{"id":249617,"date":"2018-07-10T07:13:49","date_gmt":"2018-07-10T10:13:49","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=249617"},"modified":"2018-07-10T07:13:49","modified_gmt":"2018-07-10T10:13:49","slug":"aposentadas-por-antibioticos-larvas-de-mosca-voltam-a-ser-usadas-para-tratar-feridas-cronicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/aposentadas-por-antibioticos-larvas-de-mosca-voltam-a-ser-usadas-para-tratar-feridas-cronicas\/","title":{"rendered":"&#8216;Aposentadas&#8217; por antibi\u00f3ticos, larvas de mosca voltam a ser usadas para tratar feridas cr\u00f4nicas"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"byline\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"byline__name\">Evanildo da Silveira<\/span><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share-row\">\n<div class=\"share-tools--no-event-tag\">\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-twite\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/E592\/production\/_102407785_gettyimages-137471697.jpg\" alt=\"Lucilia sericata\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Na Europa, a esp\u00e9cie de mosca mais usada para esse fim \u00e9 a Lucilia sericata<\/span><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\" style=\"text-align: justify;\">Uma antiga forma de tratamento de feridas cr\u00f4nicas, que havia sido descartada com o surgimento dos antibi\u00f3ticos, est\u00e1 voltando a ser usada em alguns hospitais dos EUA, Europa e Am\u00e9rica Latina. No Brasil, ela vem sendo pesquisada em algumas universidades e \u00e9 aplicada rotineiramente em pelo menos um hospital, o Universit\u00e1rio Onofre Lopes (HUOL), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se da terapia larval ou larvoterapia, que, como o nome sugere, \u00e9 o uso de larvas, no caso de moscas, para a cicatriza\u00e7\u00e3o de ferimentos que resistem \u00e0 cicatriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elas agem na ferida por meio de quatro mecanismos: removem o tecido necrosado (morto), rompem o biofilme bacteriano (uma comunidade de microrganismos extremamente organizada que interfere muito no processo de repara\u00e7\u00e3o da ulcera\u00e7\u00e3o), promovem o crescimento de tecido sadio e eliminam bact\u00e9rias que causam a infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de parecer repulsivo para muita gente, o tratamento tem se mostrado em alguns casos mais eficiente do que os medicamentos e cicatrizantes tradicionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Todos os nossos pacientes que usaram a terapia apresentaram melhora significativa do processo infeccioso, tiveram suas feridas &#8216;limpas&#8217; com rapidez, relataram que o odor (mau cheiro) da les\u00e3o desapareceu nas primeiras aplica\u00e7\u00f5es&#8221;, garante Julianny Barreto Ferraz, enfermeira presidente da Comiss\u00e3o de Curativos do HUOL, onde o procedimento \u00e9 usado desde 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Usamos as larvas da mosca da esp\u00e9cie\u00a0<i>Chrysomya megacephala<\/i>, encontradas em todo o territ\u00f3rio brasileiro&#8221;, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em S\u00e3o Paulo, a pesquisadora colombiana Andrea Diaz Roa, doutoranda no Laborat\u00f3rio Especial de Toxinologia Aplicada do Centro de Toxinas, Resposta-Imune e Sinaliza\u00e7\u00e3o Celular (CeTICS), um Centro de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPID) financiado pela Funda\u00e7\u00e3o de Apoio \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp), vem realizando, desde 2015, pesquisas com larvas de outra esp\u00e9cie, a\u00a0<i>Sarconesiopsis magellanica<\/i>.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/146F\/production\/_102413250_gettyimages-958659832.jpg\" alt=\"Larva de mosca\" width=\"2121\" height=\"1414\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Hoje, as condi\u00e7\u00f5es de assepsia para o tratamento com larvas s\u00e3o muito melhores<\/span><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Nos hospitais dos Estados Unidos e de alguns pa\u00edses na Europa e da Am\u00e9rica Latina, a mosca utilizada para tratamento de feridas cr\u00f4nicas de dif\u00edcil cicatriza\u00e7\u00e3o \u00e9 a\u00a0<i>Lucilia sericata<\/i>&#8220;, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela explica que ulcera\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas s\u00e3o aquelas que permanecem inflamadas por mais de seis meses sem cicatrizar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o caso, por exemplo, das les\u00f5es provocadas por leishmaniose ou aquelas conhecidas como p\u00e9 diab\u00e9tico que, muitas vezes, resultam em amputa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Terapia antiga, abordagem nova<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio do que ocorria antigamente, a terapia larval moderna \u00e9 feita em condi\u00e7\u00f5es de assepsia muito melhores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As moscas s\u00e3o criadas em laborat\u00f3rio e colocam seus ovos sobre material org\u00e2nico. As larvas est\u00e9reis s\u00e3o colocadas no interior das feridas, onde permanecem por 24 a 48 horas. Utilizam-se em m\u00e9dia 20 delas por cent\u00edmetro quadrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O ferimento \u00e9 coberto durante o procedimento e lavado depois da retirada das larvas&#8221;, explica Andrea. &#8220;Dependendo do caso, uma \u00fanica aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 suficiente. Elas se alimentam apenas da parte necrosada da les\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/FECF\/production\/_102413256_13052018-img_7763.jpg\" alt=\"A pesquisadora colombiana Andrea Diaz Roa\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Andrea Diaz Roa veio ao Brasil para trabalhar em pesquisa sobre o uso das larvas<\/span><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de vir fazer seu doutorado no Brasil, Roa utilizou em seu pa\u00eds larvas em muitos pacientes com problemas de feridas cr\u00f4nicas, com bons resultados e sem necessidade de amputa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Usei tamb\u00e9m em coelhos com diabete induzida e ferimentos provocados, tamb\u00e9m com bons resultados&#8221;, revela. &#8220;Esse trabalho foi feito durante o meu mestrado, sob orienta\u00e7\u00e3o de professores e m\u00e9dicos colombianos.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, seu orientador \u00e9 o pesquisador cient\u00edfico do Instituto Butantan, Pedro Ismael da Silva Jr.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Iniciamos uma nova fase do trabalho&#8221;, diz ele. &#8220;Durante a terapia, as larvas, al\u00e9m de removerem os tecidos mortos, liberam v\u00e1rias subst\u00e2ncias envolvidas na cura e cicatriza\u00e7\u00e3o. Algumas delas s\u00e3o pept\u00eddeos (pequenas mol\u00e9culas) antimicrobianos.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/10CA2\/production\/_102407786_gettyimages-695605382.jpg\" alt=\"Ferida causada pela leishmaniose\" width=\"2121\" height=\"1414\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Ilustra\u00e7\u00e3o mostra uma ferida causada por leishmaniose \u2013 em cima, os parasitas que causam a doen\u00e7a e, abaixo, as c\u00e9lulas humanas infectadas<\/span><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Silva Jr., Roa veio ao Brasil para, junto com ele, isolar e caracterizar esses pept\u00eddeos antimicrobianos, que apresentam um papel importante nesse tratamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No momento, eles j\u00e1 t\u00eam isolados v\u00e1rias dessas pequenas mol\u00e9culas, mas apenas duas caracterizadas. Uma delas \u00e9 a sarconesina, descoberta pela pesquisadora colombiana. O nome deriva da esp\u00e9cie de mosca que ela estuda (<i>Sarconesiopsis magellanica<\/i>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O objetivo agora \u00e9 utilizar a sarconesina como princ\u00edpio ativo de um medicamento. Por ser uma mol\u00e9cula relativamente pequena, ela pode ser sintetizada artificialmente em laborat\u00f3rio ou ser produzida por engenharia gen\u00e9tica, introduzindo-se as bases de DNA que a codificam em uma bact\u00e9ria hospedeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Conhecemos sua sequ\u00eancia de amino\u00e1cidos, avaliamos sua atividade antimicrobiana em rela\u00e7\u00e3o a v\u00e1rios tipos de bact\u00e9rias e estamos cogitando apresentar um pedido de patente&#8221;, diz Silva Jr..<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo com o desenvolvimento da nova droga, o uso de larvas dever\u00e1 continuar, no entanto. O pesquisador do Butantan explica que os pept\u00eddeos antimicrobianos s\u00e3o apenas uma parte das subst\u00e2ncias envolvidas na cicatriza\u00e7\u00e3o de feridas cr\u00f4nicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Eles impedem a contamina\u00e7\u00e3o das les\u00f5es por fungos e bact\u00e9rias, permitindo a a\u00e7\u00e3o de outras subst\u00e2ncias que levam \u00e0 cura e \u00e0 cicatriza\u00e7\u00e3o&#8221;, diz. &#8220;Sem contar com a parte mec\u00e2nica em si, pois as larvas removem os tecidos mortos e estimulam a substitui\u00e7\u00e3o por novos tecidos. N\u00e3o podemos dizer que vamos abandon\u00e1-las em um futuro pr\u00f3ximo.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/3B7F\/production\/_102413251_gettyimages-171153394.jpg\" alt=\"Curativo \u00e9 trocado em tratamento com 'larvoterapia'\" width=\"1730\" height=\"1733\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">No tratamentos atuais, larvas est\u00e9reis ficam de 24 a 48 horas nas feridas<\/span><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Boa aceita\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio do que se poderia esperar, a maioria dos pacientes aceita bem o tratamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A rea\u00e7\u00e3o deles \u00e9 de completa aceita\u00e7\u00e3o por sentirem a melhora cl\u00ednica em poucos dias&#8221;, assegura Ferraz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Uma minoria sente receio quanto ao fervilhar das larvas sobre seu ferimento, mas desde que iniciamos a aplica\u00e7\u00e3o no nosso hospital, nenhum (paciente) negou-se a fazer e todos, sem exce\u00e7\u00e3o, recomendam para outros a terapia como excelente forma de limpeza de sua ferida.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Silva Jr. tem uma poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o para isso. De acordo com ele, em geral as pessoas que procuram por esse tratamento sofrem com as feridas cr\u00f4nicas durante muito tempo. Muitos j\u00e1 tiveram amputa\u00e7\u00f5es de membros e passaram por todo tipo de procedimento m\u00e9dico e n\u00e3o encontraram solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Embora possa parecer para os pacientes e familiares um m\u00e9todo n\u00e3o usual e um tanto incomum &#8211; nojento para muitos &#8211; , acaba sendo uma nova possibilidade de cura&#8221;, explica. &#8220;Principalmente com os resultados positivos obtidos por quem j\u00e1 se submeteu \u00e0 terapia larval.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/14CEF\/production\/_102413258_13052018-img_7767.jpg\" alt=\"Pedro Ismael da Silva Jr. e Andrea Diaz Roa no laborat\u00f3rio\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Segundo Silva Jr., na foto com Andrea, as pessoas est\u00e3o mais abertas a tratamentos como esse<\/span><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho de Roa foi apresentado e premiado na 47\u00aa Reuni\u00e3o Anual da Sociedade Brasileira de Bioqu\u00edmica e Biologia Molecular, realizada em maio em Joinville (SC). Ela acredita que o pr\u00eamio vai trazer mais reconhecimento para a larvoterapia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Muitas vezes, \u00e9 uma pr\u00e1tica que n\u00e3o tem muita aceita\u00e7\u00e3o, pois diferentemente do rem\u00e9dio, a larva est\u00e1 viva&#8221;, diz. &#8220;A apresenta\u00e7\u00e3o vai ajudar a dar mais visibilidade para o tema e pode quebrar preconceitos.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os trabalhos de Andrea e Ferraz n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;J\u00e1 foram aplica\u00e7\u00f5es em pacientes diab\u00e9ticos, em Petr\u00f3polis (RJ e em Pelotas (RJ), a terapia tem sido usada na \u00e1rea veterin\u00e1ria&#8221;, conta Ferraz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Em Campinas (SP), no final do ano dever\u00e3o acontecer os primeiros tratamentos, provavelmente em portadores de p\u00e9 diab\u00e9tico. H\u00e1 muitos preconceitos em cima das larvas, mas o fruto de nossas pesquisas garante que se trata de um procedimento seguro, de baixo custo e eficaz, muito oportuno para a realidade brasileira, carente de centros cir\u00fargicos e de profissionais da sa\u00fade em n\u00famero suficiente para garantir um atendimento adequado.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma antiga forma de tratamento de feridas cr\u00f4nicas, que havia sido descartada com o surgimento dos antibi\u00f3ticos, est\u00e1 voltando a ser usada em alguns hospitais dos EUA, Europa e Am\u00e9rica Latina. 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