{"id":246166,"date":"2018-06-07T08:38:10","date_gmt":"2018-06-07T11:38:10","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=246166"},"modified":"2018-06-07T08:38:10","modified_gmt":"2018-06-07T11:38:10","slug":"corrupcao-e-espionagem-o-que-arquivos-estrangeiros-guardam-sobre-a-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/corrupcao-e-espionagem-o-que-arquivos-estrangeiros-guardam-sobre-a-ditadura\/","title":{"rendered":"Corrup\u00e7\u00e3o e espionagem: o que arquivos estrangeiros guardam sobre a ditadura"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">EL PA\u00cdS antecipa conte\u00fado de dois livros sobre rela\u00e7\u00f5es entre o regime e os governos brit\u00e2nico e franc\u00eas.<\/h2>\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Documentos guardados em pa\u00edses como a Rep\u00fablica Tcheca revelam espionagem e exilados monitorados<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/06\/05\/politica\/1528217409_065925_1528297930_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/06\/05\/politica\/1528217409_065925_1528297930_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/06\/05\/politica\/1528217409_065925_1528297930_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/06\/05\/politica\/1528217409_065925_1528297930_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Encarte promove viagem de Ernesto Geisel ao Reino Unido em 1976\" width=\"980\" height=\"600\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Reprodu\u00e7\u00e3o do encarte feito pela presid\u00eancia da Rep\u00fablica para promover a viagem do presidente Ernesto Geisel ao Reino Unido em 1976. Na imagem, ele participa de cortejo com a rainha Elizabeth rumo ao Pal\u00e1cio de Buckingham.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">PRESID\u00caNCIA DA REP\u00daBLICA<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Rodolfo Borges\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/rodolfo_lira_prado_borges\/a\/\">RODOLFO BORGES<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<section id=\"sumario_1|apoyos\" class=\"sumario_apoyos derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<div class=\"apoyos\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c0s 12h30 do dia 4 de maio de 1976, o presidente\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ernesto_geisel\">Ernesto Geisel<\/a>\u00a0desembarcou do trem real brit\u00e2nico, procedente do aeroporto de Gatwick, na esta\u00e7\u00e3o Victoria, em Londres. Acompanhado da esposa Lucy Geisel e da filha Am\u00e1lia Lucy, o general brasileiro deu tr\u00eas passos sobre a plataforma e cumprimentou a rainha Elizabeth II da Inglaterra&#8221;, descreve o pesquisador Geraldo Cantarino ao iniciar o ainda in\u00e9dito\u00a0<em>Geisel em Londres<\/em>\u00a0(Editora Mauad X), seu quinto livro baseado nos arquivos do Governo brit\u00e2nico sobre o per\u00edodo do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/dictadura_brasilena\">regime militar brasileiro<\/a>\u00a0(<a href=\"https:\/\/geraldocantarino.wordpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mais sobre eles aqui<\/a>). &#8220;Essa foi a primeira visita de Estado de um presidente brasileiro ao Reino Unido, e foi considerada uma das mais pol\u00eamicas daquele per\u00edodo na Inglaterra&#8221;, conta Cantarino, um dos v\u00e1rios brasileiros que tentam recuperar a hist\u00f3ria das d\u00e9cadas de 1960, 1970 e 1980 do Brasil em arquivos estrangeiros.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CLfW5_m6wdsCFdTD4QodyUUGUQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/politica\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/politica\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/politica\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reportagem do EL PA\u00cdS conversou com pesquisadores que t\u00eam vasculhado os arquivos do Reino Unido, Fran\u00e7a e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/06\/04\/politica\/1528124118_758636.html\">da antiga Tchecoslov\u00e1quia<\/a>\u00a0para descobrir o que os documentos diplom\u00e1ticos e de servi\u00e7os de intelig\u00eancia ainda t\u00eam a dizer sobre esse per\u00edodo turvo da hist\u00f3ria brasileira \u2014 os militares alegam ter destru\u00eddo todos os documentos da \u00e9poca. No livro que est\u00e1 para lan\u00e7ar, Cantarino investiga como o constrangimento brit\u00e2nico de lidar com um regime acusado de torturas e execu\u00e7\u00f5es n\u00e3o foi o bastante para impedir a visita com honras de Geisel. Os grandes contratos no ambicioso programa de desenvolvimento nacional em curso no Brasil falaram mais alto, mas &#8220;a diplomacia brit\u00e2nica percebeu que precisaria de fortes argumentos para justificar o convite e evitar um desgaste do Governo de Sua Majestade junto \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica&#8221;, diz o jornalista. Segundo ele, est\u00e3o come\u00e7ando a ser liberados documentos brit\u00e2nicos sobre a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/guerra_malvinas\/a\">Guerra das Malvinas<\/a>. E \u00e9 de olho nesses registros que o historiador Jo\u00e3o Roberto Martins Filho, professor da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar), parte nos pr\u00f3ximos meses para a Inglaterra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cHouve muita tens\u00e3o entre o Brasil e a Inglaterra naquele momento. Para eles [brit\u00e2nicos], era uma quest\u00e3o fundamental derrotar os argentinos, e o Brasil teve uma atitude d\u00fabia, disse que era contra, mas apreendeu um avi\u00e3o ingl\u00eas e deu ajuda \u00e0 Argentina por baixo do pano\u201d, diz Martins Filho, que descobriu recentemente documentos brit\u00e2nicos de 1978 que sugerem uma tentativa do Governo brasileiro de abafar um caso de superfaturamento na compra de equipamentos para constru\u00e7\u00e3o de navios vendidos ao Brasil. Os brasileiros se negaram inclusive a receber uma indeniza\u00e7\u00e3o de 500.000 libras (3 milh\u00f5es de libras ou 15 milh\u00f5es de reais nos valores atuais).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em maio, o pesquisador Matias Spektor canalizou as aten\u00e7\u00f5es do pa\u00eds para os arquivos estrangeiros ao descobrir um documento do Departamento de Estado norte-americano que\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/05\/10\/politica\/1525976675_975787.html\">sugere que a c\u00fapula do regime autorizou execu\u00e7\u00f5es durante a ditadura<\/a>. &#8220;O esc\u00e2ndalo provocado por esses documentos \u00e9 proporcional ao n\u00edvel de segredo que existe dentro do Brasil. Se n\u00e3o existisse segredo no Brasil, j\u00e1 ter\u00edamos encontrado tudo aqui&#8221;, diz Martins filho.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Governo Thatcher<\/h3>\n<p class=\"a-color-base s-line-clamp-3\" style=\"text-align: justify;\">O professor da UFSCar pesquisou com mais detalhes nos arquivos brit\u00e2nicos o per\u00edodo que vai de 1969 a 1976 e, agora, pretende se concentrar no\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/margaret_thatcher\">Governo de Margaret Thatcher (1979-1990)<\/a>, que pega o final da ditadura brasileira. &#8220;H\u00e1 documentos classificados para serem liberados ap\u00f3s 100 anos&#8221;, comenta. O prazo pode ser alterado, contudo, caso as pessoas que poderiam ser prejudicadas pela divulga\u00e7\u00e3o do material tenham morrido. A morte, em 2014, do jornalista Rodolfo Konder, testemunha do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/05\/21\/politica\/1526935775_966311.html\">assassinato sob tortura do colega Vladimir Herzog<\/a>, liberou um dos documentos analisados por Martins Filho, autor, entre outros, do livro\u00a0<em><span class=\"a-size-medium a-link-normal\">Segredos de Estado &#8211; O Governo Brit\u00e2nico e a Tortura no Brasil<\/span><\/em>\u00a0<span class=\"a-size-medium a-link-normal\">(editora Prismas, 2017) \u2014 na obra, ele revela que o MI5, servi\u00e7o de intelig\u00eancia brit\u00e2nico, investigou se havia algum exilado brasileiro que poderia colocar a vida de Geisel em risco durante a visita e informou ao Brasil que uma delas, chamada Helena Bocai\u00fava, n\u00e3o tinha armas em casa.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"a-size-medium a-link-normal\">Os arquivos brit\u00e2nicos s\u00e3o liberados ap\u00f3s um per\u00edodo de 30 anos, desde que n\u00e3o tenham implica\u00e7\u00f5es para a seguran\u00e7a nacional do pa\u00eds ou prejudiquem pessoas vivas. Nos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/estados_unidos\">Estados Unidos<\/a>, est\u00e3o dispon\u00edveis desde 2015 os registros feitos at\u00e9 1976; na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/francia\">Fran\u00e7a<\/a>, o prazo pode varias de 25 a 50 anos de sigilo. Foi nos documentos norte-americanos que Carlos Fico, professor do departamento de hist\u00f3ria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), descobriu em 2008 o plano de conting\u00eancia que previa apoio militar norte-americano ao golpe de 1964 em caso de imprevistos. Para ele, os documentos do Governo\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/joao_figueiredo\">Jo\u00e3o Figueiredo<\/a>(1979-1985) &#8220;ser\u00e3o ainda mais chocantes&#8221; do que os revelados neste ano.<\/span>\u00a0\u201cO Geisel n\u00e3o tinha rela\u00e7\u00e3o muito org\u00e2nica com a chamada comunidade de seguran\u00e7a de informa\u00e7\u00f5es. Mas seu sucessor era um general muito vinculado com as a\u00e7\u00f5es da repress\u00e3o, tinha sido chefe do SNI [Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es] e continuaria muito fortemente vinculado a esse grupo\u201d, diz.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Exilados na Fran\u00e7a<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisador dos arquivos norte-americanos, Fico orientou nos \u00faltimos anos uma tese de doutorado feita a partir dos arquivos de intelig\u00eancia da Fran\u00e7a. O trabalho, realizado por Paulo C\u00e9sar Gomes, est\u00e1 nas m\u00e3os da editora Record, que planeja lan\u00e7ar o livro no in\u00edcio de 2019. Para o pesquisador, o mais interessante dos documentos analisados por ele \u00e9 a ambiguidade entre o discurso oficial e o conte\u00fado das correspond\u00eancias sigilosas. &#8220;As autoridades francesas percebiam que havia um regime de exce\u00e7\u00e3o no Brasil, mas fez-se a op\u00e7\u00e3o para que isso n\u00e3o afetasse as rela\u00e7\u00f5es&#8221;, diz o pesquisador. Isso pode ser sentido por meio do monitoramento dos exilados brasileiros em territ\u00f3rio franc\u00eas. O Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI) era informado sobre todos os brasileiros que recorriam ao consulado franc\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Prefeitura de Pol\u00edcia de Paris guarda dossi\u00eas sobre personalidades como o intelectual pernambucano Josu\u00e9 de Castro, o jornalista Samuel Wainer e o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2013\/12\/10\/politica\/1386701338_885414.html\">ex-presidente Juscelino Kubitschek<\/a>\u00a0\u201cN\u00e3o consigo provar que houve uma sistem\u00e1tica de colabora\u00e7\u00e3o [entre os governos da Fran\u00e7a e do Brasil], mas houve colabora\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a figuras espec\u00edficas\u201d, diz Gomes, destacando as tratativas entre os pa\u00edses para a viagem do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes \u00e0 Fran\u00e7a \u2014 o cunhado do pol\u00edtico brasileiro, Pierre Gervaiseau, precisou assumir um compromisso perante as autoridades francesas de que Arraes &#8220;adotaria um comportamento discreto durante sua perman\u00eancia na cidade [Paris], abstendo-se de qualquer tipo de declarac\u0327a\u0303o&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa mostra ainda como as autoridades brasileiras trabalharam para melhorar a imagem do regime na Europa e a contrata\u00e7\u00e3o do franc\u00eas Georges Albertini pelo SNI para auxiliar no monitoramento de brasileiros no exterior e publicar artigos elogiosos \u00e0 ditadura na Fran\u00e7a. Os registros trazem ainda informa\u00e7\u00f5es sobre o economista Celso Furtado e o secret\u00e1rio de imprensa do presidente\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/joao_belchior_marques_goulart\">Jo\u00e3o Goulart<\/a>, Raul Ryff, que tamb\u00e9m aparece na pesquisa de Mauro Kraenski nos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/06\/04\/politica\/1528124118_758636.html\">arquivos da antiga Tchecoslov\u00e1quia<\/a>, a primeira feita no contexto brasileiro at\u00e9 hoje. Em parceria com o tradutor tcheco Vladim\u00edr Petril\u00e1k, o paranaense descobriu nos documentos do bloco sovi\u00e9tico que Ryff, identificado como um dos principais conselheiros de Goulart, foi usado como &#8220;figurante&#8221; \u2014 potencial agente \u2014 pela StB (sigla para &#8220;Seguran\u00e7a Estatal&#8221;), o servi\u00e7o de intelig\u00eancia tchecoslovaco. A rela\u00e7\u00e3o com Ryff durou at\u00e9 o golpe de 1964, mas a StB atuou pelos interesses sovi\u00e9ticos no Brasil de 1952 a 1971, de acordo com os documentos expostos pelo livro\u00a0<em>1964 &#8211; O elo perdido<\/em>\u00a0(Vide Editorial, 2017).<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o do encarte feito pela presid\u00eancia da Rep\u00fablica para promover a viagem do presidente Ernesto Geisel ao Reino Unido em 1976. 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