{"id":251808,"date":"2018-07-29T15:29:34","date_gmt":"2018-07-29T18:29:34","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=251808"},"modified":"2018-07-29T15:29:34","modified_gmt":"2018-07-29T18:29:34","slug":"ha-80-anos-morria-lampiao-o-maior-bandido-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/ha-80-anos-morria-lampiao-o-maior-bandido-do-brasil\/","title":{"rendered":"H\u00e1 80 anos, morria Lampi\u00e3o, o maior bandido do Brasil"},"content":{"rendered":"<div id=\"CW3\" class=\"topo-correio topo-correio-theme1 topo-correio--user-logged topo-correio--sticky\">\n<div class=\"topo-correio__content-area topo-correio__content-area-sticky\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-lg-12 col-md-12\">\n<div id=\"CW253\" class=\"publicidade publicidade-responsive1 \">\n<div id=\"brasilemundo_970x250_01\" data-google-query-id=\"CJuQzqL3xNwCFU4ohwodOvkOcg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/44585206\/c24h_brasilemundo_970x250_01_0__container__\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"container\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\" col-lg-12 col-md-12 col-sm-12 col-xs-12\">\n<div id=\"CW14\" class=\"noticias-single\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-lg-9\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"noticias-single__image\"><img decoding=\"async\" class=\"noticias-single__image-source\" src=\"https:\/\/correio-cdn1.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/2\/b\/csm_lampiao_8870c74a49.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col-xs-12 noticias-single__stick-parent\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-md-7 col-lg-7\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"noticias-single__description visible-lg\" style=\"text-align: justify;\">Por 16 anos, Virgolino Ferreira da Silva foi o terror dos sert\u00f5es. Nenhum criminoso espalhou tanta viol\u00eancia por tanto tempo, com tanto sucesso.<\/div>\n<div class=\"noticias-single__content js-mediator-article\">\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Ainda em vida e durante as oito d\u00e9cadas ap\u00f3s a morte de Lampi\u00e3o, cresceu a imagem de &#8220;bandido-her\u00f3i&#8221;, que tirava dos ricos para dar aos pobres. Em 1931, o New York Times afirmou que seria esp\u00e9cie de Robin Hood, que tira dos ricos e d\u00e1 aos pobres. Ideia que esconde o assassino brutal, que matou inclusive mulheres, crian\u00e7as e idosos de forma indiscriminada e que praticava estupros e outras viol\u00eancias contra mulheres. As boas a\u00e7\u00f5es existiram, mas eram exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\">\n<p class=\"bodytext\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"\" src=\"https:\/\/correio-cdn2.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/8\/7\/csm_bando_c893761ca3.jpg\" alt=\"\" width=\"999\" height=\"405\" \/><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"text-center\">\n<p class=\"text-center\"><strong>Lampi\u00e3o, Maria Bonita e o bando de cangaceiros<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div id=\"brasilemundo_300x250_01\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CJST9qL3xNwCFUpGhgodT50J4A\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/44585206\/c24h_brasilemundo_300x250_01_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\nLampi\u00e3o sabia que estava sendo visto e gostava disso. Quando seu esp\u00f3lio pessoal foi resgatado naquela madrugada de 28 de julho de 1938, momentos depois da morte do bando pelas for\u00e7as volantes do tenente Jo\u00e3o Bezerra, encontraram em seu bornal um exemplar do livro que levava seu nome, de autoria do escritor e m\u00e9dico sergipano Ranulfo Prata. \u00c0s margens das p\u00e1ginas, anota\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio Lampi\u00e3o sobre o texto. Outro escritor, Leonardo Mota, cearense de Pedra Branca, escreveu em 1930 que Lampi\u00e3o parecia &#8220;possuir a vol\u00fapia da espetaculosidade&#8221;. &#8220;Era o maior marqueteiro de si mesmo&#8221;, afirma em entrevista a O POVO o historiador Frederico Pernambucano de Mello.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/correio-cdn3.cworks.cloud\/fileadmin\/user_upload\/correio24horas\/2018\/07\/29\/lampiaocineasta.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"536\" \/><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"text-center\"><strong>Lampi\u00e3o, Maria Bonita e Benjamin Abrah\u00e3o, que filmou o bando<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\nO maior risco que Lampi\u00e3o, o Rei do Canga\u00e7o, vingativo e temido at\u00e9 em pensamento, correu foi quando ficou frente a frente com Maria Gomes de Oliveira, uma baiana alva, baixinha, de nariz arrebitado e pernas inesquec\u00edveis, que tinha sido mulher de Z\u00e9 de Nen\u00e9m-sapateiro aos 15 anos e, naquele 1928, com 18, voltava a ser dona de si. Desde que lhe pediu que bordasse as iniciais CVF em 15 len\u00e7os de seda, quando de passagem pela fazenda de Z\u00e9 Felipe e dona D\u00e9a, o Capit\u00e3o ficou sob a mira da filha deles.<\/p>\n<p>No interior de um Brasil bruto, l\u00e1 onde a cultura do dom\u00ednio e da obedi\u00eancia ainda era intocada, as mulheres sertanejas &#8211; mais longe no espa\u00e7o e no tempo do que as outras &#8211; cumpriam a sina prim\u00e1ria de serem mulheres: nasciam para casar e ter filhos, sem direito \u00e0 vontade e \u00e0 hist\u00f3ria pr\u00f3prias. Ao cruzar os sert\u00f5es nordestinos, indo j\u00e1 para a d\u00e9cada de 1930, o canga\u00e7o significou uma arriscada rota de fuga para 60, 70 mulheres (o registro hist\u00f3rico \u00e9 inexato).\n<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A transforma\u00e7\u00e3o de Maria Gomes de Oliveira, a Maria de D\u00e9a, em estrela nacional come\u00e7ou no dia 29 de dezembro de 1936. Naquela ter\u00e7a-feira, os leitores de O Povo, de Fortaleza, viram, pela primeira vez, a imagem da mulher que largara o marido para viver com o fora da lei mais procurado do Brasil.<\/p>\n<p><strong>DOIS CAMINHOS PARA PERCORRER AS ROTAS DE LAMPI\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Pelo tempo ou pela geografia, confira duas maneiras de conhecer a trajet\u00f3ria do rei do canga\u00e7o<\/p>\n<p>Os itiner\u00e1rios de Lampi\u00e3o demarcam um mapa pr\u00f3prio de viol\u00eancia pelos sert\u00f5es. Certa feita, chegou a declarar que sonhava ser governador. Gostaria de administrar um novo estado sertanejo, formado com parcelas de Pernambuco, Alagoas, Bahia e Sergipe. Nunca pisou em capital alguma. Com ferramenta de georreferenciamento do Google, o mapa abaixo elenca 84 momentos da vida do maior dos cangaceiros, situados conforme a localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica. Separado por cores e camadas, o mapa mostra epis\u00f3dios de guerra e paz marcantes na trajet\u00f3ria. E d\u00e1 a no\u00e7\u00e3o da extens\u00e3o do terror que varreu os sert\u00f5es.<br \/>\nMossor\u00f3, no Rio Grande do Norte, foi a maior cidade atacada por Virgolino Ferreira da Silva. Sua a\u00e7\u00e3o mais ousada &#8211; e sua maior derrota. O bando de Lampi\u00e3o encontrou feroz resist\u00eancia e, ap\u00f3s cerca de uma hora e meia de combate, bateu em retirada. Na fuga, dirigiram-se ao Cear\u00e1. Em 15 de junho de 1927, chegaram a Limoeiro do Norte, no Vale do Jaguaribe. O bando entrou na cidade dando vivas ao governador Jos\u00e9 Moreira da Rocha e ao padre C\u00edcero Rom\u00e3o Batista. De todos os estados nos quais esteve, o Cear\u00e1 foi, de longe, o que menos sofreu com a viol\u00eancia imposta por Lampi\u00e3o. Leia mais\n<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/user_upload\/correio24horas\/2018\/07\/29\/juazeiro.jpeg\" alt=\"\" width=\"731\" height=\"470\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"text-center\"><strong>Em Juazeiro do Norte, na mesma ocasi\u00e3o em que esteve com o padre C\u00edcero, Virgolino reuniu a fam\u00edlia, grande parte da qual havia ido morar na meca do Cariri. Foi a \u00faltima foto de fam\u00edlia. A foto foi cedida por Jo\u00e3o Ferreira, irm\u00e3o de Lampi\u00e3o, para publica\u00e7\u00e3o no livro de Billy Jaynes Chandler. Na foto, Lampi\u00e3o est\u00e1 sentado \u00e0 direita e seu irm\u00e3o Ant\u00f4nio \u00e0 esquerda. No centro est\u00e1 Jo\u00e3o, \u00fanico que n\u00e3o entrou para o canga\u00e7o<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Um dos segredos do sucesso de Lampi\u00e3o era a capacidade de esconder seus rastros. Usavam v\u00e1rios estratagemas para disfar\u00e7ar sinais de sua passagem. Apagavam pegadas, caminhavam para tr\u00e1s de forma a ocultar a dire\u00e7\u00e3o. Para muitos soldados que o perseguiam, o cangaceiro parecia ter poderes sobrenaturais.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"bodytext\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/user_upload\/correio24horas\/2018\/07\/29\/raiox.png\" alt=\"\" width=\"895\" height=\"472\" \/><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\">\n<p class=\"bodytext\">(Arte: Guabiras. Fonte: O POVO.doc)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A longevidade de Virgolino como maior bandido dos sert\u00f5es se explica em grande parte por estrat\u00e9gias que consistiam em lutar apenas quando em condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis, fugir quando o cen\u00e1rio se tornava desfavor\u00e1vel, esconder os rastros e manter ampla pol\u00edtica de alian\u00e7as. M\u00e9todos semelhantes \u00e0s guerrilhas, mas desprovidas do car\u00e1ter pol\u00edtico.<\/p>\n<p>O canga\u00e7o \u00e9 um g\u00eanero cinematogr\u00e1fico tipicamente brasileiro, cuja tem\u00e1tica foi consagrada no cinema nacional por cl\u00e1ssicos, como O Cangaceiro (Lima Barreto, 1953) e Deus e o Diabo na Terra do Sol (Glauber Rocha, 1964). Os prim\u00f3rdios dos filmes de canga\u00e7o remontam \u00e0s d\u00e9cadas de 1920 e 1930, quando o movimento hist\u00f3rico ainda existia e Lampi\u00e3o vagava pelo sert\u00e3o nordestino, povoando o imagin\u00e1rio popular com suas aventuras, para o bem ou para o mal.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/correio-cdn1.cworks.cloud\/fileadmin\/user_upload\/correio24horas\/2018\/07\/29\/joao.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"395\" \/><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"text-center\"><strong>Jo\u00e3o Bezerra, sentado em posi\u00e7\u00e3o proeminante na fileira da frente, com sua tropa<\/strong>\u00a0(Foto: Instituto Hist\u00f3rico de Alagoas)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\nAo longo dos 16 anos nos quais foi o principal criminoso dos sert\u00f5es, Virgolino Ferreira da Silva acumulou muitos inimigos que o combateram com destemor e empenho. Para desgosto de v\u00e1rios deles, Lampi\u00e3o \u00a0veio a morrer pelas m\u00e3os de algu\u00e9m que n\u00e3o era refer\u00eancia de coragem nem honestidade, era suspeito de colaborar com os cangaceiros e liderou o ataque em Angicos quase por acaso.<\/p>\n<p>Em 29 de julho de 1938, o New York Times publicou que &#8220;one-eyed Lampe\u00e3o&#8221;, &#8220;one of the most ruthless killers of the Western World, havia sido morto. O mais prestigioso jornal do mundo se referia ao &#8220;Lampe\u00e3o de um olho s\u00f3&#8221; como &#8220;um dos mais tem\u00edveis cangaceiros do mundo ocidental&#8221;.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\n<strong>Livro de Chandler<\/strong><br \/>\nNa orelha do livro do historiador Billy Jaynes Chandler, que escreveu o que talvez seja a mais importante obra sobre o cangaceiro, \u00e9 dito: &#8220;O que Jesse James foi para os Estados Unidos, Lampi\u00e3o foi para o Brasil, e at\u00e9 mesmo em dose mais forte&#8221;. Soaria provinciano, n\u00e3o fosse a obra de um americano.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Passados 80 anos, n\u00e3o se tem a dimens\u00e3o do interesse e curiosidade mundiais despertados pelo chefe de um bando criminoso que nunca pisou numa capital de estado e restringiu suas atividades \u00e0s regi\u00f5es mais pobres de um Pa\u00eds ent\u00e3o ainda mais perif\u00e9rico. Durante 16 anos, foi o criminoso mais temido, procurado e tamb\u00e9m admirado dos sert\u00f5es. N\u00e3o h\u00e1 paralelo em trajet\u00f3ria t\u00e3o duradoura e bem-sucedida nesse tipo de atividade.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">No mesmo dia em que a not\u00edcia estava no New York Times, O POVO trazia em manchete: &#8220;Decapitados Lampe\u00e3o, sua mulher e nove comparsas&#8221;. A informa\u00e7\u00e3o foi festejada mesmo em locais dos quais o cangaceiro jamais chegara perto. &#8220;A not\u00edcia, como era natural, causou viva sensa\u00e7\u00e3o no Rio, cuja popula\u00e7\u00e3o aguardou com enorme ansiedade sua confirma\u00e7\u00e3o&#8221;, informou O POVO naquele dia. A festa na ent\u00e3o capital federal era previs\u00edvel, pois o combate ao canga\u00e7o se tornara quest\u00e3o de Estado para o governo Get\u00falio Vargas. Estava em seu come\u00e7o a ditadura do Estado Novo &#8211; e nada era mais velho e atrasado que o canga\u00e7o.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A ansiedade quanto \u00e0 confirma\u00e7\u00e3o, relatada pelo O POVO, era previs\u00edvel. Em pelo menos oito ocasi\u00f5es, houve informa\u00e7\u00f5es falsas sobre a morte do &#8220;rei do Canga\u00e7o&#8221;. A \u00faltima delas havia surgido em Sergipe e divulgada em 12 de janeiro no O POVO e um dia depois no New York Times: &#8220;N\u00ba 1 bad man dies in his bed in Brazil&#8221; &#8211; &#8220;homem mau n\u00famero um morre em sua cama no Brasil. A informa\u00e7\u00e3o, equivocada, apontava que Lampi\u00e3o teria sido vitimado por tuberculose.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A not\u00edcia da morte no New York Times mostra que a fama do cangaceiro ia muito al\u00e9m do Nordeste e do Brasil. E o fato de o boato sobre sua morte ter sido veiculado antes demonstra que o interesse por ele n\u00e3o era espor\u00e1dico. Virgolino Ferreira da Silva &#8211; conforme a grafia com &#8220;O&#8221; de sua certid\u00e3o de nascimento &#8211; era personagem sem paralelo no Ocidente. Para os estrangeiros, tratava-se de curiosidade pitoresca. Para os Estados Unidos, soava como reminisc\u00eancia do Velho Oeste.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Para o sertanejo, era personagem algo que lend\u00e1rio. Atribu\u00edam-se a ele poderes m\u00edsticos, &#8220;corpo fechado&#8221; para tantas vezes ter escapado. Ao morrer, falou-se que teria sido envenenado com vinho. D\u00e9cadas depois, dizia-se que ainda estava vivo e refugiado no ent\u00e3o pouco povoado estado de Goi\u00e1s. O canga\u00e7o &#8211; e seu &#8220;rei &#8211; influenciaram decisivamente a ideia que se faz de Nordeste, inclusive esteticamente. A mitologia em torno de Lampi\u00e3o criou ainda a imagem, at\u00e9 hoje difundida, de um &#8220;bandido social&#8221;, um Robin-Hood dos sert\u00f5es. N\u00e3o era bem assim.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Lampi\u00e3o n\u00e3o morreu de tuberculose, tampouco pelas m\u00e3os de algum de seus inimigos mais empenhados, corajosos ou competentes. A a\u00e7\u00e3o que finalmente o matou foi liderada por policial suspeito de colabora\u00e7\u00e3o com criminosos e teve muito de acaso.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A partir do acervo do O POVO e do livro de Chandler, O POVO Online inicia s\u00e9rie de reportagens sobre os 80 anos da morte do rei do canga\u00e7o, o alcance da viol\u00eancia que espalhou e a marca que deixou no imagin\u00e1rio dos sert\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"https:\/\/www.opovo.com.br\/noticias\/brasil\/2018\/07\/ha-80-anos-morria-lampiao-o-maior-bandido-do-brasil.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A reportagem \u00e9 do jornal O Povo<\/a><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por 16 anos, Virgolino Ferreira da Silva foi o terror dos sert\u00f5es. Nenhum criminoso espalhou tanta viol\u00eancia por tanto tempo, com tanto sucesso. Ainda em vida e durante as oito d\u00e9cadas ap\u00f3s a morte de Lampi\u00e3o, cresceu a imagem de &#8220;bandido-her\u00f3i&#8221;, que tirava dos ricos para dar aos pobres. Em 1931, o New York Times [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":251809,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,8],"tags":[],"class_list":["post-251808","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-noalvo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/lampiao.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251808","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=251808"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251808\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/251809"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=251808"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=251808"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=251808"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}