{"id":251430,"date":"2018-07-26T08:00:52","date_gmt":"2018-07-26T11:00:52","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=251430"},"modified":"2018-07-26T08:00:52","modified_gmt":"2018-07-26T11:00:52","slug":"a-nova-pedagogia-e-um-erro-parece-que-nao-se-vai-a-escola-para-estudar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-nova-pedagogia-e-um-erro-parece-que-nao-se-vai-a-escola-para-estudar\/","title":{"rendered":"\u201cA nova pedagogia \u00e9 um erro. Parece que n\u00e3o se vai \u00e0 escola para estudar\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Pedagoga sueca, com mais de quatro d\u00e9cadas de experi\u00eancia na educa\u00e7\u00e3o, critica m\u00e9todo que d\u00e1 mais iniciativa aos alunos na sala de aula e defende um ensino mais tradicional<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/07\/17\/eps\/1531826084_917865_1531838929_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/07\/17\/eps\/1531826084_917865_1531838929_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/07\/17\/eps\/1531826084_917865_1531838929_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/07\/17\/eps\/1531826084_917865_1531838929_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Inger Enkvist\" width=\"980\" height=\"606\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Inger Enkvist, no escrit\u00f3rio da sua casa, no centro de Lund (Su\u00e9cia).<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">EVAN PANTIEL<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Cristina Galindo\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/cristina_galindo\/a\/\">CRISTINA GALINDO<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O sil\u00eancio reina na rua de pedras onde mora Inger Enkvist, em Lund, uma das cidades mais antigas da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/suecia\">Su\u00e9cia<\/a>, com uma das universidades mais importantes deste pa\u00eds n\u00f3rdico. Ningu\u00e9m diria que a poucos minutos a p\u00e9 fica o centro urbano. Esta calma chega ao interior de seu apartamento, uma sobreloja com grandes janelas e um jardim traseiro comunit\u00e1rio. Seu escrit\u00f3rio, luminoso e cheio de livros, \u00e9 um reflexo de sua ideia de como \u00e9 preciso se entregar a qualquer tarefa intelectual: com ordem, concentra\u00e7\u00e3o, seguindo regras\u2026, lendo.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CMPWvInOvNwCFRAPhgodZ2kB8A\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/actualidad\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/actualidad\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/actualidad\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto a maioria dos pedagogos questiona a utilidade de decorar informa\u00e7\u00f5es na era do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/google\">Google<\/a>\u00a0e prega o fim das carteiras enfileiradas e das disciplinas estanques, com mais liberdade para os alunos, Enkvist (V\u00e4rmland, Su\u00e9cia, 1947) defende a necessidade de voltar a uma escola mais tradicional, onde se destaquem a disciplina, o esfor\u00e7o e a autoridade do professor. Seu ponto de vista contraria os postulados dessa nova pedagogia, mas tamb\u00e9m se distancia daqueles que acreditam que a escola \u00e9 uma f\u00e1brica de alunos em s\u00e9rie e que deve centrar seus esfor\u00e7os em competir com outros col\u00e9gios para subir nos rankings mundiais.<\/p>\n<section id=\"sumario_5|apoyos\" class=\"sumario_apoyos derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<div class=\"apoyos\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7ou sua carreira educativa como professora do ensino secund\u00e1rio, e agora \u00e9 catedr\u00e1tica em\u00e9rita de espanhol na Universidade de Lund. Centrou sua pesquisa na obra de Mario Vargas Llosa e Juan Goytisolo, e escreveu ensaios sobre Jos\u00e9 Ortega y Gasset, Miguel de Unamuno e Mar\u00eda Zambrano. Publicou v\u00e1rios livros sobre pedagogia \u2013 como\u00a0<em>Repensar a Educa\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0(Bunker Editorial, 2006, digital) \u2013 e centenas de artigos, al\u00e9m de ter assessorado o Governo sueco no assunto. Sentada na sala de sua casa, Enkvist conversa em espanhol sobre como acredita que as escolas deveriam ser, enquanto bebe um suco de frutas vermelhas servido num jarrinho de barro comprado em Seg\u00f3via. Falando com ela, n\u00e3o \u00e9 nada dif\u00edcil imagin\u00e1-la no seu col\u00e9gio, ainda menina, tirando \u00f3timas notas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pergunta.<\/strong>\u00a0Como recorda sua escola?<\/p>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html izquierda\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">\u201cO novo desafio \u00e9 controlar o acesso ao celular. As escolas fazem bem em proibi-lo e os pais devem vigiar seu uso em casa. Devem saber dizer \u201cn\u00e3o\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resposta.<\/strong>\u00a0Era p\u00fablica e tradicional. N\u00e3o tenho m\u00e1s recorda\u00e7\u00f5es. Talvez houvesse algumas aulas chatas, mas \u00e0s vezes a vida \u00e9 assim. Os alunos chegavam na hora e n\u00e3o havia conflitos com os professores. A Su\u00e9cia me deu uma educa\u00e7\u00e3o gratuita e de qualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Os tempos mudaram. Continua valendo a disciplina daquela \u00e9poca?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0A rela\u00e7\u00e3o entre pais e filhos se baseia mais do que nunca nas emo\u00e7\u00f5es. Temos uma vida mais f\u00e1cil, e queremos que nossos filhos tamb\u00e9m a tenham. Mas a escola deve estar consciente de que sua tarefa principal continua sendo formar os jovens intelectualmente. A escola n\u00e3o pode ser uma creche, nem o professor um psic\u00f3logo ou um assistente social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Qual deve ser a finalidade do ensino infantil?<\/p>\n<section id=\"sumario_3|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/07\/17\/eps\/1531826084_917865_1531839046_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/07\/17\/eps\/1531826084_917865_1531839046_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/07\/17\/eps\/1531826084_917865_1531839046_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/07\/17\/eps\/1531826084_917865_1531839046_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Inger Enkvist, no escrit\u00f3rio da sua casa, no centro de Lund (Su\u00e9cia).\" width=\"980\" height=\"1261\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Inger Enkvist, no escrit\u00f3rio da sua casa, no centro de Lund (Su\u00e9cia).<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">EVAN PANTIEL<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Deve ser muitas coisas, mas sua tarefa principal \u00e9 dar uma base intelectual. Dar conhecimentos aos jovens, prepar\u00e1-los para o mercado de trabalho, transmitir-lhes uma cultura e proporcionar-lhes uma ideia da ordem social, porque a escola \u00e9 a primeira institui\u00e7\u00e3o com a qual as crian\u00e7as se deparam, e \u00e9 importante que vejam que h\u00e1 algumas regras, que o professor \u00e9 a autoridade e que \u00e9 preciso respeitar tanto ele como os colegas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Mas a tecnologia torna mais dif\u00edcil controlar crian\u00e7as hiperestimuladas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Sempre houve dificuldades na aprendizagem. H\u00e1 50 anos, era o fato de precisar andar uma hora para chegar ao col\u00e9gio, ou oferecer refei\u00e7\u00f5es nutritivas. Hoje se trata da enorme quantidade de est\u00edmulos.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/06\/23\/tecnologia\/1498213275_166491.html\">O novo desafio \u00e9 controlar o acesso ao celular<\/a>\u00a0e ao computador para que se concentrem. As escolas que pro\u00edbem o celular fazem bem. Em casa, os pais devem vigiar o tempo de uso da tecnologia. Proibir \u00e9 muito dif\u00edcil, porque se criam conflitos, mas um pai moderno deve saber dizer \u201cn\u00e3o\u201d. Deve resistir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0H\u00e1 pedagogos que afirmam que a escola tradicional \u00e9 chata e educa crian\u00e7as submissas, e que \u00e9 preciso aprender a aprender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0A escola \u00e9 um lugar para aprender a pensar sobre a base dos dados. Isso de insistir em aprender a aprender sem falar antes de aprendizagem \u00e9 uma falsidade, porque n\u00e3o podemos pensar sem pensar em algo. Sem dados n\u00e3o h\u00e1 com o que come\u00e7ar a pensar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0A escola n\u00e3o deveria ser um lugar onde se divertir?<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html izquierda\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">\u201cO que os exames do PISA n\u00e3o revelam \u00e9 se existe uma boa atmosfera na sala de aula, se bons princ\u00edpios de trabalho s\u00e3o inculcados, se as ci\u00eancias humanas s\u00e3o bem ensinadas\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0A satisfa\u00e7\u00e3o na escola deve estar vinculada ao conte\u00fado: entrar numa aula e que lhe contem algo que voc\u00ea n\u00e3o sabia. Mas \u00e9 preciso saber que, para entender algo novo, \u00e9 necess\u00e1rio fazer um esfor\u00e7o. Al\u00e9m disso, \u00e9 fundamental que o professor nos ensine a ler e tamb\u00e9m como nos comportar. \u00c9 imposs\u00edvel aprender bem sem que haja ordem na sala de aula. Essa \u00e9 a base principal: comportamento, leitura e avalia\u00e7\u00e3o pelo conhecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0O que opina da tend\u00eancia de p\u00f4r almofadas na sala de aula para que os alunos se deitem?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Isso \u00e9 enganar os jovens. Para aprender a escrever, uma crian\u00e7a precisa sentar-se bem, olhar para frente, ter l\u00e1pis e papel, concentrar-se\u2026 Aprender pode ser um prazer, mas, insisto, exige um esfor\u00e7o e um trabalho. \u00c9 preciso dizer isso \u00e0s crian\u00e7as. Se n\u00e3o, estamos enganando-as. Tocar violino, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Exige muita pr\u00e1tica. Os estudos do psic\u00f3logo sueco Anders Ericsson mostraram que \u00e9 necess\u00e1rio um esfor\u00e7o prolongado para melhorar em algo. Para ser bom em algo voc\u00ea tem que se dedicar 10.000 horas. E precisa faz\u00ea-lo de forma consciente e trabalhar com um professor. Sua pesquisa avaliza a ideia tradicional de uma escola baseada no esfor\u00e7o do aluno, sob a orienta\u00e7\u00e3o de um professor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0H\u00e1 quem diga que n\u00e3o \u00e9 preciso decorar porque tudo est\u00e1 no Google.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Essa \u00e9 outra falsidade. O Google \u00e9 uma ferramenta genial. \u00c9 de grande ajuda para os adultos, porque sabemos o que procuramos. Mas, para quem n\u00e3o sabe nada, o Google n\u00e3o serve de nada. H\u00e1 intelectuais que andam por a\u00ed dizendo que estudar geografia n\u00e3o foi \u00fatil. Acredito que se esqueceram de como e quanto aprenderam na escola. Afirmar essas coisas \u00e9 uma falta de honradez com os jovens. E menosprezar a import\u00e2ncia em si da vida intelectual do aluno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Em que consiste a nova pedagogia que voc\u00ea critica?<\/p>\n<section id=\"sumario_4|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_4\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/07\/17\/eps\/1531826084_917865_1531839080_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/07\/17\/eps\/1531826084_917865_1531839080_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/07\/17\/eps\/1531826084_917865_1531839080_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/07\/17\/eps\/1531826084_917865_1531839080_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Inger Enkvist: \u201cA nova pedagogia \u00e9 um erro. Parece que n\u00e3o se vai \u00e0 escola para estudar\u201d\" width=\"980\" height=\"1471\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">EVAN PANTIEL<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0A nova pedagogia \u00e9 um pensamento que se v\u00ea por toda parte no Ocidente. A Su\u00e9cia a adotou nos anos sessenta. Consiste, por exemplo, na pouca grada\u00e7\u00e3o das notas, por isso muitos pensam que n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para estudar muito se isso n\u00e3o for se refletir no hist\u00f3rico escolar. D\u00e1-se muita import\u00e2ncia \u00e0 iniciativa do aluno, trabalha-se em equipe e, ao mesmo tempo em que as provas desaparecem, aparecem os projetos e o uso das novas tecnologias. Em geral, parece que se vai \u00e0 escola para fazer atividades, n\u00e3o para trabalhar e estudar. D\u00e1-se mais \u00eanfase ao social que ao intelectual. Acho que \u00e9 um erro. Por um lado, os alunos com mais capacidade n\u00e3o desenvolvem todo o seu potencial e, por outro, os que t\u00eam uma menor curiosidade natural por aprender n\u00e3o avan\u00e7am. Al\u00e9m disso, muitos gostos s\u00e3o adquiridos, como a hist\u00f3ria, a leitura e a m\u00fasica cl\u00e1ssica. No come\u00e7o podem parecer chatos, mas, se algu\u00e9m insistir para que tenhamos um primeiro contato, \u00e9 poss\u00edvel que acabemos gostando. Atualmente, muitos jovens escolhem sem terem conhecido e, claro, escolhem o f\u00e1cil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0A Espanha \u00e9 um dos pa\u00edses da OCDE que dedica mais horas \u00e0 li\u00e7\u00e3o de casa. Isso tem alguma utilidade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Quando a jornada \u00e9 muito longa, como na Espanha, n\u00e3o faz sentido. Se um aluno est\u00e1 cansado, a li\u00e7\u00e3o de casa n\u00e3o melhora o seu rendimento. \u00c9 preciso buscar um n\u00famero ideal de aulas pela manh\u00e3, quando a crian\u00e7a est\u00e1 mais acordada, dar-lhe um tempo de descanso e, \u00e0 tarde, talvez uma tarefa de revis\u00e3o do que fez durante aquele dia. Um bom exemplo \u00e9 a Finl\u00e2ndia, onde os alunos entram \u00e0s oito da manh\u00e3 e saem \u00e0s duas da tarde, incluindo o almo\u00e7o; exceto \u00e0s quintas-feiras, quando saem \u00e0s quatro da tarde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Quando crian\u00e7a, voc\u00ea era um grande leitora. Como despertar esse prazer se uma crian\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 interessada?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Era uma leitora compulsiva. Ningu\u00e9m teve de insistir para que eu pegasse um livro. Mas h\u00e1 crian\u00e7as que precisam disso. Talvez no come\u00e7o seja necess\u00e1rio for\u00e7\u00e1-las um pouco, encoraj\u00e1-las para que se tornem leitoras de lazer. Como se faz isso da escola? Comprar bons livros para a biblioteca e recomendar um a cada sexta-feira. Um aluno pode contar o que leu naquela semana. Fazer pequenas competi\u00e7\u00f5es para ver quem leu mais. Medir como o seu vocabul\u00e1rio aumenta. E explicar que a leitura lhes permitir\u00e1, quando adultos, um melhor desenvolvimento. Se os alunos come\u00e7am a ler, quase todos descobrir\u00e3o que \u00e9 um prazer. Mas eles precisam de horas. Calcula-se que na maioria dos pa\u00edses se dedicam 400 horas \u00e0 aprendizagem da leitura na escola prim\u00e1ria. Para ser um bom leitor, s\u00e3o necess\u00e1rias 4.000 horas. \u00c9 imposs\u00edvel ter tanto tempo na aula. Eles t\u00eam de fazer isso em casa. O que os pais podem e devem fazer \u00e9 ler com os filhos: apoiar a leitura e servir de modelo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Mas\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/12\/20\/economia\/1482252591_287277.html\">as humanidades est\u00e3o perdendo peso<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Dizem que o amanh\u00e3 ser\u00e1 dominado pela tecnologia e pelas ci\u00eancias naturais, e que o que \u00e9 hist\u00f3rico n\u00e3o \u00e9 importante. Al\u00e9m disso, as provas do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/informes_pisa\">PISA [Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Estudantes]<\/a>, um conjunto de exames organizados pela OCDE para avaliar as compet\u00eancias de alunos de 15 anos em ci\u00eancias, matem\u00e1tica e leitura] n\u00e3o levam em conta as humanidades porque \u00e9 dif\u00edcil comparar esses conhecimentos entre pa\u00edses, ent\u00e3o a vontade de competi\u00e7\u00e3o os leva a dar mais \u00eanfase \u00e0s mat\u00e9rias que fazem parte do PISA e negligenciar as outras. Tanto a escola quanto a fam\u00edlia devem dar mais \u00eanfase \u00e0s humanidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0A vis\u00e3o do PISA \u00e9 a de uma escola que deveria funcionar como uma empresa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0A OCDE \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e analisa a educa\u00e7\u00e3o a partir dessa perspectiva. O que o PISA n\u00e3o revela \u00e9 se existe uma boa atmosfera na sala de aula, se bons princ\u00edpios de trabalho s\u00e3o inculcados, se as ci\u00eancias humanas, as ci\u00eancias sociais, as mat\u00e9rias est\u00e9ticas como arte e m\u00fasica, que s\u00e3o essenciais, s\u00e3o bem ensinadas. O PISA \u00e9 uma prova muito espec\u00edfica que analisa algumas coisas. As escolas e os pa\u00edses deveriam defender que eles ofere\u00e7am muito mais do que isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Em seus livros, voc\u00ea aponta a Finl\u00e2ndia como um dos grandes modelos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0A educa\u00e7\u00e3o na Finl\u00e2ndia foi tradicional, embora h\u00e1 dois anos o Governo tenha lan\u00e7ado um programa mais parecido com o da Su\u00e9cia, porque meu pa\u00eds tem um desempenho escolar inferior, mas tem um comportamento econ\u00f4mico superior e criou empresas de tecnologia como Spotify e Skype. O Governo finland\u00eas parece pensar que com um pouco de desordem suas escolas ser\u00e3o mais criativas. N\u00e3o acredito nisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0A Finl\u00e2ndia era tradicional? N\u00e3o h\u00e1 exames no ensino obrigat\u00f3rio nem os havia antes dessa reforma que voc\u00ea menciona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0\u00c9 preciso repensar a fobia aos exames. O exame ajuda a se concentrar em um objetivo. Que em tal dia voc\u00ea tem de saber esses conhecimentos. Um bom professor ensina coisas aos alunos, revisa com eles e faz algumas provas. E constroem outros ensinamentos sobre o que j\u00e1 foi aprendido, ent\u00e3o esses conhecimentos voltam a aparecer mais tarde. N\u00e3o faz um exame sobre algo sem import\u00e2ncia. Com a prova final acontece a mesma coisa. \u00c9 um objetivo claro. Ajuda a ter uma vis\u00e3o global.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Na Finl\u00e2ndia n\u00e3o se compara tanto as escolas, o que \u00e9 comum na Espanha. \u00c9 assim?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Na Finl\u00e2ndia continuam com a tradi\u00e7\u00e3o de confiar nos professores. Quando existe um controle estatal do desempenho e se fazem compara\u00e7\u00f5es entre as escolas, o ambiente se deteriora. Para os professores, gera estresse e rancor em rela\u00e7\u00e3o a quem te controla.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Como deve ser um bom professor?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Respons\u00e1vel e bem formado. Deve acreditar no poder do conhecimento. N\u00e3o se \u00e9 bom professor apenas pelo que se sabe sobre a mat\u00e9ria, nem s\u00f3 porque sabe conquistar os alunos. \u00c9 preciso combinar ambos os elementos: atrair os alunos para a mat\u00e9ria para ensin\u00e1-la adequadamente. \u00c9 preciso recrutar professores excelentes em que alunos, pais e autoridades possam confiar. E a menos que haja uma situa\u00e7\u00e3o grave, devemos deix\u00e1-los trabalhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Como foi sua experi\u00eancia na sala de aula?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0O aluno tem de respeitar as instru\u00e7\u00f5es do professor, fazer as li\u00e7\u00f5es de casa e, por exemplo, n\u00e3o mentir. Antes, mentir era muito grave. Agora parece que n\u00e3o acontece nada. Vi jovens que inventam motivos para justificar por que n\u00e3o fizeram um trabalho, que escrevem de forma pouco leg\u00edvel para gerar d\u00favidas ou discutem o tempo todo com os professores. Sei o qu\u00e3o desagrad\u00e1vel \u00e9 que um aluno tente mentir para voc\u00ea. Vi isso no ensino m\u00e9dio e na universidade. Quando um professor sente que n\u00e3o \u00e9 respeitado, que tentam engan\u00e1-lo, todas as rela\u00e7\u00f5es de ensino se rompem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0O que fazer com as crian\u00e7as que incomodam e n\u00e3o deixam os outros trabalharem?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Isso \u00e9 um tabu. \u00c9 considerado pouco democr\u00e1tico. Diz-se que devemos dar uma oportunidade a todos. Mas o que acontece quando uma crian\u00e7a problem\u00e1tica n\u00e3o deixa os outros trabalharem, quando se fala com ela e com os pais, mas n\u00e3o se corrige? \u00c9 preciso coloc\u00e1-lo em um grupo separado para ver se percebe e muda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0E as crian\u00e7as que se esfor\u00e7am, mas n\u00e3o atingem o n\u00edvel?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Elas podem ter aulas de refor\u00e7o. E podemos oferecer itiner\u00e1rios diferentes, como no caso de Cingapura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0E repetir de ano?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Fazer repetir uma crian\u00e7a \u00e0s vezes serve e \u00e0s vezes n\u00e3o, porque cada um \u00e9 diferente. Gosto do sistema de Cingapura, onde o lema \u00e9 que cada crian\u00e7a pode atingir seu n\u00edvel \u00f3timo. Existem diferentes maneiras de conseguir isso: uma maneira, digamos, normal e outra, expressa. A segunda inclui mais conte\u00fados em menos tempo. H\u00e1 quem diga que \u00e9 menos democr\u00e1tico, mas creio que, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 mais democr\u00e1tico porque conv\u00e9m \u00e0 crian\u00e7a, \u00e0 fam\u00edlia e ao Estado. E h\u00e1 menos evas\u00e3o escolar, um problema muito mais grave.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0N\u00e3o est\u00e1 aprendendo tamb\u00e9m por imita\u00e7\u00e3o? Ou seja, os alunos adiantados podem puxar aqueles que ficam para tr\u00e1s?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Funciona quando o grupo tem um bom n\u00edvel e um bom professor. E se aqueles que t\u00eam de se integrar s\u00e3o poucos e querem faz\u00ea-lo. Se n\u00e3o, o que geralmente acontece \u00e9 que aqueles que n\u00e3o querem trabalhar arrastam os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0O bilinguismo que combina ingl\u00eas e espanhol prolifera nas escolas espanholas. Voc\u00ea matricularia seus filhos em uma dessas escolas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Primeiramente, eu analisaria outras op\u00e7\u00f5es. Aprender ingl\u00eas \u00e9 bom, mas \u00e9 preciso perguntar o que deixamos de aprender de outras mat\u00e9rias. Tenho d\u00favidas. Acredito que se pode aprender bem ingl\u00eas com algumas horas de aula sem sacrificar outros conhecimentos, como por exemplo, as ci\u00eancias. Na Su\u00e9cia, as aulas de ingl\u00eas s\u00f3 come\u00e7am aos 9 ou 10 anos.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a jornada \u00e9 muito longa, como na Espanha, n\u00e3o faz sentido. 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