{"id":247702,"date":"2018-06-21T09:00:52","date_gmt":"2018-06-21T12:00:52","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=247702"},"modified":"2018-06-21T09:00:52","modified_gmt":"2018-06-21T12:00:52","slug":"por-que-amavamos-tanto-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/por-que-amavamos-tanto-o-brasil\/","title":{"rendered":"Por que am\u00e1vamos tanto o Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Nenhuma equipe exerceu tanto fasc\u00ednio como a sele\u00e7\u00e3o canarinho em v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de torcedores europeus<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/06\/20\/actualidad\/1529511033_959657_1529512435_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/06\/20\/actualidad\/1529511033_959657_1529512435_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/06\/20\/actualidad\/1529511033_959657_1529512435_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/06\/20\/actualidad\/1529511033_959657_1529512435_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"S\u00f3crates contra a Argentina, em 1982.\" width=\"980\" height=\"806\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">S\u00f3crates contra a Argentina, em 1982.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">ARQUIVO CBF<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Xos\u00e9 Hermida\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/xose_hermida\/a\/\">XOS\u00c9 HERMIDA<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Para um menino europeu crescido nos anos 70 e 80, a chegada da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/mundial_futbol\">Copa do Mundo<\/a>\u00a0era sobretudo a oportunidade de ver o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/seleccion_futbol_brasil\">Brasil<\/a>. Nenhum outro time tinha o poder de fasc\u00ednio da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/06\/16\/deportes\/1529176517_150587.html\">sele\u00e7\u00e3o canarinho<\/a>. Suas cores, a mistura de ra\u00e7as, o ritmo de seus corpos, seu inveross\u00edmil dom\u00ednio da bola. Tudo remetia a um universo m\u00e1gico, selvagem e exuberante, um mundo onde o campo do poss\u00edvel estava muito mais longe do que n\u00f3s pod\u00edamos imaginar na Europa nessa \u00e9poca. A atra\u00e7\u00e3o se acentuava porque n\u00e3o era f\u00e1cil nem frequente desfrutar daquilo. Era preciso esperar quatro anos. Por isso, quando a Copa come\u00e7ava, est\u00e1vamos impacientes por ver o momento \u00fanico em que irromperiam as camisas amarelas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do espet\u00e1culo de 1970 no M\u00e9xico, parecia claro \u2013ou pelo menos essa era a sensa\u00e7\u00e3o com que muitos de n\u00f3s crescemos\u2013 que o Brasil tinha chegado \u00e0 suprema ess\u00eancia do futebol. E que talvez nunca mais algum outro conseguiria alcan\u00e7ar esse cume. T\u00e3o forte ficou em n\u00f3s a marca daquele time que at\u00e9 perdoamos a passagem apagada do Brasil pelas Copas de 74 e 78. Em especial porque quatro anos depois, na Espanha, o milagre do M\u00e9xico reencarnou. Aquele\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/07\/04\/deportes\/1499176995_767648.html\">deslumbrante Brasil de 82<\/a>\u00a0tinha outra vez os tra\u00e7os do nunca visto: a t\u00e9cnica de um lateral como J\u00fanior, a eleg\u00e2ncia de meias como\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/06\/05\/opinion\/1433504299_423709.html\">S\u00f3crates<\/a>\u00a0e Falc\u00e3o, a precis\u00e3o de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/jose_antunes_coimbra_zico\">Zico<\/a>\u00a0para colocar a bola onde queria, os efeitos endiabrados dos chutes de Eder. Para uma gera\u00e7\u00e3o de espanh\u00f3is, a trag\u00e9dia da derrota no Sarri\u00e0 para a It\u00e1lia (3&#215;2) \u00e9 principalmente a recorda\u00e7\u00e3o da melhor partida de futebol que vimos ou nunca mais chegaremos a ver. Porque aquele Brasil perdeu a Copa, mas \u2013como\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/03\/24\/deportes\/1458839769_195992.html\">a Holanda de Cruyff<\/a>\u00a0oito anos antes\u2013 ganhou a eternidade. Ningu\u00e9m que tivesse visto esses times poderia apag\u00e1-los de sua mem\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No futebol, como no mundo em geral, o que menos se aceita \u00e9 a derrota. O Brasil saiu do Sarri\u00e1 com esse estigma. Tinha perdido a Copa e pouco importava que tivesse conquistado milh\u00f5es de torcedores de todo o planeta. A partir de ent\u00e3o, foi como se pouco a pouco o Brasil renunciasse a uma parte de si mesmo. Seu futebol se tornou mais plano, atl\u00e9tico e robotizado, cada vez menos diferente, cada vez mais parecido com o europeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que causava espanto nas equipes de 70 e de 82 n\u00e3o era s\u00f3 o enorme talento dos jogadores, mas que todos eles, sem renunciar \u00e0 criatividade, se encaixavam como pe\u00e7as perfeitas em um mecanismo coletivo esmagador. As sele\u00e7\u00f5es que ganharam o tetra e o penta, em 1994 e 2002, s\u00e3o lembradas por seus extraordin\u00e1rios atletas, alguns dos melhores que o mundo teve nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas:\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/romario_de_souza\">Rom\u00e1rio<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ronaldo_luis_nazario_de_lima\">Ronaldo Fen\u00f4meno<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/rivaldo\/a\/\">Rivaldo<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ronaldinho\">Ronaldinho Ga\u00facho<\/a>, junto a secund\u00e1rios t\u00e3o excelentes como\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/bebeto\">Bebeto<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/roberto_carlos\">Roberto Carlos<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/tag\/cafu\/a\">Cafu<\/a>\u00a0e Mauro Silva. Mas do jogo coletivo n\u00e3o restou o menor tra\u00e7o. Antes havia uma ideia de futebol. Agora parecia que a \u00fanica ideia era ganhar. O pragmatismo encurralava a est\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na malfadada tarde de quatro anos atr\u00e1s no\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/estadio_governador_magalhaes\/a\">Mineir\u00e3o<\/a>, os alem\u00e3es podiam ter dito o mesmo que disse o treinador colombiano Pacho Maturana depois de submeter a Argentina a uma das piores vergonhas de sua hist\u00f3ria. Aconteceu em 5 de setembro de 1993, no est\u00e1dio Monumental de Buenos Aires, em um jogo pelas eliminat\u00f3rias da classifica\u00e7\u00e3o para a Copa. A humilha\u00e7\u00e3o da Argentina pela Col\u00f4mbia foi terr\u00edvel: 5X0. Ao t\u00e9rmino do jogo, 70.000 espectadores,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/diego_armando_maradona\">Maradona<\/a>entre eles, ovacionaram os colombianos na despedida. Maturana quase pediu desculpas: \u201cA \u00fanica coisa que fizemos foi jogar como aprendemos com voc\u00eas\u201d. Muito parecido com o que ocorreria 21 anos depois no Mineir\u00e3o. Porque nesse dia\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/07\/08\/deportes\/1404848246_419909.html\">os alem\u00e3es foram os brasileiros<\/a>\u00a0enquanto o Brasil se esfor\u00e7ava para se parecer com a pior tradi\u00e7\u00e3o de seu rival. Para testemunhar isso l\u00e1 estava\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/givanildo_vieira_de_souza\">Hulk<\/a>, uma imita\u00e7\u00e3o tropical dos velhos tanques germ\u00e2nicos que at\u00e9 os pr\u00f3prios inventores j\u00e1 tinham aposentado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De volta dessa\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/07\/09\/deportes\/1404932642_878284.html\">viagem ao inferno<\/a>, o Brasil tem aparecido com uma cara muito melhor. De novo conta com alguns jogadores fant\u00e1sticos e \u00e0 frente tem um treinador que pelo menos n\u00e3o se comporta como seu pior inimigo. Mas a sele\u00e7\u00e3o lida ainda com algumas heran\u00e7as pesadas. A mais vis\u00edvel \u00e9 que o modelo de futebol para o qual o Brasil se inclinou nos \u00faltimos anos acabou por suprimir os armadores do jogo. Tanto af\u00e3 durante tanto tempo por encher essa zona de jogadores com muito f\u00edsico eliminou a figura do meia criativo no pa\u00eds que deu Didi, Gerson, Rivelino e os quatro grandiosos de 82 (por favor, recitem seus nomes com devo\u00e7\u00e3o): S\u00f3crates, Falc\u00e3o, Zico e Toninho Cerezo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de tudo, o Brasil volta a ser capaz de recriar antigas emo\u00e7\u00f5es. Por exemplo, durante os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/06\/18\/deportes\/1529276385_009371.html\">primeiros 20 minutos contra a Su\u00ed\u00e7a<\/a>. Esque\u00e7amos os 70 minutos restantes, com suas reca\u00eddas nos antigos pecados. Vamos pensar somente nessa fase em que o Brasil se comportou como sempre esperamos. Essa fase na qual lembramos que torc\u00edamos pelo Brasil n\u00e3o por torcer, mas porque o futebol nos obrigava a isso. Essa fase do \u00faltimo jogo que at\u00e9 nos levou de volta por um momento \u00e0queles dias em que am\u00e1vamos tanto o Brasil.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nenhuma equipe exerceu tanto fasc\u00ednio como a sele\u00e7\u00e3o canarinho em v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de torcedores europeus<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":247703,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[22,6],"tags":[],"class_list":["post-247702","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-esporte","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/socrates.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/247702","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=247702"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/247702\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/247703"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=247702"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=247702"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=247702"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}