{"id":248187,"date":"2018-06-26T10:20:20","date_gmt":"2018-06-26T13:20:20","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=248187"},"modified":"2018-06-26T10:20:35","modified_gmt":"2018-06-26T13:20:35","slug":"anuncios-de-escravos-fugidos-revelam-face-desconhecida-da-resistencia-negra-na-inglaterra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/anuncios-de-escravos-fugidos-revelam-face-desconhecida-da-resistencia-negra-na-inglaterra\/","title":{"rendered":"An\u00fancios de \u201cescravos fugidos\u201d revelam face desconhecida da resist\u00eancia negra na Inglaterra"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Pesquisadores brit\u00e2nicos reconstroem a vida dos escravos no s\u00e9culo XVIII a partir de centenas de an\u00fancios de jornais que relatavam suas fugas<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Roger Sabat\u00e9s\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/roger_sabates_ortega\/a\/\">ROGER SABAT\u00c9S<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto izquierda foto_w360\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/06\/25\/actualidad\/1529917947_118147_1529918441_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/06\/25\/actualidad\/1529917947_118147_1529918441_noticia_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/06\/25\/actualidad\/1529917947_118147_1529918441_noticia_normal.jpg 360w\" alt=\"Sir Hector Munro, pintado por David Martin (1785), exposto na National Gallery de Londres.\" width=\"360\" height=\"463\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Sir Hector Munro, pintado por David Martin (1785), exposto na National Gallery de Londres.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se sabe se ele se arrependeu, mas o general sir Hector Munro parece que estava disposto a lhe dar uma segunda oportunidade. \u201cNo caso de o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/10\/19\/politica\/1508424126_014136.html\">escravo<\/a>decidir voltar ao servi\u00e7o de seu amo por vontade pr\u00f3pria, sua ofensa ser\u00e1 perdoada.\u201d Com este gesto de suposta benevol\u00eancia terminava o an\u00fancio que o parlamentar escoc\u00eas publicou em 22 de junho de 1771 no jornal\u00a0<em>Caledonian Mercury<\/em>\u00a0para avisar que uma pessoa de sua propriedade, rebatizada como C\u00e9sar, \u201cde 25 ou 26 anos, pouco mais de 1,5 metro de estatura, com cabelos pretos compridos\u201d, havia escapado. A nota, que aparentemente passou despercebida pelos anos, foi recuperada por um grupo de pesquisadores da Universidade de Glasgow junto com\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gla.ac.uk\/news\/headline_587451_en.html\">mais de 800 an\u00fancios<\/a>similares, como parte de um projeto que busca reconstituir a vida dos escravos na era do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/05\/02\/internacional\/1430595848_549487.html\">Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico<\/a>, oculta em uma sombra da hist\u00f3ria por falta de documenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDurante muitos anos os historiadores sugeriram que foram os brancos que aboliram a escravid\u00e3o. Por sorte, agora tamb\u00e9m reconhecemos o papel dos escravizados que, por si mesmos, encontraram formas de lutar\u201d, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gla.ac.uk\/schools\/humanities\/staff\/simonnewman\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Simon Newman<\/a>, especialista no tr\u00e1fico de escravos na idade moderna e respons\u00e1vel pela iniciativa. Para este pesquisador, a cria\u00e7\u00e3o de uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.runaways.gla.ac.uk\/resources\/\">base de dados\u00a0<em>online<\/em><\/a>\u00a0com centenas de hist\u00f3rias de escravos que desafiaram o sistema vigente \u00e9 uma forma de tornar vis\u00edvel e dignificar outros protagonistas que foram deixados fora do relato oficial dos acontecimentos. \u201cCom exce\u00e7\u00e3o de epis\u00f3dios de rebeli\u00e3o, fugir foi a maneira mais significativa de resist\u00eancia \u00e0 subjuga\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/06\/25\/cultura\/1529917947_118147_1529942637_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/06\/25\/cultura\/1529917947_118147_1529942637_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/06\/25\/cultura\/1529917947_118147_1529942637_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"An\u00fancios de \u201cescravos fugidos\u201d revelam face desconhecida da resist\u00eancia negra na Inglaterra\" width=\"360\" height=\"519\" \/><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p>An\u00fancios tamb\u00e9m eram comuns no Brasil, como mostra essa imagem da A Prov\u00edncia de S. Paulo, 9 de julho de 1877<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora n\u00e3o haja registros oficiais e seja dif\u00edcil apresentar dados exatos, Newman calcula que na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/londres\">Londres<\/a>\u00a0do s\u00e9culo XVIII havia cerca de 10.000 pessoas, a maioria de origem africana e algumas poucas vindas da \u00c1sia, submetidas a um amo. Muitas chegaram ao solo brit\u00e2nico procedentes das\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/colonialismo\">col\u00f4nias<\/a>\u00a0do imp\u00e9rio para servir em fam\u00edlias abastadas com v\u00ednculos empresariais com os territ\u00f3rios de ultramar. Trabalhavam como marinheiros ou empregados do servi\u00e7o dom\u00e9stico e sua\u00a0<em>perda<\/em>constitu\u00eda para os\u00a0<em>propriet\u00e1rios,<\/em>\u00a0al\u00e9m de uma redu\u00e7\u00e3o no patrim\u00f4nio, uma afronta pessoal, j\u00e1 que a pr\u00e1tica de t\u00ea-los poupado do sofrimento do trabalho nas planta\u00e7\u00f5es era considerada um presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, a pr\u00e1tica de colocar an\u00fancios na imprensa era algo normal, como demonstra o fato de que o caso de C\u00e9sar apareceu ao lado de propagandas de venda de \u00f3culos na loja de Mr. Moffat e da confort\u00e1vel estadia em uma escola chamada Corstorphine. No Brasil, n\u00e3o foi diferente. Gilberto Freyre foi um dos primeiros a apontar a import\u00e2ncia dos an\u00fancios de escravos em jornais brasileiros do s\u00e9culo XIX. No livro\u00a0<a href=\"https:\/\/books.google.com.br\/books\/about\/O_escravo_nos_an%C3%BAncios_de_jornais_brasi.html?id=1a9cBAAAQBAJ&amp;printsec=frontcover&amp;source=kp_read_button&amp;redir_esc=y#v=onepage&amp;q&amp;f=false\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&#8220;O escravo nos an\u00fancios de jornais brasileiros do s\u00e9culo XIX&#8221;<\/a>, Freye destaca as rela\u00e7\u00f5es entre escravizados e &#8220;senhores&#8221; em uma pesquisa com cerca de dez mil an\u00fancios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 a aprova\u00e7\u00e3o no Parlamento brit\u00e2nico do Ato do Com\u00e9rcio de Escravos em 1807, que sentou as bases legais para acabar com o tr\u00e1fico de pessoas no Atl\u00e2ntico, era comum tamb\u00e9m ver nos jornais propaganda de compra e venda de homens, mulheres e crian\u00e7as. \u201cCom frequ\u00eancia, os an\u00fancios s\u00e3o a \u00fanica prova que temos de sua exist\u00eancia. Da maioria n\u00e3o sabemos se a fuga foi bem-sucedida\u201d, comenta o pesquisador. Em um exerc\u00edcio de fic\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, Newman se aventura a prognosticar que aqueles que conseguiram alcan\u00e7ar a liberdade possivelmente inventaram um novo nome e buscaram ref\u00fagio se alistando no Ex\u00e9rcito, empregados como marinheiros, iniciando uma carreira eclesi\u00e1stica e at\u00e9 tentando se integrar como trabalhadores livres e com um sal\u00e1rio a servi\u00e7o de outro burgu\u00eas ou aristocrata endinheirado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00e9poca se tornou c\u00e9lebre a figura de\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Olaudah_Equiano\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Olaudah Equiano<\/a>, um escritor e ativista abolicionista africano que comprou sua liberdade depois de ter sido vendido aos 11 anos como escravo nas antigas col\u00f4nias europeias nos Estados Unidos. A narrativa de sua resist\u00eancia em uma autobiografia publicada em 1789 \u2013 no mesmo ano da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.direitoshumanos.usp.br\/index.php\/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919\/declaracao-de-direitos-do-homem-e-do-cidadao-1789.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos do Homem e do Cidad\u00e3o<\/a>\u00a0\u2013 constitui um dos escassos testemunhos em primeira pessoa da experi\u00eancia de um escravo liberto no s\u00e9culo XVIII. Para Newman, a vida de Equiano e o destino em suspense de tantos escravos fugidos s\u00e3o uma prova de que as circunst\u00e2ncias adversas n\u00e3o s\u00e3o um empecilho para se mudar o curso da hist\u00f3ria.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u00e9poca se tornou c\u00e9lebre a figura de\u00a0Olaudah Equiano, um escritor e ativista abolicionista africano que comprou sua liberdade depois de ter sido vendido aos 11 anos como escravo nas antigas col\u00f4nias europeias nos Estados U<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":248188,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-248187","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/rei-da-inglaterra.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/248187","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=248187"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/248187\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/248188"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=248187"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=248187"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=248187"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}