{"id":250082,"date":"2018-07-14T15:36:54","date_gmt":"2018-07-14T18:36:54","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=250082"},"modified":"2018-07-14T15:36:54","modified_gmt":"2018-07-14T18:36:54","slug":"os-jovens-que-encontram-nas-redes-sociais-valvula-de-escape-para-luta-contra-o-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/os-jovens-que-encontram-nas-redes-sociais-valvula-de-escape-para-luta-contra-o-cancer\/","title":{"rendered":"Os jovens que encontram nas redes sociais &#8216;v\u00e1lvula de escape&#8217; para luta contra o c\u00e2ncer"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__name\">Vin\u00edcius Lemos<\/span><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share-row\">\n<div class=\"share-tools--no-event-tag\">\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-twite\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/16B02\/production\/_102303929_gui.jpg\" alt=\"Guilherme Pagnoncelli no hospital, em foto publicada por ele mesmo\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Guilherme Pagnoncelli informa seus seguidores sobre seu tratamento contra o c\u00e2ncer nas redes sociais<\/span><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">Em agosto passado, Guilherme Pagnoncelli, de 28 anos, descobriu que o\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/583f320b-e25a-433c-ad39-b637a4f27866\">c\u00e2ncer<\/a>, iniciado no est\u00f4mago, havia avan\u00e7ado e atingido outros \u00f3rg\u00e3os. O jovem foi informado de que teria pouco tempo de vida. Logo que deixou o hospital, publicou, em seu Instagram, v\u00eddeos desabafando a respeito do diagn\u00f3stico. Pouco mais de 4 mil pessoas o acompanhavam na rede social. Em menos de 24 horas ap\u00f3s o relato, seu perfil ultrapassou a marca de 260 mil seguidores.<\/p>\n<p>Gui, como \u00e9 conhecido nas redes sociais, descobriu a doen\u00e7a em julho de 2012, aos 22 anos. Ele foi diagnosticado com c\u00e2ncer no est\u00f4mago, do tipo adenocarcinoma, uma das formas mais raras e agressivas. O jovem passou por cirurgias e sess\u00f5es de quimioterapia. Meses ap\u00f3s encerrar os procedimentos, descobriu que o c\u00e2ncer havia atingido tamb\u00e9m o pulm\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2016, ainda em tratamento, os m\u00e9dicos informaram que o es\u00f4fago do jovem tamb\u00e9m havia sido atacado pela doen\u00e7a. Em agosto de 2017, Gui recebeu a not\u00edcia de que os tratamentos n\u00e3o davam mais os resultados esperados. &#8220;Disseram que eu teria apenas mais alguns meses de vida&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O rapaz, que at\u00e9 ent\u00e3o costumava ser discreto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a, falou abertamente sobre o tema. &#8220;Quando sa\u00ed da consulta m\u00e9dica, no calor do momento, gravei alguns Stories (ferramenta de v\u00eddeos curtos e fotos do Instagram) contando o que havia acabado de saber.&#8221;<\/p>\n<p>A repercuss\u00e3o do relato fez com que o rapaz passasse a fazer diversas postagens sobre a doen\u00e7a, seu tratamento e o seu cotidiano. &#8220;Eu acredito que seja preciso divulgar a doen\u00e7a para que as pessoas se cuidem. O c\u00e2ncer \u00e9 silencioso e \u00e9 necess\u00e1rio falar mais a respeito. Imagino que mostrando o meu tratamento, a pessoa vai se interessar em saber como anda a pr\u00f3pria sa\u00fade. A minha maior inten\u00e7\u00e3o \u00e9 alertar&#8221;, conta \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-parrot\"><\/div>\n<p>O rapaz \u00e9 um dos diversos jovens que enfrentam o c\u00e2ncer e compartilham a luta contra a doen\u00e7a nas redes sociais. Os relatos sobre os diagn\u00f3sticos e tratamentos t\u00eam se tornado comum na internet.<\/p>\n<p>Para a chefe da se\u00e7\u00e3o de psicologia do Instituto Nacional de C\u00e2ncer (Inca), Monica Marchese, a intera\u00e7\u00e3o nas redes sociais faz com que os jovens que enfrentam a doen\u00e7a se sintam menos solit\u00e1rios.<\/p>\n<p>&#8220;Eles sentem que est\u00e3o fazendo alguma coisa com esse momento da vida. Saem de uma posi\u00e7\u00e3o passiva diante da doen\u00e7a e das perdas que ela traz. Por isso, tornou-se comum os jovens criarem redes, blogs, publicarem v\u00eddeos etc. Assim, n\u00e3o ficam simplesmente ref\u00e9ns da doen\u00e7a e do tratamento.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo o Inca, n\u00e3o h\u00e1 dados sobre jovens que enfrentam o c\u00e2ncer no Brasil, apenas uma expectativa de quantos brasileiros em geral devem ser diagnosticados com a doen\u00e7a neste ano: 600 mil, sendo cerca de 170 mil casos relacionados ao c\u00e2ncer de pele. A an\u00e1lise n\u00e3o especifica as idades dos pacientes.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Redes sociais como &#8216;v\u00e1lvula de escape&#8217;<\/h2>\n<p>O caso mais famoso entre os jovens que compartilharam a luta contra o c\u00e2ncer nas redes \u00e9 o da modelo Nara Almeida, de 24 anos.<\/p>\n<p>Durante nove meses, ela travou uma dura batalha contra um c\u00e2ncer no est\u00f4mago. Antes, publicava dicas de beleza, registrava treinos na academia e falava sobre dietas. A jovem tinha cerca de 400 mil seguidores no Instagram. Ap\u00f3s o diagn\u00f3stico e os relatos sobre a luta contra a doen\u00e7a, o n\u00famero de pessoas que a acompanhavam cresceu para 4,4 milh\u00f5es, registrados em maio.<\/p>\n<p>Para a jovem, as redes sociais eram a forma que havia encontrado para lidar melhor com a doen\u00e7a e os tratamentos. Em seu perfil, ela comemorava cada melhora em seu quadro cl\u00ednico e lamentava quando seu estado de sa\u00fade piorava. &#8220;Deus, mais uma vez segura em minha m\u00e3o, minha alma aflita pede tua aten\u00e7\u00e3o. Cheguei ao n\u00edvel mais dif\u00edcil at\u00e9 aqui. Me ajude a concluir&#8221;, escreveu Nara, em uma de suas \u00faltimas publica\u00e7\u00f5es, feita pouco antes de iniciar tratamento com imunoterapia.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/366A\/production\/_102303931_naraalmeida.jpg\" alt=\"Nara Almeida em fotos ao longo do tratamento contra o c\u00e2ncer\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">O caso mais famoso entre os jovens que compartilharam a luta contra o c\u00e2ncer nas redes \u00e9 o da modelo Nara Almeida, de 24 anos<\/span><\/figure>\n<p>Nara morreu em 21 de maio. Ela n\u00e3o resistiu \u00e0s complica\u00e7\u00f5es da doen\u00e7a e os tratamentos dispon\u00edveis n\u00e3o surtiam mais efeitos.<\/p>\n<p>O engenheiro Pedro Rocha, seu marido, diz que as redes sociais foram fundamentais durante a luta dela contra o c\u00e2ncer. &#8220;A Nara usava as redes como v\u00e1lvula de escape. Ela podia desabafar, conhecer gente que passava pelo mesmo problema, pedir ajuda e auxiliar outras pessoas. Ela tamb\u00e9m usava esse meio de comunica\u00e7\u00e3o para n\u00e3o se sentir sozinha, quando n\u00e3o podia sair nem receber visitas&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Por meio das redes sociais, o jogador de futebol Alexandre Pato, atualmente no Tianjin Quanjian, conheceu o caso de Nara. No fim de abril, ele se ofereceu para pagar seis meses de tratamento de imunoterapia para a jovem. Antes da ajuda do jogador, a modelo chegou a gravar um v\u00eddeo pedindo que fosse contratada para trabalhos como influenciadora digital, para que pudesse arcar com os rem\u00e9dios &#8211; que custam R$ 18 mil a dose, a ser tomada a cada 21 dias. &#8220;Ela teve tempo de tomar somente duas doses (pagas por Pato)&#8221;, comenta Rocha.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das mensagens de apoio, Nara tamb\u00e9m recebia cr\u00edticas por expor a doen\u00e7a. &#8220;Todos que optam por abrir suas vidas em uma rede social precisam saber lidar com a rejei\u00e7\u00e3o e com as opini\u00f5es diferentes. Mas \u00e9 importante saber a hora de se reservar um pouco&#8221;, diz o marido de Nara.<\/p>\n<p>O engenheiro acredita que a modelo conseguiu ajudar outras pessoas. &#8220;A Nara mostrou que n\u00e3o \u00e9 preciso ter vergonha de passar por uma situa\u00e7\u00e3o assim, porque essa doen\u00e7a \u00e9 mais comum do que gostar\u00edamos. Conheci muita gente que foi procurar saber mais sobre a pr\u00f3pria sa\u00fade depois de conhecer a hist\u00f3ria dela.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Invas\u00e3o de privacidade<\/h2>\n<p>As redes sociais s\u00e3o consideradas ferramentas importantes para Gui Pagnoncelli. Por meio de uma &#8220;vaquinha virtual&#8221;, ele arrecadou R$ 350 mil para realizar futuramente, nos Estados Unidos, um transplante m\u00faltiplo de \u00f3rg\u00e3os &#8211; est\u00f4mago, intestino, p\u00e2ncreas e f\u00edgado.<\/p>\n<p>Enquanto lidava com a doen\u00e7a e compartilhava o cotidiano nas redes, ele batalhava para manter os planos que tinha para si. Um dos sonhos foi realizado no fim do ano passado: a conclus\u00e3o da faculdade de Fisioterapia. Gui iniciou o curso pouco ap\u00f3s terminar a primeira fase do tratamento contra o c\u00e2ncer. &#8220;Em certos momentos, n\u00e3o me imaginava concluindo minha gradua\u00e7\u00e3o. Meu TCC foi preparado entre uma quimioterapia e outra.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/120CA\/production\/_102303937_nara.jpg\" alt=\"Nara fazendo registros no hospital\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Nara recebeu cr\u00edticas de quem considerou que ela fazia exposi\u00e7\u00e3o excessiva de sua rotina hospitalar<\/span><\/figure>\n<p>O jovem mostra-se grato com o apoio que recebe nas redes. Por\u00e9m, afirma que a exposi\u00e7\u00e3o tem deixado de ser t\u00e3o positiva como no in\u00edcio. &#8220;Hoje, as pessoas pensam que a minha vida \u00e9 uma novela, em que eu preciso colocar mais um cap\u00edtulo todos os dias. Se eu resolvo me desligar e ficar um pouco sozinho, logo recebo in\u00fameras mensagens questionando onde estou e at\u00e9 ofensas de amigos e familiares por n\u00e3o ter dado not\u00edcias. Me sinto um pouco invadido.&#8221;<\/p>\n<p>Ele, que atualmente tem mais de 245 mil seguidores no Instagram, relata que uma das situa\u00e7\u00f5es que mais o incomodaram aconteceu quando estava internado em raz\u00e3o da quimioterapia. &#8220;Duas pessoas entraram no leito em que eu estava e pediram para tirar uma selfie comigo. Aquilo foi muito estranho e novo para mim. Come\u00e7aram a me tratar como se eu fosse famoso. Isso me assustou&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Apesar de lamentar a falta de privacidade, Gui mant\u00e9m as publica\u00e7\u00f5es di\u00e1rias nas redes sociais. Compartilha o tratamento e detalha cada dificuldade. O jovem comenta com frequ\u00eancia sobre as constantes dores, em raz\u00e3o de os rem\u00e9dios n\u00e3o surtirem mais efeitos como antes. Em muitos momentos, Gui precisa ser sedado com anest\u00e9sicos.<\/p>\n<p>Recentemente, o rapaz iniciou novo tratamento com quimioterapia por tempo indeterminado, em raz\u00e3o do est\u00e1gio avan\u00e7ado da doen\u00e7a. &#8220;Mesmo com tudo o tenho passado, sempre tive o emocional bastante centrado. Dificilmente choro ou passo o dia triste, busco sempre sorrir e levar a vida como posso, dentro de minhas limita\u00e7\u00f5es&#8221;, diz.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">C\u00e2ncer de mama aos 20<\/h2>\n<p>A vontade de levar a vida da melhor maneira poss\u00edvel em meio ao tratamento contra o c\u00e2ncer tamb\u00e9m \u00e9 um dos objetivos da universit\u00e1ria Isabel Costa, 21. Em julho do ano passado, ela descobriu um n\u00f3dulo no seio esquerdo, que viria a ser um c\u00e2ncer de mama em est\u00e1gio intermedi\u00e1rio. &#8220;Ningu\u00e9m espera ouvir uma not\u00edcia dessas aos 20 anos. N\u00e3o foi nada f\u00e1cil.&#8221;<\/p>\n<p>Ela demorou a aceitar o diagn\u00f3stico: &#8220;Todos os dias acordava e pensava que tinha sido um pesadelo&#8221;.<\/p>\n<p>S\u00f3 depois de iniciar o tratamento com quimioterapia, duas semanas depois, Isabel entendeu que sua vida estava passando por mudan\u00e7as. &#8220;Foi um susto muito grande.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/AB9A\/production\/_102303934_isabel.jpg\" alt=\"Uma das postagens de Isabel Costa sobre a batalha contra o c\u00e2ncer de mama\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">&#8220;Ningu\u00e9m espera ouvir uma not\u00edcia dessas aos 20 anos. N\u00e3o foi nada f\u00e1cil&#8221;, diz Isabel Costa, que retratou online a batalha contra o c\u00e2ncer de mama<\/span><\/figure>\n<p>Ao todo, foram 16 sess\u00f5es de quimioterapia. Ela estava no quinto semestre de Direito, mas trancou a faculdade temporariamente e retomou os estudos no in\u00edcio deste ano. A jovem planejava um interc\u00e2mbio para Portugal, em janeiro, por\u00e9m teve de desistir. &#8220;A minha vida mudou completamente. Tive que parar com todas as atividades que fazia.&#8221;<\/p>\n<p>Um m\u00eas ap\u00f3s iniciar a luta contra o c\u00e2ncer, Isabel decidiu falar sobre o assunto em suas redes sociais e criou um blog sobre o tema. &#8220;Os meus amigos j\u00e1 sabiam, porque eu tinha avisado para eles pouco depois de descobrir. Mas decidi criar o blog porque queria que todos soubessem da minha hist\u00f3ria por mim, n\u00e3o por boatos. N\u00e3o queria que ficassem pensando que eu estava morrendo ou coisa assim&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Sua primeira publica\u00e7\u00e3o repercutiu entre amigos e desconhecidos. Ela, que atualmente possui pouco mais de 6 mil seguidores no Instagram, passou a receber diversas mensagens. &#8220;Nunca recebi nenhum tipo de cr\u00edtica, apenas mensagens de pessoas, conhecidas ou desconhecidas, que queriam demonstrar apoio ou dizer que minhas publica\u00e7\u00f5es as inspiravam&#8221;, comenta.<\/p>\n<p>Nas redes, ela compartilhou publica\u00e7\u00f5es motivacionais e tamb\u00e9m os momentos mais complicados do tratamento. Para a jovem, as partes mais dif\u00edceis foram o incha\u00e7o causado pelos medicamentos &#8211; ela chegou a engordar 18 quilos -, a queda do cabelo e a cirurgia de retirada das mamas. &#8220;A mastectomia foi o que mais me afetou, porque meus seios foram retirados totalmente. Ficou um esvaziamento. Fiz reconstru\u00e7\u00e3o imediata, mas ficaram cicatrizes, mesmo com as pr\u00f3teses. Isso foi muito duro&#8221;, lamenta.<\/p>\n<p>Atualmente, Isabel faz quimioterapia oral, na qual toma seis comprimidos diariamente durante 14 dias. Posteriormente, por sete dias, pausa os rem\u00e9dios e depois volta. A parte inicial do tratamento da universit\u00e1ria deve ser finalizada em agosto. Depois, por cinco anos, ela estar\u00e1 em fase de remiss\u00e3o &#8211; per\u00edodo em que n\u00e3o h\u00e1 sinais do c\u00e2ncer, mas ainda n\u00e3o se pode dizer que ele n\u00e3o regressar\u00e1. Por meio de consultas mensais, o m\u00e9dico avaliar\u00e1 a sa\u00fade da jovem.<\/p>\n<p>Para Isabel, apesar das dificuldades, a luta contra o c\u00e2ncer teve um lado positivo. &#8220;Conheci muita gente bacana e aprendi muito, principalmente por meio das redes sociais. Tenho participado de v\u00e1rios eventos, para conhecer mais sobre o tema. Al\u00e9m disso, eu criei, junto com uma amiga que tamb\u00e9m teve a doen\u00e7a, um grupo de apoio a pacientes com c\u00e2ncer.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Per\u00edodo de remiss\u00e3o<\/h2>\n<p>Nas redes sociais, h\u00e1 tamb\u00e9m hist\u00f3rias de jovens que lutaram contra o c\u00e2ncer, finalizaram o tratamento e agora est\u00e3o em fase de remiss\u00e3o. \u00c9 o caso da analista de comunica\u00e7\u00e3o Anna Narita, de 25 anos. Em dezembro de 2011, descobriu um c\u00e2ncer no timo, gl\u00e2ndula localizada entre os pulm\u00f5es. Na \u00e9poca, ela fez tratamento com quimioterapia, passou por cirurgias, ficou careca e teve depress\u00e3o. &#8220;A minha maior batalha foi a aceita\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>Na primeira vez em que teve o c\u00e2ncer, ela chegou a fazer publica\u00e7\u00f5es sobre o assunto nas redes sociais, por\u00e9m n\u00e3o deu continuidade aos relatos. &#8220;Eu n\u00e3o estava psicologicamente bem. Foi muito complicado. Eu publiquei e me senti mais exposta do que aliviada e acabei desistindo&#8221;, revela.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2FD0\/production\/_102304221_annanarita2.jpg\" alt=\"Anna Narita em fase de remiss\u00e3o do c\u00e2ncer\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"media-caption__text\">Anna Narita concluiu o tratamento e est\u00e1 em fase de remiss\u00e3o da doen\u00e7a<\/span><\/span><\/figure>\n<p>Anna terminou a primeira fase do tratamento e passou a fazer acompanhamentos mensais. No ano passado, quatro anos depois de finalizar as sess\u00f5es de quimioterapia, a doen\u00e7a retornou, agora na cavidade abdominal. &#8220;Foi um susto, porque eu n\u00e3o tinha mais nenhum sinal do c\u00e2ncer e ele se refez, ainda mais agressivo. Desta vez, eu estava mais forte, apesar do medo ainda existir.&#8221;<\/p>\n<p>A jovem retomou o tratamento em julho de 2017. Ela conta que o amadurecimento fez com que conseguisse comentar sobre a doen\u00e7a nas redes sociais. &#8220;Comecei a fazer anota\u00e7\u00f5es nos momentos em que estava mais introspectiva. Essas notas viraram texto e alguns deles, como alternativa de al\u00edvio, foram postados nas minhas redes sociais. Neles, eu falava sobre os sentimentos que me agoniavam&#8221;, diz Anna, que possui pouco mais de 1,7 mil seguidores no Instagram.<\/p>\n<p>Ela preferiu n\u00e3o retratar o cotidiano do tratamento e s\u00f3 fazer publica\u00e7\u00f5es sobre as crises que tinha ap\u00f3s super\u00e1-las. &#8220;Isso ajudou a diminuir a minha pr\u00f3pria cobran\u00e7a em estar bem o tempo todo. Isso tamb\u00e9m reduziu a cobran\u00e7a das pessoas que estavam de fora, que passaram a lidar melhor comigo e com a minha doen\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>Em dezembro passado, Anna encerrou o segundo tratamento. Ela est\u00e1, novamente, em per\u00edodo de remiss\u00e3o e faz exames para assegurar que o c\u00e2ncer n\u00e3o retornou. &#8220;N\u00e3o gosto de romantizar a minha doen\u00e7a dizendo que tudo deu certo no final. Eu me lembro de todos os meus sofrimentos e n\u00e3o seria justo comigo esquec\u00ea-los, mas saio dessas experi\u00eancias sendo a melhor vers\u00e3o de mim mesma. Creio que tudo isso foi necess\u00e1rio&#8221;, afirma.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7DF0\/production\/_102304223_annanarita1.jpg\" alt=\"Registro de Anna Narita no \u00faltimo dia no hospital\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Anna Narita comemorando o fim do tratamento contra o c\u00e2ncer<\/span><\/figure>\n<p>A universit\u00e1ria L\u00edvia Oliveira, de 19 anos, tamb\u00e9m superou o c\u00e2ncer. Durante o tratamento, ela detalhou, nas redes sociais, a luta contra a doen\u00e7a. A jovem teve um linfoma n\u00e3o-Hodgkin, que surge no sistema linf\u00e1tico e atinge as c\u00e9lulas de defesa do corpo. Recebeu o diagn\u00f3stico aos 18 anos, em novembro passado. &#8220;Foi chocante, porque eu estava iniciando a vida, tinha acabado de come\u00e7ar a cursar Direito e n\u00e3o esperava uma not\u00edcia dessas.&#8221;<\/p>\n<p>No dia seguinte \u00e0 descoberta da doen\u00e7a, ela iniciou o tratamento, pois o c\u00e2ncer foi considerado em est\u00e1gio avan\u00e7ado. &#8220;Foi tudo muito pesado. Eu fazia 100 horas de quimioterapia sem parar, a cada 21 dias&#8221;, detalha. Ela passou por quatro cirurgias, ficou internada na UTI, teve uma parada cardiorrespirat\u00f3ria de 12 minutos e chegou a ficar tr\u00eas dias em coma induzido.<\/p>\n<p>L\u00edvia se recuperou e em dezembro teve a primeira alta hospitalar. Ela raspou o pouco cabelo que lhe restava, ap\u00f3s grande parte ter ca\u00eddo durante o tratamento. Em seguida, fez uma publica\u00e7\u00e3o no Instagram. &#8220;Eu senti que precisava compartilhar com todo mundo sobre o milagre que Deus faria em minha vida&#8221;, afirma. L\u00edvia possui, atualmente, 10,4 mil seguidores no Instagram, sendo que grande parte deles veio ap\u00f3s ela come\u00e7ar a falar sobre a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Um dos momentos mais especiais para ela foi uma publica\u00e7\u00e3o feita em 13 de abril, quando anunciou o fim do tratamento. &#8220;Hoje eu s\u00f3 sinto vontade de gritar para todo mundo que Deus \u00e9 maravilhoso e me curou&#8221;, escreveu na postagem. Nos coment\u00e1rios, diversos seguidores comemoraram junto com a jovem.<\/p>\n<p>Atualmente, L\u00edvia est\u00e1 em remiss\u00e3o e faz acompanhamento mensal para garantir que n\u00e3o h\u00e1 mais sinais da doen\u00e7a em seu organismo. &#8220;Eu n\u00e3o deixo que o medo do c\u00e2ncer voltar me impe\u00e7a de viver.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">O apoio durante a luta contra a doen\u00e7a<\/h2>\n<p>Para a psic\u00f3loga Monica Marchese, ainda h\u00e1 bastante desinforma\u00e7\u00e3o sobre como lidar com pessoas com c\u00e2ncer, o que leva muita gente a ter pena daqueles que enfrentam a doen\u00e7a. &#8220;As informa\u00e7\u00f5es pelas redes devem contribuir para minimizar o estigma em torno disso&#8221;, opina.<\/p>\n<p>De acordo com Marchese, um dos motivos para que os relatos dos jovens atraiam as pessoas \u00e9 o fato de a situa\u00e7\u00e3o fazer com que muitos reflitam sobre o tema. &#8220;Esse interesse acontece pela hist\u00f3ria de vida do paciente. Pode ter um efeito do tipo &#8216;poderia ser comigo ou com meu filho'&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Por meio da experi\u00eancia adquirida nas duas vezes em que enfrentou a doen\u00e7a, Anna Narita orienta que parentes, amigos e pessoas que acompanham pacientes nas redes exer\u00e7am a empatia.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o existe dor maior ou menor que a de ningu\u00e9m nessa luta. Cada paciente sabe o que vem passando. Respeitar isso \u00e9 legitimar a luta do outro. \u00c9 importante oferecer um abra\u00e7o, companhia no tratamento ou, at\u00e9 mesmo, enviar uma m\u00fasica. A parte principal \u00e9 n\u00e3o cobrar nada daquela pessoa.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A repercuss\u00e3o do relato fez com que o rapaz passasse a fazer diversas postagens sobre a doen\u00e7a, seu tratamento e o seu cotidiano. &#8220;Eu acredito que seja preciso divulgar a doen\u00e7a para que as pessoas se cuidem. 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