{"id":251163,"date":"2018-07-24T08:28:21","date_gmt":"2018-07-24T11:28:21","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=251163"},"modified":"2018-07-24T08:28:21","modified_gmt":"2018-07-24T11:28:21","slug":"wander-piroli-o-hemingway-esquecido-das-minas-gerais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wander-piroli-o-hemingway-esquecido-das-minas-gerais\/","title":{"rendered":"Wander Piroli, o Hemingway esquecido das Minas Gerais"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>S\u00edmbolo da gera\u00e7\u00e3o de contistas dos anos 1970, escritor ganha biografia doze anos depois de sua morte<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><a class=\"enlace\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: none; font: inherit; vertical-align: baseline; box-sizing: border-box; background-color: transparent; text-decoration: none; color: #016ca2; touch-action: manipulation; position: relative; display: block;\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/07\/20\/cultura\/1532115699_984086.html\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/07\/20\/cultura\/1532115699_984086_1532116296_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/07\/20\/cultura\/1532115699_984086_1532116296_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/07\/20\/cultura\/1532115699_984086_1532116296_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/07\/20\/cultura\/1532115699_984086_1532116296_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Piroli na Reda\u00e7\u00e3o do \u00daltima Hora, em meados dos anos 1960.\" width=\"980\" height=\"611\" \/><span class=\"boton_ampliar\">Ampliar foto<\/span><\/a><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Piroli na Reda\u00e7\u00e3o do \u00daltima Hora, em meados dos anos 1960.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">ACERVO CONCEITO EDITORIAL<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma firma--vertical\">\n<div class=\"autor\">\n<figure class=\"foto\"><\/figure>\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Andr\u00e9 de Oliveira\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/andre_azevedo_de_oliveira\/a\/\">ANDR\u00c9 DE OLIVEIRA<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo-introduccion\" class=\"articulo-introduccion\">\n<p dir=\"ltr\">Wander Piroli \u00e9 mais um nome na extensa lista de escritores que o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/seccion\/politica\">Brasil<\/a>\u00a0se esmerou em esquecer. Um dos s\u00edmbolos do que ficou conhecido como\u00a0<em>boom dos contistas<\/em>\u00a0nos anos 1970, Piroli era, em tudo, um simples \u2014n\u00e3o confundir com simplista. Mestre em criar di\u00e1logos secos, diretos e cheios de sensibilidade, dizia preferir a vida \u00e0\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/literatura\">literatura<\/a>, mas escreveu sem parar. Gostava de cacha\u00e7a Claudionor, cigarro de palha, pescaria e amizade. Agora, doze anos depois de sua morte, o livro\u00a0<em>Wander Piroli &#8211; Uma Manada de B\u00fafalos Dentro do Peito<\/em>, do jornalista, poeta e escritor Fabr\u00edcio Marques, vem tentar reparar esse esquecimento.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<section id=\"sumario_1|apoyos\" class=\"sumario_apoyos derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<header class=\"sumario-encabezado\">\n<h3 class=\"sumario-titulo\"><\/h3>\n<\/header>\n<div class=\"sumario-texto\">\n<div class=\"apoyos\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Mineiro at\u00e9 o \u00faltimo fio de cabelo, Piroli nasceu em 1931, em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/belo_horizonte\">Belo Horizonte<\/a>, cen\u00e1rio principal de tudo o que produziu em cr\u00f4nicas, reportagens, contos, poesia e romance ao longo da vida. Costumava dizer que o bairro oper\u00e1rio em que cresceu at\u00e9 os 27 anos, Lagoinha, vizinho indesejado do centro rico da capital mineira, estava em tudo. \u201cA minha vis\u00e3o de mundo \u00e9 a vis\u00e3o da Lagoinha\u201d, escreveu uma vez. \u201cUma vis\u00e3o prim\u00e1ria, substantiva da coisa. Uma vis\u00e3o oper\u00e1ria e marginal\u201d. Seus textos eram tomados por personagens vivendo vidas ordin\u00e1rias, comuns. Eram os trabalhadores de sol a sol, os malandros, as prostitutas e os \u201cn\u00e1ufragos da noite\u201d, como caracterizava os tipos com que conviveu na inf\u00e2ncia e juventude.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CKny9YrQt9wCFYYmhwod2-4KuQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Na curta biografia assinada por Marques, tamb\u00e9m mineiro, o escritor\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/12\/15\/cultura\/1513370347_396747.html\">Joca Terron<\/a>\u00a0avalia a import\u00e2ncia de Piroli para a literatura brasileira: pouca ou nenhuma em termos oficiais, mas incalcul\u00e1vel em termos de qualidade. \u201cMas no Brasil, pa\u00eds aculturado e sem vergonha, o que interessa \u00e9 a cultura n\u00e3o oficial, e Wander Piroli est\u00e1 no centro dela (que \u00e9 margem)\u201d, diz Terron. Outro admirador do autor mineiro \u00e9 Mar\u00e7al Aquino: \u201cSeus contos eram relatos diretos e contundentes sobre gente de carne e osso, tinham sempre uma carga humana, sem nunca esquecer de olhar ao redor\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Da biografia, publicada pela Conceito Editorial como parte da s\u00e9rie\u00a0<em>Beag\u00e1 Perfis<\/em>, que trata de personagens belo-horizontinos, fica a imagem de um incans\u00e1vel jornalista e \u00f3timo escritor que caiu num anonimato injusto. Ao lado dele, na gera\u00e7\u00e3o de 1970, estavam nomes como S\u00e9rgio Sant\u2019Anna, Ant\u00f4nio Torres e Ign\u00e1cio de Loyola Brand\u00e3o, bem conhecidos hoje em dia, mas tamb\u00e9m de outros que, com o tempo, ficaram mais esquecidos, como Manoel Lobato, Luiz Vilela e Jo\u00e3o Ant\u00f4nio. Cada caso \u00e9 um caso, mas confluem coisas semelhantes entre a maioria deles para o relativo esquecimento. Por exemplo, a vis\u00e3o de mercado de que o conto seria um g\u00eanero menor, e a necessidade dos autores de dividir a escrita com outras fun\u00e7\u00f5es, como o jornalismo.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/07\/20\/cultura\/1532115699_984086_1532117821_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/07\/20\/cultura\/1532115699_984086_1532117821_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/07\/20\/cultura\/1532115699_984086_1532117288_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/07\/20\/cultura\/1532115699_984086_1532117821_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Capa da biografia rec\u00e9m-lan\u00e7ada\" width=\"360\" height=\"511\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Capa da biografia rec\u00e9m-lan\u00e7ada<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Para Piroli, Marques conta na biografia, o trabalho em reda\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas apareceu como uma forma de sustentar a fam\u00edlia, mas se tornou uma das partes principais de sua vida. Trabalhou em dezenas de publica\u00e7\u00f5es mineiras entre jornais alternativos e da grande imprensa, como\u00a0<em>Estado de Minas<\/em>,\u00a0<em>Suplemento Liter\u00e1rio<\/em>,\u00a0<em>\u00daltima Hora<\/em>,\u00a0<em>O Sol<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Bin\u00f4mio<\/em>. No meio da lida do jornal e da cria\u00e7\u00e3o de quatro filhos, publicou seu primeiro livro\u00a0<em>A M\u00e3e e o Filho da M\u00e3e<\/em>, em 1966. Come\u00e7ou escrevendo quase que por interesse econ\u00f4mico: ainda na casa dos 20 anos, inscrevia contos em concursos p\u00fablicos e sempre acabava levando um pr\u00eamio para casa. Muito dessa produ\u00e7\u00e3o, ainda na d\u00e9cada de 1950, integraria seu livro de estreia, talvez o mais importante de sua carreira.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 quase dez anos depois, o escritor publicaria\u00a0<em>O Menino e o Pinto do Menino<\/em>, em 1975 e\u00a0<em>Os Rios Morrem de Sede<\/em>, em 1976. Talvez seus trabalhos mais conhecidos, ambos infanto-juvenis, viraram sucesso de p\u00fablico ao propor, pela primeira vez, uma esp\u00e9cie de realismo para crian\u00e7as. Piroli abriu m\u00e3o das bruxas e duendes para falar \u00e0s crian\u00e7as da vida como ela \u00e9. \u201cO [escritor] Otto Lara Resende, em uma cr\u00f4nica na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/globo_tv_brasil\">TV Globo<\/a>\u00a0durante o programa Fant\u00e1stico, falou sobre\u00a0<em>O Menino e o Pinto do Menino<\/em>\u00a0e a\u00ed as vendas estouraram\u201d, conta Marques. Em 2001, os dois livros estavam na 32\u00aa edi\u00e7\u00e3o com 150.000 exemplares vendidos. Em vida, Wander ainda publicou cerca de sete t\u00edtulos, entre infantis, de cr\u00f4nica e contos, como\u00a0<em>A M\u00e1quina de Fazer Amor<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Minha Bela Putana<\/em>.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><a class=\"enlace\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: none; font: inherit; vertical-align: baseline; box-sizing: border-box; background-color: transparent; text-decoration: none; color: #016ca2; touch-action: manipulation; position: relative; display: block;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/07\/20\/cultura\/1532115699_984086_1532117307_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/07\/20\/cultura\/1532115699_984086_1532117307_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/07\/20\/cultura\/1532115699_984086_1532117307_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/07\/20\/cultura\/1532115699_984086_1532117307_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Piroli pescando com filho Bruno, o Bumba, inspira\u00e7\u00e3o do livro 'O Menino e o Pinto do Menino'\" width=\"980\" height=\"575\" \/><span class=\"boton_ampliar\">ampliar foto<\/span><\/a><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Piroli pescando com filho Bruno, o Bumba, inspira\u00e7\u00e3o do livro &#8216;O Menino e o Pinto do Menino&#8217;<\/span><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">DIVULGA\u00c7\u00c3O<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\u201cQual a import\u00e2ncia da obra de Piroli para a literatura brasileira?\u201d, pergunta Marques ao cr\u00edtico liter\u00e1rio Ant\u00f4nio Hohlfeldt: \u201cAcho que no conto foi algo de circunst\u00e2ncia, embora sobreviva: esta linguagem jornal\u00edstica, dura como um soco, mas, ao mesmo tempo, a intensa humanidade dos personagens. Na literatura infantil, maior: quebrar os velhos c\u00e2nones de uma literatura bem-comportada e capaz de servir modelos bem-comportados. Wander introduziu no texto para crian\u00e7as um modo de narrar at\u00e9 ent\u00e3o absolutamente inexistente\u201d. Quando morreu, descobriu-se que Piroli tinha mais 18 livros in\u00e9ditos. Hoje, os direitos autorais s\u00e3o todos da editora Sesi-SP, que j\u00e1 reeditou alguns t\u00edtulos, como\u00a0<em>O Menino e o Pinto do Menino<\/em>\u00a0e\u00a0<em>A M\u00e3e e o Filho da M\u00e3e<\/em>.<\/p>\n<section id=\"sumario_4|foto\" class=\"sumario_foto derecha\"><a name=\"sumario_4\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/07\/20\/cultura\/1532115699_984086_1532117747_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/07\/20\/cultura\/1532115699_984086_1532117747_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/07\/20\/cultura\/1532115699_984086_1532117747_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Reedi\u00e7\u00e3o do Sesi-SP\" width=\"360\" height=\"502\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Reedi\u00e7\u00e3o do Sesi-SP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Na biografia, por tr\u00e1s do retrato do escritor est\u00e1 tamb\u00e9m a hist\u00f3ria de um pa\u00eds que lutava contra a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/dictadura_brasilena\">ditadura militar<\/a>\u00a0com as armas que dispunha, e que vivia, no pouco profissionalismo editorial \u2014seja nos jornais, seja em editoras\u2014, um momento de criatividade mais descontra\u00edda. Piroli, segundo os entrevistados por Marques, queria aproximar a produ\u00e7\u00e3o intelectual da vida comum, levando tudo com um despojamento \u00fanico. Nas reda\u00e7\u00f5es em que foi editor, n\u00e3o faltava um garraf\u00e3o de pinga debaixo de sua mesa e, em uma delas, at\u00e9 um pato circulava livremente entre as m\u00e1quinas de escrever. Como chefe, aconselhava que se esquecesse os padr\u00f5es jornal\u00edsticos: queria ler textos que contassem como as coisas realmente tinham acontecido, sem\u00a0<em>leads<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>subleads<\/em>. Era inimigo da objetividade e compunha t\u00edtulos malucos e saborosos, como \u201cCada brasileiro nasce devendo sete sal\u00e1rios m\u00ednimos\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Ao escritor, que tinha uma rela\u00e7\u00e3o descompromissada com a literatura \u2014\u201cPescar \u00e9 mais importante que escrever. Escrever faz mal para a sa\u00fade. N\u00e3o conhe\u00e7o uma s\u00f3 pessoa que se tenha tornado melhor com a literatura; geralmente, piora. H\u00e1 poetas, por\u00e9m, que dizem que fazer poesia \u2018\u00e9 minha vida, \u00e9 o ar que respiro\u2019. Respiram mal e t\u00eam uma p\u00e9ssima vida\u201d\u2014, Marques acredita que tamb\u00e9m faltou sorte: \u201ca editora Cosac Naify, por exemplo, tinha comprado todos os direitos dele, mas, logo em seguida, acabou\u201d. Um tipo meio t\u00edmido, mas alegre, vivendo sem chamar aten\u00e7\u00e3o, corpulento, camisa sempre aberta no peito peludo, Piroli foi visto por seus contempor\u00e2neos como um Hemingway brasileiro, seja pelo modo de viver, seja pelo estilo seco dos textos. Exagero? Faz-se necess\u00e1rio ler antes de dizer.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00edmbolo da gera\u00e7\u00e3o de contistas dos anos 1970, escritor ganha biografia doze anos depois de sua morte<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":251164,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-251163","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/escritor2.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251163","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=251163"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251163\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/251164"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=251163"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=251163"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=251163"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}