{"id":243315,"date":"2018-05-12T08:55:15","date_gmt":"2018-05-12T11:55:15","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=243315"},"modified":"2018-05-12T08:55:15","modified_gmt":"2018-05-12T11:55:15","slug":"livro-reune-receitas-e-conselhos-de-clarice-lispector-para-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/livro-reune-receitas-e-conselhos-de-clarice-lispector-para-mulheres\/","title":{"rendered":"Livro re\u00fane receitas e conselhos de Clarice Lispector para mulheres"},"content":{"rendered":"<div id=\"container\" style=\"text-align: justify;\">\n<section id=\"header_post\">\n<div class=\"wrap\">\n<div class=\"box-title-single wrap img_sup\">\n<h1 class=\"wrap\"><\/h1>\n<p>Correio para Mulheres, lan\u00e7ado pela editora Rocco, mostra textos de tr\u00eas colunas femininas produzidas pela autora<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"wrap img_sup\">\n<div class=\"imgPinWrap\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"attachment-840-577 size-840-577 wp-post-image\" src=\"https:\/\/uploads.metropoles.com\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/12081450\/clarisselispector-840x560.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 840px) 100vw, 840px\" srcset=\"https:\/\/uploads.metropoles.com\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/12081450\/clarisselispector.jpg 840w, https:\/\/uploads.metropoles.com\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/12081450\/clarisselispector-300x200.jpg 300w, https:\/\/uploads.metropoles.com\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/12081450\/clarisselispector-212x142.jpg 212w\" alt=\"ARQUIVO\/ESTAD\u00c3O CONTE\u00daDO\" width=\"840\" height=\"560\" \/><\/div>\n<section id=\"authors_sec\"><\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<section id=\"body_post\" class=\"wrap entry-content \">\n<div class=\"d-3of4 t-all\">\n<div class=\"d-1of4 t-all column_social\">\n<div id=\"sticky-wrapper\" class=\"sticky-wrapper is-sticky\">\n<div class=\"share-internal\">\n<div class=\"box_share_int\"><\/div>\n<div class=\"box_share_int\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"content_post\" class=\"d-3of4 t-all\">\n<p>Lidos fora do contexto em que foram escritos, muitos dos textos de Correio Para Mulheres podem chocar. \u00c9 preciso voltar no tempo \u2013 para 1952, depois para 1959, 1960 e 1961. E \u00e9 preciso entender quem era a mulher brasileira de classe m\u00e9dia alta, leitora de jornais, mais especificamente das p\u00e1ginas femininas de peri\u00f3dicos como Com\u00edcio, Di\u00e1rio da Noite e Correio da Manh\u00e3. Foi para elas que Clarice Lispector (1920-1977), usando pseud\u00f4nimo, deu dicas de beleza e sedu\u00e7\u00e3o; receitas culin\u00e1rias, de produtos de limpeza e cosm\u00e9ticos; conselhos sobre como educar os filhos, ser uma boa esposa, cuidar da casa e se relacionar com a empregada.<\/p>\n<p>Uma das grandes escritoras brasileiras, autora de obras como Perto do Cora\u00e7\u00e3o Selvagem, A Paix\u00e3o Segundo G. H. e A Hora da Estrela, Clarice Lispector foi tamb\u00e9m jornalista durante toda a vida e em duas fases, uma de mais aperto financeiro, foi respons\u00e1vel por tr\u00eas colunas femininas que somam cerca de 450 textos sobre assuntos triviais.<\/p>\n<p>Foi nesse universo que a jornalista e professora de Literatura Brasileira Aparecida Maria Nunes mergulhou ao longo de anos de pesquisa. Dali surgiram tr\u00eas livros: Clarice na Cabeceira: Jornalismo (2012), S\u00f3 Para Mulheres: Conselhos, Receitas, Segredos (2008) e Correio Feminino (2006). Correio Para Mulheres, o t\u00edtulo que a Rocco est\u00e1 mandando para as livrarias, re\u00fane esses dois \u00faltimos volumes e apresenta, por meio de um apanhado de textos (sem indica\u00e7\u00e3o de data ou origem) organizados em blocos tem\u00e1ticos um panorama da fase Clarice conselheira de assuntos cotidianos.<\/p>\n<p>Tereza Quadros foi seu primeiro pseud\u00f4nimo. J\u00e1 casada e passando uma temporada no Brasil, depois de anos vivendo na Europa e enquanto aguardava a transfer\u00eancia do marido diplomata para os Estados Unidos, Clarice aceitou o convite do escritor Rubem Braga para fazer a coluna Entre Mulheres no Com\u00edcio.<\/p>\n<p>Ali, entre maio e setembro, de 1952, escreve para uma mulher \u00e0s voltas com os afazeres dom\u00e9sticos e que ainda n\u00e3o trabalha fora. Receitas e conselhos se misturam a textos mais liter\u00e1rios, em que vemos uma escritora em forma\u00e7\u00e3o e embri\u00f5es de hist\u00f3rias que a tornariam c\u00e9lebre, e a abordagem de assuntos mais ousados, como quando traduziu trecho de O Segundo Sexo, lan\u00e7ado por Simone de Beauvoir na Fran\u00e7a.<\/p>\n<div class=\"relatedposts\">\n<article class=\"notice_gen_img_g\">&nbsp;<\/p>\n<\/article>\n<\/div>\n<p>Bi\u00f3grafa de Clarice Lispector, N\u00e1dia Battella Gotlib diz que ao incluir nas colunas textos ficcionais mais eruditos, ela presta sua colabora\u00e7\u00e3o para uma melhor percep\u00e7\u00e3o da arte por parte de suas leitoras. \u201cDe certa forma, educa\u201d, diz. Para N\u00e1dia, no entanto, mais importante que isso ou as dicas de Clarice sobre como tirar mancha de tecido ou usar perfume sem excesso e na hora certa, est\u00e1 o uso que ela faz do espa\u00e7o para publicar textos que n\u00e3o s\u00e3o mais da jornalista ou de Tereza Quadros, mas da autora.\u00c9 o caso, por exemplo, ela conta, do texto Meio c\u00f4mico, mas eficaz\u2026, uma receita de como matar baratas, que anunciava o conto A Quinta Hist\u00f3ria e o romance A Paix\u00e3o Segundo G. H.<\/p>\n<p>\u201cSob esse aspecto, permite acompanhar a hist\u00f3ria de alguns temas importantes de sua fic\u00e7\u00e3o, como o tal crime \u2013 o assassinato de baratas \u2013 ou, se quiserem, a dif\u00edcil tarefa de como enfrentar os nossos fantasmas. E eu pergunto: n\u00e3o estaria a\u00ed a receita de \u2018matar leitores\u2019, aviada pela ficcionista Clarice, que joga com a sedu\u00e7\u00e3o de imagens para nos atrair, mas tamb\u00e9m injeta nessa po\u00e7\u00e3o a experi\u00eancia de uma cultura cheia de preconceitos, v\u00edcios, fantasmas, selvagerias que temos de enfrentar como condi\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia e do aperfei\u00e7oamento de nossa sensibilidade e de nossa disponibilidade para sermos, de fato, o que somos, selvagens e humanos?\u201d, questiona.<\/p>\n<p>Em 1959, nasce Helen Palmer para assinar a coluna Feira de Utilidades, no Correio da Manh\u00e3. Nessa \u00e9poca, Clarice est\u00e1 de volta ao Brasil, separada e com dois filhos para criar, e aceita o trabalho \u2013 e tamb\u00e9m o convite de Alberto Dines para ser, entre 1960 e 1961, no Di\u00e1rio da Noite, ghost writer da atriz Ilka Soares, a quem chamou, numa cr\u00f4nica do Jornal do Brasil, em 1970, de \u201ca vedete das mais simp\u00e1ticas e bonitas\u201d. Fez isso mais por dinheiro do que por prazer de retomar os textos femininos dedicados, agora, a uma mulher que come\u00e7a a ingressar no mercado de trabalho, que est\u00e1 interessada no mundo da moda e da beleza, mas que continua \u00e0s voltas com a casa e a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Clarice criou tr\u00eas personagens para se dirigir a suas leitoras, mas, para Aparecida Maria Nunes, organizadora de Correio Feminino, ela tamb\u00e9m est\u00e1 ali. \u201cTemos muito da pessoa Clarice, do que ela entendida do que \u00e9 ser uma mulher elegante e feminina \u00c9 claro que ela tinha que falar coisas que fossem direcionadas para a leitora de cada uma dessas \u00e9pocas. Hoje as pessoas questionam: \u2018Mas como Clarice disse uma coisa dessas? (cuidar do seu homem, por exemplo)\u2019. Ela tinha que falar. Fazia parte do contexto de \u00e9poca e da est\u00e9tica da imprensa feminina\u201d, diz. \u201cMas, mesmo fazendo isso, vamos encontrar assuntos, tem\u00e1ticas e preocupa\u00e7\u00f5es de uma Clarice Lispector que tentava modificar o n\u00edvel de conscientiza\u00e7\u00e3o dessa leitora. Alguns textos parecem inofensivos, mas Clarice est\u00e1 ali dizendo: \u2018Olha, se estude, seja voc\u00ea mesma\u2019. Isso est\u00e1 nas entrelinhas\u201d, completa a pesquisadora.<\/p>\n<p>A professora Dulc\u00edlia Buitoni, autora de Mulher de Papel: A Representa\u00e7\u00e3o da Mulher Pela Imprensa Feminina Brasileira (1981) e de Imprensa Feminina (1990), concorda com Aparecida. \u201cMesmo nos conselhos dom\u00e9sticos, sempre havia uma ironia, uma cr\u00edtica, algo a ser lido nas entrelinhas\u201d, conta.<\/p>\n<p>Em alguns casos, o recado era dado discretamente. Em outros, o chacoalh\u00e3o era expl\u00edcito. Em Para N\u00e3o Bobear, ela diz que ler \u00e9 um h\u00e1bito que todo mundo deveria ter para n\u00e3o se tornar uma jovem que diz bobagens com os \u201cl\u00e1bios perfeitamente maquiados\u201d. Vai al\u00e9m em Eva e a Leitura: \u201cA leitura instrui e educa, eleva os pensamentos e faz com que pessoas se irmanem melhor, compreendendo que vivem em comunidade\u201d.<\/p>\n<p>\u201cClarice continua sendo Clarice tamb\u00e9m nessas p\u00e1ginas femininas ao nos desvendar mazelas e encantos da condi\u00e7\u00e3o humana na banal rotina que esconde dif\u00edceis \u2013 e atraentes \u2013 descobertas de nossa pr\u00f3pria intimidade\u201d, conclui a bi\u00f3grafa N\u00e1dia.<\/p>\n<p><strong>Correio para Mulheres<br \/>\n<em>Autora: Clarice Lispector<\/em><\/strong><br \/>\n<em><strong>Organiza\u00e7\u00e3o: Aparecida Maria Nunes<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Editora: Rocco (400 p\u00e1gs.; R$ 49,90; R$ 29,90 o e-book)<\/strong><\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das grandes escritoras brasileiras, autora de obras como Perto do Cora\u00e7\u00e3o Selvagem, A Paix\u00e3o Segundo G. 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