{"id":251426,"date":"2018-07-26T07:53:34","date_gmt":"2018-07-26T10:53:34","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=251426"},"modified":"2018-07-26T07:53:34","modified_gmt":"2018-07-26T10:53:34","slug":"conheca-dez-mulheres-negras-que-fizeram-historia-na-america-latina-e-no-caribe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/conheca-dez-mulheres-negras-que-fizeram-historia-na-america-latina-e-no-caribe\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a dez mulheres negras que fizeram hist\u00f3ria na Am\u00e9rica Latina e no Caribe"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"bigtitle\" style=\"text-align: justify;\" data-section=\"HIST\u00d3RIA\"><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\"><time class=\"time d-b\" datetime=\"2018-07-26BRT07:07\">Al\u00ea Alves | S\u00e3o Paulo\u00a0<\/time><\/p>\n<div class=\"subtitle\" style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Neste 25 de julho, \u00e9 celebrado o Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha; Opera Mundi reuniu a hist\u00f3ria de algumas delas<\/strong><\/em><\/div>\n<div class=\"social pc\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"print\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"newsaside no600\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"cf\">\n<form action=\"http:\/\/operamundi.uol.com.br\/mailling\/cadastrar.shtml\" method=\"post\">\n<div class=\"col-2\"><\/div>\n<\/form>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"descript\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 25 de julho de 1992, Santo Domingo, capital da Rep\u00fablica Dominicana, acontecia o primeiro\u00a0Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas, criado em decorr\u00eancia das dificuldades de mulheres negras se verem representadas no movimento feminista e no movimento negro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m das discuss\u00f5es sobre o machismo e o racismo, o Encontro se tornou um marco ao instituir o dia 25 de julho como Dia Internacional\u00a0da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha. A oficializa\u00e7\u00e3o da data, reconhecida pela ONU ainda em 1992, busca dar visibilidade \u00e0 hist\u00f3ria e \u00e0s lutas de mulheres negras da regi\u00e3o e pressionar o poder p\u00fablico para combater os problemas que atingem o grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora as discuss\u00f5es sobre o machismo e o racismo ganhem cada vez mais espa\u00e7o na sociedade brasileira, os desafios enfrentados por mulheres e negros no pa\u00eds continuam \u2013 em especial, para as mulheres negras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.forumseguranca.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/FBSP_Atlas_da_Violencia_2018_Relatorio.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Atlas da Viol\u00eancia de 2018<\/a>, o n\u00famero de homic\u00eddios de negros cresceu 23%, enquanto o de brancos caiu 6,8%. Entre 2006 e 2016, essa mesma taxa cresceu 15,4% para cada 100 mil\u00a0mulheres negras e diminuiu 8% para as n\u00e3o-negras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A desigualdade tamb\u00e9m se encontra em outras \u00e1reas como a educa\u00e7\u00e3o. O percentual de mulheres brancas com ensino superior completo (23,5%) \u00e9 2,3 vezes maior do que o de mulheres pretas ou pardas (10,4%), segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) de 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reprodu\u00e7\u00e3o<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/fb_mnalc8921.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\n<strong>Opera Mundi<\/strong>\u00a0reuniu a hist\u00f3ria de dez mulheres negras que marcaram a hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina e no Caribe<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Opera Mundi<\/strong>\u00a0reuniu a hist\u00f3ria de dez mulheres negras que marcaram a hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina e no Caribe &#8211; sobre algumas das quais ainda h\u00e1 escassez de informa\u00e7\u00f5es e divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1) Tereza de Benguela (Brasil)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/tereza.jpg\" alt=\"Tereza de Benguela (Foto: reprodu\u00e7\u00e3o)\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascida no s\u00e9culo XVIII, liderou o Quilombo Quariter\u00ea, nas proximidades de Vila Bela da Sant\u00edssima Trindade, primeira capital de Mato Grosso. Conhecida como &#8220;Rainha Tereza&#8221;, ela chefiou a comunidade formada por cerca de cem pessoas, entre negros e ind\u00edgenas, entre 1750 e 1770.<\/p>\n<p>Respons\u00e1vel pela estrutura administrativa, econ\u00f4mica e pol\u00edtica da comunidade, a l\u00edder quilombola promoveu o crescimento militar e econ\u00f4mico do grupo ap\u00f3s a morte de seu companheiro, Jos\u00e9 Piolho, morto por bandeirantes. Ainda hoje h\u00e1 diverg\u00eancias sobre a morte de Tereza Benguela &#8211; alguns historiadores falam que ela foi morta por soldados do governo local e outros defendem que ela se suicidou por rejeitar viver sob a escravid\u00e3o. Em 2 de Junho de 2014, a lei n\u00ba 12.987 instituiu o dia 25 de julho no Brasil como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<strong>2) Mar\u00eda Remedios del Valle (Argentina)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/Maria.jpg\" alt=\"Mar\u00eda Remedios (Foto: reprodu\u00e7\u00e3o)\" \/>Nascida em 1776, foi militar combatente na Guerra da Independ\u00eancia da Argentina. Considerada a &#8220;m\u00e3e da P\u00e1tria&#8221;, foi capit\u00e3 em distintas batalhas hist\u00f3ricas no ex\u00e9rcito do General Manuel Belgrano (considerado o &#8220;pai da P\u00e1tria&#8221;). Sua atua\u00e7\u00e3o se inicia em 20 de junho de 1810, com a primeira expedi\u00e7\u00e3o militar que saiu da capital Buenos Aires rumo \u00e0s prov\u00edncias interiores do pa\u00eds. Esteve presente nas vit\u00f3rias nas prov\u00edncias de Tucum\u00e1n (em 1812) e Salta (em 1813), no Norte do pa\u00eds. Nas derrotas das Batalhas de Vilcapugio e Ayohuma, Mar\u00eda Remedios foi ferida por tiros, presa e submetida a nove dias de a\u00e7oites p\u00fablicos. Escapou da pris\u00e3o e ajudou os outros combatentes de sua tropa. Ap\u00f3s a Independ\u00eancia do pa\u00eds, permaneceu sem assist\u00eancia e sem amparo. Em 1826, exigiu uma pens\u00e3o do governo argentino pelos servi\u00e7os prestados, o que foi primeiramente negado pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e depois aceito, em 1827, pelo Congresso argentino. Em 1829, deputados lhe outorgaram o t\u00edtulo de Sargento Maior de Cavalaria. Sobre os \u00faltimos anos de sua vida, sabe-se pouco. Faleceu em 8 de novembro de 1847. Em mem\u00f3ria \u00e0 sua morte, estabeleceu-se em 2013 o dia 8 de novembro como &#8220;Dia dos Afro-argentinos&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3) Virginia Brindis de Salas (Uruguai)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/Virginia_Brindis_de_Salas(1).jpg\" alt=\"Virginia Brindis (Foto: reprodu\u00e7\u00e3o)\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Virginia Brindis de Salas (pseud\u00f4nimo de Iris Virginia Salas), foi ativista, escritora e a primeira mulher negra a publicar uma colet\u00e2nea de poemas na Am\u00e9rica do Sul (&#8220;Preg\u00f3n de Marimorena, em 1946 e depois &#8220;Cem C\u00e1rceres do Amor&#8221;, em 1949). Nascida em Montevid\u00e9u em 1908, \u00e9 considerada a principal poeta afro-uruguaia.<\/p>\n<p>Sua obra trata da cultura e dos costumes da popula\u00e7\u00e3o negra e denuncia o racismo no pa\u00eds. Virginia foi uma das principais integrantes do C\u00edrculo de Intelectuais, Artistas, Jornalistas e Escritores Negros do Uruguai (Ciapen, em espanhol), associa\u00e7\u00e3o que buscava valorizar a cultura afro-uruguaia. Tamb\u00e9m escreveu para a revista\u00a0<em>Nossa Ra\u00e7a<\/em>, uma das principais articuladoras do pensamento negro do pa\u00eds, entre 1939 e 1948, no segundo per\u00edodo da revista. A poeta morreu em 1958, e o governo uruguaio lhe concedeu o t\u00edtulo de &#8220;Personalidade Afro-uruguaia&#8221; em 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4)\u00a0Sara Gomez\u00a0(Cuba)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/saragomez2.jpg\" alt=\"Sara G\u00f3mez (Foto: reprodu\u00e7\u00e3o)\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Sara Gomez foi a primeira mulher a dirigir um longa-metragem em Cuba\u00a0(&#8220;De Cierta Manera&#8221;, de 1974). Antes de se tornar diretora, atuou como jornalista,\u00a0pesquisou sobre literatura e etnografia afro-cubana e estudou m\u00fasica durante seis anos no Conservat\u00f3rio de Havana.\u00a0Integrou o Instituto Cubano de Arte e Ind\u00fastria Cinematogr\u00e1ficos (ICAIC) &#8211; criado logo ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Diretora de in\u00fameros curtas, sua obra \u00e9 focada na cultura negra do pa\u00eds e nas quest\u00f5es vividas por homens e especialmente mulheres negras em um pa\u00eds p\u00f3s-revolu\u00e7\u00e3o.\u00a0&#8220;De Cierta Manera&#8221;, sua \u00fanica obra ficcional e de longa dura\u00e7\u00e3o, retrata a vida cotidiana de pessoas do bairro Miraflores, no sub\u00farbio da capital Havana. A diretora morreu em 1974, devido a um ataque de asma, mas o filme foi conclu\u00eddo em 1977 por tr\u00eas colegas diretores do ICAIC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p><strong>5) Amy Ashwood Garvey (Jamaica)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/Amy-Ashwood-Garvey_bw_000.jpg\" alt=\"Amy Ashwood (Foto: reprodu\u00e7\u00e3o)\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascida em 1897 em Port Antonio, na Jamaica, foi dramaturga e ativista pan-africanista &#8211; movimento pol\u00edtico, cultural e intelectual que defendia a unifica\u00e7\u00e3o de interesses comuns entre descendentes de africanos. Em 1914, foi uma das fundadoras da Associa\u00e7\u00e3o Universal para Desenvolvimento Negro (UNIA, em ingl\u00eas), influente organiza\u00e7\u00e3o anticolonial jamaicana que atuava contra o racismo.<\/p>\n<p>Durante sua vida, Amy transitou entre pa\u00edses do Caribe (presidiu a forma\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a das Mulheres de Barbados) e da \u00c1frica (morou na Lib\u00e9ria por tr\u00eas anos, onde atuou pelo direito das mulheres do pa\u00eds), al\u00e9m de EUA e Inglaterra (onde fundou o Centro de Mulheres Negras de Londres, a Associa\u00e7\u00e3o para Desenvolvimento do Povo Negro e o jornal\u00a0<em>Mundo Negro<\/em>, al\u00e9m de integrar a Ag\u00eancia Internacional de Servi\u00e7os Africanos). Morreu em 1969 na capital Kingston e at\u00e9 hoje \u00e9 considerada um dos maiores nomes do movimento pan-africanista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6) Mar\u00eda Elena Moyano (Peru)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/memoyano3.jpg\" alt=\"Mar\u00eda Elena Moyano (Foto: reprodu\u00e7\u00e3o)\" \/><\/strong><\/p>\n<p>Nascida em 1958, Mar\u00eda Elena Moyano foi ativista e dirigente social. Atuou contra a pobreza e pelos direitos das mulheres no Peru e foi opositora do Sendero Luminoso, grupo guerrilheiro com inspira\u00e7\u00e3o mao\u00edsta surgido no pa\u00eds nos anos 60.\u00a0Conhecida como &#8220;M\u00e3e Coragem&#8221;, Moyano participou de diferentes organiza\u00e7\u00f5es de mulheres e, em 1983, presidiu a Federa\u00e7\u00e3o Popular de Mulheres da Villa El Salvador (FEPOMUVES), distrito popular da prov\u00edncia de Lima.<\/p>\n<p>Em 1989, foi eleita vice-prefeita desta prov\u00edncia. No final da d\u00e9cada de 1980, o Sendero Luminoso come\u00e7ou a intensificar a persegui\u00e7\u00e3o a mulheres ativistas, sendo tr\u00eas delas mortas. Em 1992, Moyano foi assassinada aos 33 anos de idade. Al\u00e9m de ser baleada, teve o corpo dinamitado.\u00a0Em 2017, o governo peruano outorgou uma condecora\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma a Moyano, no anivers\u00e1rio de 25 anos de sua morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>7) Argelia Laya (Venezuela)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/venezuela(6).jpg\" alt=\"Argelia Laya (Foto: reprodu\u00e7\u00e3o)\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascida em 10 de julho de 1926, Argelia Laya foi educadora e atuou pelo direito das mulheres no pa\u00eds. Liderou o sindicato de professores nos anos 1950, integrou o Partido Comunista da Venezuela, dirigiu as For\u00e7as Armadas de Libera\u00e7\u00e3o Nacional (FALN) e esteve na guerrilha venezuelana nos anos 60 sob o nome de &#8220;Comandante Jacinta&#8221;.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s romper com os guerrilheiros, ajudou a fundar o Movimento pelo Socialismo (MAS), em 1971, partido que presidiu posteriormente e pelo qual se tornou parlamentar pelo estado de Miranda, no norte do pa\u00eds. Foi a primeira mulher e primeira afrodescendente a liderar um grande partido pol\u00edtico na Venezuela. Morreu em 27 de novembro de 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>8) Sanit\u00e9 B\u00e9lair (Suzanne B\u00e9lair &#8211; Haiti)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/sanitblair(1).jpeg\" alt=\"Sanit\u00e9 B\u00e9lair (Foto: reprodu\u00e7\u00e3o)\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascida livre em 1781, Suzanne B\u00e9lair \u00e9 considerada uma das hero\u00ednas da Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana (1791 &#8211; 1804). Apelidada por amigos de &#8220;Sanit\u00e9&#8221;, B\u00e9lair foi\u00a0sargenta e depois tenente das tropas de Toussaint Louverture, um dos maiores l\u00edderes negros da revolu\u00e7\u00e3o que p\u00f4s fim ao regime escravista no Haiti. Participou dos combates de 1802, na cadeia montanhosa Matheux, no centro do pa\u00eds, contra a expedi\u00e7\u00e3o napole\u00f4nica composta por mais de 20 mil homens enviada para reestabelecer a escravid\u00e3o na col\u00f4nia.<\/p>\n<p>Capturada com seu marido, General Charles B\u00e9lair, Sanit\u00e9 n\u00e3o aceita ser decapitada &#8211; pena destinada \u00e0s mulheres &#8211; e exige ser morta como os outros combatentes. \u00c9 fuzilada em 5 de outubro de 1802. Sanit\u00e9 B\u00e9lair foi a \u00fanica mulher na s\u00e9rie comemorativa &#8220;Bicenten\u00e1rio do Haiti&#8221;, em 2004, que estampou fotos de figuras hist\u00f3ricas do pa\u00eds nas c\u00e9dulas do gourde, a moeda haitiana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>9) Martina Carrillo (Equador)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Martina Carrillo foi uma das l\u00edderes das revoltas de negros escravizados no Vale do rio Chota e do rio Mira, territ\u00f3rio marcado pelas comunidades afrodescendentes no Norte do Equador. Carrillo trabalhava na Fazenda Concepci\u00f3n, de onde fugiu com outros cinco escravizados, em 1778, e foi at\u00e9\u00a0Quito para denunciar abusos e maus tratos do administrador da fazenda, tais como quantidade insuficiente de comida, castigos f\u00edsicos rigorosos e injustificados. O grupo conseguiu uma audi\u00eancia com Jos\u00e9 Diguja, presidente da Real Audi\u00eancia de Quito (unidade administrativa do Imp\u00e9rio espanhol). As reivindica\u00e7\u00f5es foram atendidas, mas, antes disso, Martina Carillo recebeu 300 chicotadas quando voltou para a fazenda. Ainda hoje, h\u00e1 poucas informa\u00e7\u00f5es sobre sua biografia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>10) Solitude (Guadalupe)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascida cerca de 1772, Solitude foi uma das l\u00edderes da resist\u00eancia ao regime escravista na ilha de Guadalupe. Nascida escravizada, torna-se liberta em 1794, na primeira aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o nas col\u00f4nias francesas. A partir de ent\u00e3o, passou a integrar uma comunidade maroon &#8211; africanos escravizados que conseguiam escapar dos captores espanh\u00f3is e formavam grupos aut\u00f4nomos. Em 1801, Napole\u00e3o decide reestabelecer a escravid\u00e3o e envia batalh\u00f5es para as col\u00f4nias francesas no Caribe. Gr\u00e1vida de alguns meses, Solitude integra as tropas que se op\u00f5em ao\u00a0reestabelecimento do franc\u00eas Jean-Baptiste de Lacrosse como Capit\u00e3o-General de Guadalupe. Ap\u00f3s dezoito dias de combate desigual (4.000 soldados franceses contra mil soldados apoiadores dos rebeldes), Solitude \u00e9 presa em 23 de maio de 1802 e condenada \u00e0 morte. Foi enforcada em 29 de novembro de 1802, um dia depois do nascimento do filho.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste 25 de julho, \u00e9 celebrado o Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha; Opera Mundi reuniu a hist\u00f3ria de algumas delas<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":251427,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-251426","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/mulheres-negras.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251426","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=251426"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251426\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/251427"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=251426"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=251426"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=251426"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}