{"id":24498,"date":"2013-10-23T07:16:13","date_gmt":"2013-10-23T10:16:13","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=24498"},"modified":"2013-10-23T07:16:13","modified_gmt":"2013-10-23T10:16:13","slug":"filosofo-jean-paul-sartre-ganha-nobel-de-literatura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/filosofo-jean-paul-sartre-ganha-nobel-de-literatura\/","title":{"rendered":"Fil\u00f3sofo Jean-Paul Sartre ganha Nobel de Literatura"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-24499\" alt=\"sartre-01\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/sartre-01-295x300.jpg\" width=\"295\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-24500\" alt=\"sartre-02\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/sartre-02-300x163.jpg\" width=\"300\" height=\"163\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 22 de outubro de 1964, o fil\u00f3sofo Jean-Paul Sartre (foto) \u00e9 galardoado com o Pr\u00eamio Nobel de Literatura, por\u00e9m manifesta sua recusa em receb\u00ea-lo.<br \/>\n\u201cSe eu tivesse aceitado o Nobel \u2013 e ainda que tivesse feito um discurso insolente em Estocolmo, o que teria sido absurdo \u2013 eu seria recuperado (para o sistema)\u201d, explicou ele em entrevista ao seman\u00e1rio Le Nouvel Observateur no dia 19 de novembro de 1964. \u201cSe tivesse sido membro de um partido, do partido comunista, por exemplo, a situa\u00e7\u00e3o teria sido diferente. Indiretamente teria sido ao meu partido que o pr\u00eamio tinha sido outorgado. \u00c9 a ele, em todo caso, que poderia servir. Por\u00e9m, quando se trata de um homem isoladamente, ainda que tenha opini\u00f5es \u00a0\u2018extremistas\u2019 se o recupera necessariamente, de certo modo, coroando-o. \u00c9 uma maneira de dizer: \u2018Finalmente, \u00e9 um dos nossos\u2019. Eu n\u00e3o podia aceitar isso\u201d, acrescentou ele.<br \/>\nO fil\u00f3sofo ainda continuou: \u201cA maioria dos jornais me atribuiu raz\u00f5es pessoais, que eu estaria ferido porque Camus o conquistou antes de mim; que eu tinha receio de que Simone se mostrasse ciumenta; que eu seria uma \u201cbela alma\u201d que rejeitava todas as honras por orgulho. Tenho uma resposta muito simples: se tiv\u00e9ssemos um governo de Frente Popular e que tivesse me dado a honra de conceder-me um pr\u00eamio, eu o teria aceitado com prazer. De modo nenhum penso que os escritores devam ser cavalheiros solit\u00e1rios, ao contr\u00e1rio. Contudo, n\u00e3o devem meter-se em vespeiro.<br \/>\nO que mais me chateou nesse assunto s\u00e3o as cartas dos pobres. Os pobres para mim s\u00e3o pessoas que n\u00e3o t\u00eam dinheiro mas que est\u00e3o suficientemente mistificadas para aceitar o mundo tal qual \u00e9. Essa gente forma legi\u00e3o. Escreveram-me cartas dolorosas: \u2018D\u00ea-me \u00a0a mim o dinheiro que voc\u00ea est\u00e1 rejeitando\u2019.<br \/>\nNo fundo o que escandaliza \u00e9 que esse dinheiro n\u00e3o tenha sido recebido e gasto. Quando Mauriac escreve em sua agenda: &#8220;Eu o teria usado para reformar meu banheiro e a grade de meu jardim\u201d, mostra-se maligno. Sabe que n\u00e3o provocar\u00e1 nenhum esc\u00e2ndalo. Se tivesse distribu\u00eddo esse dinheiro, o pessoal ficaria chocado. Rejeit\u00e1-lo \u00e9 inadmiss\u00edvel. Um norte-americano escreveu: \u2018Se me d\u00e3o 100 d\u00f3lares e os rejeito, n\u00e3o sou um homem\u2019. Al\u00e9m do mais fica a ideia que um escritor n\u00e3o merece esse dinheiro. O escritor \u00e9 um personagem suspeito. N\u00e3o trabalha, ganha dinheiro e pode ser recebido, se o quiser, por um rei da Su\u00e9cia. Isso j\u00e1 \u00e9 escandaloso. Se, ademais, recusa o dinheiro que n\u00e3o mereceu, \u00e9 o c\u00famulo. Considera-se natural que um banqueiro tenha dinheiro e n\u00e3o o d\u00ea. Todavia, que um escritor possa rejeit\u00e1-lo, isso n\u00e3o pode.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isto \u00e9 o mundo do dinheiro e as rela\u00e7\u00f5es com o dinheiro s\u00e3o sempre falsas. \u00a0Rejeito milh\u00f5es e me criticam, por\u00e9m ao mesmo tempo me dizem que venderei mais livros, porque o pessoal vai dizer: \u2018Quem \u00e9 este desequilibrado que cospe em tamanha dinheirama?\u2019 Meu gesto, portanto, vai me trazer mais dinheiro. \u00c9 absurdo, no entanto nada posso fazer. O paradoxal \u00e9 que, rejeitando o pr\u00eamio, n\u00e3o acontece nada. Aceitando-o, eu teria me deixado recuperar pelo sistema\u201d, completou Sartre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<strong>Existencialismo de esquerda<\/strong><\/p>\n<p>Em seus romances, ensaios e pe\u00e7as de teatro, Sartre promovia a filosofia do existencialismo, argumentando que cada indiv\u00edduo deve criar e dar sentido a sua pr\u00f3pria vida porque a vida em si n\u00e3o tem sentido inato.<br \/>\nJean-Paul Sartre e sua companheira, Simone de Beauvoir, se encontram com Ernesto Che Guevara em Cuba em 1960<br \/>\n<span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">O fil\u00f3sofo estudou na prestigiosa Escola Normal Superior entre 1924 e 1929, onde conheceu Simone de Beauvoir, que viria a ser sua companheira pela vida afora e tamb\u00e9m escritora. Ele \u00a0tornou-se professor de filosofia e lecionou em Le Havre, Laon e Paris. Em 1938, seu primeiro romance, N\u00e1usea, foi publicado. A narrativa adota a forma de di\u00e1rio de um intelectual obcecado por caf\u00e9.<\/span><br \/>\nEm 1939, Sartre foi convocado para lutar na Segunda Guerra Mundial. Feito prisioneiro pelos alem\u00e3es por cerca de um ano, participou, quando libertado, da Resist\u00eancia Francesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">Em 1943, publicou uma de suas obras seminais, O Ser e o Nada, em que argumenta que o homem est\u00e1 condenado \u00e0 liberdade e carrega consigo uma responsabilidade social. Sartre e Beauvoir viriam a engajar-se em movimentos sociais, defender o comunismo e apoiar o levante estudantil de maio de 1968 em Paris.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m em 1943, escreveu uma de suas pe\u00e7as teatrais mais conhecidas, As Moscas, seguida de Entre Quatro Paredes em 1945. Em 1946, criou Mortos sem Sepultura e A Prostituta Respeitosa e em 1948, Orfeu Negro e As M\u00e3os Sujas.<br \/>\nAinda em 1945, deu in\u00edcio a um novo romance em quatro volumes intitulado Os Caminhos da Liberdade, por\u00e9m abandonou a forma novela ap\u00f3s concluir o terceiro volume em 1949. Em 1946, continuou a desenvolver sua filosofia na obra O Existencialismo \u00e9 um Humanismo.<br \/>\nNos anos 1950 e 1960,dedicou-se a estudos de figuras da literatura como Baudelaire, Jean Genet e Flaubert. O Idiota de Fam\u00edlia, seu trabalho sobre Flaubert, foi bem extenso, todavia somente tr\u00eas dos quarto volumes previstos foram publicados.<br \/>\nA sa\u00fade e a vis\u00e3o de Sartre entraram em decl\u00ednio em seus \u00faltimos anos, levando-o \u00e0 morte em 1980.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: \u00d3pera Mundi<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 22 de outubro de 1964, o fil\u00f3sofo Jean-Paul Sartre (foto) \u00e9 galardoado com o Pr\u00eamio Nobel de Literatura, por\u00e9m manifesta sua recusa em receb\u00ea-lo.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":24499,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3],"tags":[529,7069],"class_list":["post-24498","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","tag-cultura-2","tag-piaget"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/sartre-01.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24498","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24498"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24498\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24499"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24498"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24498"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24498"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}