{"id":248392,"date":"2018-06-28T06:40:14","date_gmt":"2018-06-28T09:40:14","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=248392"},"modified":"2018-06-28T06:40:14","modified_gmt":"2018-06-28T09:40:14","slug":"doencas-estranhas-autolesoes-assim-e-a-sindrome-de-munchhausen","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/doencas-estranhas-autolesoes-assim-e-a-sindrome-de-munchhausen\/","title":{"rendered":"Doen\u00e7as estranhas, autoles\u00f5es&#8230; assim \u00e9 a s\u00edndrome de M\u00fcnchhausen"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<\/div>\n<div class=\"firma firma--vertical\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Lola Mor\u00f3n\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/lola_moron\/a\/\">Lola Mor\u00f3n<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/06\/12\/eps\/1528796051_830891_1529070222_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/06\/12\/eps\/1528796051_830891_1529070222_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/06\/12\/eps\/1528796051_830891_1529070222_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/06\/12\/eps\/1528796051_830891_1529070222_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Doen\u00e7as estranhas, autoles\u00f5es... assim \u00e9 a s\u00edndrome de M\u00fcnchhausen\" width=\"980\" height=\"544\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">MIKEL JASO<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<div id=\"articulo-introduccion\" class=\"articulo-introduccion\">\n<p>Nos casos extremos, os pacientes fazem seus entes queridos adoecerem. A pessoa com a s\u00edndrome quer chamar a aten\u00e7\u00e3o. Quer controle sobre sua sa\u00fade. Mas quais s\u00e3o seus limites?<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"roba_principal\" class=\"envoltorio_publi envoltorio_publi--fijo\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"elpais_gpt-MPU1\" class=\"publi_luto_horizontal\" data-google-query-id=\"CMn7quKH9tsCFYYZhwodiL4P9Q\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/eps\/mpu1_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 m\u00e9dico que n\u00e3o os conhe\u00e7a. S\u00e3o pacientes habituais nos prontos-socorros. Portadores das\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/enfermedades\">doen\u00e7as<\/a>\u00a0mais estranhas, que j\u00e1 foram inclusive operados em mais de uma ocasi\u00e3o. Chegam a provocar, volunt\u00e1ria e conscientemente, sintomas, enfermidades e dist\u00farbios. V\u00e3o aos consult\u00f3rios e hospitais em busca de atendimento\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/medicos\">m\u00e9dico<\/a>, mas quando se tenta obter a informa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para o diagn\u00f3stico, para entender os problemas que supostamente est\u00e3o sofrendo, desde quando e por que, eles ocultam o que fizeram, como provocaram o suposto sintoma em si mesmos. E fazem isso de forma consciente e volunt\u00e1ria. Uma pessoa com a s\u00edndrome de M\u00fcnchhausen pode significar, em princ\u00edpio, um grande desafio para o profissional que a atende. At\u00e9 que este finalmente a desmascara.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\"><em><strong>A s\u00edndrome de M\u00fcnchhausen por procura\u00e7\u00e3o consiste em prejudicar a sa\u00fade de uma pessoa querida \u2013 sobretudo, m\u00e3es em rela\u00e7\u00e3o a seus filhos<\/strong><\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa doen\u00e7a carece de qualquer sentido. Suas v\u00edtimas s\u00e3o capazes de tudo: de ingerir sem parar enormes quantidades de l\u00edquidos a se injetar insulina para provocar estados de coma, lesionar-se ou injetar-se talco dilu\u00eddo em soro\u2026 A imagina\u00e7\u00e3o dos que padecem desse transtorno \u00e9 infinita. A curiosa s\u00edndrome recebe o nome do alem\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Bar%C3%A3o_de_M%C3%BCnchhausen\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Karl Friedrich Hieronymus von M\u00fcnchhausen<\/a>(1720-1797), mais conhecido como bar\u00e3o M\u00fcnchhausen. Foi um oficial de cavalaria que se alistou no Ex\u00e9rcito russo e participou das campanhas militares contra o Imp\u00e9rio Turco. Quando voltou da guerra, contou todo tipo de fa\u00e7anhas que pouco tinham a ver com a realidade. Suas hist\u00f3rias acabaram no livro\u00a0<em>As Aventuras do Bar\u00e3o M\u00fcnchhausen<\/em>, escrito por Rudolf E. Raspe em 1785. O endocrinologista brit\u00e2nico Richard Asher se lembrou das narra\u00e7\u00f5es fantasiosas, exageradas e quase grotescas do bar\u00e3o quando, em 1951, descreveu \u201cuma s\u00edndrome comum que a maioria dos m\u00e9dicos j\u00e1 viu, mas sobre a qual quase ningu\u00e9m escreveu. Assim como o bar\u00e3o M\u00fcnchhausen, as pessoas que sofrem dessa s\u00edndrome fazem m\u00faltiplas viagens; suas hist\u00f3rias, como as atribu\u00eddas a ele, s\u00e3o dram\u00e1ticas, falsas e fantasiosas\u201d. Ao final, seu sobrenome batizou essa altera\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta condi\u00e7\u00e3o \u00e9 muito diferente do caso do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/10\/19\/ciencia\/1413741800_905276.html\">hipocondr\u00edaco<\/a>\u00a0ou do que sofre outras doen\u00e7as psicossom\u00e1ticas. O hipocondr\u00edaco tem medo de sofrer uma doen\u00e7a. O ponto em comum \u00e9 que v\u00e3o aos postos de sa\u00fade com muita frequ\u00eancia, mas fornecem todas as informa\u00e7\u00f5es que podem e tentam colaborar (dentro do que seus medos lhes permitem). Por sua vez, algu\u00e9m com uma dor psicossom\u00e1tica se sente exatamente como algu\u00e9m que quebrou uma perna, embora seja seu estado mental que produza esse desconforto. A quest\u00e3o \u00e9: por que algu\u00e9m com transtorno de M\u00fcnchhausen pode ser considerado uma pessoa doente? \u00c9 dif\u00edcil explicar o que move esses indiv\u00edduos para fazer o que fazem. N\u00f3s n\u00e3o sabemos com certeza. Possivelmente eles tampouco sabem. Uma de suas principais motiva\u00e7\u00f5es que poderia explicar a s\u00edndrome \u00e9 o poder.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/06\/12\/eps\/1528796051_830891_1529070289_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/06\/12\/eps\/1528796051_830891_1529070289_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/06\/12\/eps\/1528796051_830891_1529070289_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/06\/12\/eps\/1528796051_830891_1529070289_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Doen\u00e7as estranhas, autoles\u00f5es... assim \u00e9 a s\u00edndrome de M\u00fcnchhausen\" width=\"980\" height=\"825\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">MIKEL JASO<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande atra\u00e7\u00e3o da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/03\/20\/eps\/1521568961_503578.html\">mentira \u00e9 que \u00e9 algo pessoal,<\/a>pertence \u00e0 pr\u00f3pria pessoa, \u00e9 seu trabalho, \u00e9 sua obra. Ao faz\u00ea-lo, o indiv\u00edduo interv\u00e9m na ordem das coisas, organizando-as como achar melhor. Outra raz\u00e3o \u00e9 adquirir o papel de uma pessoa lutadora. \u00c9 uma maneira de exigir ao mesmo tempo consolo e admira\u00e7\u00e3o. Mas o jogo pode se tornar ainda mais perverso. Em alguns casos, um ente querido \u00e9 afetado, o que \u00e9 conhecido como s\u00edndrome de M\u00fcnchhausen por procura\u00e7\u00e3o. Neste caso, a pessoa que precisa de aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica \u00e9 algu\u00e9m que depende de um paciente com essa s\u00edndrome. O caso mais claro \u00e9 o do pai com o filho. A m\u00e3e ou pai que chegam a arriscar a vida da crian\u00e7a para ter todo o controle. Sente o poder de salvar seu filho e, muitas vezes, decide n\u00e3o faz\u00ea-lo. A \u00fanica maneira de saber com certeza que a pessoa tem uma s\u00edndrome de M\u00fcnchhausen \u00e9 a confiss\u00e3o. Muitas vezes \u00e9 incompat\u00edvel com a l\u00f3gica da biologia, mas, na medicina, raramente podemos afirmar que algo \u00e9 completamente imposs\u00edvel.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o h\u00e1 m\u00e9dico que n\u00e3o os conhe\u00e7a. S\u00e3o pacientes habituais nos prontos-socorros. Portadores das\u00a0doen\u00e7as\u00a0mais estranhas, que j\u00e1 foram inclusive operados em mais de uma ocasi\u00e3o. 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