{"id":243680,"date":"2018-05-15T09:31:49","date_gmt":"2018-05-15T12:31:49","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=243680"},"modified":"2018-05-15T09:31:49","modified_gmt":"2018-05-15T12:31:49","slug":"muito-alem-da-princesa-isabel-6-brasileiros-que-lutaram-pelo-fim-da-escravidao-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/muito-alem-da-princesa-isabel-6-brasileiros-que-lutaram-pelo-fim-da-escravidao-no-brasil\/","title":{"rendered":"Muito al\u00e9m da princesa Isabel, 6 brasileiros que lutaram pelo fim da escravid\u00e3o no Brasil"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"byline\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"byline__name\">Amanda Rossi e Camilla Costa<\/span><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share-row\">\n<div class=\"share-tools--no-event-tag\">\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-twite\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/1177E\/production\/_101305517_abolicionistas-todosjuntos-lowlow.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o brasileiros que lutaram contra a aboli\u00e7\u00e3o\" width=\"976\" height=\"651\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Batalha pela aboli\u00e7\u00e3o j\u00e1 ocorria nas prov\u00edncias brasileiras anos antes da assinatura da Lei \u00c1urea, e reunia escravos, negros libertos, pessoas da classe m\u00e9dia e da alta sociedade<\/span><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">O fim da escravid\u00e3o no Brasil completa 130 anos em 13 de maio deste ano. Em 1888, a princesa Isabel, filha do imperador do Brasil Pedro 2\u00ba, assinou a Lei \u00c1urea, decretando a aboli\u00e7\u00e3o &#8211; sem nenhuma medida de compensa\u00e7\u00e3o ou apoio aos ex-escravos.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o veio ap\u00f3s mais de tr\u00eas s\u00e9culos de escravid\u00e3o, que resultaram em 4,9 milh\u00f5es de africanos traficados para o Brasil, sendo que mais de 600 mil morreram no caminho.<\/p>\n<p>Mas a aboli\u00e7\u00e3o no Brasil est\u00e1 longe de ter sido uma benevol\u00eancia da monarquia. Na verdade, foi resultado de diversos fatores, entre eles, o crescimento do movimento abolicionista na d\u00e9cada de 1880, cuja for\u00e7a n\u00e3o podia mais ser contida.<\/p>\n<p>Entre as formas de resist\u00eancia, estavam grandes embates parlamentares, manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, at\u00e9 revoltas e fugas massivas de escravos, que a pol\u00edcia e o Ex\u00e9rcito n\u00e3o conseguiam &#8211; e, a partir de certo ponto, n\u00e3o queriam &#8211; reprimir. Em 1884, quatro anos antes do Brasil, os Estados do Cear\u00e1 e do Amazonas acabaram com a escravid\u00e3o, dando ainda mais for\u00e7a para o movimento.<\/p>\n<p>A disputa continuou no p\u00f3s-liberta\u00e7\u00e3o, para que novas pol\u00edticas fossem criadas destinando terras e indeniza\u00e7\u00f5es aos ex-escravos &#8211; o que nunca ocorreu.<\/p>\n<p>Conhe\u00e7a abaixo as hist\u00f3rias de seis brasileiros protagonistas na luta pelo fim da escravid\u00e3o:<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Lu\u00eds Gama, o ex-escravo que se tornou advogado<\/h2>\n<p>Lu\u00eds Gonzaga Pinto da Gama nasceu em 1830, em Salvador, filho de m\u00e3e africana livre e pai branco de origem portuguesa. Quando o menino tinha quatro anos, sua m\u00e3e, Lu\u00edsa, teria participado revolta dos Mal\u00eas, na Bahia, pelo fim da escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma reviravolta ocorreu quando Gama tinha dez anos: ficou sob cuidados de um amigo do pai, que o vendeu como escravo. O menino &#8220;embarcou livre em Salvador e desembarcou escravo no Rio de Janeiro&#8221;, escreve a soci\u00f3loga Angela Alonso no livro\u00a0<i>Flores, Votos e Balas<\/i>, sobre o movimento abolicionista. Depois, foi levado para S\u00e3o Paulo, onde trabalhou como escravo dom\u00e9stico. &#8220;Aprendi a copeiro, sapateiro, a lavar e a engomar roupa e a costurar&#8221;, escreveu o baiano.<\/p>\n<p>Aos 17 anos, Gama aprendeu a ler e escrever com um estudante de direito. E reivindicou sua liberdade ao seu propriet\u00e1rio, afinal, nascera livre, livre era.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, Gama se tornou r\u00e1bula (advogado autodidata, sem diploma) e criou uma nova forma de ativismo abolicionista: entrava com a\u00e7\u00f5es na Justi\u00e7a para libertar escravos. Calcula-se que tenha ajudado a conseguir a liberdade de cerca de 500 pessoas.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption body-narrow-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/304\/cpsprodpb\/99B6\/production\/_101305393_icon1198376.jpg\" alt=\"Retrato de Lu\u00eds Gama, o ex-escravo que se tornou advogado de escravos\" width=\"442\" height=\"656\" data-highest-encountered-width=\"304\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-portrait has-caption body-narrow-width\"><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Calcula-se que Lu\u00eds Gama tenha ajudado a libertar cerca de 500 escravos<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Gama usava diversos argumentos para obter a alforria. O principal deles era que os africanos trazidos ao Brasil depois de 1831 tinham sido escravizados ilegalmente. Isso porque naquele ano foi assinado um tratado de proibi\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de escravos. Mais de 700 mil pessoas tinham entrado no pa\u00eds nessas condi\u00e7\u00f5es. Apenas em 1850 o tr\u00e1fico de escravos foi abolido definitivamente.<\/p>\n<p>&#8220;As vozes dos abolicionistas t\u00eam posto em relevo um fato altamente criminoso e assaz defendido pelas nossas indignas autoridades. A maior parte dos escravos africanos (&#8230;) foram importados depois da lei proibitiva do tr\u00e1fico promulgada em 1831&#8221;, disse Gama na \u00e9poca.<\/p>\n<p>O advogado ainda entrou com diversos pedidos de habeas corpus para soltar escravos que estavam presos, acusados, sobretudo, de fuga. Ainda trabalhou em a\u00e7\u00f5es de liberdade, quando o escravo fazia um pedido judicial para comprar sua pr\u00f3pria alforria &#8211; o que passou a ser permitido em 1871, em um dos artigos da Lei do Ventre Livre.<\/p>\n<p>Lu\u00eds Gama morreu em 1882, sem ver a aboli\u00e7\u00e3o. Seu funeral, em S\u00e3o Paulo, foi seguido por uma multid\u00e3o. &#8220;Quanto galgara Lu\u00eds Gama, de ex-escravo a morto ilustre, em cujo funeral todas as classes representavam-se. Com\u00e9rcio de porta fechada, bandeira a meio mastro, de tempos em tempos, um discurso; nas sacadas, debru\u00e7avam-se tape\u00e7arias, como nas prociss\u00f5es da Semana Santa&#8221;, relata Alonso.<\/p>\n<p>Na hora do enterro, algu\u00e9m gritou pedindo que a multid\u00e3o jurasse sobre o corpo de Gama que n\u00e3o deixaria morrer a ideia pela qual ele combatera. E juraram todos.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Maria Tom\u00e1sia Figueira Lima, a aristocrata que lutou para adiantar a aboli\u00e7\u00e3o no Cear\u00e1<\/h2>\n<p>Filha de uma fam\u00edlia tradicional de Sobral (CE), Maria Tom\u00e1sia foi para Fortaleza depois de se casar com o abolicionista Francisco de Paula de Oliveira Lima. Na capital, tornou-se uma das principais articuladoras do movimento que levou o Estado a decretar a liberta\u00e7\u00e3o dos escravos quatro anos antes da Lei \u00c1urea.<\/p>\n<p>Segundo o Dicion\u00e1rio de Mulheres do Brasil, ela foi cofundadora e a primeira presidente da Sociedade das Cearenses Libertadoras que, em 1882, reunia 22 mulheres de fam\u00edlias influentes para argumentar a favor da aboli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao fim de sua primeira reuni\u00e3o, elas mesmas assinaram 12 cartas de alforria e, em seguida, conseguiram que senhores de engenho assinassem mais 72.<\/p>\n<p>As mulheres conseguiram, inclusive, o apoio financeiro do imperador Pedro 2\u00ba para a iniciativa. Juntamente com outras sociedades abolicionistas da \u00e9poca, elas organizaram reuni\u00f5es abertas com a popula\u00e7\u00e3o, promoviam a liberta\u00e7\u00e3o de escravos em munic\u00edpios do interior do Cear\u00e1 e publicavam textos nos jornais pedindo a aboli\u00e7\u00e3o em toda a prov\u00edncia.<\/p>\n<p>Maria Tom\u00e1sia estava presente na Assembleia Legislativa no dia 25 de mar\u00e7o de 1884, quando foi realizado o ato oficial de liberta\u00e7\u00e3o dos escravos do Cear\u00e1, que deu for\u00e7a \u00e0 campanha abolicionista no pa\u00eds.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/E7D6\/production\/_101305395_26_fortaleza-liberta.jpg\" alt=\"Pintura da sess\u00e3o parlamentar que aboliu a escravid\u00e3o no Cear\u00e1, em 1884; h\u00e1 homens e mulheres dentro do Parlamento\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Nessa pintura da sess\u00e3o parlamentar que aboliu a escravid\u00e3o no Cear\u00e1, em 1884, \u00e9 poss\u00edvel ver diversas mulheres entre os homens<\/span><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Andr\u00e9 Rebou\u00e7as, o engenheiro que queria dar terras aos libertos<\/h2>\n<p>Andr\u00e9 Rebou\u00e7as nasceu na Bahia, em 1838, em uma fam\u00edlia negra, livre, e inclu\u00edda na sociedade imperial. Quando jovem, estudou engenharia e come\u00e7ou a trabalhar na \u00e1rea. Foi respons\u00e1vel por diversas obras de engenharia importantes no pa\u00eds, como a estrada de ferro que liga Curitiba ao porto de Paranagu\u00e1. Conquistou posi\u00e7\u00e3o social e respeito na corte. A Avenida Rebou\u00e7as, importante via em S\u00e3o Paulo, \u00e9 uma homenagem a Andr\u00e9 e a seu irm\u00e3o Antonio, tamb\u00e9m engenheiro.<\/p>\n<p>Em uma das obras de que participou, outro engenheiro pediu que Rebou\u00e7as libertasse o escravo Chico, que era oper\u00e1rio e tinha sido respons\u00e1vel pelos trabalhos hidr\u00e1ulicos. &#8220;Foi quando sua aten\u00e7\u00e3o recaiu sobre o assunto&#8221;, escreve Angela Alonso, tamb\u00e9m em\u00a0<i>Flores, Votos e Balas<\/i>. Chico foi, ent\u00e3o, libertado.<\/p>\n<p>&#8220;Sou abolicionista de cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o me acusa a consci\u00eancia ter deixado uma s\u00f3 ocasi\u00e3o de fazer propaganda para a aboli\u00e7\u00e3o dos escravos, e espero em Deus n\u00e3o morrer sem ter dado ao meu pa\u00eds as mais exuberantes provas da minha dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 santa causa da emancipa\u00e7\u00e3o&#8221;, discursou certa vez Rebou\u00e7as, na presen\u00e7a do imperador Pedro 2\u00ba.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption body-narrow-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/304\/cpsprodpb\/15D06\/production\/_101305398_abolicionista_reboucas.jpg\" alt=\"Retrato de Andr\u00e9 Rebou\u00e7as\" width=\"458\" height=\"600\" data-highest-encountered-width=\"304\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-portrait has-caption body-narrow-width\"><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Andr\u00e9 Rebou\u00e7as era adepto de uma reforma agr\u00e1ria que concedesse terras para os ex-escravos<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Na d\u00e9cada de 1870, Rebou\u00e7as se engajou na campanha pelo fim da escravid\u00e3o. Participou de diversas sociedades abolicionistas e acabou se tornando um dos principais articuladores do movimento. Um de seus pap\u00e9is foi fazer lobby &#8211; uma ponte entre os abolicionistas da elite e as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, para quem executava obras de engenharia.<\/p>\n<p>As ideias de Rebou\u00e7as inclu\u00edam n\u00e3o apenas o fim da escravid\u00e3o. Ele propunha que os libertos tivessem acesso \u00e0 terra e a direitos, para serem integrados, n\u00e3o marginalizados. &#8220;\u00c9 preciso dar terra ao negro. A escravid\u00e3o \u00e9 um crime. O latif\u00fandio \u00e9 uma atrocidade. (&#8230;) N\u00e3o h\u00e1 comunismo na minha nacionaliza\u00e7\u00e3o do solo. \u00c9 pura e simplesmente democracia rural&#8221;, proclamou Rebou\u00e7as.<\/p>\n<p>O engenheiro tamb\u00e9m se opunha ao pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o para os senhores de escravos em troca da liberdade &#8211; para Rebou\u00e7as, isso seria uma forma de validar que uma pessoa fosse propriedade da outra.<\/p>\n<p>Apoiador da monarquia e da fam\u00edlia real brasileira, Rebou\u00e7as foi ainda um dos respons\u00e1veis pela exalta\u00e7\u00e3o da Princesa Isabel como patrona da aboli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Adelina, a charuteira que atuava como &#8216;espi\u00e3&#8217;<\/h2>\n<p>Filha bastarda e escrava do pr\u00f3prio pai, Adelina passou a vender charutos que ele produzia nas ruas e estabelecimentos comerciais de S\u00e3o Lu\u00eds (MA). Suas datas de nascimento e morte n\u00e3o s\u00e3o conhecidas. Seu sobrenome, tamb\u00e9m n\u00e3o.<\/p>\n<p>Como escrava criada na casa grande, Adelina aprendeu a ler e escrever. Trabalhando nas ruas, assistia a discursos de abolicionistas e decidiu se envolver na causa.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/86F6\/production\/_101305543_web-abolic-adelina.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o Adelina\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Como n\u00e3o h\u00e1 registros fotogr\u00e1ficos de Adelina, a charuteira, ilustra\u00e7\u00e3o foi baseada em fotografias de escravas minas que viviam no Maranh\u00e3o na \u00e9poca<\/span><\/figure>\n<p>De acordo com o\u00a0<i>Dicion\u00e1rio da Escravid\u00e3o Negra no Brasil<\/i>, de Cl\u00f3vis Moura (Edusp), Adelina enviava \u00e0 associa\u00e7\u00e3o Clube dos Mortos &#8211; que escondia escravos e promovia sua fuga &#8211; informa\u00e7\u00f5es que conseguia sobre a\u00e7\u00f5es policiais e estrat\u00e9gias dos escravistas.<\/p>\n<p>Aos 17 anos, Adelina seria alforriada, segundo a promessa que seu senhor fez a sua m\u00e3e. Mas, segundo o\u00a0<i>Dicion\u00e1rio<\/i>, isso n\u00e3o aconteceu.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Drag\u00e3o do Mar, o jangadeiro que se recusou a transportar escravos para os navios<\/h2>\n<p>O jangadeiro e pr\u00e1tico (condutor de embarca\u00e7\u00f5es) Francisco Jos\u00e9 do Nascimento (1839-1914), um homem pardo conhecido como Drag\u00e3o do Mar, foi membro do Movimento Abolicionista Cearense, um dos principais da prov\u00edncia, a primeira do Brasil a abolir a escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1881, o Drag\u00e3o do Mar comandou, em Fortaleza, uma greve de jangadeiros que transportavam os negros e negras escravizados para navios que iriam para outros Estados do Nordeste e para o Sul do Brasil. O movimento conseguiu paralisar o tr\u00e1fico negreiro por alguns dias.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/D516\/production\/_101305545_web-abolic-dragao.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o Drag\u00e3o do Mar\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Francisco Jos\u00e9 do Nascimento se recusou a transportar escravos das praias de Fortaleza para navios negreiros<\/span><\/figure>\n<p>Com o com\u00e9rcio de escravizados impedido nas praias do Cear\u00e1, Nascimento foi exonerado do cargo, segundo o registro de Cl\u00f3vis Moura. E se tornou s\u00edmbolo da batalha pela liberta\u00e7\u00e3o dos escravos.<\/p>\n<p>Depois da aboli\u00e7\u00e3o, ele tornou-se Major Ajudante de Ordens do Secret\u00e1rio Geral do Comando Superior da Guarda Nacional do Estado do Cear\u00e1 e morreu como primeiro-tenente honor\u00e1rio da Armada, em 1914.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Maria Firmina dos Reis, a primeira escritora abolicionista<\/h2>\n<p>A maranhense Maria Firmina (1825-1917) era negra e livre, &#8220;filha bastarda&#8221;, mas formou-se professora prim\u00e1ria e publicou, em 1859, o que \u00e9 considerado por alguns historiadores o primeiro romance abolicionista do Brasil,\u00a0<i>\u00darsula<\/i>. O livro conta a hist\u00f3ria de um tri\u00e2ngulo amoroso, mas tr\u00eas dos principais personagens s\u00e3o negros que questionam o sistema escravocrata.<\/p>\n<p>A escritora assinava o livro apenas como &#8220;Uma maranhense&#8221;, um expediente comum entre mulheres da \u00e9poca que se aventuravam no mercado editorial, e s\u00f3 agora come\u00e7a a ser descoberto pelas universidades, segundo a professora de literatura brasileira da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Const\u00e2ncia Lima Duarte.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12336\/production\/_101305547_web-abolic-firmina.jpg\" alt=\"Maria Firmina dos Reis\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Romance de Maria Firmina dos Reis \u00e9 considerado o primeiro a trazer o ponto de vista de personagens negros no Brasil escravocrata<\/span><\/figure>\n<p>Maria Firmina tamb\u00e9m publicava contos, poemas e artigos sobre a escravid\u00e3o em revistas de den\u00fancia no Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com o\u00a0<i>Dicion\u00e1rio de Mulheres do Brasil: de 1500 At\u00e9 a Atualidade<\/i>\u00a0(Ed. Zahar), ela criou, aos 55 anos de idade, uma escola gratuita e mista para crian\u00e7as pobres, na qual lecionava. Maria Firmina morreu aos 92 anos, na casa de uma amiga que havia sido escrava.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Batalha pela aboli\u00e7\u00e3o j\u00e1 ocorria nas prov\u00edncias brasileiras anos antes da assinatura da Lei \u00c1urea, e reunia escravos, negros libertos, pessoas da classe m\u00e9dia e da alta sociedade<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":243681,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-243680","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/negros-revolucionarios.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/243680","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=243680"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/243680\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/243681"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=243680"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=243680"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=243680"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}