{"id":248281,"date":"2018-06-27T06:41:56","date_gmt":"2018-06-27T09:41:56","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=248281"},"modified":"2018-06-27T06:41:56","modified_gmt":"2018-06-27T09:41:56","slug":"patti-smith-se-so-pudesse-ficar-com-uma-coisa-seria-com-a-literatura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/patti-smith-se-so-pudesse-ficar-com-uma-coisa-seria-com-a-literatura\/","title":{"rendered":"Patti Smith: \u201cSe s\u00f3 pudesse ficar com uma coisa, seria com a literatura\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Pioneira do &#8216;punk rock&#8217; redobra sua aposta na narrativa com \u2018Devotion\u2019, \u201cuma investiga\u00e7\u00e3o sobre o que significa ser artista\u201d<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Laura Fern\u00e1ndez\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/laura_fernandez_dominguez\/a\/\">LAURA FERN\u00c1NDEZ<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto  izquierda  foto_w360\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/06\/18\/actualidad\/1529335361_751625_1529335669_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/06\/18\/actualidad\/1529335361_751625_1529335669_noticia_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/06\/18\/actualidad\/1529335361_751625_1529335669_noticia_normal.jpg 360w\" alt=\"Patti Smith\" width=\"360\" height=\"364\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Patti Smith, em Nova York. A imagem integra o livro de retratos &#8216;Two&#8217;<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">JESSE DITTMAR<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O quarto em que\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/patti_smith\">Patti Smith<\/a>\u00a0atende o telefone \u00e9 um quarto de hotel acarpetado. O lugar \u00e9 Londres. \u00c9 de manh\u00e3, est\u00e1 descansada. Tem quatro dias, diz, para passear ler e rabiscar cadernos. Carrega pelo menos tr\u00eas. Em um deles est\u00e1 escrevendo, diz, uma can\u00e7\u00e3o \u201cmuito longa\u201d, no outro, algo que poderia ser, talvez, um romance, e no terceiro somente toma notas, desenha. A lend\u00e1ria\u00a0<em>punk rocker<\/em>, a eterna diva do\u00a0<em>underground<\/em>, a amante da poesia de Rimbaud e do esp\u00edrito rom\u00e2ntico e autodestrutivo da velha Europa \u2013escutando-a falar \u00e9 dif\u00edcil acreditar que nasceu na fria Chicago, em um dia de 1946, tendo como tem, t\u00e3o presente, a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/segunda_guerra_mundial\/a\">Segunda Guerra Mundial<\/a>\u00a0e a situa\u00e7\u00e3o em que ficou o continente depois de seu t\u00e9rmino\u2013 acaba de publicar um novo livro,\u00a0<em>Devotion<\/em>.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CM2o1rnG89sCFQpIhgodEEwOXg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amanh\u00e3 estar\u00e1 em Paris e tomar\u00e1 o caf\u00e9 da manh\u00e3 no Caf\u00e9 de Flore, porque \u00e9 \u201cum animal com costumes\u201d e toda vez que visita uma cidade tende a fazer as mesmas coisas. \u201cEm Roma, por exemplo, visito meus cinco\u00a0<em>Caravaggios<\/em>favoritos.\u201d Fala dos quadros pendurados nas paredes dos museus como quem fala de \u201cvelhos amigos\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Devotion<\/em>\u00a0\u00e9 ao mesmo tempo uma viagem a Paris, que escreveu durante essa viagem \u2013um relato sobre uma patinadora no gelo com um talento incomensur\u00e1vel, e seu poderosos, silencioso e, por fim, um mentor inconveniente\u2013 e uma tentativa de capturar, por meio do emocionante esbarr\u00e3o no manuscrito do romance que Albert Camus deixou inacabado, a pr\u00f3pria magia da cria\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o sei por que comecei a escrever, mas sei que a escrita \u00e9 um dom. Pode ser que a primeira vez que senti a puls\u00e3o estivesse com sete ou oito anos. Foi ao ler os contos de fadas de\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/tag\/oscar_wilde\/a\">Oscar Wilde.<\/a>\u00a0Pensei que aquilo era diferente de tudo o que tinha lido at\u00e9 ent\u00e3o. E que eu tamb\u00e9m queria escrever meus pr\u00f3prios contos\u201d, diz. E, justamente, o livro do qual fala \u00e9 o \u00fanico com o qual viaja. \u201cEu o encontrei ontem em uma livraria de antiguidades. Chama-se\u00a0<em>O Pr\u00edncipe Feliz<\/em>. \u00c9 f\u00e1cil imagin\u00e1-la folheando-o enquanto falamos de\u00a0<em>Devotion<\/em>, livro que define como \u201cuma investiga\u00e7\u00e3o sobre o que significa ser artista\u201d e n\u00e3o ter mais rem\u00e9dio a n\u00e3o ser viver em outro mundo, e tamb\u00e9m no real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando voc\u00ea tem um dom, \u00e9 imposs\u00edvel se dedicar simplesmente a viver. \u00c9 como se voc\u00ea tivesse duas cabe\u00e7as. Uma est\u00e1 tentando viver quanto a outra est\u00e1 tentando criar. Isso me acontece com frequ\u00eancia quando estou em casa, rodeada de gente, e tenho que me fechar no banheiro com um caderno porque tive uma ideia\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 por acaso que a patinadora protagonista de\u00a0<em>Devotion<\/em>\u00a0acaba destruindo um sujeito poderoso? Algo a ver com o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/movimiento_metoo\">movimento MeToo<\/a>? \u201cA \u00fanica coisa que eu pediria \u00e0 nova ascens\u00e3o do feminismo\u201d, responde Smith\u201d, \u00e9 que fa\u00e7a com que a rela\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres se fortale\u00e7a, que de modo algum nos separe, porque somente juntos podemos enfrentar os desafios do futuro.\u201d Algo complicado com\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/donald_trump\/a\/\">Donald Trump<\/a>\u00a0no poder. Ante o coment\u00e1rio ela demonstra inc\u00f4modo. \u201cDonald Trump \u00e9 um insulto para todos, e em especial para as mulheres\u201d, diz. \u201cEstou com raiva e fico envergonhada ao pensar que a humanidade est\u00e1 premiando esse tipo de homem com postos de poder. N\u00e3o se deve ceder nenhum palmo de terreno. Temos que lutar. Podemos fazer isso. Sobreviveremos a Trump. O mundo sobreviveu a tudo\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A autora de\u00a0<em>Horses,<\/em>\u00a0um dos discos que definiu o som mais excitante dos anos 70, acaba de publicar uma diatribe com apar\u00eancia de poema em prosa contra a transfer\u00eancia da embaixada dos Estados Unidos em Israel:\u00a0<em>New Jerusalem.<\/em>\u00a0\u201cSe voltasse a come\u00e7ar, o mais prov\u00e1vel \u00e9 que estaria envolvida em confus\u00e3o por protestar contra Trump. Teria mais consci\u00eancia pol\u00edtica do que tive na minha \u00e9poca\u201d, afirma.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Sam Shepard e Dylan<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o fala de\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/tag\/sam_shepard\/a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sam Shepard<\/a>, ator, escritor e dramaturgo cuja morte completa um ano no m\u00eas que vem \u2013Smith fez o pr\u00f3logo do livro\u00a0<em>Spy of the First Person<\/em>\u00a0de Shepard\u2013, a n\u00e3o ser para admitir que, como ele, e como seu tamb\u00e9m querido Bob Dylan, faz parte de um tipo de artista que n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o est\u00e1 em vias de extin\u00e7\u00e3o, como tem mais futuro que nunca: o artista total. Aquele que explora tantas vertentes quanto pode. \u201cO artista total sempre existiu. E gra\u00e7as \u00e0s novas tecnologias, as novas gera\u00e7\u00f5es est\u00e3o mais confort\u00e1veis com a ideia de que qualquer \u00e1rea \u00e9 um meio, n\u00e3o um fim. Eu n\u00e3o me dou nada bem com elas. N\u00e3o com as novas gera\u00e7\u00f5es, mas com as novas tecnologias. Sou da velha escola. Ainda vivo no s\u00e9culo XX.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre o Pr\u00eamio Nobel de Literatura a Bob Dylan,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/12\/10\/cultura\/1481384701_122056.html\">que ela recebeu em seu nome h\u00e1 dois anos<\/a>, opina que a premia\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o s\u00f3 reconhecia sua obra, mas sua enorme influ\u00eancia\u201d. \u201cNingu\u00e9m esteve mais perto do que ele de fazer literatura a partir da m\u00fasica. H\u00e1 pol\u00edtica e compromisso e paix\u00e3o e luta no que ele escreve, e n\u00e3o deixou de evoluir, tem tantas facetas como Picasso.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A impress\u00e3o, ao falar com Smith, \u00e9 que a qualquer momento ela poderia desligar o telefone para continuar rabiscando em um de seus cadernos. \u201cPode-se dizer que sou uma devota da escrita, ou que a escrita \u00e9 de mim. Sentimos devo\u00e7\u00e3o uma pela outra. N\u00e3o posso imaginar minha vida sem escrever. Se s\u00f3 pudesse ficar com uma coisa, ficaria com a literatura.\u201d<\/p>\n<section id=\"sumario_1|despiece\" class=\"sumario_despiece centro\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<header class=\"sumario-encabezado\">\n<h4 class=\"sumario-titulo\"><span class=\"sin_enlace\">&#8220;ROBERTO BOLA\u00d1O FOI O G\u00caNIO DE NOSSA \u00c9POCA&#8221;<\/span><\/h4>\n<\/header>\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Os fantasmas de Albert Camus e Simone Weil percorrem\u00a0<strong><i>Devotion,<\/i><\/strong>\u00a0o novo livro de Patti Smith,. Porque a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 uma cadeia que n\u00e3o vai ser rompida. \u201c{O poeta\u00a0<strong><i>beatnik<\/i><\/strong>] Allen Ginsberg me disse uma vez que temos dois tipos de ancestrais: os de sangue e os espirituais. Os dele eram os poetas Walt Whitman e William Blake\u201d, afirma. Entre os meus est\u00e3o Arthur Rimbaud, Albert Camus, Simone Weil, e, claro,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/roberto_bolano\">Roberto Bola\u00f1o<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez Patti Smith esteve na casa de Roberto Bola\u00f1o, em Blanes (Girona). Levou um par de sapatos. E ficou fascinada com sua cadeira. \u201cEra uma cadeira de escrit\u00f3rio, humilde, inc\u00f4moda. N\u00e3o podia deixar de olhar para ela. Eu a fotografei para t\u00ea-la comigo para sempre.\u201d De Bola\u00f1o diz: \u201cEnquanto ele escrevia naquela cadeira eu estava na outra ponta do mundo ocupando-me de meus filhos. Se pudesse voltar atr\u00e1s, queria estar consciente de que, enquanto eu me afastava de tudo, ele estava criando obras-primas. Bola\u00f1o foi o g\u00eanio de nossa \u00e9poca.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o fala de\u00a0Sam Shepard, ator, escritor e dramaturgo cuja morte completa um ano no m\u00eas que vem \u2013Smith fez o pr\u00f3logo do livro\u00a0Spy of the First Person\u00a0de Shepard\u2013, a n\u00e3o ser para admitir que, como ele, e como seu tamb\u00e9m querido Bob Dylan,<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":248282,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1175,6],"tags":[],"class_list":["post-248281","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/laura.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/248281","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=248281"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/248281\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/248282"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=248281"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=248281"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=248281"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}