{"id":246875,"date":"2018-06-14T06:44:43","date_gmt":"2018-06-14T09:44:43","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=246875"},"modified":"2018-06-14T06:44:43","modified_gmt":"2018-06-14T09:44:43","slug":"as-criancas-que-ouvem-vozes-assustadoras-em-suas-cabecas-e-como-lidar-com-elas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/as-criancas-que-ouvem-vozes-assustadoras-em-suas-cabecas-e-como-lidar-com-elas\/","title":{"rendered":"As crian\u00e7as que ouvem vozes assustadoras em suas cabe\u00e7as &#8211; e como lidar com elas"},"content":{"rendered":"<div class=\"story-body\">\n<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__name\">James Melley<\/span><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share-row\">\n<div class=\"share-tools--no-event-tag\">\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-twite\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/1772\/production\/_101920060_voices1.jpg\" alt=\"Crian\u00e7a com as m\u00e3os cobrindo os ouvidos\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Estimativa brit\u00e2nica \u00e9 de que cerca de 8% das crian\u00e7as ouvem vozes com alguma frequ\u00eancia<\/span><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">&#8220;\u00c9 como estar em uma sala cheia de gente. S\u00f3 o que voc\u00ea escuta s\u00e3o m\u00faltiplas vozes gritando com voc\u00ea&#8221;, conta a brit\u00e2nica Laura Moulding, hoje com 21 anos, sobre a experi\u00eancia de ter passado anos da sua inf\u00e2ncia escutando vozes em sua cabe\u00e7a &#8211; e que v\u00eam \u00e0 sua mente at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>O caso de Moulding \u00e9, na verdade, mais comum do que se imagina: levantamento feito no Reino Unido estimou que cerca de 8% das crian\u00e7as ouvem com alguma frequ\u00eancia vozes que n\u00e3o existem no mundo real &#8211; ou seja, alucina\u00e7\u00f5es auditivas. Trata-de, segundo a pesquisadora Sarah Parry, da Universidade Metropolitana de Manchester, de algo que chega a ser t\u00e3o comum quanto asma ou dislexia.<\/p>\n<p>Mas a forma como os pais e os demais adultos reagem a isso pode ter grande influ\u00eancia no futuro dessas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>No caso de Laura, as vozes come\u00e7aram a povoar sua mente aos 3 anos de idade. Ela estava sentada nas escadas da casa de seus av\u00f3s e escutou um le\u00e3o e um urso de um programa infantil lhe dizendo: &#8220;vou pegar voc\u00ea, vou pegar voc\u00ea&#8221;, repetidamente.<\/p>\n<p>Foi uma experi\u00eancia assustadora, diz Laura.<\/p>\n<p>&#8220;Elas s\u00e3o uma combina\u00e7\u00e3o de vozes masculinas e femininas, de crian\u00e7as e de adultos&#8221;, conta ela \u00e0 BBC. &#8220;Praticamente o tempo todo elas me dizem que eu n\u00e3o valho nada.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Automutila\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Na primeira vez em que Laura contou aos pais o que ouvia, eles acharam que ela estava falando de amigos imagin\u00e1rios.<\/p>\n<p>Depois disso, ela passou anos sem falar sobre o assunto, mas continuou sendo perturbada pelas vozes em sua cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>At\u00e9 que, aos 15 anos, decidiu pedir ajuda a sua m\u00e3e, que a levou ao m\u00e9dico.<\/p>\n<p>&#8220;Eu estava me automutilando, foi uma \u00e9poca terr\u00edvel&#8221;, lembra Laura. &#8220;Era dif\u00edcil porque as vozes eram altas, intimidadoras, abusivas. Era algo com o que eu n\u00e3o conseguia lidar.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/B137\/production\/_101976354_laura.jpg\" alt=\"Laura Moulding\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Laura Moulding se automutilou por n\u00e3o conseguir lidar com as vozes em sua mente<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Agora, a pesquisadora Sarah Parry est\u00e1 compilando casos como o de Laura em um amplo estudo com crian\u00e7as que sofram esse tipo de alucina\u00e7\u00e3o. Ela d\u00e1 ideias sobre como lidar com a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;As crian\u00e7as veem essas vozes como parte delas mesmas, ent\u00e3o quando um adulto lhes diz que as vozes s\u00e3o um problema, pode causar estresse. E isso pode fazer com que essas vozes se tornem mais inc\u00f4modas&#8221;, explica ela, citando o exemplo de uma crian\u00e7a que disse que &#8220;as vozes que ouvia ficaram mais assustadas porque ningu\u00e9m acreditou nelas&#8221;.<\/p>\n<p>O que Parry sugere \u00e9 que, em vez de deixar a crian\u00e7a pensar que &#8220;est\u00e1 ficando louca&#8221; ou se sentir mal por n\u00e3o conseguir controlar as vozes &#8211; o que pode levar \u00e0 automutila\u00e7\u00e3o ou ao uso de drogas -, os adultos devem abordar o tema com &#8220;curiosidade&#8221; e &#8220;aceita\u00e7\u00e3o&#8221;, al\u00e9m de buscar orienta\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica especializada caso a crian\u00e7a esteja sendo afetada negativamente pela experi\u00eancia.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Motivos por tr\u00e1s das vozes<\/h2>\n<p>Estudos acad\u00eamicos mostram que, em alguns casos, essas alucina\u00e7\u00f5es auditivas podem ser causadas por momentos de estresse ou trauma na vida das crian\u00e7as e adolescentes ou por consequ\u00eancia de problemas m\u00e9dicos, como dist\u00farbios do sono, desequil\u00edbrios metab\u00f3licos ou enxaquecas.<\/p>\n<p>Uma pesquisa publicada em 1998 no Journal of Child Neurology, nos EUA, associou essas alucina\u00e7\u00f5es a uma preval\u00eancia maior de crises de p\u00e2nico ou dores de cabe\u00e7a nas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>E alguns epis\u00f3dios podem estar associados a &#8220;sintomas prematuros de rea\u00e7\u00f5es esquizofr\u00eanicas&#8221; nas crian\u00e7as ou a algum tipo de psicopatologia que requer aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica cuidadosa para n\u00e3o evoluir ou derivar em comportamentos perigosos &#8211; pensamentos suicidas, por exemplo.<\/p>\n<p>&#8220;A observa\u00e7\u00e3o das alucina\u00e7\u00f5es em crian\u00e7as e adolescentes requer exame cl\u00ednico e psicol\u00f3gico para descartar (poss\u00edveis) causas m\u00e9dicas e identificar os fatores psicopatol\u00f3gicos, psicossociais ou culturais associados a essas experi\u00eancias&#8221;, diz estudo de 2014 de coautoria do pesquisador franc\u00eas Renaud Jardri, que estuda o tema no Departamento de Psiquiatria Infantil da Universidade de Lille.<\/p>\n<p>Em muitos casos, por\u00e9m, os pais descobrir\u00e3o que n\u00e3o h\u00e1 motivo para preocupa\u00e7\u00e3o: as vozes podem ser um fen\u00f4meno isolado em crian\u00e7as saud\u00e1veis e desaparecer espontaneamente, conclui a pesquisa de Jardri.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/ACAA\/production\/_101920244_laura-when-younger.jpg\" alt=\"Laura Moulding na inf\u00e2ncia\" width=\"976\" height=\"649\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Laura diz que as vozes que escutava na inf\u00e2ncia a assustavam; hoje ela aprendeu a lidar com elas<\/span><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;A voz da minha m\u00e3e&#8217;<\/h2>\n<p>Dentro desse universo, h\u00e1 crian\u00e7as que relatam ouvir vozes que as trazem conforto ou as divertem.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso de Tia (nome fict\u00edcio), de 13 anos, que ouviu vozes a partir dos 7 anos &#8211; e teve uma experi\u00eancia muito mais positiva do que Laura com as vozes em sua cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;Eu ouvia muito a voz da minha m\u00e3e&#8221;, lembra. Ela tamb\u00e9m escutava gritos distantes de homens ou torres de alta tens\u00e3o cantando, coisas que, em vez de incomod\u00e1-la, a faziam dar risada.<\/p>\n<p>A ponto de ela levar bronca durante as aulas na escola porque &#8220;uma das vozes estava brincando comigo, me fazendo rir muito&#8221;.<\/p>\n<p>Assim como em muitas crian\u00e7as, a causa por tr\u00e1s das vozes ouvidas por Tia parece ser uma experi\u00eancia traum\u00e1tica relacionada \u00e0 sa\u00fade de sua m\u00e3e, que sofre de uma doen\u00e7a cr\u00f4nica e acha que o estresse que isso imp\u00f4s na fam\u00edlia afetou sua filha profundamente.<\/p>\n<p>&#8220;Tia passou por muita coisa e agora est\u00e1 expressando isso (com as vozes)&#8221;, diz a m\u00e3e.<\/p>\n<p>Ela decidiu n\u00e3o levar a filha para ser examinada por m\u00e9dicos, mas buscou ajuda de um grupo de apoio brit\u00e2nico chamado Hearing Voice Network.<\/p>\n<p>At\u00e9 que, certo dia, as vozes deixaram de aparecer na cabe\u00e7a de Tia.<\/p>\n<p>&#8220;Foi tipo, &#8216;ei, n\u00e3o tem nada na minha mente &#8211; ningu\u00e9m est\u00e1 falando comigo. Posso ouvir meus pr\u00f3prios pensamentos'&#8221;, lembra. &#8220;E n\u00e3o sinto saudades delas (vozes).&#8221;<\/p>\n<p>Laura, por sua vez, ainda escuta as vozes, mas aprendeu a lidar com elas com a ajuda de medicamentos. Tamb\u00e9m ouve m\u00fasica quando quer abaf\u00e1-las.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje me sinto mais forte, melhor comigo mesma, embora as vozes continuem aqui&#8221;, conta. &#8220;Elas n\u00e3o me controlam mais. Eu as controlo.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Elas s\u00e3o uma combina\u00e7\u00e3o de vozes masculinas e femininas, de crian\u00e7as e de adultos&#8221;, conta ela \u00e0 BBC. &#8220;Praticamente o tempo todo elas me dizem que eu n\u00e3o valho nada.&#8221;<\/p>\n<p>Automutila\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":246876,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,12],"tags":[],"class_list":["post-246875","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-saude"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/crianca-doida.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/246875","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=246875"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/246875\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/246876"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=246875"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=246875"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=246875"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}