{"id":246877,"date":"2018-06-14T06:48:22","date_gmt":"2018-06-14T09:48:22","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=246877"},"modified":"2018-06-14T06:48:22","modified_gmt":"2018-06-14T09:48:22","slug":"eu-nasci-em-um-pais-que-nao-existe-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/eu-nasci-em-um-pais-que-nao-existe-mais\/","title":{"rendered":"&#8216;Eu nasci em um pa\u00eds que n\u00e3o existe mais&#8217;"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__name\">Anja Mutic<\/span><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share-row\">\n<div class=\"share-tools--no-event-tag\">\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-twite\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<p class=\"story-body__introduction\">Eu sou de um pa\u00eds que n\u00e3o existe mais. No outono de 2011, duas d\u00e9cadas ap\u00f3s seu colapso no in\u00edcio dos anos de 1990, eu parti em uma jornada para reencontrar a Iugosl\u00e1via. O fato de que o pa\u00eds onde eu nasci e me criei n\u00e3o existia no mapa n\u00e3o importava.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, Nova York era minha base. Eu era uma andarilha incessante e profissional que ganhava a vida indo embora dos lugares. Havia um aparente glamour na minha vida de jornalista de viagens: num dia eu velejava em Gal\u00e1pagos, no pr\u00f3ximo eu descansava em um bangal\u00f4 constru\u00eddo sobre a \u00e1gua em Bora Bora.<\/p>\n<p>Eu podia andar por uma viela de Lisboa ou viajar por estradas empoeiradas da Bol\u00edvia. Minha vida se voltou a ter experi\u00eancias \u00fanicas na vida, mas de maneira bem regular.<\/p>\n<p>E o que estava por tr\u00e1s das seguidas viagens era uma inc\u00f4moda sensa\u00e7\u00e3o de deslocamento. Eu pertencia a todo e nenhum lugar. E mesmo que soubesse que era uma ben\u00e7\u00e3o n\u00e3o pertencer, n\u00e3o ficava em paz com aquilo. Por todas as minhas jornadas, sempre havia duas angustiantes perguntas: onde \u00e9 meu lar? Este \u00e9 o lugar?<\/p>\n<p>Essa busca foi o que soprou vento \u00e0s minhas velas. Em algum lugar distante, l\u00e1 seria &#8220;O Lugar&#8221;. L\u00e1 seria o &#8220;Meu Lar&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12730\/production\/_101786557_59.jpg\" alt=\"Paisagem da antiga Iugosl\u00e1via\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Anja Mutic passou seis semanas explorando as na\u00e7\u00f5es que fizeram parte da Iugosl\u00e1via, seu pa\u00eds natal<\/span><\/figure>\n<p>Crescendo em Zagreb &#8211; que foi a segunda maior cidade da Iugosl\u00e1via, hoje capital da Cro\u00e1cia &#8211; eu colecionava Smurfs. Eu tinha sete Barbies, todas com um longo cabelo loiro e brilhante, com exce\u00e7\u00e3o de uma que eu decidi que n\u00e3o seria loira, ent\u00e3o, eu cortei seu cabelo com tesoura e pintei-o de preto com caneta.<\/p>\n<p>Eu tinha um par de Nike rosa que meu pai trouxera de uma viagem de neg\u00f3cios ao M\u00e9xico, em 1984, uma valorizada\u00a0<i>commodity<\/i>. Na adolesc\u00eancia, assistia \u00e0 s\u00e9rie\u00a0<i>Barrados no Baile<\/i>\u00a0e me apaixonei pelo Dylan. Eu lia poesia de TS Eliot e escutava The Smiths. Meus pais discutiam muito, mas, apesar disso, eu tinha uma inf\u00e2ncia perfeitamente normal.<\/p>\n<p><strong>Decis\u00e3o de partir<\/strong><\/p>\n<p>Quando a Iugosl\u00e1via entrou em colapso numa guerra cruel que durou boa parte dos anos 1990, o mundo encolheu ao meu redor. Com os desdobramentos do conflito, parecia que o teto estava a poucos cent\u00edmetros de mim, e \u00e0 medida que eu crescesse, ele bateria na minha cabe\u00e7a, e n\u00e3o haveria outro lugar para ir.<\/p>\n<p>Eu poderia bater, tentar fazer um buraco no teto, mas ao final n\u00e3o funcionaria. Eu ficaria presa, o topo da minha cabe\u00e7a seria pressionado contra o teto. E em vez passar por isso, eu queria crescer sob o c\u00e9u aberto, ent\u00e3o, eu parti.<\/p>\n<p>N\u00e3o era uma refugiada. N\u00e3o fui for\u00e7ada a sair. Meu ex\u00edlio em 1993 era auto-imposto. No entanto, mais de 15 anos depois, tendo vivido e viajado ao redor do mundo, eu sabia que n\u00e3o ficava em paz com partidas. Eu sentia que, de repente, da noite para o dia, algu\u00e9m puxava o tapete sob meus p\u00e9s e eu n\u00e3o tinha onde permanecer. Tudo o que eu tinha para me equilibrar era uma mistura de mem\u00f3rias desse pa\u00eds quase m\u00edtico, algumas das quais eu sequer tinha certeza se eram reais.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17550\/production\/_101786559_60.jpg\" alt=\"Ponto tur\u00edstico da Maced\u00f4nia\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">O colapso da Iugosl\u00e1via no final do s\u00e9culo 20 criou as na\u00e7\u00f5es da Cro\u00e1cia, Eslov\u00eania, S\u00e9rvia, Montenegro, Maced\u00f4nia (na foto) e B\u00f3snia e Herzegovina<\/span><\/figure>\n<p>Ent\u00e3o, tive uma ideia numa noite fria no meu apartamento do Brooklyn. Eu iria retra\u00e7ar as fronteiras da minha antiga na\u00e7\u00e3o. Eu tentaria entender a sucess\u00e3o de conflitos que come\u00e7aram com a Eslov\u00eania declarando a independ\u00eancia em 1991, a luta da Cro\u00e1cia pela independ\u00eancia que durou at\u00e9 1995, a brutal guerra da B\u00f3snia que oficialmente terminou com a assinatura do Acordo de Dayton, em 1995, e, em seguida, o bombardeio da Otan \u00e0 S\u00e9rvia em 1999, devido \u00e0 guerra no Kosovo.<\/p>\n<p>Mas tantos anos e uma vida inteira depois, esse era um terreno desconhecido, uma antiga entidade pol\u00edtica para a qual meu passaporte havia expirado h\u00e1 muito tempo. De qualquer forma, eu n\u00e3o estava interessada em mergulhar na pol\u00edtica do passado. Eu queria capturar a emo\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds perdido e seu legado deixado a seu povo, e a mim.<\/p>\n<p>Eu tinha um or\u00e7amento limitado, grandes planos e medo do que eu poderia encontrar. Estava assustada de abrir a Caixa de Pandora cheia de ressentimentos e perdas trazidas pela guerra.<\/p>\n<p>Voei para Zagreb em uma noite fria de outubro. L\u00e1, eram 18h quando sentei no assento 39 da janela de um cambaleante \u00f4nibus de turismo em dire\u00e7\u00e3o a Skopje, capital da Maced\u00f4nia. Estava prestes a viajar 12 longas horas para onde ningu\u00e9m esperava minha chegada no in\u00edcio da manh\u00e3 seguinte.<\/p>\n<p>Muitas pessoas acharam estranha minha viagem a todas as ex-rep\u00fablicas da Iugosl\u00e1via. &#8220;O que est\u00e1 te motivando nesta jornada?&#8221;, perguntavam.<\/p>\n<p><strong>Conversas de caf\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>Viajei por seis semanas, como planejado, quase uma semana em cada ex-rep\u00fablica da Iugosl\u00e1via, agora pa\u00edses independentes: Cro\u00e1cia, Eslov\u00eania, S\u00e9rvia, Montenegro, B\u00f3snia e Herzegovina e Maced\u00f4nia. (Pulei Kosovo, ex-prov\u00edncia aut\u00f4noma da Iugosl\u00e1via, por conta de restri\u00e7\u00f5es de tempo, or\u00e7amento e log\u00edstica, n\u00e3o como uma afirma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica).<\/p>\n<p>Eu levava alguns guias antigos, publicados antes da guerra civil que levou \u00e0 queda da Iugosl\u00e1via. No caminho, conheci pessoas para o que chamava de &#8220;conversas de caf\u00e9&#8221;. Tomar um\u00a0<i>kava<\/i>\u00a0(caf\u00e9) com algu\u00e9m era o melhor ritual social da Iugosl\u00e1via. Na minha jornada, eu queria honrar essa tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois de um dia e meio, eu logo fiquei mais interessada nas hist\u00f3rias que as pessoas compartilhavam comigo, e os guias tur\u00edsticos foram para o fundo do meu mochil\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante a viagem, eu esperei que ao longo do caminho algu\u00e9m dissesse uma coisa que cristalizasse tudo: minha vida \u00e0 deriva sem ra\u00edzes e a morte cruel e lenta da Iugosl\u00e1via, que deixou uma gera\u00e7\u00e3o inteira com uma sensa\u00e7\u00e3o de persistente deslocamento. Eu sabia que n\u00e3o estava sozinha em me sentir perdida, mas tinha de entender como os outros processavam a mesma experi\u00eancia coletiva da na\u00e7\u00e3o fragmentada.<\/p>\n<p>Certamente, algu\u00e9m diria a frase surpreendente que eu buscava, com todas as pequenas sabedorias nela contidas. Eu olharia para uma rua, uma vilarejo ou uma clareira na floresta, e tudo se encaixaria. Eu finalmente teria a permiss\u00e3o de seguir em frente.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/40B8\/production\/_101786561_61.jpg\" alt=\"Bancos de estabelecimento\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Mutic compartilhou kava (caf\u00e9) com pessoas que ela conheceu durante a viagem enquanto ouvia suas hist\u00f3rias<\/span><\/figure>\n<p>Nada disso aconteceu. Mas algo, sim. As hist\u00f3rias dos outros se tornaram a espinha dorsal da minha viagem.<\/p>\n<p>Ao longo da minha jornada, conheci mais de 50 pessoas e gravei nossas &#8220;conversas de caf\u00e9&#8221;. Sentei-me com paramilitares, fil\u00f3sofos, pol\u00edticos e poetas. Tomei caf\u00e9 com ativistas, artistas e atores. Joguei conversa fora com m\u00fasicos, professores e trabalhadores de ONGs.<\/p>\n<p>&#8220;Tenho que admitir, a Iugosl\u00e1via nunca terminou para mim. Tive um caso de nostalgia iugoslava&#8221;, disse meu primeiro &#8220;encontro de caf\u00e9&#8221;, Danche Chalovska, na minha primeira noite em Skopje. &#8220;A Iugosl\u00e1via \u00e9 simplesmente parte do meu crescimento, \u00e9 parte do que eu sou, e isto vai permanecer dessa forma&#8221;.<\/p>\n<p>Eu cheguei a Chalovska por meio de um amigo em comum em Nova York. Filha de Todor Chalovski, um famoso poeta maced\u00f4nio, ela tinha sua pr\u00f3pria presen\u00e7a po\u00e9tica. Cabelos descoloridos, rosto largo com fei\u00e7\u00f5es fortes e olhos brilhantes, ela falava draga (querida) com frequ\u00eancia e logo colocou o bra\u00e7o sob o meu, como se f\u00f4ssemos amigas que n\u00e3o nos v\u00edamos h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>Numa noite excepcionalmente quente, eu vaguei pelas ruas de Stara \u010car\u0161ija (Bazar Antigo), em Skopje. Vi quando um velho enxotou duas crian\u00e7as ciganas e atravessei uma comunidade com constru\u00e7\u00f5es de pedras onde artes\u00e3os estavam em frente \u00e0s suas lojas de couro, cobre a tecidos; passei por tendas que vendiam apenas vestidos de casamento brilhantes e\u00a0<i>opanci<\/i>\u00a0&#8211; sapatos de couro tradicionais usados por camponeses do Sudeste da Europa.<\/p>\n<p><strong>Prato t\u00edpico<\/strong><\/p>\n<p>De um p\u00e1tio surgiu um cheiro t\u00e3o forte que eu tive de segui-lo. Sob a sombra de pl\u00e1tanos e figueiras, duas mulheres de len\u00e7o na cabe\u00e7a mexiam, com uma enorme colher de pau, um pur\u00ea vermelho em uma panela grande.<\/p>\n<p>Sabrije Elezi e Usnije Fetahi preparavam\u00a0<i>avjar<\/i>, o onipresente relish balc\u00e2nico feito de piment\u00f5es vermelhos assados. Tradicionalmente feito em meados do outono, a esta\u00e7\u00e3o da pimenta, esse \u00e9 um processo trabalhoso que envolve horas de prepara\u00e7\u00e3o. Sentamos no p\u00e1tio sob as figueiras, revezando-nos para mexer a panela.<\/p>\n<p>Usnije fez caf\u00e9 turco, e, numa bandeja esculpida em madeira, Sabrije trouxe-nos\u00a0<i>slatko<\/i>, a tradicional e extremamente doce compota de frutas (&#8216;slatko&#8217; literalmente significa doce). Essa foi feita de framboesas. Perguntei a Sabrije o que lembrava da Iugosl\u00e1via. &#8220;A vida era muito melhor antes&#8221;, ela disse.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/8ED8\/production\/_101786563_62.jpg\" alt=\"Mulher prepara prato t\u00edpico em Skopje\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Em Skopje, Maced\u00f4nia, Mutic ajudou duas mulheres a preparar ajvar (relish de pimenta vermelha) enquanto compartilhavam seus pensamentos sobre a Iugosl\u00e1via<\/span><\/figure>\n<p>Enquanto minhas companhias de caf\u00e9 falavam, eu escutava. Como uma terapeuta viajante, eu era cativada por seus contos, dando bicadas em meu 14\u00ba caf\u00e9 do dia e perguntando sobre a Iugosl\u00e1via. Escutando, gravando, testemunhando emo\u00e7\u00f5es que surgiam, dando-lhes aten\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>Algumas conversas se tornaram pol\u00edticas e acusat\u00f3rias, oferecendo sua pr\u00f3pria teoria sobre o colapso da Iugosl\u00e1via. Outras focaram em peda\u00e7os de vida pessoal: um amigo de inf\u00e2ncia que nunca mais viram; um membro distante da fam\u00edlia. Havia raiva, melancolia, frustra\u00e7\u00e3o, decep\u00e7\u00e3o, trai\u00e7\u00e3o e uma sensa\u00e7\u00e3o geral de que todos perdemos algo precioso. Eu continuava a ter relances de respostas, mas n\u00e3o &#8220;A Resposta&#8221;.<\/p>\n<p>Quando voltei para Nova York, peneirei todas as hist\u00f3rias. Como algu\u00e9m que vasculha a praia em busca de itens valiosos, eu encontraria conchas que ainda guardavam o ru\u00eddo do mar. Mas suas hist\u00f3rias me congelaram. Eu de repente fui tomada pela responsabilidade de ter que passar adiante o que eles compartilharam.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes na vida voc\u00ea come\u00e7a a perseguir aquela grande hist\u00f3ria. Sete anos se passaram desde a busca que pensava ser capaz de curar minha condi\u00e7\u00e3o de curiosa. Ao retra\u00e7ar minhas ra\u00edzes, encontraria aquela fugaz sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento. Encontraria uma conclus\u00e3o para minha hist\u00f3ria com meu ex-pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mas sou basicamente a mesma (embora, claro, tenha mudado &#8211; e envelhecido). A jornada n\u00e3o apagou meu desejo de viajar, como esperava. Em vez disso, abriu-me uma janela \u00edntima para a vida das pessoas antes, durante e depois da Iugosl\u00e1via.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/DCF8\/production\/_101786565_63.jpg\" alt=\"Paisagem da antiga Iugosl\u00e1via\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Anja Mutic: &#8220;A jornada\u2026 abriu-se uma janela \u00edntima para a vida das pessoas antes, durante e depois da Iugosl\u00e1via&#8221;<\/span><\/figure>\n<p>E sete anos depois, estou come\u00e7ando a aceitar que meu lar \u00e9 uma coisa que muda de forma, que pertencer \u00e9 simplesmente ilus\u00f3rio e que o pa\u00eds que me criou \u00e9 uma terra imagin\u00e1ria que foi, e n\u00e3o \u00e9 mais, exceto na mem\u00f3ria coletiva.<\/p>\n<p>E \u00e0s vezes a jornada \u00e9 simplesmente isso, uma jornada. De volta para onde voc\u00ea come\u00e7ou.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao longo da minha jornada, conheci mais de 50 pessoas e gravei nossas &#8220;conversas de caf\u00e9&#8221;. Sentei-me com paramilitares, fil\u00f3sofos, pol\u00edticos e poetas. Tomei caf\u00e9 com ativistas, artistas e atores. Joguei conversa fora com m\u00fasicos, professores e trabalhadores de ONGs.<\/p>\n<p>&#8220;Tenho que admitir, a Iugosl\u00e1via nunca<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":246878,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-246877","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/iuguslavia.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/246877","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=246877"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/246877\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/246878"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=246877"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=246877"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=246877"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}