{"id":245964,"date":"2018-06-05T15:05:18","date_gmt":"2018-06-05T18:05:18","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=245964"},"modified":"2018-06-05T15:05:18","modified_gmt":"2018-06-05T18:05:18","slug":"a-rainha-africana-que-liderou-resistencia-aos-portugueses-e-se-tornou-simbolo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-rainha-africana-que-liderou-resistencia-aos-portugueses-e-se-tornou-simbolo\/","title":{"rendered":"A rainha africana que liderou resist\u00eancia aos portugueses e se tornou s\u00edmbolo"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__name\">Marcos Gonz\u00e1lez\u00a0<\/span><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share-row\">\n<div class=\"share-tools--no-event-tag\">\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-twite\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-with-caption\">\n<div class=\"player-with-placeholder\"><img decoding=\"async\" class=\"media-placeholder player-with-placeholder__image lead-video-placeholder\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/images\/ic\/720x405\/p069740w.jpg\" \/><\/p>\n<div class=\"player-with-placeholder\">\n<div class=\"media-player-wrapper\">\n<div id=\"sticky-player-1\">\n<div class=\"sticky-player__wrapper\">\n<div class=\"sticky-player__player\">\n<figure id=\"media-player-1\" class=\"media-player\" data-playable=\"{&quot;settings&quot;:{&quot;counterName&quot;:&quot;portuguese.world.story.44361821.page&quot;,&quot;edition&quot;:&quot;International&quot;,&quot;pageType&quot;:&quot;eav2&quot;,&quot;uniqueID&quot;:&quot;44361821&quot;,&quot;ui&quot;:{&quot;locale&quot;:{&quot;lang&quot;:&quot;pt&quot;}},&quot;externalEmbedUrl&quot;:&quot;http:\\\/\\\/www.bbc.com\\\/portuguese\\\/internacional-44361821\\\/embed&quot;,&quot;insideIframe&quot;:false,&quot;statsObject&quot;:{&quot;clipPID&quot;:&quot;p0696x5h&quot;},&quot;playlistObject&quot;:{&quot;title&quot;:&quot;A rainha africana que liderou resist\\u00eancia aos portugueses em Angola&quot;,&quot;holdingImageURL&quot;:&quot;https:\\\/\\\/ichef.bbci.co.uk\\\/images\\\/ic\\\/$recipe\\\/p069740w.jpg&quot;,&quot;guidance&quot;:null,&quot;embedRights&quot;:&quot;allowed&quot;,&quot;summary&quot;:&quot;A rainha africana que liderou resist\\u00eancia aos portugueses em Angola&quot;,&quot;liveRewind&quot;:false,&quot;simulcast&quot;:false,&quot;items&quot;:[{&quot;vpid&quot;:&quot;p0696x5h&quot;,&quot;live&quot;:false,&quot;duration&quot;:null,&quot;kind&quot;:&quot;programme&quot;}]}},&quot;otherSettings&quot;:{&quot;advertisingAllowed&quot;:false,&quot;continuousPlayCfg&quot;:{&quot;enabled&quot;:false},&quot;isAutoplayOnForAudience&quot;:false}}\">\n<div id=\"smphtml5iframemedia-player-1wrp\"><iframe id=\"smphtml5iframemedia-player-1\" title=\"A rainha africana que liderou resist\u00eancia aos portugueses em Angola\" src=\"http:\/\/emp.bbc.com\/emp\/SMPj\/2.19.5\/iframe.html\" name=\"smphtml5iframemedia-player-1\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"sticky-player__body\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"media-with-caption__caption\">A rainha africana que liderou resist\u00eancia aos portugueses em Angola<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">Os livros a definem como uma guerreira valente e inteligente que se tornou uma das figuras-chave da resist\u00eancia da \u00c1frica ao colonialismo no s\u00e9culo 17.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 tamb\u00e9m aqueles que a descrevem como uma mulher cruel, que teria sido capaz de acabar com a vida de seu irm\u00e3o para tomar o poder.<\/p>\n<p>Ou at\u00e9 mesmo matar os homens de seu har\u00e9m depois de obter deles o prazer sexual que estava buscando.<\/p>\n<p>As fa\u00e7anhas e lendas que cercam a vida da Rainha Njinga (tamb\u00e9m conhecida como Ginga ou Nzinga) de Angola s\u00e3o t\u00e3o fascinantes quanto desconhecidas para muitos, especialmente fora do continente africano.<\/p>\n<p>Embora sua figura divida opini\u00f5es, historiadores concordam que ela foi uma das mulheres africanas mais famosas por sua fervorosa luta contra a ocupa\u00e7\u00e3o europeia e a escravid\u00e3o de seu povo por quatro d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Njinga Mbandi era l\u00edder do povo Mbundu e rainha de Ndongo e Matamba, no sudoeste da \u00c1frica.<\/p>\n<p>Seu verdadeiro t\u00edtulo em kimbundu, o idioma local, era &#8216;Ngola&#8217;. E esse era o termo que os portugueses costumavam usar para chamar precisamente a regi\u00e3o tal como a conhecemos hoje: Angola.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/CF7D\/production\/_101271135_7b29fd4f-7c34-47b4-8684-3051f64394fc.jpg\" alt=\"Cena do filme &quot;Njinga, rainha da Angola&quot;\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">Vida de Njinga inspirou livros e filmes<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Explora\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Tal denomina\u00e7\u00e3o passou ser difundida em 1575, quando os soldados de Portugal invadiram o Ndongo em busca de ouro e prata.<\/p>\n<p>Quando n\u00e3o encontraram as minas que procuravam, decidiram mudar sua estrat\u00e9gia e come\u00e7aram a capturar escravos para garantir m\u00e3o de obra no Brasil, sua ent\u00e3o nova col\u00f4nia.<\/p>\n<p>Nascida oito anos ap\u00f3s a invas\u00e3o, Njinga integrou a resist\u00eancia contra os portugueses junto com seu pai, o rei Ngola Mbandi Kiluanji, desde que era muito jovem.<\/p>\n<p>Quando Ngola morreu, em 1617, um de seus outros filhos, Ngola Mbandi, assumiu o poder. No entanto, ele n\u00e3o tinha o carisma de seu pai ou a intelig\u00eancia de sua irm\u00e3 Njinga.<\/p>\n<p>Temendo um levante popular em favor dela, Ngola Mbandi ordenou a execu\u00e7\u00e3o do filho \u00fanico de sua irm\u00e3.<\/p>\n<p>Mas quando ele se viu incapaz de lidar com os europeus, que estavam ganhando terreno e causando mais baixas entre a popula\u00e7\u00e3o local, Mbandi acabou aceitando a sugest\u00e3o de seus conselheiros mais pr\u00f3ximos.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16BBD\/production\/_101271139_38c0d379-6da4-4196-977e-463cf0f7c5fe.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria em quadrinhos da Unesco\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Nesta hist\u00f3ria em quadrinhos criada pela Unesco, Njinga descobre que Luanda se tornou um dos maiores centros de exporta\u00e7\u00e3o de escravos da \u00c1frica<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">A negocia\u00e7\u00e3o com Portugal<\/h2>\n<p>O rei cedeu e delegou o poder \u00e0 irm\u00e3, grande estrategista e fluente em portugu\u00eas gra\u00e7as \u00e0 educa\u00e7\u00e3o recebida pelos mission\u00e1rios, para negociar com Portugal e assinar um acordo de paz.<\/p>\n<p>Quando Njinga chegou a Luanda para iniciar as conversa\u00e7\u00f5es, encontrou uma cidade povoada por pessoas negras, brancas e mesti\u00e7as que nunca tinha visto antes. Mas essa n\u00e3o foi a imagem que mais a surpreendeu.<\/p>\n<p>Escravos enfileirados eram vendidos e colocados em grandes navios. Em apenas alguns anos, Luanda tornou-se um dos maiores pontos de venda e distribui\u00e7\u00e3o de escravos em toda a \u00c1frica.<\/p>\n<p>Quando foi ao pal\u00e1cio do governador portugu\u00eas Jo\u00e3o Correia de Sousa para iniciar as tratativas de paz, Njinga protagonizou uma cena carregada de simbolismo que mais tarde seria amplamente destacada pelos registros hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Ela notou que, enquanto Correia de Souza estava sentado em uma confort\u00e1vel poltrona, n\u00e3o havia para ela nada mais do que um tapete no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Sem falar uma palavra sequer e com apenas um olhar, uma de suas criadas ajoelhou-se e reclinou-se \u00e0 frente do governador. Njinga sentou-se em suas costas, ficando na mesma altura do que a autoridade portuguesa.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/3C39\/production\/_101271451_cb1d2651-9edf-45e8-8635-0993c7c57e2f.jpg\" alt=\"Reina Njinga\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/>N<\/span><span class=\"media-caption__text\">inga foi uma das mulheres africanas mais famosas por sua fervorosa luta contra a ocupa\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia e a escravid\u00e3o de seu povo por quatro d\u00e9cadas<\/span><\/figure>\n<p>Era sua maneira clara e direta de expressar que falaria com ele em p\u00e9 de igualdade.<\/p>\n<p>Depois de \u00e1rduas negocia\u00e7\u00f5es, os dois lados concordaram com a retirada das tropas portuguesas do Ndongo e com o reconhecimento de sua soberania. Em troca, o territ\u00f3rio seria aberto aos portugueses para criar rotas comerciais.<\/p>\n<p>Numa tentativa de melhorar as rela\u00e7\u00f5es com Lisboa, Njinga at\u00e9 aceitou a convers\u00e3o ao cristianismo e foi batizada de Ana de Souza. Ela tinha ent\u00e3o 40 anos de idade.<\/p>\n<p>Mas as rela\u00e7\u00f5es cordiais n\u00e3o duraram muito e os confrontos recome\u00e7aram.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Mulher, guerreira e rainha<\/h2>\n<p>Em 1624, seu irm\u00e3o se recolheu a uma pequena ilha onde morreu em circunst\u00e2ncias estranhas. N\u00e3o se sabe se ele cometeu suic\u00eddio ou se foi envenenado por Njinga como vingan\u00e7a pelo assassinato de seu filho.<\/p>\n<p>A \u00fanica certeza \u00e9 que, apesar da oposi\u00e7\u00e3o de Portugal e de parte de seu pr\u00f3prio povo, Njinga fez algo impens\u00e1vel na \u00e9poca: tornou-se a nova rainha do Ndongo.<\/p>\n<p>&#8220;Njinga Mbande serve como exemplo para contrariar o discurso de submiss\u00e3o das mulheres africanas ao longo do tempo&#8221;, diz Jo\u00e3o Pedro Louren\u00e7a, diretor da Biblioteca Nacional de Angola, \u00e0 BBC Mundo, o servi\u00e7o em espanhol da BBC.<\/p>\n<p>Algumas fontes atribuem a Njinga uma atitude implac\u00e1vel para se tornar rainha. Ela teria recorrido, por exemplo, \u00e0 ajuda de grupos de guerreiros de Imbangala, que viviam na fronteira do reino, para amedrontar rivais e fortalecer sua posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De uma lideran\u00e7a reafirmada ao longo dos anos, Njinga conquistou o reino vizinho de Mutamba e defendeu ativamente seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1529\/production\/_101271450_9018525f-1ced-4cb6-87d4-f2fdcfb8c467.jpg\" alt=\"Njinga e governador portugu\u00eas\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Quando foi negociar paz com autoridade portuguesa, Njinga sentou-se sobre as costas de sua criada para falar com ele em p\u00e9 de igualdade<\/span><\/figure>\n<p>&#8220;A rainha Njinga n\u00e3o era apenas uma grande guerreira no campo de batalha, mas tamb\u00e9m um grande estrategista e diplomata&#8221;, diz \u00e0 BBC Jos\u00e9 Eduardo Agualusa, escritor de ascend\u00eancia luso-brasileira e autor do romance &#8220;A Rainha Ginga&#8221;.<\/p>\n<p>Nascido em Angola quando o pa\u00eds ainda estava sob dom\u00ednio portugu\u00eas, Agualusa assinala que Njinga &#8220;lutou contra Portugal, aliando-se com os holandeses quando achava conveniente e buscando apoio dos portugueses para lutar contra outros reinos da regi\u00e3o sempre que serviam a seus interesses&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">O combate de seus escravos sexuais<\/h2>\n<p>O fasc\u00ednio pela personagem de Njinga chegou a cativar o pr\u00f3prio Marqu\u00eas de Sade, embora n\u00e3o por suas habilidades como guerreira, mas porque ele a considerava um modelo de lux\u00faria selvagem.<\/p>\n<p>Sade se referiu a Njinga em &#8220;A Filosofia na Alcova&#8221;, baseado nas hist\u00f3rias do mission\u00e1rio italiano Giovanni Cavazzi, que alegou que a rainha &#8220;imolava seus amantes&#8221; depois das rela\u00e7\u00f5es sexuais.<\/p>\n<p>Isso acontecia com aqueles homens que faziam parte do grande har\u00e9m da rainha, conhecido como &#8220;chibados&#8221; e for\u00e7ados a se vestir com roupas femininas.<\/p>\n<p>Quando a rainha queria ter rela\u00e7\u00f5es carnais, seus homens tinham de lutar entre si at\u00e9 a morte. Mas o sobrevivente n\u00e3o tinha um futuro promissor: depois de passar a noite com ela, era assassinado violentamente na manh\u00e3 seguinte.<\/p>\n<p>Louren\u00e7o diz que a publica\u00e7\u00e3o de Cavazzi \u00e9 importante, mas lembra que todas suas hist\u00f3rias antes da chegada a Angola, em 1640, s\u00e3o baseadas em testemunhos de outras pessoas.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 importante lembrar que essas hist\u00f3rias foram contadas por inimigos de Njinga, ou seja, os portugueses, criando uma imagem negativa dela, como parte da guerra psicol\u00f3gica&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Nas hist\u00f3rias sobre seus amantes, o historiador lembra que existem outras vers\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Na obra &#8216;Monumenta Missionaria Africana&#8217;, do Padre Br\u00e1sio, h\u00e1 uma carta de Njinga em que afirma que tais &#8216;amantes&#8217; eram simb\u00f3licos e que ela s\u00f3 tinha um marido, ent\u00e3o, temos que continuar investigando e discutindo&#8221;, diz o pesquisador.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/6349\/production\/_101271452_7e809c87-c4da-4eb6-8a7f-6d16a654d5e8.jpg\" alt=\"Est\u00e1tua de Njinga\" width=\"976\" height=\"700\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Considerada uma personalidade \u00fanica na hist\u00f3ria da \u00c1frica, Njinga \u00e9 uma figura eminente e reconhecida na Angola at\u00e9 hoje<\/span><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Personalidade \u00fanica<\/h2>\n<p>Seu reinado foi longo. Por 40 anos, Njinga liderou pessoalmente uma forte oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s tentativas de conquista portuguesas por meio de opera\u00e7\u00f5es militares.<\/p>\n<p>Depois de chegar \u00e0 conclus\u00e3o de que nada poderia ser feito contra a for\u00e7a de uma rainha j\u00e1 idosa, Portugal acabou renunciando ao desejo de conquistar Ndongo em um tratado ratificado em Lisboa no ano de 1657. O documento permitia que Njinga permanecesse comandando, desde que cedesse boa parte de seu poder.<\/p>\n<p>Njinga morreu em 17 de dezembro de 1663. Ela tinha 82 anos e havia passado metade de sua vida liderando a resist\u00eancia contra projetos coloniais que os europeus queriam impor \u00e0 regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Com sua morte, Portugal perdeu seu principal advers\u00e1rio e passou a acelerar a ocupa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea.<\/p>\n<p>Considerada uma personalidade \u00fanica na hist\u00f3ria da \u00c1frica, Njinga \u00e9 uma figura eminente e reconhecida em Angola at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Seu nome batiza de ruas a escolas pelo pa\u00eds. J\u00e1 seu rosto estampa a moeda de 20 kwanzas. Njinga tamb\u00e9m inspirou filmes, livros e fez parte de uma s\u00e9rie de publica\u00e7\u00f5es de ilustra\u00e7\u00f5es da Unesco sobre mulheres africanas hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p>Segundo Louren\u00e7o, &#8220;Njinga Mbande \u00e9 um exemplo de luta para manter a soberania do povo de Ndongo e dos que comp\u00f5em a Rep\u00fablica de Angola (&#8230;). Hoje, seu exemplo serve para promover a dignidade do povo angolano, o compromisso com a na\u00e7\u00e3o e a defesa da integridade territorial &#8220;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/170D1\/production\/_101271449_7a1a8928-6e68-43b5-b844-fecfa4b54187.jpg\" alt=\"Reina Njinga\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">Hist\u00f3ria de Njinga serve para &#8220;contradizer discurso de submiss\u00e3o da mulher africana&#8221;, segundo diretor da Biblioteca Nacional de Angola, Jo\u00e3o Pedro Louren\u00e7o<\/figure>\n<p>Questionado sobre a veracidade de algumas das lendas mais marcantes sobre a vida da rainha, Agualusa lembra que o maior erro \u00e9 tentar analisar uma era hist\u00f3rica baseada em nossas cren\u00e7as atuais.<\/p>\n<p>&#8220;A crueldade era global, os europeus queimavam pessoas vivas, escravizavam n\u00e3o s\u00f3 os africanos, mas tamb\u00e9m outros europeus; os africanos eram igualmente cru\u00e9is&#8221;, reflete o escritor.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0 luz do nosso tempo, a rainha Njinga era uma d\u00e9spota, mas qual rei europeu daquela \u00e9poca n\u00e3o era?&#8221;, conclui.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os livros a definem como uma guerreira valente e inteligente que se tornou uma das figuras-chave da resist\u00eancia da \u00c1frica ao colonialismo no s\u00e9culo 17.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":245965,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1175,6],"tags":[],"class_list":["post-245964","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/ninga.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/245964","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=245964"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/245964\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/245965"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=245964"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=245964"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=245964"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}