande. \u201cDesde a oitava s\u00e9rie, eu foco nos estudos, mas tenho em mente que n\u00e3o \u00e9 algo que servir\u00e1 s\u00f3 para o\u00a0<strong>Enem<\/strong>. O conhecimento \u00e9 algo que vamos poder usar para a vida. \u00c9 importante descansar, aproveitar o tempo com outras coisas que gostamos para conseguir relaxar mais\u201d, afirmou Ant\u00f4nio Andrade, 16, tamb\u00e9m do Col\u00e9gio S\u00e3o Lu\u00eds.<\/p>\n<h5>Di\u00e1logo entre os ensinos m\u00e9dio e superior<\/h5>\n<p>E depois do\u00a0<strong>Enem<\/strong>? O aluno passa boa parte da vida escolar se preparando para fazer o Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio, mas, ser\u00e1 que com essas mudan\u00e7as na abordagem das disciplinas, esse estudante est\u00e1 preparado para a universidade. O professor de matem\u00e1tica Jairo Texeira, relembra que quando prestou o vestibular para engenharia, sua prepara\u00e7\u00e3o foi toda baseada em conte\u00fados, com quest\u00f5es ditas como \u201csecas\u201d. Ainda assim foi dif\u00edcil acompanhar o ritmo no primeiro per\u00edodo de faculdade, no qual era exigido uma matem\u00e1tica mais aprofundada. \u201c\u00c9 absurda a quantidade de alunos que entraram no curso de engenharia e n\u00e3o conseguem acompanhar o ritmo. O aluno quando entra na universidade, por exemplo, consegue nota boa e entra para um curso de engenharia, que \u00e9 muito dif\u00edcil, l\u00e1 vai precisar de uma bagagem conte\u00fadista. E isso \u00e0s vezes falta\u201d, declarou o professor. Para a presidente do Inep, Maria In\u00eas Fini, o ensino superior deveria ter um olhar mais atento com o ensino m\u00e9dio. \u201cExiste uma dist\u00e2ncia das universidades desse modelo de ensino mais renovado trazido pelo ensino m\u00e9dio. E isso contribui para a evas\u00e3o dos estudantes nessa etapa. \u00c9 necess\u00e1rio haver uma adequa\u00e7\u00e3o diante das novas propostas curriculares, das novas profiss\u00f5es\u201d, declarou.<\/p>\n<p>A reitora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Maria Jos\u00e9 de Sena, n\u00e3o considera as duas esferas em quest\u00e3o distantes uma da outra e acredita que h\u00e1 uma constru\u00e7\u00e3o constante na educa\u00e7\u00e3o. \u201cO\u00a0<strong>Enem<\/strong>\u00a0chegou para dar uma nova roupagem no ensino, com uma prova mais contextualizada e interdisciplinar. Os conte\u00fados s\u00e3o muito mais interligados. Essa conversa entre ensino m\u00e9dio e ensino superior precisa existir e isso j\u00e1 est\u00e1 sendo constru\u00eddo\u201d, afirmou a professora. Maria Jos\u00e9 ainda explica que muitas escolas j\u00e1 procuram manter esse di\u00e1logo mais pr\u00f3ximo com as universidades. \u201cN\u00e3o estamos formando s\u00f3 o engenheiro, ou s\u00f3 o m\u00e9dico, s\u00f3 o advogado. Estamos buscando formar um profissional com uma carga t\u00e9cnica e human\u00edstica. N\u00e3o adianta s\u00f3 o profissional que tenha conhecimento consolidado na sua \u00e1rea. Ele precisa lidar com tudo a sua volta\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEsse formato de avalia\u00e7\u00e3o encantou os jovens. 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