{"id":24798,"date":"2013-10-24T07:00:05","date_gmt":"2013-10-24T10:00:05","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=24798"},"modified":"2013-10-23T22:42:58","modified_gmt":"2013-10-24T01:42:58","slug":"stf-decide-que-regras-da-raposa-serra-do-sol-nao-valem-para-outros-processos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/stf-decide-que-regras-da-raposa-serra-do-sol-nao-valem-para-outros-processos\/","title":{"rendered":"STF decide que regras da Raposa Serra do Sol n\u00e3o valem para outros processos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-24799\" alt=\"indios\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/indios.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por maioria de votos, o plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu ontem (23) manter a validade das 19 condicionantes que foram estabelecidas em 2009 no processo sobre a demarca\u00e7\u00e3o da Terra Ind\u00edgena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Na mesma decis\u00e3o, a Corte tamb\u00e9m entendeu que as regras n\u00e3o podem ser aplicadas em outros processos de demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas. Os ministros seguiram o voto do relator, Lu\u00eds Roberto Barroso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O STF analisou sete recursos com pedidos de esclarecimento e de revis\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o, o texto final do julgamento. Entre os recorrentes est\u00e3o o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), comunidades ind\u00edgenas, o governo de Roraima e a Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica (PGR).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O governo de Roraima defendeu que o ac\u00f3rd\u00e3o \u00e9 omisso em rela\u00e7\u00e3o aos servi\u00e7os de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e de fornecimento de energia el\u00e9trica prestados pelo estado \u00e0s comunidades ind\u00edgenas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro recurso foi interposto por \u00edndios de sete comunidades &#8211; Soc\u00f3, Barro, Maturuca, Jawari, Tamandu\u00e1, Jacarezinho e Manalai &#8211; que cobravam esclarecimentos sobre a necessidade de obterem autoriza\u00e7\u00e3o para garimpar e sobre a necessidade de consulta pr\u00e9via \u00e0s comunidades ind\u00edgenas sempre que uma iniciativa afetar seus interesses. A Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica (PGR) alegou que o Supremo &#8220;legislou&#8221; ao criar as regras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguindo o voto relator, ministro Lu\u00eds Roberto Barroso, o plen\u00e1rio negou os recursos para revisar as 19 condicionantes, por entender que as regras foram estabelecidas com base na Constitui\u00e7\u00e3o para dar efetividade ao processo de demarca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, Barroso decidiu esclarecer as d\u00favidas apresentadas. De acordo com o ministro, pessoas miscigenadas casadas com ind\u00edgenas podem permanecer nas terras, e mission\u00e1rios e religiosos podem atuar dentro da reserva, desde que sejam autorizados pelos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m ficou esclarecido que o estado de Roraima pode manter escolas municipais dentro da reserva, mas sob a supervis\u00e3o da Uni\u00e3o. Os \u00edndios tamb\u00e9m n\u00e3o podem bloquear estradas pr\u00f3ximas \u00e0 reserva. O garimpo n\u00e3o \u00e9 permitido, mas os ind\u00edgenas podem manter formas tradicionais de extrativismo sem objetivo econ\u00f4mico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maioria dos ministros tamb\u00e9m entendeu que as 19 regras, definidas para manter a demarca\u00e7\u00e3o da Raposa Serra do Sol, n\u00e3o podem ser aplicadas em outros processos de demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas. \u201cAs decis\u00f5es do STF n\u00e3o possuem sempre e em todos os casos car\u00e1ter vinculante. A decis\u00e3o proferida n\u00e3o vincula ju\u00edzes e tribunais quanto ao exame de outros processos relativos a terras ind\u00edgenas diversas\u201d, argumentou Barroso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a decis\u00e3o do STF, em 2009, a Advocacia-Geral da Uni\u00e3o (AGU) publicou uma portaria estabelecendo que advogados e promotores p\u00fablicos devem observar o cumprimento das mesmas condi\u00e7\u00f5es impostas \u00e0 Raposa Serra do Sol em qualquer processo demarcat\u00f3rio, inclusive naqueles j\u00e1 finalizados. A norma foi suspensa ap\u00f3s protestos de \u00edndios e de organiza\u00e7\u00f5es indigenistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na parte sobre a validade das regras, os ministros Marco Aur\u00e9lio e Joaquim Barbosa foram votos vencidos, por entenderem que o STF n\u00e3o poderia ter criado as regras. \u201cO Tribunal extrapolou, tra\u00e7ou par\u00e2metros excessivamente abstratos e completamente alheios ao que foi proposto na a\u00e7\u00e3o, o tribunal agiu com verdadeiro legislador\u201d, alegou Barbosa.<\/p>\n<p>Barroso ponderou que se o STF n\u00e3o tivesse definido as condicionantes, os conflitos entre fazendeiros e ind\u00edgenas n\u00e3o teriam terminado. &#8220;\u00c9 uma decis\u00e3o at\u00edpica, n\u00e3o \u00e9 um bom padr\u00e3o, mas neste caso se decidiu a quest\u00e3o pontual, e se decidiu o modo de executar. Eu reconhe\u00e7o que houve atua\u00e7\u00e3o at\u00edpica, uma senten\u00e7a quase aditiva\u201d, disse Barroso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por maioria de votos, o plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu ontem (23) manter a validade das 19 condicionantes que foram estabelecidas em 2009 no processo sobre a demarca\u00e7\u00e3o da Terra Ind\u00edgena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Na mesma decis\u00e3o, a Corte tamb\u00e9m entendeu que as regras n\u00e3o podem ser aplicadas em outros processos de demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas. 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