{"id":246767,"date":"2018-06-13T07:58:53","date_gmt":"2018-06-13T10:58:53","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=246767"},"modified":"2018-06-13T07:58:53","modified_gmt":"2018-06-13T10:58:53","slug":"por-que-nos-importamos-com-simbolos-escravagistas-dos-eua-e-ignoramos-os-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/por-que-nos-importamos-com-simbolos-escravagistas-dos-eua-e-ignoramos-os-do-brasil\/","title":{"rendered":"Por que nos importamos com s\u00edmbolos escravagistas dos EUA e ignoramos os do Brasil?"},"content":{"rendered":"<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">O debate sobre a perman\u00eancia de monumentos em homenagem aos bandeirantes ainda passa ao largo do que se discute pelo mundo<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/02\/politica\/1504310652_774711_1504310897_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/02\/politica\/1504310652_774711_1504310897_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/02\/politica\/1504310652_774711_1504310897_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/02\/politica\/1504310652_774711_1504310897_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Monumentos dos Bandeirantes\" width=\"980\" height=\"555\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Monumento \u00e0s Bandeiras, em S\u00e3o Paulo, pichado em 2016<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">ROVENA ROSA \/ AG\u00caNCIA BRASIL<\/span>\u00a0<span class=\"foto-agencia\">FOTOS P\u00daBLICAS<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma firma--vertical\">\n<div class=\"autor\">\n<figure class=\"foto\"><\/figure>\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Regiane Oliveira\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/regiane_oliveira\/a\/\">REGIANE OLIVEIRA<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo-introduccion\" class=\"articulo-introduccion\">\n<p>Foi em uma escola p\u00fablica convencional de S\u00e3o Paulo, h\u00e1 mais de 20 anos, que o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/indigenas\/a\">\u00edndio guarani<\/a>Jurandir Augusto Martim descobriu como o\u00a0<em>jurua<\/em>\u00a0(homem branco, na l\u00edngua guarani mbya) contava a hist\u00f3ria dos bandeirantes. Os sertanistas que a partir do s\u00e9culo XVI exploravam o interior do pa\u00eds \u00e0 ca\u00e7a de ind\u00edgenas para\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/esclavitud\/a\">escraviza\u00e7\u00e3o<\/a>, riquezas minerais e destrui\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/03\/28\/sociedad\/1396039867_792085.html\">quilombos<\/a>, eram apresentados como os nobres her\u00f3is nacionais, os desbravadores, respons\u00e1veis por levar a civiliza\u00e7\u00e3o aos rinc\u00f5es do Brasil e delimitar suas fronteiras. Ensinamentos muito diferentes daqueles que Martim aprendeu em casa por meio da tradi\u00e7\u00e3o oral ind\u00edgena.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"roba_principal\" class=\"envoltorio_publi\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"elpais_gpt-MPU1\" class=\"publi_luto_horizontal\" data-google-query-id=\"CKCAxO280NsCFZrF4Qodh0AO3A\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/politica\/mpu1_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFiquei impressionado quando vi pela primeira vez a est\u00e1tua em homenagem ao\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Borba_Gato\">Borba Gato<\/a>\u00a0[1649 \u2013 1718], em Santo Amaro, um homem respons\u00e1vel por mortes, estupros e inc\u00eandios em aldeias ind\u00edgenas\u201d, conta o hoje professor da Escola Estadual Ind\u00edgena Djekupe Amba Arandu, das aldeias\u00a0<a href=\"http:\/\/tekoapyau.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Teko\u00e1 Pyau e Teko\u00e1 Ytu<\/a>, ponto de resist\u00eancia guarani na regi\u00e3o do Parque Estadual do Jaragu\u00e1. \u201cEssa \u00e9 a parte mais dif\u00edcil do ensino de hist\u00f3ria: explicar para crian\u00e7as por que homens que foram respons\u00e1veis por massacres e escravid\u00e3o de ind\u00edgenas ainda serem homenageados em todas as partes\u201d, afirma\u00a0 Martim.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CLutwO280NsCFa324QodAzoHRw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/politica\/intext_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se trata dos s\u00edmbolos brasileiros, a discuss\u00e3o sobre a perman\u00eancia de monumentos em homenagens a personagens pol\u00eamicos da hist\u00f3ria ainda passa ao largo das discuss\u00f5es internacionais. Nos Estados Unidos, os planos de removerem de uma pra\u00e7a a est\u00e1tua do general confederado Robert E. Lee, em Charlottesville (Virginia) \u2013 s\u00edmbolo dos Estados escravistas do sul na Guerra Civil Americana (1861-1865) \u2013 fez aprofundar feridas hist\u00f3ricas quando\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/08\/13\/internacional\/1502645550_679199.html\">grupos nazistas, supremacistas brancos e\u00a0<em>alt-right<\/em><\/a>(nova direita radical), munidos de tochas e armas, decidiram exigir o direito de ter o s\u00edmbolo do passado racista preservado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelos EUA, desde o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/barack_obama\/a\">Governo Obama<\/a>, v\u00e1rios Estados v\u00eam adotando a pol\u00edtica de retirar de \u00e1reas p\u00fablicas s\u00edmbolos confederados e racistas. Em maio, por exemplo, uma est\u00e1tua do general Lee perdeu seu lugar de honra como monumento em Nova Orleans. Na semana passada, a cidade de Hollywood, na Florida, decidiu renomear tr\u00eas ruas que honravam um l\u00edder da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/08\/19\/internacional\/1503174397_882413.html\">Ku Klux Klan<\/a>\u00a0e militares confederados em um bairro afro-americano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Fran\u00e7a, honrarias ao passado colonial ainda podem ser encontradas em Paris, onde a perman\u00eancia de uma est\u00e1tua de Jacques Fran\u00e7ois Dugommier (1738-1794), propriet\u00e1rio de escravos da ilha de Guadalupe e \u201cescravista fervoroso, jamais arrependido\u201d \u2013 segundo o historiador Marcel Dorigny, co-autor do\u00a0<a href=\"https:\/\/books.google.fr\/books?id=9hcxDwAAQBAJ&amp;pg=PT270&amp;lpg=PT270&amp;dq=%22marcel+dorigny%22+dugommier&amp;source=bl&amp;ots=XUAC5YCWwJ&amp;sig=9edOy1Su_x-b0Y7lYuswv4B7pW8&amp;hl=en&amp;sa=X&amp;ved=0ahUKEwjRirbXs_TVAhViIsAKHfU7AJwQ6AEITTAF#v=onepage&amp;q=dugommier&amp;f=false\"><em>Atlas de las esclavitudes, desde la Antig\u00fcedad a nuestros d\u00edas<\/em><\/a>\u00a0\u2013 gera controv\u00e9rsia entre os moradores. Na Espanha, por sua vez, desde 2007, a lei da mem\u00f3ria hist\u00f3rica determina a retirada de s\u00edmbolos e monumentos p\u00fablicos que tenham como objetivo exalta\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos militares, da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/guerra_civil_espanola\/a\">Guerra Civil<\/a>, ou da repress\u00e3o da ditadura franquista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, o debate sobre a perman\u00eancia ou n\u00e3o de monumentos em honra ao passado escravista ainda \u00e9 incipiente, por vezes, inexistente. \u201cEnquanto nos EUA a imprensa cobre os conflitos na Virginia como se fosse uma disputa entre a supremacia branca e os defensores dos direitos humanos, no Brasil, quando foram feitas interven\u00e7\u00f5es no Borba Gato e no Monumento \u00e0s Bandeiras, o assunto foi tratado como vandalismo. Ainda temos que avan\u00e7ar muito\u201d, afirma a historiadora Deborah Neves, que trabalha na Secretaria da Cultura do Estado de S\u00e3o Paulo, na unidade de preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/02\/politica\/1504310652_774711_1504370527_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/02\/politica\/1504310652_774711_1504370527_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/02\/politica\/1504310652_774711_1504370527_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/02\/politica\/1504310652_774711_1504370527_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Monumento em homenagem ao bandeirante Borba Gato, em S\u00e3o Paulo\" width=\"980\" height=\"617\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Monumento em homenagem ao bandeirante Borba Gato, em S\u00e3o Paulo<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">ALESP<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00edmbolos do passado genocida x desbravadores da na\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pergunta que ningu\u00e9m faz em todo o mundo \u00e9 se esses monumentos em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/charlottesville\/a\">homenagem a personagens pol\u00eamicos da hist\u00f3ria<\/a>\u00a0devem permanecer em local p\u00fablico e\/ou como eles devem ser representados nos dias de hoje. Inaugurada em 1963, em comemora\u00e7\u00e3o ao IV Centen\u00e1rio do Bairro Santo Amaro, em S\u00e3o Paulo, a est\u00e1tua de Borba Gato, do escultor J\u00falio Guerra, e seus 10 metros de altura revestidos de pedras coloridas, basalto, m\u00e1rmore e muita pol\u00eamica sobre sua qualidade est\u00e9tica, \u00e9 s\u00f3 um dos muitos s\u00edmbolos bandeirantes que sobreviveram ao tempo e \u00e0 cr\u00edtica no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As aldeias do Jaragu\u00e1 fazem divisa com a\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Rodovia_dos_Bandeirantes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rodovia dos Bandeirantes<\/a>, inaugurada em 1978, em pleno governo militar, pelo ent\u00e3o presidente Ernesto Geisel, na mesma rota utilizada pelos bandeirantes para sair do litoral para o interior do pa\u00eds. Juntamente com a rodovia Anhanguera \u2013\u00a0<em>diabo velho<\/em>, em tupi guarani, apelido compartilhado por dois bandeirantes, pai e filho, ambos chamados Bartolomeu Bueno da Silva \u2013, forma o sistema Anhanguera-Bandeirantes, hoje administrado pela concession\u00e1ria Autoban, um dos corredores log\u00edsticos mais nobres do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anhanguera, ali\u00e1s, tem sua vasta gama de homenagens, de uma est\u00e1tua do artista italiano Luigi Brizzolara, localizada em frente ao Museu de Arte de S\u00e3o Paulo (Masp), a v\u00e1rias pra\u00e7as, ruas, avenidas e at\u00e9 mesmo uma retransmissora afiliada da rede Globo em Goi\u00e1s e Tocantins. E o mesmo acontece com Fern\u00e3o Dias, Raposo Tavares, Br\u00e1s Leme, Cunha Gago, dentre outros, homenageados com est\u00e1tuas, ruas e avenidas. Em S\u00e3o Paulo, at\u00e9 mesmo a sede do Governo do Estado \u00e9 uma homenagem aos sertanistas: o\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Pal%C3%A1cio_dos_Bandeirantes\">Pal\u00e1cio dos Bandeirantes<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A exalta\u00e7\u00e3o do mito dos bandeirantes \u00e9 relativamente recente e est\u00e1 muito ligada com a constru\u00e7\u00e3o da identidade paulista. As homenagens come\u00e7aram j\u00e1 no s\u00e9culo XVIII quando o cronista\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Gaspar_da_Madre_de_Deus\">Frei Gaspar da Madre de Deus<\/a>, um representante da elite seiscentista paulista, decidiu homenagear seus antepassados em suas obras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas foi nos anos 1930, quando a oligarquia paulista, durante a\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Revolu%C3%A7%C3%A3o_Constitucionalista_de_1932\">Revolu\u00e7\u00e3o de 1932<\/a>, precisava de argumentos para unir a popula\u00e7\u00e3o em torno de um sentimento comum, que os bandeirantes foram escolhidos como s\u00edmbolo desse ideal. Segundo a historiadora Katia Maria Abud, no artigo\u00a0<em>Paulista Uni-vos,<\/em>\u00a0no recrutamento dos cidad\u00e3os para pegar em armas era preciso omitir a divis\u00e3o de classes e os interesses de grupos em prol de uma causa maior, heroica. A m\u00e1xima do her\u00f3i bandeirante passou a ser usada como ide\u00e1rio paulista. E a hist\u00f3ria dos mais de 300.000 \u00edndios capturados e escravizados pelas bandeiras, bem como sua vida de mis\u00e9ria e doen\u00e7a, foram caindo no ostracismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA simbologia dessas homenagens tem valor e mesmo que ela n\u00e3o seja t\u00e3o representativa como foi no passado, ainda fortalece a lembran\u00e7a. N\u00e3o faz sentido ter esses s\u00edmbolos. Eles deveriam ser derrubados\u201d, afirma Martim. Ele admite que este \u00e9 um desejo pessoal seu, j\u00e1 que esta bandeira n\u00e3o est\u00e1 na pauta das\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/05\/06\/politica\/1494107739_378228.html\">lutas ind\u00edgenas<\/a>. \u201cN\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o seja importante, \u00e9 que precisamos focar naquilo que nos impacta mais, a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/07\/22\/politica\/1500686247_011367.html\">demarca\u00e7\u00e3o de terras<\/a>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A opini\u00e3o de Martim n\u00e3o \u00e9 unanimidade. \u201cN\u00e3o tenho uma opini\u00e3o formada sobre a perman\u00eancia desses monumentos. Ao mesmo tempo que acho que eles t\u00eam que ser contestados e at\u00e9 derrubados se for a vontade geral, acredito que \u00e9 poss\u00edvel ressignific\u00e1-los no espa\u00e7o urbano. Simplesmente apagar da hist\u00f3ria vai nos fazer esquecer dela\u201d, afirma D\u00e9borah Neves.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela cita como exemplo a recente aprova\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a de nome do elevado Costa e Silva, mais conhecido como\u00a0<a href=\"http:\/\/sao-paulo.estadao.com.br\/noticias\/geral,minhocao-perde-nome-de-militar-e-passa-a-ser-chamado-elevado-joao-goulart,10000064915\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Minhoc\u00e3o, em S\u00e3o Paulo, para Elevado Presidente Jo\u00e3o Goulart.<\/a>\u00a0\u201cO Brasil, a partir da d\u00e9cada de 50, deixa de lado as homenagens em monumentos. As grandes obras de interven\u00e7\u00e3o urbana, como o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/01\/25\/fotorrelato\/1485348049_078991.html#1485348049_078991_1485351290\">Minhoc\u00e3o<\/a>, substituem as est\u00e1tuas como monumentos da ditadura\u201d, afirma Neves. \u201cTrocar o nome do elevado \u00e9 bastante significativo porque estamos desconstruindo uma hist\u00f3ria&#8221;. A historiadora defende que, em caso de decis\u00e3o de demoli\u00e7\u00e3o, exista ao menos um marco temporal que diga que tal monumento \u2013 seja ponte ou est\u00e1tua \u2013 existiu no local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cInfelizmente, temos uma invisibilidade em rela\u00e7\u00e3o a simbologia desses monumentos. Poucas pessoas sabem que o\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Monumento_%C3%A0s_Bandeiras\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Monumento \u00e0s Bandeiras<\/a>, mais conhecido como \u2018empurra-empurra\u2019 ou \u2018deixa que eu empurro\u2019, no Ibirapuera, \u00e9 uma obra de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.victor.brecheret.nom.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Victor Brecheret<\/a>\u201d, diz Deborah Neves. \u201cNossa rela\u00e7\u00e3o com os bandeirantes \u00e9 impessoal, de ignor\u00e2ncia, porque consideramos que a viol\u00eancia est\u00e1 restrita aos \u00edndios, com quem a maioria de n\u00f3s n\u00e3o tem mem\u00f3ria afetiva. H\u00e1 mais discuss\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos s\u00edmbolos da Ditadura ou do Estado Novo, cujas pessoas envolvidas ainda est\u00e3o por a\u00ed.&#8221;<\/p>\n<section id=\"sumario_1|despiece\" class=\"sumario_despiece centro\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<header class=\"sumario-encabezado\">\n<h4 class=\"sumario-titulo\"><span class=\"sin_enlace\">PARA CONTESTAR \u00c9 PRECISO CONHECER PRIMEIRO<\/span><\/h4>\n<\/header>\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Afinal, voc\u00ea aprendeu que os bandeirantes s\u00e3o bandidos ou her\u00f3is? Se voc\u00ea \u00e9 da chamada\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/02\/20\/politica\/1424439314_489517.html\">Gera\u00e7\u00e3o Z<\/a>\u00a0\u2013 aqueles nascidos em meados dos anos 1990 e anos 2000 \u2013 h\u00e1 uma boa chance de que sua escola tenha apresentado uma vis\u00e3o mais cr\u00edtica sobre os bandeirantes. As leis\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2003\/L10.639.htm\">10.639\/03<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2007-2010\/2008\/lei\/l11645.htm\">11.645\/08<\/a>, que tornaram obrigat\u00f3rios o ensino da hist\u00f3ria africana, afro-brasileira e ind\u00edgena no pa\u00eds, levou a uma mudan\u00e7a no material did\u00e1tico. \u201cTrabalhamos hoje com a cr\u00edtica aos \u00eddolos e imagens, buscando entender as homenagens em monumentos, nomes de ruas e avenidas como produtos das rela\u00e7\u00f5es de poder e das tentativas de legitima\u00e7\u00e3o de um estrato social sobre os outros\u201d, afirma o professor de hist\u00f3ria Danilo Oliveira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A professora e historiadora Raquel Foresti alerta, no entanto, que ainda n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis livros que mostrem a vis\u00e3o ind\u00edgena das bandeiras. \u201cA contesta\u00e7\u00e3o do mito do her\u00f3i que temos nos materiais did\u00e1ticos ainda \u00e9 branca e acad\u00eamica\u201d, afirma. Para ela, os monumentos teriam um papel importante na educa\u00e7\u00e3o dos alunos, mas infelizmente,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sao_paulo\/a\">S\u00e3o Paulo<\/a>\u00a0n\u00e3o cumpre seu papel de cidade educadora. Foresti sonha em poder levar seus alunos para discutir as bandeiras junto ao monumento de Victor Brecheret, no Ibirapuera, mas faltam recursos e espa\u00e7o. \u201cImagine parar um \u00f4nibus com estudantes naquela regi\u00e3o? Seria considerado um transtorno.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O professor e ge\u00f3grafo Paulo Roberto Moraes, concorda com o papel educador dos monumentos. \u201cNosso problema hoje n\u00e3o s\u00e3o as est\u00e1tuas, mas sim o fato de as pessoas n\u00e3o saberem do que se trata. At\u00e9 para contestar, \u00e9 preciso conhecer primeiro.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cFiquei impressionado quando vi pela primeira vez a est\u00e1tua em homenagem ao\u00a0Borba Gato\u00a0[1649 \u2013 1718], em Santo Amaro, um homem respons\u00e1vel por mortes, estupros e inc\u00eandios em aldeias ind\u00edgenas\u201d, conta o hoje professor da Escola Estadual Ind\u00edgena Djekupe Amba Arand<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":246768,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1175,6],"tags":[],"class_list":["post-246767","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/bandeirante.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/246767","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=246767"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/246767\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/246768"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=246767"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=246767"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=246767"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}