{"id":243382,"date":"2018-05-13T07:36:01","date_gmt":"2018-05-13T10:36:01","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=243382"},"modified":"2018-05-13T07:36:01","modified_gmt":"2018-05-13T10:36:01","slug":"e-preciso-falar-sobre-o-suicidio-nas-escolas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/e-preciso-falar-sobre-o-suicidio-nas-escolas\/","title":{"rendered":"\u00c9 preciso falar sobre o suic\u00eddio nas escolas"},"content":{"rendered":"<div class=\"td-post-header td-pb-padding-side\" style=\"text-align: justify;\">\n<header>\n<h1 class=\"entry-title\"><\/h1>\n<\/header>\n<\/div>\n<div class=\"td-post-content td-pb-padding-side\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"ad-outer ad-right\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1498066329325-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.diariodocentrodomundo.com.br\/essencial\/suicidio-de-tres-estudantes-gera-debates-em-escolas-de-sp\/baleia-azul-e-a-onda-de-suicidio-entre-os-jovens-clube-das-comadres\/\" rel=\"attachment wp-att-217302\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-217302\" src=\"https:\/\/www.diariodocentrodomundo.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/baleia-azul-e-a-onda-de-suicidio-entre-os-jovens-clube-das-comadres-600x338.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" srcset=\"https:\/\/www.diariodocentrodomundo.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/baleia-azul-e-a-onda-de-suicidio-entre-os-jovens-clube-das-comadres-600x338.jpg 600w, https:\/\/www.diariodocentrodomundo.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/baleia-azul-e-a-onda-de-suicidio-entre-os-jovens-clube-das-comadres-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.diariodocentrodomundo.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/baleia-azul-e-a-onda-de-suicidio-entre-os-jovens-clube-das-comadres-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.diariodocentrodomundo.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/baleia-azul-e-a-onda-de-suicidio-entre-os-jovens-clube-das-comadres-747x420.jpg 747w, https:\/\/www.diariodocentrodomundo.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/baleia-azul-e-a-onda-de-suicidio-entre-os-jovens-clube-das-comadres-640x360.jpg 640w, https:\/\/www.diariodocentrodomundo.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/baleia-azul-e-a-onda-de-suicidio-entre-os-jovens-clube-das-comadres-681x383.jpg 681w, https:\/\/www.diariodocentrodomundo.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/baleia-azul-e-a-onda-de-suicidio-entre-os-jovens-clube-das-comadres.jpg 800w\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"338\" data-attachment-id=\"217302\" data-permalink=\"https:\/\/www.diariodocentrodomundo.com.br\/essencial\/suicidio-de-tres-estudantes-gera-debates-em-escolas-de-sp\/baleia-azul-e-a-onda-de-suicidio-entre-os-jovens-clube-das-comadres\/\" data-orig-file=\"https:\/\/www.diariodocentrodomundo.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/baleia-azul-e-a-onda-de-suicidio-entre-os-jovens-clube-das-comadres.jpg\" data-orig-size=\"800,450\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Baleia-Azul-e-a-onda-de-suic\u00eddio-entre-os-jovens-Clube-das-Comadres-\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/www.diariodocentrodomundo.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/baleia-azul-e-a-onda-de-suicidio-entre-os-jovens-clube-das-comadres-300x169.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/www.diariodocentrodomundo.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/baleia-azul-e-a-onda-de-suicidio-entre-os-jovens-clube-das-comadres-600x338.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>POR LUANDA JULI\u00c3O, doutoranda em Filosofia na Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (Ufscar)<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o quase duas da manh\u00e3, madrugada de domingo para segunda-feira, come\u00e7o do m\u00eas de abril. Sem sono, eu penso em in\u00fameras coisas enquanto rolo de um lado para outro na cama. Vencida pela ins\u00f4nia, eu pego o celular para me distrair. Menos de um minuto depois, um n\u00famero n\u00e3o registrado, que com certeza vira que eu estava online, me chama:<\/p>\n<p>\u2013 Professora, eu n\u00e3o sei por onde come\u00e7ar.<\/p>\n<p>Num lapso, eu rapidamente penso: \u201cN\u00e3o acredito que um aluno vem falar de trabalho a essa hora. Maldita hora em que eu fui compartilhar meu WhatsApp nas salas de aula\u201d.<\/p>\n<p>Decido n\u00e3o responder a mensagem e me desconectar, mas meu interlocutor \u00e9 mais \u00e1gil. No mesmo instante em que eu tomara a decis\u00e3o de desligar o celular, uma outra mensagem chega.<\/p>\n<p>\u2013 Eu sei que n\u00e3o \u00e9 hora, mas eu n\u00e3o tenho ningu\u00e9m para falar. Me desculpe incomod\u00e1-la.<\/p>\n<p>\u2013 Seu trabalho \u00e9 para amanh\u00e3? \u2013 eu pergunto secamente, na tentativa de encerrar o mais breve a conversa.<\/p>\n<p>A essa altura do di\u00e1logo, eu j\u00e1 havia reconhecido pela foto do perfil que quem me procurava \u00e0quela hora era uma aluna do ensino m\u00e9dio. Para preservar sua identidade, vamos cham\u00e1-la de Mel.<\/p>\n<p>Mel respondeu:<\/p>\n<p>\u2013 Essa noite \u00e9 a segunda vez que eu tento suic\u00eddio.<\/p>\n<p>Penso no peso e na responsabilidade que a conversa adquire e confesso que por alguns segundos n\u00e3o sei o que responder, nem como agir. Apenas consigo pensar que naquele momento dizer \u201cn\u00e3o fa\u00e7a isso!\u201d n\u00e3o ressoaria em lugar algum.<\/p>\n<p>Come\u00e7o a digitar alguma coisa, alguma frase de efeito, n\u00e3o me lembro, quando chega outra mensagem da Mel:<\/p>\n<p>\u2013\u00a0 Tento lutar, mas parece imposs\u00edvel. \u00c9 horr\u00edvel. N\u00e3o aguento mais!<\/p>\n<p>Ela ent\u00e3o desabafa comigo e imediatamente eu percebo a gravidade da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em><small class=\"\"><big class=\"\"><span class=\"vermelho\">UMA GAROTA DE DEZESSEIS ANOS, NEGRA, POBRE, ALUNA DE ESCOLA P\u00daBLICA, V\u00cdTIMA DE VIOL\u00caNCIA SEXUAL E RACISMO, DEPRIMIDA, DESAMPARADA E CONFUSA N\u00c3O QUER MAIS VIVER. TUDO O QUE ELA PENSA \u00c9 QUE DANDO FIM \u00c0 SUA VIDA, TODOS OS SEUS PROBLEMAS DESAPARECER\u00c3O.\u00a0<\/span><\/big><\/small><\/em><\/p>\n<p>Passei a madrugada conversando com a Mel, ouvindo-a e fazendo com que me ouvisse. No dia seguinte, ela procurou ajuda psicol\u00f3gica e psiqui\u00e1trica na rede p\u00fablica e at\u00e9 onde pude acompanhar, sua depress\u00e3o \u00e9 cr\u00f4nica e os rem\u00e9dios demoram a fazer efeito, o que, segundo ela mesma, causa \u201caltos e baixos\u201d, ou seja, momentos de euforia e tristeza profunda. A fam\u00edlia diz que ela est\u00e1 sendo tratada e acompanhada.<\/p>\n<p>Dia 24 de abril. Os principais jornais do pa\u00eds, como\u00a0<em>O Globo<\/em>\u00a0e\u00a0<em>O Estado de S. Paulo<\/em>, noticiam que dois alunos do ensino m\u00e9dio do Col\u00e9gio Bandeirantes, um dos mais tradicionais e conceituados de S\u00e3o Paulo \u2013 como fazem quest\u00e3o de frisar nas chamadas das mat\u00e9rias \u2013 suicidaram-se em casa em um intervalo de pouco mais de dez dias. A mesma mat\u00e9ria no jornal\u00a0<em>O Estado<\/em>\u00a0afirma que houve um caso no mesmo m\u00eas no Col\u00e9gio Agostiniano e, no ano passado, um caso no Col\u00e9gio V\u00e9rtice. Os pais, preocupad\u00edssimos, insistem que as escolas particulares debatam o assunto entre os alunos.<\/p>\n<p>Leio a mat\u00e9ria e penso na Mel e em todos os meus alunos (todos eles de escolas p\u00fablicas) que j\u00e1 se automutilaram, que tentaram suic\u00eddio e\/ou t\u00eam depress\u00e3o. Penso tamb\u00e9m nas estat\u00edsticas expostas na mat\u00e9ria, que afirmam que suic\u00eddio \u00e9 a segunda causa de morte de jovens e adolescentes no mundo. Segundo a not\u00edcia fornecida pelo jornal, que se baseia nos dados mais recentes fornecidos pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, os casos de suic\u00eddios no Brasil t\u00eam crescido nos \u00faltimos anos: foram 722 mortes em 2015, na faixa et\u00e1ria de 15 a 19 anos.\u00a0A segunda causa de morte de jovens e adolescentes \u00e9 o maior tabu das escolas, que evitam falar sobre o tema com receio, inclusive, de incentiv\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Segundo as reportagens, por press\u00e3o dos pais, as escolas particulares decidiram refletir sobre o assunto, colocando-o em pauta e ouvindo os alunos.\u00a0\u00a0Mas, e nas escolas p\u00fablicas, como debater esse assunto?<\/p>\n<p><em><big class=\"\">SE O SUIC\u00cdDIO AINDA \u00c9 TABU NAS ESCOLAS PARTICULARES E, SEM D\u00daVIDAS, NA SOCIEDADE DE UM MODO GERAL, COMO ABORDAR O TEMA NAS ESCOLAS P\u00daBLICAS ONDE SALAS LOTADAS E TODOS OS PROBLEMAS NEGLIGENCIADOS PELO PODER P\u00daBLICO OFUSCAM O ESPA\u00c7O PARA O DI\u00c1LOGO?<\/big><\/em><\/p>\n<p>No ano passado, pela primeira vez, depois de quase uma d\u00e9cada de pr\u00e1tica docente, eu decidi ceder um tempo (de cinco a dez minutos) durante os \u00faltimos minutos da minha aula, para que algum aluno (por livre e espont\u00e2nea vontade) fosse at\u00e9 a frente da sala (num cantinho que juntos intitulamos de cantinho do desabafo) e compartilhasse com os demais colegas algum problema ou algo bom que estivesse acontecendo naquele momento na vida dele.<\/p>\n<p>De in\u00edcio, pensei que eles hesitariam em falar. Ent\u00e3o coloquei em pauta: Por que os jovens relutam em falar sobre os pr\u00f3prios problemas? A escola deveria ser o lugar mais democr\u00e1tico do mundo, mas infelizmente, \u00e9 o local onde nos deparamos pela primeira vez com as diferen\u00e7as de maneira hostil e excludente. Diz ser inclusiva, mas pratica uma inclus\u00e3o seletiva \u2013 na maioria das vezes prolifera a exclus\u00e3o que h\u00e1 na sociedade.<\/p>\n<p>Diante da resist\u00eancia, eu mesma ent\u00e3o decidi estrear o espa\u00e7o, contando um pouco da minha vida, dos meus problemas pessoais e, mais especificamente, como foi a minha adolesc\u00eancia como uma garota negra, pobre e estudante de escola p\u00fablica. Na \u00e9poca, eu havia acabado de me separar, passava por problemas financeiros e sofria com a aus\u00eancia do meu pai. Mostrei a eles que eu tinha tantos problemas quanto eles.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que o \u201ccantinho do desabafo\u201d, que a princ\u00edpio come\u00e7ou como uma maneira din\u00e2mica de terminar as aulas de filosofia, tornou-se algo s\u00e9rio, parte da aula, de modo que os pr\u00f3prios alunos me cobravam a din\u00e2mica j\u00e1 no come\u00e7o da aula. Esses t\u00e9rminos de aula fizeram com que eu percebesse que a maioria dos meus alunos sofrem de depress\u00e3o e ansiedade.<\/p>\n<p><em><small class=\"\">Muitos deles, durante o desabafo, alegavam j\u00e1 ter tentado se matar uma ou mais vezes. Os motivos? Os mais variados poss\u00edveis: viol\u00eancia dom\u00e9stica, racismo, bullying, separa\u00e7\u00e3o dos pais, neglig\u00eancia e aus\u00eancia dos pais ou respons\u00e1veis, alcoolismo, drogas, viol\u00eancia sexual, baixa autoestima, falta de aceita\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o social.\u00a0\u00a0<\/small><\/em><\/p>\n<p>Compartilhando sentimentos n\u00e3o nos sentimos sozinhos, pois constatamos que todos n\u00f3s somos fr\u00e1geis, todos n\u00f3s temos problemas, todos n\u00f3s nos sentimos sozinhos diante das adversidades da vida.<\/p>\n<p>Albert Camus (1913-1960), conhecido como o fil\u00f3sofo do absurdo, em seu ensaio\u00a0<em>O Mito de S\u00edsifo<\/em>, afirmava que \u201cexiste apenas um problema filos\u00f3fico realmente s\u00e9rio:\u00a0<span class=\"vermelho\">o suic\u00eddio<\/span>. Julgar se a vida merece ou n\u00e3o ser vivida, \u00e9 responder \u00e0 quest\u00e3o fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem tr\u00eas dimens\u00f5es, se o esp\u00edrito tem nove ou doze categorias, vem depois\u201d.<\/p>\n<p>Na mitologia, S\u00edsifo foi condenado pelos deuses a empurrar repetidamente uma rocha at\u00e9 o topo de uma montanha para v\u00ea-la cair novamente. Para os deuses, n\u00e3o havia castigo pior do que a a\u00e7\u00e3o mon\u00f3tona, repetitiva, il\u00f3gica, sofrida, absurda. Ao chegar no topo da montanha a rocha despencaria e n\u00e3o haveria nada a fazer.<\/p>\n<p>Assim como S\u00edsifo, fazemos as coisas de forma rotineira e chata, muitas vezes sem entender o porqu\u00ea das a\u00e7\u00f5es e os seus resultados.<\/p>\n<p><em><small class=\"\">No entanto, Camus percebe que \u00e9 imposs\u00edvel responder \u00e0 pergunta: \u201cPor que estamos aqui?\u201d ou \u201cQual o sentido da vida?\u201d. Para este fil\u00f3sofo, devemos deixar de lado essa nossa pretens\u00e3o de procurar o sentido das coisas, pois ao aceitarmos que a vida n\u00e3o tem sentido ou pararmos de buscar algo que d\u00ea sentido a ela, o absurdo da vida, da nossa exist\u00eancia cessa, deixa de ser \u2013 em suma, para de nos perturbar.\u00a0<\/small><\/em><\/p>\n<p>Assim, para Camus, \u00e9 preciso aceitar o absurdo, a falta de raz\u00e3o e l\u00f3gica da vida para assim vivermos bem, para assim aceitarmos o fato de que podemos viver a vida sem um sentido. Entrementes, a vida ser absurda n\u00e3o significa que as pessoas tenham que sofrer, pois mesmo vivendo num oceano de perguntas sem respostas, n\u00e3o h\u00e1 o porqu\u00ea de se desistir da vida. Pelo contr\u00e1rio, temos que enfrent\u00e1-la com toda a sua incoer\u00eancia e absurdidade, sem trapace\u00e1-la. Para Camus, aprender essa verdade (o absurdo, a falta de l\u00f3gica da vida) \u00e9 aprender a viver. Como ele afirma quase nas p\u00e1ginas finais do seu ensaio: \u201c\u00c9 preciso imaginar S\u00edsifo feliz\u201d.<\/p>\n<p>Apesar de ser um assunto delicado, o melhor que temos a fazer \u00e9 falar claramente sobre o suic\u00eddio com os nossos jovens e adolescentes. O Jap\u00e3o \u00e9 um exemplo que demonstra ser o di\u00e1logo o melhor caminho. At\u00e9 1998, o suic\u00eddio era considerado tabu no Jap\u00e3o, de modo que era proibido discuti-lo publicamente. Os japoneses perceberam que n\u00e3o falar sobre o assunto aumentava o n\u00famero da incid\u00eancia de casos e mortes. At\u00e9 que, a partir de 1998, o governo decidiu desenvolver medidas de sa\u00fade p\u00fablicas no pa\u00eds para diminuir o n\u00famero de suic\u00eddios, o que deu certo, pelos ind\u00edcios de suic\u00eddio diminu\u00edrem a cada ano.<\/p>\n<p>No Brasil, devemos seguir o mesmo exemplo dos japoneses e debater sobre o assunto em casa, na comunidade, nas escolas. Se a escola \u00e9 o espa\u00e7o onde, pela primeira vez na vida, nossos jovens e crian\u00e7as se deparam com as contradi\u00e7\u00f5es e frustra\u00e7\u00f5es intr\u00ednsecas a nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia, ela \u00e9, portanto, recinto em que o di\u00e1logo sobre a maneira de lidar com as contradi\u00e7\u00f5es e frustra\u00e7\u00f5es da vida deve ser inserido.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diante da resist\u00eancia, eu mesma ent\u00e3o decidi estrear o espa\u00e7o, contando um pouco da minha vida, dos meus problemas pessoais e, mais especificamente, como foi a minha adolesc\u00eancia como uma garota negra, pobre e estudante de escola p\u00fablica. 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