{"id":247467,"date":"2018-06-19T08:43:50","date_gmt":"2018-06-19T11:43:50","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=247467"},"modified":"2018-06-19T08:43:50","modified_gmt":"2018-06-19T11:43:50","slug":"aborto-e-pratica-ilegal-para-90-das-mulheres-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/aborto-e-pratica-ilegal-para-90-das-mulheres-na-america-latina\/","title":{"rendered":"Aborto \u00e9 pr\u00e1tica ilegal para 90% das mulheres na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Maioria dos pa\u00edses do continente restringe o aborto e incentiva pr\u00e1ticas inseguras. Argentina busca nova tend\u00eancia ao aprovar interrup\u00e7\u00e3o da gravidez na d\u00e9cima segunda semana.<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/06\/14\/actualidad\/1529002780_075313_1529006817_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/06\/14\/actualidad\/1529002780_075313_1529006817_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/06\/14\/actualidad\/1529002780_075313_1529006817_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/06\/14\/actualidad\/1529002780_075313_1529006817_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"aborto Am\u00e9rica Latina\" width=\"980\" height=\"654\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Manifesta\u00e7\u00e3o contra a descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto na Argentina, nesta quarta-feira em Buenos Aires.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">DAVID FERN\u00c1NDEZ<\/span>\u00a0<span class=\"foto-agencia\">EFE<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Mar\u00eda R. Sahuquillo\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/maria_rodriguez_sahuquillo\/a\/\">MAR\u00cdA R. SAHUQUILLO<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A dominicana Rosaura Almonte foi diagnosticada com\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/leucemia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">leucemia<\/a>\u00a0quando estava gr\u00e1vida de sete semanas. Os m\u00e9dicos se negaram a trat\u00e1-la porque os medicamentos colocavam em perigo a vida do feto. Morreu aos 16 anos. Aos 19, Ida ficou gr\u00e1vida depois dos constantes estupros de um familiar. As autoridades nicaraguenses a impediram de abortar, e a jovem, com defici\u00eancia intelectual, viu-se for\u00e7ada a dar \u00e0 luz. Teodora cumpriu quase 11 anos de pris\u00e3o em uma penitenci\u00e1ria de El Salvador, condenada ap\u00f3s sofrer um aborto espont\u00e2neo no banheiro da escola onde trabalhava. Esses casos se repetem constantemente na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/latinoamerica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Am\u00e9rica Latina<\/a>, uma regi\u00e3o na qual se concentram os pa\u00edses com algumas das legisla\u00e7\u00f5es mais duras do mundo em quest\u00e3o de direitos reprodutivos.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CL2Xp9TS39sCFcYPhgodxhIEVA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cerca de 90% das mulheres em idade reprodutiva na Am\u00e9rica Latina e Caribe vivem em pa\u00edses com leis que restringem o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/aborto\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aborto<\/a>. Em seis deles \u2212 El Salvador, Honduras, Haiti, Nicar\u00e1gua, Rep\u00fablica Dominicana e Suriname \u2212, a interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez \u00e9 completamente proibida. N\u00e3o \u00e9 permitida nem mesmo para salvar a vida da mulher, como no caso de Rosaura \u2212 conhecida como\u00a0<em>Esperancita<\/em>. Poucos pa\u00edses, como Uruguai, Cuba e Guiana, abrem o precedente para que a mulher interrompa a gesta\u00e7\u00e3o at\u00e9 a d\u00e9cima ou d\u00e9cima segunda semana. Outros oito pa\u00edses permitem o aborto quase exclusivamente para salvar a vida da mulher, e s\u00f3 uns poucos abrem exce\u00e7\u00f5es em casos de estupro (Brasil, Panam\u00e1 e Chile, por exemplo) e anomalias fetais graves.\u00a0 Contam-se \u00e0s dezenas as presas por abortar, aos milhares as obrigadas a prosseguir com a gesta\u00e7\u00e3o ou as for\u00e7adas a recorrer a um\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/aborto_ilegal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aborto clandestino<\/a>, e \u00e0s centenas as mortas pela recusa dos servi\u00e7os de sa\u00fade a interromper sua gravidez, como denunciam as organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|apoyos\" class=\"sumario_apoyos izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<div class=\"apoyos\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, onde\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/11\/09\/politica\/1510258493_477218.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">deputados conservadores buscam restringir<\/a>\u00a0ainda mais os casos em que o aborto \u00e9 permitido, o acesso ao aborto legal tamb\u00e9m \u00e9, muitas vezes, dificultado nos servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade por uma quest\u00e3o pessoal ou religiosa dos profissionais. Tanto que que o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.mpf.mp.br\/sp\/sala-de-imprensa\/noticias-sp\/mpf-cobra-melhorias-no-sus-para-atendimento-a-mulheres-vitimas-de-abuso-sexual-1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal demandou o Sistema \u00danico de Sa\u00fade<\/a>\u00a0para que o servi\u00e7o passe por melhorias. Segundo a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?pid=S1413-81232017000200653&amp;script=sci_abstract&amp;tlng=pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pesquisa Nacional de Aborto<\/a>, publicada em 2016 por pesquisadores da Universidade de Bras\u00edlia e da Universidade Estadual do Piau\u00ed, naquele ano quase uma em cada cinco mulheres j\u00e1 havia realizado aos 40 anos pelo menos um aborto na vida. E, todos os dias, quatro delas morrem nos hospitais brasileiros ap\u00f3s buscarem socorro por complica\u00e7\u00f5es de uma interrup\u00e7\u00e3o mal feita, segundo um levantamento feito no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;S\u00e3o mortes de mulheres pobres e negras, que n\u00e3o t\u00eam 5.000 ou 10.000 reais para pagar pelo procedimento seguro em uma cl\u00ednica clandestina em um bairro nobre das grandes cidades. Al\u00e9m de evitar mortes, legalizar o aborto tamb\u00e9m traria economia ao SUS. De acordo com levantamento feito no banco de dados do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es Hospitalares do SUS (SIH\/SUS), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, nos \u00faltimos tr\u00eas anos, o governo atendeu quase cem vezes mais mulheres para a realiza\u00e7\u00e3o de curetagem p\u00f3s-aborto do que para procedimentos dentro dos par\u00e2metros da lei&#8221;, ressalta S\u00e2mia Bomfim, vereadora em S\u00e3o Paulo e fundadora do Movimento Feminista Juntas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEst\u00e1 claro que na maioria de pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina a vida das mulheres tem pouco ou nenhum valor\u201d, lamenta Morena Herrera, hist\u00f3rica ativista e integrante do Agrupamento pela Descriminaliza\u00e7\u00e3o do Aborto em El Salvador. Para as organiza\u00e7\u00f5es de direitos civis, a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/08\/03\/internacional\/1501732590_533051.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto em tr\u00eas casos no Chile<\/a>\u00a0(risco para a vida da mulher, estupro e anomalias fetais), no ano passado, trouxe uma grande esperan\u00e7a, assim como o caso da Argentina, que na quinta-feira deu um passo chave para a legaliza\u00e7\u00e3o dessa pr\u00e1tica de sa\u00fade. Passos que podem ir transformando a realidade de um continente ultraconservador e com um problema descomunal de desigualdade de g\u00eanero.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/06\/14\/actualidad\/1529002780_075313_1529004062_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/06\/14\/actualidad\/1529002780_075313_1529004062_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/06\/14\/actualidad\/1529002780_075313_1529004062_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/06\/14\/actualidad\/1529002780_075313_1529004062_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Aborto \u00e9 pr\u00e1tica ilegal para 90% das mulheres na Am\u00e9rica Latina\" width=\"980\" height=\"1239\" \/><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/el_salvador\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">El Salvador<\/a>, as organiza\u00e7\u00f5es de mulheres tentam h\u00e1 anos fazer avan\u00e7ar um projeto para permitir o aborto em casos de risco para a sa\u00fade da mulher, viola\u00e7\u00e3o ou anomalias fetais graves. Ainda n\u00e3o conseguiram que a proposta seja debatida, apesar das cr\u00edticas, reclama\u00e7\u00f5es e recomenda\u00e7\u00f5es da ONU, que considera que legisla\u00e7\u00f5es como a salvadorenha s\u00e3o um risco para a sa\u00fade e a vida das mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pequeno pa\u00eds centro-americano \u00e9 para muitos um dos exemplos mais extremos do que significa a proibi\u00e7\u00e3o total dessa medida de sa\u00fade. Em El Salvador h\u00e1 pelo menos 20 mulheres presas por homic\u00eddio agravado por delitos relacionados com o aborto, embora na maioria dos casos tenham alegado uma perda involunt\u00e1ria. Muitas nem sabiam que estavam gr\u00e1vidas. Como Imelda, de 19 anos, encarcerada h\u00e1 quase dois anos em uma pris\u00e3o no leste do pa\u00eds. A jovem, estuprada por seu padrasto, n\u00e3o sabia que estava gr\u00e1vida at\u00e9 entrar em trabalho de parto no vaso sanit\u00e1rio de sua casa. A crian\u00e7a sobreviveu, mas os m\u00e9dicos que atenderam Imelda a denunciaram. Imelda foi do hospital para a pris\u00e3o, acusada de tentativa de homic\u00eddio. Uma equipe de advogadas recorreu da condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proibi\u00e7\u00e3o de abortar, al\u00e9m disso, n\u00e3o fez com que essas interven\u00e7\u00f5es diminu\u00edssem. S\u00f3 levou as mulheres a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/03\/08\/sociedad\/1394236454_746976.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">recorrer a m\u00e9todos clandestinos<\/a>\u00a0e, muitas vezes, inseguros, como concluem dois estudos, um da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) e outro do Instituto Guttmacher, publicados na revista especializada\u00a0<em>The Lancet<\/em>\u00a0em 2012 e 2017. E s\u00e3o quase sempre as mulheres mais pobres as que se veem afetadas pela proibi\u00e7\u00e3o. \u201cAs ricas saem do pa\u00eds para abortar, as pobres recorrem ao aborto clandestino ou se veem obrigadas a seguir adiante com a gravidez\u201d, denuncia a ativista Cari Gaviria. Seu pa\u00eds, a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/nicaragua\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nicar\u00e1gua<\/a>, proibiu totalmente o aborto em 2006, um retrocesso que as organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos consideram dram\u00e1tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A r\u00edgida restri\u00e7\u00e3o do aborto acarreta um grave problema de sa\u00fade p\u00fablica. Pelo menos 10% das mortes maternas na Am\u00e9rica Latina e no Caribe se devem a abortos inseguros. Al\u00e9m disso, a cada ano, 760.000 mulheres na regi\u00e3o recebem tratamento por complica\u00e7\u00f5es derivadas de interven\u00e7\u00f5es clandestinas, aponta um estudo publicado no\u00a0<em>International Journal of Obstetrics &amp; Gynaecology.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Internet e as redes sociais facilitaram o acesso de muitas ao aborto farmacol\u00f3gico \u2212 embora seja obtido no mercado negro \u2212, assim como o assessoramento por parte de organiza\u00e7\u00f5es especializadas. No entanto, as mulheres com menos recursos e as que vivem em zonas rurais se veem for\u00e7adas a usar m\u00e9todos muito perigosos, como introduzir uma agulha na vagina, ou \u00e1cido; ou a ingerir medicamentos ou preparados caseiros fora de qualquer controle.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Herrera denuncia tamb\u00e9m que nos pa\u00edses onde o aborto \u00e9 restrito ou totalmente proibido, o acesso aos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/anticoncepcion\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">anticoncepcionais<\/a>\u00a0modernos n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, e chega a ser limitado. Tanto que cerca de 24 milh\u00f5es de mulheres em idade reprodutiva na Am\u00e9rica Latina e no Caribe t\u00eam uma necessidade n\u00e3o satisfeita de contracep\u00e7\u00e3o moderna \u2212 aquela n\u00e3o baseada em m\u00e9todos considerados naturais ou tradicionais \u2212, segundo c\u00e1lculos da ONU com dados de 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a descriminaliza\u00e7\u00e3o tampouco \u00e9 uma garantia em alguns lugares. Na Costa Rica, a lei tecnicamente permite abortar por risco para a sa\u00fade da gr\u00e1vida, mas na pr\u00e1tica o acesso \u00e0 interven\u00e7\u00e3o \u00e9 quase imposs\u00edvel na sa\u00fade p\u00fablica, alerta a advogada especialista em direitos humanos Larissa Arroyo Navarrete. \u201cAs mulheres se veem impedidas de recorrer \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o terap\u00eautica da gesta\u00e7\u00e3o devido aos preconceitos do pessoal de sa\u00fade, \u00e0 defici\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o profissional t\u00e9cnica, m\u00e9dica e jur\u00eddica, e \u00e0 cultura institucional dos servi\u00e7os de sa\u00fade\u201d, assinala Arroyo Navarrete.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o caso de Ana e Aurora, que foram impedidas de abortar apesar de estarem gr\u00e1vidas de fetos com anomalias incompat\u00edveis com a vida e de alegar risco para sua sa\u00fade f\u00edsica e mental. Ambas denunciaram a Costa Rica ante a Corte Interamericana de Direitos humanos e aguardam uma senten\u00e7a ou um acordo. Essa institui\u00e7\u00e3o j\u00e1 condenou outros pa\u00edses por casos semelhantes. Como o Peru, que n\u00e3o s\u00f3 obrigou uma jovem de 17 anos a continuar com a gravidez de um feto anencef\u00e1lico (sem c\u00e9rebro), como tamb\u00e9m a for\u00e7ou a amamentar o beb\u00ea durante os quatro dias em que ele permaneceu com vida depois do parto. A garota, conhecida como K. L., carrega at\u00e9 hoje as consequ\u00eancias do que viveu. Considera isso um caso de tortura.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maioria dos pa\u00edses do continente restringe o aborto e incentiva pr\u00e1ticas inseguras. 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