{"id":246746,"date":"2018-06-13T06:38:49","date_gmt":"2018-06-13T09:38:49","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=246746"},"modified":"2018-06-13T06:38:49","modified_gmt":"2018-06-13T09:38:49","slug":"lancamento-do-relatorio-anual-da-cpt-destaca-o-aumento-da-violencia-no-campo-e-dos-conflitos-pela-agua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/lancamento-do-relatorio-anual-da-cpt-destaca-o-aumento-da-violencia-no-campo-e-dos-conflitos-pela-agua\/","title":{"rendered":"Lan\u00e7amento do relat\u00f3rio anual da CPT destaca o aumento da viol\u00eancia no campo e dos conflitos pela \u00e1gua"},"content":{"rendered":"<header class=\"entry-header mh-clearfix\">\n<h1 class=\"entry-title\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<\/header>\n<div class=\"entry-content mh-clearfix\">\n<figure class=\"entry-thumbnail\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" title=\"123\" src=\"http:\/\/cptba.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/123-678x381.png\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atividade teve in\u00edcio com a palavras de Dom Leonardo Steiner, secret\u00e1rio geral da CNBB, que destacou a manuten\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia no campo. J\u00e1 Dom Andr\u00e9, presidente da CPT, chamou a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia do trabalho de documentar todos os anos esses dados e da significativa den\u00fancia que eles representam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/publicacoes\/noticias\/conflitos-no-campo\/4380-lancamento-do-relatorio-anual-da-cpt-destaca-o-aumento-da-violencia-no-campo-e-dos-conflitos-pela-agua\"><em>Texto: Cristiane Passos \/ foto: Elvis Marques \u2013 CPT Nacional<\/em><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carlos Walter Porto-Gon\u00e7alves, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), destacou a import\u00e2ncia do trabalho de utilidade p\u00fablica que a CPT faz com o relat\u00f3rio\u00a0<em>Conflitos no Campo Brasil,<\/em>\u00a0desde 1985. \u201cA qualidade e o rigor que esses dados s\u00e3o tratados s\u00e3o inquestion\u00e1veis\u201d, disse ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDo ponto de vista epistemol\u00f3gico \u00e9 um momento de abertura de compreens\u00e3o da realidade da sociedade. \u00c9 o contraponto da ideia de que o agro \u00e9 tudo. As contradi\u00e7\u00f5es e as dimens\u00f5es que n\u00e3o aparecem no dia a dia. O conflito pela \u00e1gua em Correntina, \u00e9 a mudan\u00e7a no uso da terra. As popula\u00e7\u00f5es sempre usaram a \u00e1gua da superf\u00edcie e j\u00e1 n\u00e3o podem mais usar. A popula\u00e7\u00e3o em desespero ocupa uma fazenda de ponta e quebra tudo. Como dizem os zapatistas, h\u00e1 raivas que s\u00e3o dignas. A \u00e1gua tinha que ter um destino digno\u201d, analisou o professor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com os dados da CPT, mais de 60% dos conflitos pela \u00e1gua foram protagonizados por mineradoras. 33 conflitos, 17%, aconteceram no contexto das hidrel\u00e9tricas. Outros 26 conflitos, 13%, em \u00e1reas dominadas por fazendeiros. No contexto dos conflitos pela \u00e1gua, em \u00e1rea de mineradora, registrou-se um assassinato em\u00a0 Barcarena, Par\u00e1. Fernando Pereira, lideran\u00e7a da Comunidade de Jardim Cana\u00e3, fortemente impactada pela opera\u00e7\u00e3o da mineradora Hydro Alunorte, e membro da Associa\u00e7\u00e3o dos Caboclos, Ind\u00edgenas e Quilombolas da Amaz\u00f4nia \u2013 Cainquiama, foi assassinado a tiros no dia 22 de dezembro de 2017.\u00a0 A organiza\u00e7\u00e3o estava envolvida na den\u00fancia de conflitos fundi\u00e1rios na regi\u00e3o e no combate aos crimes socioambientais protagonizados pela Hydro, que explora bauxita para produ\u00e7\u00e3o de alum\u00ednio e tem um rol extenso de il\u00edcitos cometidos ao longo de mais de tr\u00eas d\u00e9cadas. Minas Gerais concentrou o maior n\u00famero de conflitos pela \u00e1gua, 72 ocorr\u00eancias, seguido da Bahia com 54.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Adalgisa Maria de Jesus, a dona Nena, trouxe o depoimento do levante popular de Correntina, na Bahia. De um povo que se revoltou por ver seu bem mais precioso ser usurpado, a \u00e1gua. \u201c\u00c1gua \u00e9 a vida de cada um e cada uma de n\u00f3s. Correntina ficou conhecida depois daquele 2 de novembro de 2017, pouca gente conhecia. O povo de Correntina est\u00e1 perdendo esse bem precioso que \u00e9 a \u00e1gua. As comunidades por conta da falta da \u00e1gua come\u00e7aram a n\u00e3o conseguir mais fazer o engenho funcionar. Come\u00e7ou a ter apag\u00e3o e a faltar energia tamb\u00e9m. E perceberam que era quando a fazenda Igarashi funcionava a pleno vapor, que a cidade ficava desabastecida. Isso n\u00e3o est\u00e1 certo. Al\u00e9m disso ela tinha um piscin\u00e3o que se enchesse, n\u00e3o correria mais \u00e1gua dentro do rio. O povo n\u00e3o aguentou e foi l\u00e1 e quebrou os diques que estavam secando o rio. Ningu\u00e9m vai morrer de sede nas margens do rio Arrojado e ningu\u00e9m vai morrer parado, sem lutar!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u201cSe tem tanto conflito isso indica que tem problemas, apesar de muitos dizerem que o campo n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o importante no cen\u00e1rio nacional\u201d, destacou o professor Carlos Walter. Desde 2015 h\u00e1 um crescimento exponencial da viol\u00eancia no campo. \u201cEu analisei o per\u00edodo de 2015 a 2017 como um per\u00edodo de ruptura pol\u00edtica, e ao compar\u00e1-lo aos anteriores, cheguei \u00e0 m\u00e9dia de homic\u00eddios de 60,6. Entre os anos de 2011 a 2014, durante o governo Dilma, a m\u00e9dia foi de 33,7.\u00a0Portanto, estamos em um momento muito mais violento\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a subprocuradora da Rep\u00fablica, D\u00e9bora Duprat, \u201ca ruptura do pacto constituinte de 2015, com a ascens\u00e3o do governo Temer j\u00e1 iniciou suas a\u00e7\u00f5es levando as quest\u00f5es agr\u00e1rias para a Casa Civil, tirando a expertise de quem sempre trabalhou com esses temas e levando para a esfera pol\u00edtica as quest\u00f5es t\u00e9cnicas e espec\u00edficas do campo. Da mesma forma fizeram com a Funai, colocando em risco o trabalho especializado que se precisa ter com essas quest\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Polliane Barbosa, do acampamento Hugo Ch\u00e1vez, no Par\u00e1, despejado em dezembro de 2017, e dirigente nacional do MST no estado, h\u00e1 um aumento das opress\u00f5es sobre todos trabalhadores brasileiros em geral, sobretudo contra camponesas e camponeses que lutam por terra, \u00e1gua e liberdade. Para ela, os n\u00fameros contidos no relat\u00f3rio da CPT evidenciam a luta que ela e tantos trabalhadores e trabalhadoras vivem em seu dia a dia no Brasil.\u00a0\u201cS\u00e3o dados que quantificam uma realidade concreta da qual trabalhadores do campo tem sofrido no nosso pa\u00eds. Eles partem da concretude da luta por terra!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao analisar os dados de viol\u00eancia, Ant\u00f4nio Canuto, membro fundador da CPT, destacou que \u00e9 poss\u00edvel identificar que o lado mais \u201cmacabro\u201d de 2017 foram os massacres. Do total de mortos, 31 pessoas morreram em cinco massacres pelo pa\u00eds. 71 assassinatos foi o maior n\u00famero registrado desde 2003, quando se computaram 73 v\u00edtimas. \u201c\u00c9 16,4% maior que em 2016, quando houve o registro de 61 assassinatos, praticamente o dobro de 2014, que registrou 36 v\u00edtimas\u201d, apontou Canuto.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u201cSe tem tanto conflito isso indica que tem problemas, apesar de muitos dizerem que o campo n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o importante no cen\u00e1rio nacional\u201d, destacou o professor Carlos Walter. 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