{"id":245090,"date":"2018-05-28T08:20:58","date_gmt":"2018-05-28T11:20:58","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=245090"},"modified":"2018-05-28T08:21:26","modified_gmt":"2018-05-28T11:21:26","slug":"quem-matou-gandhi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/quem-matou-gandhi\/","title":{"rendered":"Quem matou Gandhi?"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>O pedido de reabertura do caso reacende o debate sobre o autor intelectual de um dos maiores magnic\u00eddios da Hist\u00f3ria<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de \u00c1ngel L. Mart\u00ednez Cantera\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/angel_luis_martinez_cantera\/a\/\">\u00c1NGEL L. MART\u00cdNEZ CANTERA<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/05\/26\/actualidad\/1527357026_776066_1527358540_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/05\/26\/actualidad\/1527357026_776066_1527358540_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/05\/26\/actualidad\/1527357026_776066_1527358540_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/05\/26\/actualidad\/1527357026_776066_1527358540_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Jornal de 30 de janeiro de 1948 com not\u00edcia sobre assassinato de Gandhi.\" width=\"980\" height=\"653\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Jornal de 30 de janeiro de 1948 com not\u00edcia sobre assassinato de Gandhi.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">\u00c1NGEL L. MART\u00cdNEZ CANTERA<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 exatos 70 anos, em 27 de maio de 1948, come\u00e7ava o julgamento do assassinato de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/mahatma_gandhi\">Mohandas Karamchand Gandhi<\/a>, uma das figuras mais relevantes da Hist\u00f3ria moderna. Cinco meses antes, na tarde de 30 de janeiro de 1948, Mahatma (como era conhecido) havia sido alvejado a caminho de sua ora\u00e7\u00e3o di\u00e1ria na Birla House [a casa onde passou seus \u00faltimos 144 dias], em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/nueva_delhi\/a\">Nova D\u00e9li<\/a>. Oito homens foram condenados naquele julgamento. O autor material, Godse, e seu c\u00famplice, Apte, membros da organiza\u00e7\u00e3o hindu radical Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), declararam-se culpados porque, segundo eles, Gandhi havia tra\u00eddo a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/india\">\u00cdndia<\/a>. Ambos foram enforcados em 1949.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-245091 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ghandi-morto.jpg\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"257\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ghandi-morto.jpg 360w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ghandi-morto-300x214.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ghandi-morto-70x50.jpg 70w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ghandi-morto-160x114.jpg 160w\" sizes=\"auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a liberta\u00e7\u00e3o dos demais condenados nos anos sessenta, al\u00e9m de rumores sobre um compl\u00f4 mais amplo, levaram \u00e0 revis\u00e3o do caso. Em 1969, a Comiss\u00e3o Kapur concluiu: \u201cTodos os fatos considerados destroem qualquer teoria que n\u00e3o seja a da conspira\u00e7\u00e3o para assassinar [Gandhi] por [Vinayak Damodar] Savarkar e seu grupo.\u201d Pol\u00edtico religioso e l\u00edder da organiza\u00e7\u00e3o de extrema-direita Hindu Mahasabha, Savarkar tinha sido absolvido no julgamento de 1948 apesar dos ind\u00edcios contra ele. Ante a Comiss\u00e3o Kapur, contudo, dois de seus colaboradores o acusaram postumamente de planejar o assassinato. Aquele momento, que definiu a Hist\u00f3ria da \u00cdndia, n\u00e3o apenas serviu como material liter\u00e1rio. Em outubro do ano passado, o indiano Pankaj Phadnis, que realiza uma investiga\u00e7\u00e3o particular, pediu \u00e0 Suprema Corte que reabrisse o caso, sugerindo um compl\u00f4 liderado pelos servi\u00e7os secretos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/inglaterra\">brit\u00e2nicos<\/a>. Mas o tribunal rejeitou a proposta. O pedido despertou as cr\u00edticas de acad\u00eamicos e familiares de Gandhi, que o consideram parte de uma campanha para absolver as organiza\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis por seu assassinato, assim como seus descendentes pol\u00edticos.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A teoria da conspira\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pedido judicial parte de den\u00fancias publicadas ap\u00f3s o homic\u00eddio. Os ve\u00edculos Free Press Journal e Loksatta, al\u00e9m da ag\u00eancia\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/reuters\">Reuters<\/a>, contam quatro disparos. O\u00a0<a href=\"https:\/\/timesofindia.indiatimes.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Times of India<\/a>\u00a0tamb\u00e9m informou: \u201cO Pai da Na\u00e7\u00e3o recebeu quatro tiros\u201d. Mas ponderou algumas linhas depois: \u201cTr\u00eas balas acertaram Mahatma.\u201d Por sua vez, a mat\u00e9ria do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/us\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Guardian<\/a>\u00a0do dia seguinte, 31 de janeiro de 1948, narra quatro disparos, esclarecendo que o \u00faltimo foi uma tentativa fracassada de suic\u00eddio por parte de Godse. Nenhum outro jornal descreveu o epis\u00f3dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Phadnis diz que sua teoria da quarta bala ganha for\u00e7a com a evid\u00eancia do di\u00e1rio manuscrito de Manuben Gandhi, fiel disc\u00edpulo do l\u00edder indiano e uma das duas pessoas que o acompanhavam quando foi morto. \u201cA pol\u00edcia encontrou duas balas. Outra ficou no corpo, encontrada em suas cinzas. Mas o relato de Manuben, anexado ao meu pedido, conta que outra bala foi encontrada no xale de Gandhi ap\u00f3s o \u00faltimo banho. De onde ela vinha?\u201d, questiona Phadnis. O investigador ressalta a import\u00e2ncia desse detalhe, lembrando que outras quatro balas foram achadas no interior da pistola usada por Godse, de sete cartuchos.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto derecha\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><a class=\"enlace\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: none; font-style: inherit; font-variant: inherit; font-weight: inherit; font-stretch: inherit; font-size: inherit; line-height: inherit; font-family: inherit; vertical-align: baseline; box-sizing: border-box; background-color: transparent; text-decoration: none; color: #016ca2; touch-action: manipulation; position: relative; display: block;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/05\/26\/actualidad\/1527357026_776066_1527358633_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/05\/26\/actualidad\/1527357026_776066_1527358633_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/05\/26\/actualidad\/1527357026_776066_1527358633_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Pankaj Phadnis em Mumbai. Em outubro de 2017 este indiano, que leva a cabo uma investiga\u00e7\u00e3o por conta pr\u00f3pria, apelou \u00e0 Suprema Corte da \u00cdndia para obter a reabertura do caso do assassinato de Gandhi. O tribunal rejeitou o pedido no in\u00edcio de 2018.\" width=\"360\" height=\"232\" \/><span class=\"boton_ampliar\">ampliar foto<\/span><\/a><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Pankaj Phadnis em Mumbai. Em outubro de 2017 este indiano, que leva a cabo uma investiga\u00e7\u00e3o por conta pr\u00f3pria, apelou \u00e0 Suprema Corte da \u00cdndia para obter a reabertura do caso do assassinato de Gandhi. O tribunal rejeitou o pedido no in\u00edcio de 2018.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">\u00c1NGEL L. MART\u00cdNEZ CANTERA<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">A arma sempre foi motivo de controv\u00e9rsia. A minuciosa investiga\u00e7\u00e3o do livro &#8216;The Men Who Killed Gandhi&#8217; (1978), de Manohar Malgonkar, detalha que a\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/tag\/beretta\/a\">Beretta<\/a>\u00a0usada por Godse (exclusiva das for\u00e7as de Mussolini) foi apreendida dos fascistas pelas tropas brit\u00e2nicas na Abiss\u00ednia (atual Eti\u00f3pia e Eritreia). Mas n\u00e3o explica como ela chegou \u00e0s m\u00e3os do contrabandista que a vendeu a Godse. Phadnis tem uma hip\u00f3tese: uma conspira\u00e7\u00e3o orquestrada pelo Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico. Sua teoria parte de duas evid\u00eancias e uma suposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo ele, a Comiss\u00e3o Kapur ignorou dois testemunhos presentes nas pesquisas. O primeiro prov\u00e9m do di\u00e1rio de Manuben Handhi, que narra como Godse visitou Gandhi ao meio-dia de 30 de janeiro, horas antes do assassinato (ao redor das 17h15). O segundo \u00e9 o relat\u00f3rio policial da delegacia de Alwar, que documentou a presen\u00e7a de um estrangeiro na Birla House distribuindo folhetos informando sobre o assassinato \u00e0s tr\u00eas da tarde. \u201c\u00c9 chocante, pois Gandhi estava vivo nesse momento. Al\u00e9m disso, a tecnologia de impress\u00e3o utilizada \u00e9 muito trabalhosa e exige horas\u201d, explica Phadnis, que vincula ambos os fatos documentados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00faltima suposi\u00e7\u00e3o de Phadnis prov\u00e9m de uma suposta comunica\u00e7\u00e3o entre a Embaixada Brit\u00e2nica em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/moscu\">Moscou<\/a>\u00a0e o Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores em Londres, em fevereiro de 1948. Segundo o pedido, a missiva registra uma conversa entre Vijaya Lakshmi Pandit (embaixadora indiana na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica) e seus hom\u00f3logos no Leste Europeu, na qual o Reino Unido \u00e9 implicado no assassinato. A partir desse dado, Phadnis deduz o envolvimento da ag\u00eancia secreta brit\u00e2nica Force 136 \u2013 nome de fachada para a Executiva de Opera\u00e7\u00f5es Especiais (SOE) \u2013, organiza\u00e7\u00e3o que realizava opera\u00e7\u00f5es de sabotagem no exterior durante a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/segunda_guerra_mundial\">Segunda Guerra Mundial<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cH\u00e1 fatores controvertidos e a presen\u00e7a de um ocidental no local do crime. Tamb\u00e9m h\u00e1 alega\u00e7\u00f5es de envolvimento brit\u00e2nico no assassinato e a exist\u00eancia de servi\u00e7os secretos com possibilidade de faz\u00ea-lo&#8230; N\u00e3o \u00e9 suficiente para uma investiga\u00e7\u00e3o?\u201d, justifica Phadnis.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A sombra do radicalismo hindu<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMuitos se acham especialistas por causa mentira das quatro balas. Agora criam a impress\u00e3o de que os acusados foram v\u00edtimas de agentes estrangeiros\u201d, afirma Tushar A. Gandhi, bisneto do l\u00edder indiano e contr\u00e1rio \u00e0 reabertura do caso. Em seu livro, &#8216;Let\u2019s Kill Gandhi&#8217; (2007), Tushar aborda a teoria das balas, al\u00e9m de descrever outras cinco tentativas de assassinato e recentes campanhas de desinforma\u00e7\u00e3o por setores radicais hindus.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><a class=\"enlace\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: none; font-style: inherit; font-variant: inherit; font-weight: inherit; font-stretch: inherit; font-size: inherit; line-height: inherit; font-family: inherit; vertical-align: baseline; box-sizing: border-box; background-color: transparent; text-decoration: none; color: #016ca2; touch-action: manipulation; position: relative; display: block;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/05\/26\/actualidad\/1527357026_776066_1527358702_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/05\/26\/actualidad\/1527357026_776066_1527358702_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/05\/26\/actualidad\/1527357026_776066_1527358702_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Tushar Gandhi, bisneto de Mahatma Gandhi, escreveu o livro 'Let's Kill Gandhi' (2007) para acabar com os rumores sobre a morte do l\u00edder.\" width=\"360\" height=\"278\" \/><span class=\"boton_ampliar\">ampliar foto<\/span><\/a><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Tushar Gandhi, bisneto de Mahatma Gandhi, escreveu o livro &#8216;Let&#8217;s Kill Gandhi&#8217; (2007) para acabar com os rumores sobre a morte do l\u00edder.<\/span><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">\u00c1NGEL L. MART\u00cdNEZ CANTERA<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bisneto de Gandhi acredita que desejam tirar a culpa de Savarkar, acusado postumamente. Phadnis n\u00e3o esconde sua afinidade por Savarkar, mas insiste que a Gr\u00e3-Bretanha tinha interesse em matar Gandhi para evitar seu suposto plano de paz entre hindus e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/musulmanes\">mu\u00e7ulmanos<\/a>. \u201cSem \u00f3dio religioso, teria havido mais fluxo econ\u00f4mico entre a \u00cdndia e o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/pakistan\">Paquist\u00e3o<\/a>. O Imp\u00e9rio [Brit\u00e2nico] se beneficiava como intermedi\u00e1rio entre na\u00e7\u00f5es divididas\u201d, afirma. Outros acad\u00eamicos tamb\u00e9m teceram hip\u00f3teses sobre o potencial pacificador de Mahatma. \u201cTeria sua presen\u00e7a trazido maior unidade entre hindus e mu\u00e7ulmanos? E melhores rela\u00e7\u00f5es entre a \u00cdndia e o Paquist\u00e3o?\u201d, questiona o livro &#8216;RSS, Text Books And The Murder of Mahatma Gandhi&#8217; (2008). Mas seu autor, Aditya Mukherjee, explica que escreveu o ensaio justamente para \u201cdesmantelar a corrente supremacista hindu que tenta reescrever a Hist\u00f3ria da \u00cdndia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Professor de Hist\u00f3ria da Universidade Jawaharlal Nehry (JNU) de D\u00e9li, Mukherjee explica: \u201cA RSS e a Hindu Mahasabha planejaram assassin\u00e1-lo porque o secularismo de Gandhi impedia o objetivo dessas organiza\u00e7\u00f5es: transformar a \u00cdndia numa na\u00e7\u00e3o hindu.\u201d O historiador enfatiza que, embora Godse tenha negado seu v\u00ednculo com esses grupos radicais para proteg\u00ea-los, cartas e declara\u00e7\u00f5es confirmam que o assassino material pertenceu a ambos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mukherjee diz que n\u00e3o h\u00e1 fundamentos para reabrir a investiga\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que nem o relat\u00f3rio de Moscou \u00e9 oficial, nem se sabe da presen\u00e7a da Force 136 na \u00cdndia. \u201cN\u00f3s, historiadores, n\u00e3o teorizamos com base em recortes de jornal e coment\u00e1rios daqui ou dali. N\u00e3o \u00e9 assim que se escreve a Hist\u00f3ria\u201d, afirma. Mas documentos da \u00e9poca, incluindo cartas entre pol\u00edticos, provam a amea\u00e7a da RSS e da Hindu Mahasabha, cujos panfletos instigavam as pessoas a atentar contra mu\u00e7ulmanos e contra Gandhi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua obsess\u00e3o por dar continuidade ao caso, Pankaj Phadnis pediu ao Alto Tribunal de Mumbai a importa\u00e7\u00e3o do livro &#8216;Who Killed Gandhi?&#8217; (1963), de Louren\u00e7o de Salvador, proibido na \u00cdndia desde 1976. O volume \u201crevela que muitos depoimentos foram eliminados do julgamento inicial\u201d, afirma Phadnis, dizendo-se disposto a visitar Portugal, onde a obra foi publicada, para continuar sua cruzada.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Reescrever a hist\u00f3ria da \u00cdndia<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde 2003, o retrato de Savarkar pode ser visto no Parlamento da \u00cdndia como um dos libertadores do pa\u00eds gra\u00e7as \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o, entre outros, do partido de centro-direita e nacionalista Bharatiya Janata Party (Partido do Povo Indiano, BJP). Ap\u00f3s o retorno do BJP ao Governo central, em 2014, grupos radicais pediram inutilmente a coloca\u00e7\u00e3o de um busto em homenagem a Godse. \u201cOs grupos radicais est\u00e3o se apropriando do nobre conceito de nacionalismo defendido pelos pais da \u00cdndia frente ao colonialismo. Mas seu nacionalismo \u00e9 religioso e sect\u00e1rio\u201d, afirma o historiador Aditya Mukherjee. \u201cNingu\u00e9m pode negar o papel do radicalismo hindu no assassinato de Gandhi. Como tampouco se pode negar a conex\u00e3o pol\u00edtica do atual Governo com os grupos que o mataram.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Hindu Mahasabha quase n\u00e3o tem representa\u00e7\u00e3o, e a RSS sobreviveu a v\u00e1rias proibi\u00e7\u00f5es (entre elas, ap\u00f3s o assassinato de Gandhi) gra\u00e7as ao seu status de organiza\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria sem filia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica oficial. Defende uma na\u00e7\u00e3o hindu com milh\u00f5es de seguidores. Alguns membros da RSS governam Estados do norte da \u00cdndia com o apoio do BJP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ide\u00f3logo da RSS e diretor do think tank India Policy Foundation, Rakesh Sinha, afirma: \u201cMuitas situa\u00e7\u00f5es exigem discuss\u00e3o democr\u00e1tica e, portanto, a necessidade imperiosa de reescrever a Hist\u00f3ria.\u201d Tamb\u00e9m professor da Universidade de D\u00e9li (DU), ele vai al\u00e9m e questiona o papel dos disc\u00edpulos de Gandhi. \u201cPor que sua seguran\u00e7a n\u00e3o aumentou depois das tentativas iniciais de assassinato? Nehru tem responsabilidade moral pela perda da vida da maior figura da \u00cdndia moderna. Foi seu fracasso.\u201d<\/p>\n<p>Fonte: El Pa\u00eds<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pedido de reabertura do caso reacende o debate sobre o autor intelectual de um dos maiores magnic\u00eddios da Hist\u00f3ria<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":245091,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-245090","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ghandi-morto.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/245090","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=245090"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/245090\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/245091"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=245090"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=245090"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=245090"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}