{"id":251508,"date":"2018-07-27T05:31:27","date_gmt":"2018-07-27T08:31:27","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=251508"},"modified":"2018-07-27T05:31:27","modified_gmt":"2018-07-27T08:31:27","slug":"a-ferida-emocional-deixada-pelas-cesareas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-ferida-emocional-deixada-pelas-cesareas\/","title":{"rendered":"A ferida emocional deixada pelas ces\u00e1reas"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Uma ces\u00e1rea, como qualquer interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica, envolve certos riscos para a m\u00e3e e para a crian\u00e7a, tanto no aspecto f\u00edsico, como no emocional<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/07\/20\/ciencia\/1532088096_006901_1532616153_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/07\/20\/ciencia\/1532088096_006901_1532616153_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/07\/20\/ciencia\/1532088096_006901_1532616153_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/07\/20\/ciencia\/1532088096_006901_1532616153_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"A ferida emocional deixada pelas ces\u00e1reas\" width=\"980\" height=\"549\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">GETTY<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Diana Oliver\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/diana_oliver_ortiz\/a\/\">DIANA OLIVER<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2015, dos 3 milh\u00f5es de partos feitos no Brasil, 55,5% foram ces\u00e1reas, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Um\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/08\/09\/actualidad\/1502268381_004054.html\">n\u00famero muito distante da taxa \u201cideal\u201d de cesarianas definida pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS)<\/a>, que est\u00e1 entre 10% e 15%. No mesmo per\u00edodo, a taxa dos nascimentos ocorridos na Espanha tamb\u00e9m foi acima da recomendada: 26,66%, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estat\u00edstica (INE). Al\u00e9m disso, segundo Elena Gil, assessora de imprensa da associa\u00e7\u00e3o El parto es nuestro (O parto \u00e9 nosso), h\u00e1 uma grande varia\u00e7\u00e3o entre hospitais, comunidades aut\u00f4nomas e maternidades p\u00fablicas (geralmente menos de 30%) e privadas (mais de 50%). \u201cDe acordo com a estimativa mais alta da OMS, 11% das cesarianas foram feitas sem necessidade. Isso se traduz em 49.000 mulheres e beb\u00eas na Espanha submetidos a uma grande cirurgia sem justificativa m\u00e9dica\u201d, diz Gil. A associa\u00e7\u00e3o vem trabalhando h\u00e1 anos para aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o uso deste tipo de interven\u00e7\u00e3o apenas quando \u00e9 realmente necess\u00e1rio. Embora acreditem que a situa\u00e7\u00e3o tenha melhorado, especialmente na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/salud_publica\">sa\u00fade p\u00fablica<\/a>, \u201conde, de fato, parece haver um esfor\u00e7o para reduzir as taxas de cesariana\u201d, os dados atuais apontam para um ligeiro crescimento devido, intuem, ao aumento de indu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|apoyos\" class=\"sumario_apoyos izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<div class=\"apoyos\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira cesariana de Almudena foi resultado de uma \u201cindu\u00e7\u00e3o ruim\u201d, como confirmaram depois de passar por v\u00e1rios ginecologistas e parteiras que consultou para pedir uma opini\u00e3o em sua segunda gravidez. \u201cEu estava muito \u2018verde\u2019. Me induziram o parto s\u00f3 porque estava com 41 semanas. Come\u00e7aram direto com ocitocina, sem usar primeiro prostangladinas para preparar o colo do \u00fatero, e me disseram que se eu sentisse desconforto, aplicariam a [anestesia] epidural. Achei perfeito, mas depois de quatro horas entubada, como [a dilata\u00e7\u00e3o] n\u00e3o passava de dois cent\u00edmetros, me disseram que o parto n\u00e3o progrediu e que iam fazer uma cesariana;\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/08\/24\/actualidad\/1503582688_802126.html\">sem respeitar os tempos e na aus\u00eancia de sofrimento fetal<\/a>. Foi uma cesariana sem emerg\u00eancia e apesar disso foi uma barbeiragem, segundo o cirurgi\u00e3o que me atendeu da segunda vez. Se hoje eu chegar a essa situa\u00e7\u00e3o, sei que n\u00e3o vou passar por isso outra vez\u201d. Aquela cesariana que Almudena define como \u201cdesne-ces\u00e1rea\u201d foi seguida por uma segunda cesariana que a reconciliou com essas interven\u00e7\u00f5es, e por uma terceira, programada e aceita, que fechou parcialmente a ferida emocional que ainda carregava por causa da primeira experi\u00eancia. \u201cNo meu caso \u00e9 um espinho que vai ficar comigo para sempre, porque eu sonhava com um parto normal\u201d, diz ela.<\/p>\n<div class=\"teads-inread\" style=\"text-align: justify;\">\n<div>\n<div id=\"teads0\" class=\"teads-player\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">As sequelas emocionais de uma cesariana<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/07\/15\/politica\/1436962606_175263.html\">Uma ces\u00e1rea, como qualquer interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica, envolve certos riscos para a m\u00e3e<\/a>\u00a0e para a crian\u00e7a, tanto no aspecto f\u00edsico, como no emocional. De acordo com a psic\u00f3loga Patricia Roncallo, especializada em maternidade, as rea\u00e7\u00f5es emocionais das mulheres \u00e0 cesariana podem incluir uma ampla gama de sentimentos que variam e se transformam com o tempo: \u201cEnquanto algumas mulheres podem expressar tranquilidade ou gratid\u00e3o, outras podem ter uma experi\u00eancia enormemente angustiante e sentir uma grande tristeza ou at\u00e9 apresentar sintomas de transtorno de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico. Algumas m\u00e3es podem sentir desconhecimento em rela\u00e7\u00e3o ao beb\u00ea e outras podem n\u00e3o perceber a interven\u00e7\u00e3o como algo significativo, at\u00e9 engravidarem outra vez e se aproximar o dia do parto\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gloria Gil, m\u00e3e de dois filhos, sabe disso. Seu primeiro parto terminou em uma cesariana devido ao \u201csofrimento fetal\u201d ap\u00f3s a tentativa de acelerar o processo no hospital. \u201cCheguei ao hospital sem estar em trabalho de parto, mas me deixaram na sala de partos porque n\u00e3o havia leitos dispon\u00edveis. A parteira me avisou que \u201cia demorar\u201d e me incentivou a p\u00f4r a epidural, que eu aceitei, embora n\u00e3o quisesse. Como o parto avan\u00e7ava lentamente, romperam a bolsa para acelerar, mas viram que os sinais do beb\u00ea estavam baixando, pensaram que podia estar enrolado no cord\u00e3o umbilical e, ent\u00e3o, me levaram para a sala de cirurgia\u201d, diz Gloria, que n\u00e3o esquece o momento em que come\u00e7aram a cortar com o bisturi antes de a epidural fazer efeito, nem de como se sentiu \u201cvazia\u201d quando acordou. \u201cN\u00e3o sabia onde meu filho estava e s\u00f3 o vi 24 horas depois. Tive um p\u00f3s-parto com epis\u00f3dios de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico e dificuldades com a lact\u00e2ncia, que consegui resolver porque me empenhei muito\u201d, lamenta.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html derecha\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<blockquote><p>\u201cEnquanto algumas mulheres podem expressar tranquilidade ou gratid\u00e3o, outras podem ter uma experi\u00eancia enormemente angustiante e sentir uma grande tristeza ou at\u00e9 apresentar sintomas de transtorno de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico\u201d<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/10\/30\/politica\/1446235127_667405.html\">Uma das principais queixas de mulheres que passaram por cesariana<\/a>e procuram a associa\u00e7\u00e3o El Parto es Nuestro \u00e9 a separa\u00e7\u00e3o de seus beb\u00eas por v\u00e1rias horas, muitas vezes \u00e9 acompanhada de uma total falta de informa\u00e7\u00f5es sobre o estado dos rec\u00e9m-nascidos. Isso, para Elena Gil, torna a experi\u00eancia muito traum\u00e1tica, al\u00e9m de dificultar o estabelecimento do v\u00ednculo e o in\u00edcio da lacta\u00e7\u00e3o. A associa\u00e7\u00e3o denuncia que algumas mulheres s\u00e3o amarradas ou t\u00eam ambos os bra\u00e7os imobilizados, algo que consideram \u201cuma pr\u00e1tica sem justificativa, violenta e que impede a m\u00e3e de segurar a crian\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E muitas vezes n\u00e3o \u00e9 por onde se nasce, mas como. O filho mais velho de Nerea Zambrano nasceu em uma cesariana programada para a 38\u00aa semana porque estava de n\u00e1degas. A cirurgia foi realizada sem a presen\u00e7a do marido, e ela n\u00e3o se esquece da sensa\u00e7\u00e3o de ter de ficar de bra\u00e7os cruzados e n\u00e3o poder segurar o filho quando ele nasceu. \u201cEu n\u00e3o pude senti-lo sobre a minha pele e, apesar de ter corrido tudo bem, fiquei mais de duas horas em uma sala de reanima\u00e7\u00e3o (para o caso de surgirem complica\u00e7\u00f5es, por puro protocolo). Perdi as primeiras horas de vida do meu filho e, apesar de estar bem fisicamente, emocionalmente eu sempre senti que tinha um espinho que s\u00f3 desapareceu com o nascimento da minha segunda filha em um parto vaginal belo e muito criterioso\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro caso semelhante \u00e9 o de Eul\u00e0lia M. Carbonell, que afirma que, apesar de seu ginecologista ter se esfor\u00e7ado muito para que n\u00e3o fosse assim, a cesariana foi algo frio: \u201cN\u00e3o deixaram meu marido entrar, amarraram minhas m\u00e3os e s\u00f3 pude ver minha filha por alguns segundos e dar-lhe um beijo antes de a levarem. Demorou quase tr\u00eas horas para v\u00ea-la de novo, at\u00e9 que minhas pernas acordaram e me subiram para o quarto onde ela me esperava com o pai\u201d. Embora seja verdade que os protocolos de a\u00e7\u00e3o e boas pr\u00e1ticas influenciar\u00e3o a experi\u00eancia, tamb\u00e9m as expectativas em rela\u00e7\u00e3o ao parto. Para Eul\u00e0lia, a cesariana significou viver a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/maternidad\">maternidade<\/a>, mesmo antes do nascimento de sua filha, com um profundo sentimento de culpa e frustra\u00e7\u00e3o: \u201cQue tipo de m\u00e3e seria para minha filha se eu n\u00e3o fosse nem capaz de traz\u00ea-la ao mundo?\u201d, come\u00e7ou a se perguntar na 38\u00aa semana, quando lhe disseram que a filha estava em apresenta\u00e7\u00e3o pod\u00e1lica e tinha muito pouca chance de girar porque \u201cera muito grande e tinha pouco l\u00edquido\u201d. Meses ap\u00f3s o nascimento de seu beb\u00ea, ela entendeu que n\u00e3o \u00e9 \u201cmenos m\u00e3e\u201d porque deu \u00e0 luz por cesariana e aprendeu a se perdoar por pensar assim. O\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/partos_naturales\">parto vaginal<\/a>\u00a0de sua segunda filha acabou curando suas feridas.<\/p>\n<div class=\"teads-inread\" style=\"text-align: justify;\">\n<div>\n<div id=\"teads1\" class=\"teads-player\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 uma cesariana criteriosa? Para Elena Gil, em primeiro lugar, deve ser justificada por raz\u00f5es m\u00e9dicas e a mulher deve ser informada sobre essas raz\u00f5es, bem como sobre as alternativas, se houver, e dar seu consentimento. \u201cExceto por motivos de for\u00e7a maior, a mulher deve estar consciente, acompanhada da pessoa que escolher, e n\u00e3o deve ser separada do beb\u00ea em nenhum momento.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/09\/29\/estilo\/1412006655_002098.html\">O in\u00edcio da amamenta\u00e7\u00e3o deve ser facilitado imediatamente<\/a>. Essas premissas fazem com que a mulher viva a interven\u00e7\u00e3o de forma menos traum\u00e1tica, favorecem a cria\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo com o beb\u00ea e tornam muito mais prov\u00e1vel o estabelecimento de uma lacta\u00e7\u00e3o bem-sucedida\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua terceira gravidez, Almudena tentaria novamente o parto vaginal com total apoio de sua ginecologista, mas os resultados de alguns exames acabaram levando a uma cesariana programada. \u201cFoi totalmente criteriosa e tranquila. Fez muita diferen\u00e7a conhecer a equipe m\u00e9dica, desde a ginecologista, at\u00e9 a enfermeira, a parteira e o anestesista, que foi o mesmo da minha segunda cesariana e me lembrava dele com muito carinho, porque sempre se disp\u00f4s a me deixar ficar com meu beb\u00ea enquanto terminavam de me costurar para que eu n\u00e3o perdesse essas duas horas sagradas. E, especialmente, tinha na cabe\u00e7a a frase que me disse uma parteira: \u201c\u2018Mesmo que voc\u00ea n\u00e3o tenha o parto com que sonhou, as circunst\u00e2ncias podem ir mudando. Seja flex\u00edvel, n\u00e3o deixe de desfrutar do que vier, porque essa crian\u00e7a s\u00f3 vai nascer uma vez\u2019. E foi o que fiz\u201d, lembra ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cesariana envolve a perda de parto fisiol\u00f3gico como a m\u00e3e poderia ter imaginado, mas para a psic\u00f3loga Patricia Roncallo tamb\u00e9m pode envolver a \u201cvulnerabilidade em que a mergulha a aus\u00eancia do companheiro, a separa\u00e7\u00e3o precoce do beb\u00ea, n\u00e3o iniciar a amamenta\u00e7\u00e3o espontaneamente e uma recupera\u00e7\u00e3o lenta e dolorosa que pode dificultar o cuidado do beb\u00ea\u201d. Para a especialista, \u00e9 importante saber que, quando uma mulher sente ou percebe que sua experi\u00eancia com a cesariana n\u00e3o foi boa, deve avaliar at\u00e9 que ponto essa viv\u00eancia afeta seu dia-a-dia, sua sa\u00fade emocional e sua rela\u00e7\u00e3o com o beb\u00ea e, se for o caso, buscar o apoio necess\u00e1rio.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Romper o silencio do p\u00f3s-parto<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 um enorme sil\u00eancio em rela\u00e7\u00e3o ao p\u00f3s-parto que faz com que\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/01\/11\/actualidad\/1515682730_474645.html\">muitas mulheres vivam essa etapa vital com certa solid\u00e3o<\/a>, mal-estar e incompreens\u00e3o. Patricia Roncallo diz que\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/depresion_posparto\">o sofrimento de uma m\u00e3e durante o p\u00f3s-parto<\/a>\u00a0pode ser desatendido, minimizado e eclipsado pela chegada do beb\u00ea. \u201c\u00c9 frequente que familiares e amigos n\u00e3o perguntem \u00e0 mulher nada al\u00e9m de sua recupera\u00e7\u00e3o f\u00edsica,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/05\/05\/ciencia\/1525542192_173178.html\">espera-se que esteja feliz e plena e \u00e9 cercada de frases feitas que podem ser muito dolorosas<\/a>\u00a0como \u2018o importante \u00e9 que seu beb\u00ea \u00e9 saud\u00e1vel\u2019. \u00c9 preciso levar em considera\u00e7\u00e3o que enquanto o sil\u00eancio cresce, a solid\u00e3o e a dor emocional tamb\u00e9m o fazem\u201d, afirma.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|html\" class=\"sumario_html derecha\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<blockquote><p>\u201cExceto por motivos de for\u00e7a maior, a mulher deve estar consciente, acompanhada da pessoa que escolher, e n\u00e3o deve ser separada do beb\u00ea em nenhum momento. O in\u00edcio da amamenta\u00e7\u00e3o deve ser facilitado imediatamente\u201d<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nerea Zambrano lembra o p\u00f3s-parto ap\u00f3s a ces\u00e1rea como um pesadelo, especialmente pelos coment\u00e1rios ao redor dela e a quantidade de visitas que recebeu (\u201cPrecisava me recuperar e da intimidade de minha casa e n\u00e3o foi poss\u00edvel. N\u00e3o me senti realmente bem at\u00e9 tr\u00eas meses ap\u00f3s parir\u201d). Admite que, se um p\u00f3s-parto ap\u00f3s um nascimento vaginal j\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil, no caso da ces\u00e1rea \u00e9 preciso levar em considera\u00e7\u00e3o a recupera\u00e7\u00e3o da m\u00e3e, que em muitos casos \u00e9 longa e complicada, de modo que encoraja as m\u00e3es que est\u00e3o passando por esse tipo de p\u00f3s-parto que pe\u00e7am ajuda e apoio, tanto aos familiares e pessoas pr\u00f3ximas como aos profissionais da sa\u00fade. \u201cO trabalho das parteiras n\u00e3o acaba ap\u00f3s o parto, tamb\u00e9m est\u00e3o a\u00ed para acompanhar o puerp\u00e9rio\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Parto \u00e9 Nosso contam com uma lista de apoio e informa\u00e7\u00e3o chamada Apoyoces\u00e1reas, embri\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o, e que consiste em uma lista de e-mails em que as interessadas podem se inscrever e em que podem compartilhar suas experi\u00eancias. \u201cExistem hist\u00f3rias de ces\u00e1reas traum\u00e1ticas, mas tamb\u00e9m de partos vaginais ap\u00f3s essas ces\u00e1reas, depoimentos de supera\u00e7\u00e3o e muita empatia e apoio\u201d, diz o assessor de imprensa do grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ler sobre outras experi\u00eancias de mulheres que passaram pelo mesmo que elas ajudou muito Gloria e Almudena. A psic\u00f3loga Patricia Roncallo acha que participar de um grupo de apoio, virtual ou presencial, pode ser de grande utilidade \u00e0 m\u00e3e. Acrescenta que, em fun\u00e7\u00e3o de suas necessidades, pode ser \u00fatil procurar um psic\u00f3logo perinatal para integrar a experi\u00eancia. \u201cO trabalho psicoterap\u00eautico pode ser orientado ao cuidado e fortalecimento da rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e-beb\u00ea, a processar a experi\u00eancia, a nomear todas as emo\u00e7\u00f5es que frequentemente incluem sentimentos de culpa e raiva intensa e a elaborar as dores e perdas que acarretaram\u201d, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs beb\u00eas de ces\u00e1rea nascem mais bonitos\u201d; \u201cO importante \u00e9 que voc\u00ea est\u00e1 bem\u201d; \u201cVoc\u00ea n\u00e3o sofreu as dores do parto\u201d; \u201cUma ces\u00e1rea \u00e9 a melhor op\u00e7\u00e3o\u201d; \u201cQue bobagem, se os m\u00e9dicos falam \u00e9 por alguma raz\u00e3o\u201d; \u201cN\u00e3o \u00e9 para tanto, muitas mulheres passam por isso\u201d; \u201cO importante \u00e9 que voc\u00eas est\u00e3o vivos\u201d. S\u00e3o algumas das frases que as entrevistadas escutaram e consideram infelizes. \u201cCada pessoa tem o direito a expressar o que sente tal como o sente, a tirar de dentro de si. N\u00e3o \u00e9 preciso dizer nada, somente abra\u00e7ar e acompanhar. \u00c9 simples assim\u201d, conclui Almudena<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma ces\u00e1rea, como qualquer interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica, envolve certos riscos para a m\u00e3e e para a crian\u00e7a, tanto no aspecto f\u00edsico, como no emocional<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":251509,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,12],"tags":[],"class_list":["post-251508","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-saude"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/cesare.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251508","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=251508"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251508\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/251509"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=251508"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=251508"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=251508"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}